Ausência de drenagem urbana causa prejuízos de mais de R$ 732 bilhões até 2024

A falta de investimentos em drenagem urbana no Brasil tem gerado prejuízos superiores a R$ 732 bilhões entre 2013 e 2024, agravados por enchentes e deslizament…
Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que os desastres naturais causaram prejuízos superiores a R$ 732 bilhões aos estados brasileiros somente entre 2013 e 2024. Tais prejuízos estão ligados a enchentes, alagamentos, deslizamentos e falhas de infraestrutura agravadas pela ausência ou deficiência dos sistemas de drenagem. Os problemas expõem um problema estrutural que vai muito além dos eventos climáticos extremos: a insuficiência dos investimentos em drenagem urbana e sistemas de escoamento das águas pluviais.
Um estudo do Instituto Trata Brasil, de 2025, mostrou que 32,49% dos municípios brasileiros não possuem sistemas de drenagem de águas pluviais, enquanto apenas 5,3% contam com planos específicos para a gestão desse tipo de infraestrutura. “Quando a drenagem não existe ou está defasada, o prejuízo aparece em ruas destruídas, imóveis danificados, paralisação de atividades econômicas, comprometimento de pontes, estradas e outras obras de infraestrutura. São gastos que poderiam ser reduzidos ou até evitados com planejamento e manutenção adequados”, afirma Marcus Vinicius Rodrigues Mendes, que atua no setor de infraestrutura externa nos Estados Unidos, com experiência em drenagem, escavação, contenção de solos e soluções voltadas à prevenção de falhas estruturais, controle de erosão e manejo de águas pluviais, uma parcela significativa desses prejuízos poderia ser evitada por meio de planejamento adequado e investimentos preventivos.
Para o especialista, os impactos da ausência de drenagem representam um efeito em cadeia que podem comprometer a economia local durante anos, exigindo investimentos contínuos em reconstrução e afetando diretamente a produtividade, a mobilidade urbana e a prestação de serviços essenciais. “O custo de não investir em drenagem é muito maior do que o investimento necessário para implantar e manter sistemas eficientes. Quando uma cidade sofre com enchentes recorrentes, toda a cadeia econômica é afetada, desde o comércio local até a logística e os serviços públicos”, explica.
O setor de seguros também sente os efeitos com o aumento dos eventos climáticos extremos que tem elevado o volume de indenizações relacionadas a alagamentos, deslizamentos e danos estruturais. Como consequência, os custos das apólices tendem a subir em regiões consideradas mais vulneráveis, transferindo parte dos impactos financeiros para empresas e moradores. Além disso, urbanização desordenada, ocupação inadequada do solo e impermeabilização excessiva das cidades contribuem para potencializar os efeitos das chuvas intensas. Sem áreas adequadas para infiltração da água e sem infraestrutura compatível com o crescimento urbano, os riscos aumentam a cada novo evento climático. “O investimento em prevenção raramente recebe a mesma atenção que as obras emergenciais realizadas após um desastre. No entanto, quando existe planejamento, manutenção contínua e execução técnica adequada, a drenagem se torna uma das ferramentas mais eficientes para proteger vidas, patrimônios e recursos públicos”, destaca Mendes. Diante do aumento da frequência dos eventos climáticos extremos, o especialista defende que a drenagem urbana deixe de ser tratada como uma medida corretiva e passe a integrar o planejamento estratégico das cidades. Afinal, deveríamos parar de questionar quanto custa investir em drenagem, mas quanto o país continuará pagando por não o fazer.








