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Automação industrial e sustentabilidade

Por Pedro Okuhara * O crescimento populacional e o ritmo acelerado em que o mundo está, vem aumentando o consumo dos recursos naturais e poderá ser uma catástrofe para as gerações futuras. A preservação da biodiversidade é ponto fundamental para que empresas possam evoluir sustentavelmente, evitando possíveis desequilíbrios no meio ambiente, que poderiam proliferar pragas, vírus e doenças. Cada vez mais, o crescimento sustentável de uma empresa não depende apenas do pilar econômico. Suas ações no âmbito social e ambiental podem impactar no seu resultado final, caso não haja equilíbrio entre eles. Dessa forma, o investimento em automação industrial e Indústria 4.0 podem ser caminhos para equilibrar esses pilares, aplicando assim diversas novas tecnologias para facilitar o desenvolvimento sustentável do negócio, trazendo benefícios como eficiência energética, redução do desperdício de água, redução de emissão de poluentes, entre outros. Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, o mundo vinha sofrendo um impacto muito grande com o crescimento desenfreado de consumo dos recursos naturais, porém no início da pandemia, mais precisamente no final de abril de 2020, segundo um artigo publicado em maio de 2020 pela Nature Climate Research, tivemos uma redução mundial de 17% nas emissões de carbono em relação ao ano passado. Esse mesmo estudo mostra que, no Brasil, a redução atingiu 25%, fortemente impactada pelos setores de transporte e indústria, que passaram por um período muito atípico e foram obrigados a reduzir o ritmo, enquanto vivíamos em meio às diversas incertezas na luta contra a Covid-19. Em paralelo, foi possível observar a natureza se revigorar: o maior buraco na camada de ozônio se fechou no início de maio; os dois países com maior densidade populacional do mundo tiveram seus níveis de poluição reduzidos e, consequentemente, a sua emissão de CO2. Em Veneza, as águas dos canais ficaram claras e nítidas; animais silvestres em extinção voltaram a acasalar, devido à ausência de pessoas nos zoológicos; entre diversos outros exemplos de como o planeta voltou a "respirar" novamente. A transformação digital abordada pela Indústria 4.0 é muito enfática sobre como a automação, a robótica e a inteligência artificial irão aumentar a escala de produção, fazendo produtos complexos e personalizados de forma mais rápida e perfeita. Porém, muitas vezes ela deixa de destacar todo o ganho em eficiência no processo que faz a indústria economizar em matéria-prima, seja com água ou outro insumo, desperdiçando menos recursos naturais e reduzindo o impacto no meio ambiente. Além disso, os profissionais do chão de fábrica terão vidas mais saudáveis, deixando de trabalhar em processos repetitivos exaustivos durante várias horas diárias, para desempenhar rotinas administrativas de controle. A inteligência artificial poderá fazer análises em tempo real, mostrando soluções otimizadas de processo ou alternativas de materiais com menor impacto ambiental, atingindo o mesmo resultado no produto final. O consumo consciente é um tema novo, mas que já nasce com os jovens da geração Millennials (nascidos após os anos 2000), que desde o início de sua educação já aprendem a se preocupar com os impactos que o consumo de um produto pode ter no meio ambiente, assim como a empresa que desenvolve e comercializa essa mercadoria faz para minimizar os impactos gerados, seja através de investimentos em novos materiais, biodegradáveis ou recicláveis, em ações de reflorestamento, utilização de energia e processos limpos, ou até mesmo em projetos sociais para a comunidade. Apesar das grandes companhias já estarem engajadas quando o tema é Sustentabilidade, é possível notar um movimento muito forte de pequenas e médias empresas em levar este assunto cada vez mais a sério. O crescimento de nichos de mercado, onde a preocupação com o meio ambiente é ponto crucial, também estimula as empresas a se preocupar com suas ações, independentemente do seu porte. A automação e a Indústria 4.0 terão papéis fundamentais no avanço da manufatura de forma sustentável, e suas tecnologias farão os impactos reduzirem, contribuindo para a manutenção de todo ecossistema. No Japão, a cultura da sustentabilidade já nasce tanto nas empresas quanto na sociedade, e esperamos que o Brasil possa se espelhar nas ações de diversos países que estão à nossa frente, aplicando tecnologias que possam auxiliar na eficiência produtiva e ambiental. * Pedro Okuhara é Especialista de produtos da Mitsubishi Electric do Brasil

Por Pedro Okuhara * 

O crescimento populacional e o ritmo acelerado em que o mundo está, vem aumentando o consumo dos recursos naturais e poderá ser uma catástrofe para as gerações futuras. A preservação da biodiversidade é ponto fundamental para que empresas possam evoluir sustentavelmente, evitando possíveis desequilíbrios no meio ambiente, que poderiam proliferar pragas, vírus e doenças. 

Cada vez mais, o crescimento sustentável de uma empresa não depende apenas do pilar econômico. Suas ações no âmbito social e ambiental podem impactar no seu resultado final, caso não haja equilíbrio entre eles. Dessa forma, o investimento em automação industrial e Indústria 4.0 podem ser caminhos para equilibrar esses pilares, aplicando assim diversas novas tecnologias para facilitar o desenvolvimento sustentável do negócio, trazendo benefícios como eficiência energética, redução do desperdício de água, redução de emissão de poluentes, entre outros. 

Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, o mundo vinha sofrendo um impacto muito grande com o crescimento desenfreado de consumo dos recursos naturais, porém no início da pandemia, mais precisamente no final de abril de 2020, segundo um artigo publicado em maio de 2020 pela Nature Climate Research, tivemos uma redução mundial de 17% nas emissões de carbono em relação ao ano passado. Esse mesmo estudo mostra que, no Brasil, a redução atingiu 25%, fortemente impactada pelos setores de transporte e indústria, que passaram por um período muito atípico e foram obrigados a reduzir o ritmo, enquanto vivíamos em meio às diversas incertezas na luta contra a Covid-19. 

Em paralelo, foi possível observar a natureza se revigorar: o maior buraco na camada de ozônio se fechou no início de maio; os dois países com maior densidade populacional do mundo tiveram seus níveis de poluição reduzidos e, consequentemente, a sua emissão de CO2. Em Veneza, as águas dos canais ficaram claras e nítidas; animais silvestres em extinção voltaram a acasalar, devido à ausência de pessoas nos zoológicos; entre diversos outros exemplos de como o planeta voltou a "respirar" novamente. 

A transformação digital abordada pela Indústria 4.0 é muito enfática sobre como a automação, a robótica e a inteligência artificial irão aumentar a escala de produção, fazendo produtos complexos e personalizados de forma mais rápida e perfeita. Porém, muitas vezes ela deixa de destacar todo o ganho em eficiência no processo que faz a indústria economizar em matéria-prima, seja com água ou outro insumo, desperdiçando menos recursos naturais e reduzindo o impacto no meio ambiente. Além disso, os profissionais do chão de fábrica terão vidas mais saudáveis, deixando de trabalhar em processos repetitivos exaustivos durante várias horas diárias, para desempenhar rotinas administrativas de controle. A inteligência artificial poderá fazer análises em tempo real, mostrando soluções otimizadas de processo ou alternativas de materiais com menor impacto ambiental, atingindo o mesmo resultado no produto final. 

O consumo consciente é um tema novo, mas que já nasce com os jovens da geração Millennials (nascidos após os anos 2000), que desde o início de sua educação já aprendem a se preocupar com os impactos que o consumo de um produto pode ter no meio ambiente, assim como a empresa que desenvolve e comercializa essa mercadoria faz para minimizar os impactos gerados, seja através de investimentos em novos materiais, biodegradáveis ou recicláveis, em ações de reflorestamento, utilização de energia e processos limpos, ou até mesmo em projetos sociais para a comunidade. 

Apesar das grandes companhias já estarem engajadas quando o tema é Sustentabilidade, é possível notar um movimento muito forte de pequenas e médias empresas em levar este assunto cada vez mais a sério. O crescimento de nichos de mercado, onde a preocupação com o meio ambiente é ponto crucial, também estimula as empresas a se preocupar com suas ações, independentemente do seu porte. A automação e a Indústria 4.0 terão papéis fundamentais no avanço da manufatura de forma sustentável, e suas tecnologias farão os impactos reduzirem, contribuindo para a manutenção de todo ecossistema. No Japão, a cultura da sustentabilidade já nasce tanto nas empresas quanto na sociedade, e esperamos que o Brasil possa se espelhar nas ações de diversos países que estão à nossa frente, aplicando tecnologias que possam auxiliar na eficiência produtiva e ambiental. 


* Pedro Okuhara é Especialista de produtos da Mitsubishi Electric do Brasil

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Artigo por Marcos Matias Por Marcos Matias * A mudança climática é a questão mais marcante dos tempos atuais. Então, alcançar a neutralidade do carbono até 2050 se tornou uma prioridade indispensável para o mundo. Estamos bastante confiantes de que isso é possível, considerando o importante protagonismo do setor corporativo durante a COP26, com um engajamento inédito em relação à agenda climática. Mas por onde começamos esse processo de sustentabilidade? Como todos sabemos, as empresas têm grande responsabilidade pelo alto nível de emissões e vivemos um momento em que elas finalmente perceberam a urgência em desenvolver — e executar — um plano de ação climática na jornada rumo à descarbonização. É possível garantir que os investimentos retornem na forma de crescimento econômico. Por isso, vamos sugerir iniciativas que podem servir de base para as empresas em suas ações que contribuem com a jornada rumo à descarbonização do meio ambiente. Infraestrutura de energia inteligente - Essa é a espinha dorsal de um ecossistema sustentável e resiliente. As empresas devem integrar a automação aos sistemas de gerenciamento de energia, remodelando o tipo de consumo a partir de uma análise de suas emissões feita em tempo real que permitirá a prática de estratégias robustas para mitigação das mudanças climáticas. Um exemplo prático é a ampla adoção de tecnologias elétricas e digitais, como uso de bombas de calor e sistemas digitais de gerenciamento de energia, podendo diminuir a demanda de energia dos edifícios em até 40% e ajudar significativamente a promover mudanças, reduzir emissões e combater o impacto ambiental. Defesa dos resultados – As empresas também precisam defender os resultados dos investimentos feitos visando a neutralidade de carbono. Para isso, recomenda-se que sigam um plano de política climática e baseado na ciência, fazendo parte das iniciativas EP100 e EV100, ambas do Climate Group , e participando de outras ações globais. Como alcançar a neutralidade de carbono até 2050 é missão urgente e crítica, torna-se importante defender as atividades, estratégias e progresso de forma proativa. Colaboração global – É necessário construir uma coalizão verdadeiramente global para alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Cada empresa, instituição financeira, cidade e país deve traçar estratégias no sentido de eliminar as emissões globais de forma significativa. Para que esses três passos sejam executados, felizmente temos a tecnologia ao nosso lado. Então, é hora de acompanharmos como serão tomadas as decisões necessárias para promover a conscientização energética e, consequentemente, alcançar a neutralidade de carbono até 2050, o que pode garantir que os investimentos retornem na forma de crescimento econômico para empresas e cidades a partir de um plano bem estruturado. * Marcos Matias é Presidente da Schneider Electric no Brasil

7 de fevereiro, 2022
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Artigo por Pedro Okuhara Por Pedro Okuhara * Durante um anúncio em rede nacional, no começo de setembro de 2021, o ministro de Minas de Energia, Bento Albuquerque, pediu "uso consciente" de água e energia elétrica para reduzir a pressão sobre o sistema elétrico brasileiro. Mesmo sem utilizar o termo "racionamento" para evitar impactos econômicos negativos, a sabedoria popular sugere que "para bom entendedor, meia palavra basta". Portanto, esse é momento de buscar soluções capazes de aumentar a eficiência energética em todos os setores da Indústria, agora não apenas pela questão de custo, mas também para não haver risco de falta de energia no país. O ponto de partida para a econômica de energia elétrica, como em outras situações, está na identificação precisa dos gargalos, ou seja, é preciso conhecer a fundo os gastos energéticos, através de análises internas que entreguem um panorama geral, utilizando equipamentos e soluções para monitoramento e gestão de energia. Conhecimento é a base da eficiência energética O rateio de energia surge como uma solução para aumentar a transparência interna relacionada ao consumo energético, gerando indicadores para tomada de decisão, desenvolvimento de projetos de eficiência energética, e o mais importante, aumentar a lucratividade. Mas, para isso, é preciso saber exatamente o consumo em cada etapa da produção, ou até mesmo, em cada equipamento ou setor na linha de produção. O monitoramento de todas as máquinas e equipamentos parece algo distante e que depende de alto investimento, mas com uma crescente demanda no mercado, inclusive para aquelas empresas que já estão se planejando ou implementando a Indústria 4.0. É a partir desses dados que serão retiradas oportunidades de eficiência energética significativas, como retrofit em equipamentos, soluções alternativas para partidas de motores, readequação de linhas de produção, entre outras. Definição de um plano estratégico Um plano estratégico de gerenciamento de energia com rateio de custos bem-sucedido identifica as principais oportunidades, define metas, rastreia o progresso e relata os resultados enquanto visa a economia de energia. Na maioria das vezes, existe a necessidade de criar etapas, para diluir o investimento em partes (por linha de produção, por prédio, por tipo máquina, etc), criando um cronograma de implementação de monitoramento da operação. Lembrando que o mais importante é iniciar, mesmo que de forma tímida, e ir expandindo aos poucos. Um planejamento eficaz garante a melhoria contínua da gestão energética, aumenta o valor das plantas industriais, comerciais e residenciais, além de melhorar a competitividade e lucro da produção. Alcançar um estágio de eficiência energética significa usar menos energia para alcançar os mesmos resultados. Ser energeticamente eficiente e melhorar a produtividade energética em nossos produtos, residências e edifícios comerciais pode ajudar, além de reduzir as contas de energia, a proteger o meio ambiente e criar uma cultura de sustentabilidade. * Pedro Okuhara é Especialista de produtos e aplicação da Mitsubishi Electric.

9 de outubro, 2021
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Artigo por Carlos Urbano Por Carlos Urbano * Nos últimos 18 meses, em um período no qual ninguém sonharia ser possível, conquistamos coisas incríveis. Várias vacinas foram desenvolvidas, testadas, aprovadas e produzidas em massa no decorrer de um ano, diferentemente de antes, quando isso poderia demorar cerca de uma década. Indústria após indústria se adaptaram a métodos 100% remotos de trabalho em meses, em vez dos cinco a sete anos que normalmente levariam. As empresas reconfiguraram e adaptaram completamente as cadeias de abastecimento para garantir que produtos, de EPI a papel higiênico e alimentos frescos, pudessem ser adquiridos, produzidos e despachados nas quantidades necessárias, apesar do fechamento de fábricas e de fronteiras. A tecnologia digital tem sido fundamental para permitir cada um desses sucessos no período de tempo acelerado em que foram alcançados. À medida que voltamos nossa atenção para o maior desafio que enfrentamos coletivamente, o aquecimento global, acredito que o digital é a bala prata que procuramos. Por que o digital é a chave para combater as mudanças climáticas? Para evitar uma catástrofe ambiental, precisamos reduzir as emissões de poluentes o máximo que pudermos (em última análise, 100%) o mais rápido possível (nos próximos 30 anos). O digital é um acelerador comprovado de mudança em todas as facetas da sociedade. As tecnologias já existem e podem ser adotadas imediatamente. Isso permite não apenas reduzir as emissões, mas também oferecer um retorno sobre o investimento que significa mais do que se paga ao longo do tempo. Entre os impactos da digitalização nas mudanças climáticas, podemos citar: 1) Visibilidade : as ferramentas digitais nos ajudam a ver e medir o que não podemos capturar a olho nu. A mudança climática é o problema energético: 80% de todas as emissões de carbono estão ligadas à energia. Reduzir (ou erradicar) a perda e o desperdício de energia são medidas que podem ser tomadas hoje com tecnologias que nos permitem monitorar o desempenho e a eficiência energética de casas, escritórios e indústrias. 2) Eficiência : o que pode ser medido pode ser melhorado e otimizado. No geral, dois terços do potencial de eficiência são inexplorados no que diz respeito à economia de energia: 82% em edifícios, 58% na indústria e 79% em infraestrutura. Mesmo os processos de uso intensivo de energia, como a produção de petróleo e gás, podem alcançar reduções significativas nas emissões com melhor planejamento e implantação de soluções digitais. Um estudo recente que realizamos com a McDermott e a io Consulting descobriu que uma redução surpreendente de 76% nas emissões operacionais de instalações de petróleo e gás poderia ser alcançada com um aumento mínimo de gastos de 2%. Isso poderia ser fornecido por meio de uma combinação de energia de rede renovável digital, quadro de distribuição sem SF6 e certas modificações que permitiriam às instalações se livrar das chamadas emissões fugitivas, promovendo operações remotas e a segurança da equipe. 3) Interoperabilidade : soluções projetadas para diminuir erros e dar visibilidade completa de um projeto. Soluções interoperáveis ajudarão a reduzir erros e a criar um sistema de visibilidade completa desde o projeto até o nível de operações, especialmente no ponto em que a colaboração dentro ou fora do local é dada em uma série de segmentos críticos, incluindo estoque de edifícios, rede, transporte e projetos de infraestrutura-chave. Conectar todos os elementos dentro dos edifícios, que respondem por 40% das emissões de carbono, ajudaria a resolver um dos grandes desafios do nosso tempo – a eficiência da construção. 4) Capacitação : implantação e gerenciamento da transição para energias renováveis. À medida que as energias renováveis substituem os combustíveis fósseis, sua produção começa a mudar de mãos. Além dos grandes produtores de energia, existem empresas e indivíduos que a geram por si mesmos e a vendem para a rede. Nossos padrões de uso estão se adaptando com a migração para veículos elétricos, bombas de calor elétricas e serviços de streaming. E estamos consumindo mais eletricidade do que nunca. As tecnologias digitais são essenciais para criar a rede inteligente de próxima geração e para apoiar a integração e a gestão de painéis solares, o carregamento de EV e o aquecimento em casa e nos locais de trabalho. 5) Inovação : o aumento do investimento sustentável gera impacto em escala Com o rápido avanço das tecnologias digitais, podemos acelerar o progresso para cumprir os compromissos globais com as mudanças climáticas usando as ferramentas à nossa disposição hoje. E não há tempo a perder. Governos, empresas e sociedades têm demonstrado grande agilidade para priorizar a saúde pública. Agora precisamos aplicar a mesma urgência quando se trata da saúde de nosso planeta. O digital fornece uma mudança radical na forma como abordamos, entregamos e dimensionamos os esforços de sustentabilidade. Um futuro líquido zero de carbono é certamente verde, mas também deve ser digital e elétrico. * Carlos Urbano é Diretor de Industrial Automation da Schneider Electric Brasil

7 de setembro, 2021
O que a próxima década reserva para energia e sustentabilidade
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O que a próxima década reserva para energia e sustentabilidade

Artigo por Dominic Barbato Por Dominic Barbato * Os setores de energia e sustentabilidade passaram por mudanças mais rápidas entre 2010 e 2020 do que nos 50 anos anteriores. Na nova década, essa transformação global não mostra sinais de desaceleração – apesar da crise da Covid-19. As empresas estão se movendo mais rapidamente e de diferentes formas inovadoras para lidar com as próprias emissões de carbono e as de toda a sua cadeia de valor. Para muitos, 2020 foi um ponto de inflexão para a ação climática e 2030 será o próximo grande marco, fazendo com que muitos se perguntem: que progresso, interrupções e oportunidades as empresas podem esperar futuramente? O surgimento de uma economia de identidade Atualmente, o modelo de economia de experiência está sendo substituído pela economia da identidade. Isso porque as novas gerações de consumidores e funcionários valorizam cada vez mais as marcas nas quais se sentem representados. Os indivíduos desejam interagir com organizações que compartilham seu ethos e optam pelas marcas não apenas com base nos bens e serviços que esta produz, mas também no seu legado. A sustentabilidade é um dos principais, senão o mais importante, fator de influência. Além disso, as iniciativas que tiverem esse conceito intrínseco poderão observar mais rapidamente a aceleração da lucratividade, terão uma melhor direção estratégica e contarão com uma gestão financeira e de riscos mais assertiva, garantindo a continuidade do negócio. Podemos pegar como exemplo disso empresas líderes em todo o mundo que atraem talentos por conta de seus compromissos com o meio ambiente, práticas de comércio justo, uso de tecidos reaproveitados, embalagens compostáveis ou outros atributos semelhantes. Algumas até articulam como os preços mais altos de certos bens contribuem para a comunidade local, o uso mais sustentável da terra e até mesmo a rastreabilidade dos insumos. Possivelmente, nos próximos dez anos, as empresas precisarão investir ainda mais em ações decisivas que atendam às demandas de sustentabilidade de seus acionistas, clientes, conselhos, executivos, funcionários, entre outros, para aproveitar as oportunidades apresentadas e estar em consonância com as mudanças do mundo. Reimaginando a rede de energia para um futuro sustentável A sustentabilidade também poderá ser observada na utilização energética. A Bloomberg New Energy Finance acredita que a energia eólica e a solar fornecerão 50% da eletricidade mundial até 2050. E, quando o armazenamento da bateria se tornar mais econômico, podem atingir 80% de penetração em alguns mercados. Fato é que o gerenciamento de energia convencional com combustível fóssil está sendo desafiado pela rede de geração renovável e recursos de energia distribuída (DERs). Na maioria dos mercados globais, esta última já está começando a rivalizar e a ultrapassar até mesmo as fontes mais baratas. Embora a maioria das opções de armazenamento de energia em grande escala ainda não seja comercialmente viável, não podemos presumir que esse cenário irá se manter até 2030. Ao mitigar os problemas de intermitência e carga de base que as fontes de energia renováveis enfrentam, as barreiras que impedem uma maior adoção de recursos eólicos e solares desaparecerão. Dessa forma, as microrredes vão conectar uma combinação de tecnologias limpas, ajudar as organizações a operar de forma autônoma em relação à rede tradicional e integrar fontes renováveis em uma escala ainda maior. Um dos grandes valores das tecnologias de microrrede é que elas permitem que as organizações operem independentemente da rede elétrica – uma estratégia preparada para, no futuro, gerenciar interrupções no fornecimento de energia causadas por eventos climáticos extremos ou, como estamos vivenciando, pandemias. Recursos autônomos vão impulsionar o crescimento do ecossistema de energia renovável A forma como se gerencia e se monitora a energia também está mudando, junto com o seu fluxo. A proliferação de energias renováveis e outros DERs começaram a testar muitas das suposições de longa data que sustentam os sistemas de energia de hoje e estão impulsionando a inovação, à medida que os produtores e consumidores buscam monetizar a flexibilidade de seus DERs usando fluxos de energia bidirecionais. No futuro, inúmeros DERs de todos os tamanhos e variedades criarão novas oportunidades de mercado para que os produtores e consumidores otimizem seus recursos de energia. Hoje já temos um exemplo disso. Enquanto o carro elétrico está parado em uma garagem, ele pode atuar como um DER – baixando energia quando há um excedente da rede ou carregando eletricidade sobressalente de volta para a rede quando há uma escassez – e, no processo, reduzir potencialmente os custos de carregamento. Além disso, graças aos microchips de baixo custo habilitados para comunicação e incorporados em tudo, desde eletrodomésticos até veículos elétricos e lâmpadas inteligentes, a capacidade de criar uma resposta em qualquer número de ativos altamente distribuídos existe hoje. Esse nível de interconexão pode parecer futurístico, mas é o centro da revolução da Internet das Coisas (IoT), que está impulsionando a inovação em praticamente todos os setores globais. Por isso, nesses tempos de incerteza, olhar para o futuro da energia e da sustentabilidade inspira esperança e o propósito de fazer melhor. Esse sentimento pode revolucionar a maneira como os negócios funcionam hoje e estimular a adoção de práticas que beneficiem não só os resultados financeiros, mas também o meio ambiente. * Dominic Barbato é diretor de Estratégia da Schneider Electric, serviços de energia e sustentabilidade

31 de agosto, 2021
Crise hídrica exige soluções energéticas eficientes
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Crise hídrica exige soluções energéticas eficientes

Por Hélio Sugimura* Essa não é a primeira ocasião em que o fornecimento de energia elétrica se torna um ponto de preocupação para líderes de negócio no Brasil. Em 2001, o país sofreu diversos apagões e os consumidores residenciais e industriais foram obrigados a racionar energia no Distrito Federal e em mais 16 estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, reduzindo em 20% o consumo de energia elétrica. E, mesmo 20 anos depois, autoridades e especialistas ainda não cogitaram a possibilidade de racionamento, mas não descartam a ocorrência de apagões e a situação não é confortável, tanto que o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) vem fazendo uma série de alertas a cada nova reunião sobre o possível anúncio de medidas por parte do Governo Federal como a criação de comitê de crise e programas para reduzir o consumo industrial nos horários de pico. O que tem freado a adoção de medidas mais drásticas para enfrentar a crise hídrica certamente é a pandemia COVID-19 que, mundialmente, diminuiu o consumo de energia tanto nos setores da indústria quanto no comércio, que tiveram as suas atividades reduzidas. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a escassez de chuvas para a geração de energia é a pior em 91 anos, e como mais da metade da matriz energética do Brasil é baseada em hidrelétricas, o acionamento de usinas termelétricas - opção mais cara - significa uma conta de luz com valor mais alto tanto para consumidores residenciais como comerciais ou industriais. Por outro lado, de acordo a Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica publicada em junho de 2021, elaborada pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética - instituição pública vinculada ao Ministério das Minas e Energia), em maio de 2021 houve um aumento de 22,5% no consumo energético industrial, ante o mesmo mês em 2020. O consumo industrial foi o que apresentou o maior crescimento, puxado pelos setores de metalurgia, químico e automotivo, à frente do setor comercial (16,7%) e residencial (1,6%). Ainda segundo a EPE, no seu Balanço Energético Nacional 2020, o setor industrial foi responsável pelo consumo de 30,4% da energia produzida no Brasil em 2019. Diante desse cenário, e com as perspectivas de retomada da economia pós pandemia, além do crescente aumento nas tarifas, é crucial investir em soluções que gerem mais eficiência energética em plantas industriais. O passo a passo para reduzir o consumo energético O primeiro passo para acompanhar a eficiência energética, principalmente na Indústria, é a capacidade de medir o consumo de energia, cruzar com a quantidade de peças produzidas ou volume de produção e criar um indicador de eficiência através dessa relação. Dessa forma é possível avaliar a eficiência energética e identificar pontos de melhoria, com dados entregues em tempo real, de forma ágil e de fácil compreensão, sobre o suprimento de energia ou do status operacional de uma máquina. Em segundo lugar, é preciso monitorar e avaliar os gastos por departamento, linha de produção ou instalação, independentemente do porte da empresa. Com soluções inteligentes de monitoramento é possível quantificar o consumo de forma transparente, o que irá se refletir não apenas na eficiência energética de um equipamento, mas também na melhor gestão financeira da empresa, a partir da visualização do gasto em todos os departamentos. O monitoramento dessas informações é o passo inicial para uma gestão energética eficiente. Esses dados são fundamentais para análise, controle de custos, rateio de consumo, controle de demanda, entregues de forma gráfica e com relatórios detalhados, simples e automatizados. Em especial na Indústria, além da medição e monitoramento, é importante um olhar dedicado aos motores, que segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), representam, ao lado de refrigeração, ar comprimido e iluminação mais de 50% dos custos com energia elétrica nas empresas. Nesses casos, a recomendação é utilizar dispositivos como inversores de frequência e conversores regenerativos, que podem reduzir em até 30% o consumo de energia nos motores elétricos. O futuro começa agora Atualmente não é possível, tanto do ponto vista econômico quanto ambiental, não investir em soluções que ofereçam uma melhor eficiência energética, reduzindo o custo no processo de fabricação ou no fornecimento de um serviço. Para cada tipo de demanda, existe uma solução que entregará dados sobre o consumo energético em tempo real, otimizando a tomada de decisão e garantindo uma gestão mais eficiente. Os impactos do uso de energia afetam a todos nós e, consequentemente, todos devemos estar preocupados em como usar esse recurso de forma mais eficiente. A maior eficiência energética resulta em custos operacionais mais baixos para todos os negócios, permitindo que uma empresa "eficiente" ganhe uma vantagem competitiva sobre seus competidores que ainda não entenderam que o futuro começa agora. E o futuro não costuma perdoar erros. * Hélio Sugimura é Gerente de Marketing da Mitsubishi Electric

22 de julho, 2021
Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis
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Por Leandro Bertoni * Sabemos que as empresas do setor de energia elétrica já vêm implementando diversas estratégias com foco na redução da emissão de gás carbônico (CO2). Porém, é fundamental que essas empresas também dediquem seus esforços para serem sustentáveis do ponto de vista ambiental, gerando uma eletricidade “limpa” que ajude a evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5º C. Prevê-se que a procura mundial de eletricidade aumente em 60% até 2040. Por outro lado, a boa notícia é que durante o mesmo período se espera que a porcentagem de eletricidade solar e eólica no mundo triplique. Essa possível mudança nas fontes de abastecimento representa um novo nível de desafios e oportunidades para a oferta e procura da energia. Por isso, um futuro sustentável e baseado em energias renováveis exigirá o apoio e a inovação de todos os agentes do setor. Do lado da procura, a complexidade vem da interação com os mercados energéticos, uma vez que os “novos clientes” não são apenas consumidores de energia (como acontecia antigamente). Tornaram-se gestores, tanto em termos de consumo como da própria produção da energia. Do lado da oferta, a complexidade é maior, pois envolve operação, planejamento, investimento e estratégia para o consumo de energia. E, tanto para procura quanto para oferta, existem soluções de medição graças à tecnologia digital, as quais são suficientemente flexíveis para suportar os desafios atuais e permitir a preparação para o futuro. Mesmo assim, é importante destacar que a digitalização deve ser acompanhada de outras iniciativas para que as empresas de energia atinjam os objetivos de sustentabilidade e permaneçam competitivas. Alguns exemplos dessas iniciativas: Integrar mais energias renováveis em todos os níveis da rede para substituir os combustíveis fósseis. Utilizar equipamentos modernos, como um quadro de média tensão sem gás de efeito estufa hexafluoreto de enxofre (SF6) que utiliza apenas ar e vácuo. Focar no aumento da eficiência não só da rede mas também da força de trabalho, reduzindo a sua movimentação por meio de maior utilização de dados e troca das frotas atuais por veículos elétricos. Aumentar a utilização de energias renováveis descentralizadas é, portanto, essencial para as empresas de eletricidade terem a sustentabilidade em todos os aspectos do seu negócio e, consequentemente, ajudarem no alcance dos objetivos climáticos. Como benefício desse novo “comportamento sustentável”, haverá mais confiabilidade e disponibilidade no sistema energético utilizado em todo o planeta. * Leandro Bertoni é Vice-presidente da unidade de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul.

17 de julho, 2021
O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia
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O meio ambiente grita pelo uso mais racional da água e energia

Por Marco Dutra * Conhecido pela abundância dos recursos hídricos, o Brasil tem vivido períodos de escassez. O país enfrenta uma situação crítica com o menor nível de chuvas dos últimos 91 anos, com reflexos na retomada da economia e em outros setores importantes, a exemplo do elétrico e da agricultura. As transformações no meio ambiente, impulsionadas pelo avanço da globalização, têm causado inúmeras mudanças climáticas, ocasionando em baixas precipitações pluviométricas, aumento das estiagens e secas, assim como os desastres provocados pela natureza. No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado dia 5 de junho, somos convocados a reduzir o nosso consumo para mitigar a possibilidade de racionamento. O que nos faz lembrar da finitude dos recursos naturais - motivo que por si só reforça o uso mais racional da água e da energia. Só a mudança de hábitos dos brasileiros pode mudar esse cenário, inclusive na decisão de compra do consumidor, por meio da escolha de produtos eficientes que geram redução de consumo e despesas. É evidente e primordial que os setores da economia incrementem investimentos na área socioambiental e de governança (ESG). De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o setor agrícola consome 70% de água, a indústria 22% e o uso residencial 8%. Segundo o boletim anual de mercado da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), divulgado neste ano, 32% de toda a energia do País é consumida por grandes indústrias, comércios e empresas ligadas em média e alta tensão, que precisam urgentemente mudar sua matriz de energia por fontes renováveis, bem como buscar soluções em máquinas e equipamentos mais econômicos. As instituições, juntamente com a população, precisam se empenhar para evitar desperdícios. A ONU (Organização das Nações Unidas) prevê que, em 2030, a sociedade precisará de 40% a mais de água e 50% a mais de energia. A responsabilidade por um mundo mais sustentável, em prol das gerações futuras, é dever de todos. Menos gastos dos recursos hídricos podem produzir mais riqueza na economia. É o que afirma um estudo elaborado no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA). Na contramão do mundo, o país desperdiça 39,3% de água potável, devido a perdas no sistema de distribuição, conforme o levantamento divulgado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2019). Já a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico de 2017 do IBGE revela também que o consumo pelo brasileiro supera a média mundial em 30 litros. Assumir a agenda da sustentabilidade é se comprometer com a economia e com o planeta. Seja a diferença! * Marco Dutra é Diretor da Kärcher no Brasil

10 de junho, 2021
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ARTIGO
Mudança para o paradigma empresarial da sustentabilidade

Por Marcus Nakagawa * Nas aulas que estamos on-line e ao vivo na graduação, temos discutido muitos conceitos, exemplos bons e ruins das empresas, notícias da semana e atualidades. Os alunos e alunas estão muito instigados e engajados com as temáticas da sustentabilidade, comprovando as pesquisas de 2020 da Globescan e do Instituto Akatu, que mostram que na geração Z cerca de 45% dos entrevistados tinham considerado recompensar uma empresa socialmente responsável e 57% mudaram as suas opções de compras no ano passado. Sendo que estes números vêm crescendo nos últimos anos. Nessa pesquisa, ainda, 81% do total de todos os entrevistados colocam atitudes positivas para a natureza, entendendo que “o que é bom para mim, nem sempre é bom para o meio ambiente”. Em uma das aulas, uma aluna questionou que não entendia como as empresas que estão nascendo, as startups e esses novos empreendedores, já não colocavam os temas da sustentabilidade no negócio e na estratégia do seu nascedouro. “Fico inconformada como as temáticas eram só consideradas muitas vezes “marketing” da empresa, virando um greenwashing, socialwashing ou diversitywashing”. Termos que usamos para dizer que pode ser uma ação de sustentabilidade, mas descolada da realidade da empresa ou, simplesmente, uma mentira. Uma “tinta” verde, ou com várias cores do arco-íris no produto, somente para vender mais, sem lastro, sem estratégia ou estofo para as questões do desenvolvimento sustentável. No mundo financeiro, inclusive, agora a moda é o ESG ou ASG, que é o ambiental, social e a governança, que já escrevi em outros artigos. Inclusive com grandes eventos digitais de grandes bancos, mostrando e trazendo especialistas para ensinar o que é este termo, e como aplicá-lo no dia a dia da empresa. Ficamos muito felizes com isso! Mas, com todas essas provocações, gostaria de voltar e ressaltar uma palavra do título deste artigo: paradigma. O significado, segundo o dicionário Michaelis, é algo que serve de exemplo ou modelo; padrão. Alguns sinônimos dessa palavra são: padrão, regra, norma, referência, modelo, exemplo, entre outros. Assim, gostaria de confirmar o que a minha aluna questionou, e que eu e muitos colegas da área estamos debatendo e engajando, há mais de 25 anos no mundo corporativo do País. Esse, inclusive, foi até um dos gatilhos, para a idealização e fundação da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), para levar a necessidade desse modelo para todas as empresas, organizações e governo. Esse paradigma da sustentabilidade empresarial tem que ser colocado no nascedouro, no apogeu e no final das empresas, nos seus produtos e serviços, nos seus processos, nos seus indicadores, ou seja, permear toda a empresa. Desde os seus departamentos, times e bonificação. Pois é: o financeiro talvez seja uma das únicas áreas, ou tema, envolvido em todos os processos, contatos e pessoas. Sim, a parte em que transformamos horas de trabalho em dinheiro, aquele que define o quanto vamos contratar, comprar, devolver, emprestar, lucrar, consertar, fundir, demitir... Ufa, tudo está em torno deste tema. Não estou diminuindo a sua importância, mas, precisamos usar o aprendizado desse paradigma para construirmos um novo. Será que num mundo cada vez mais polarizado, em que temos que escolher um lado ou uma direção, conseguimos desenvolver nosso cérebro e percepção para enxergarmos de uma forma tridimensional ou quadrimensional? Será que as empresas conseguirão entregar valor não unicamente para os acionistas, mas também para todos os outros stakeholders? Será que essas novas empresas já nascerão pensando também nas questões sociais, ambientais e de governança, além do único e tradicional lucro? Sim, é um paradigma a ser trabalhado, pois temos que trocar o tradicional pensamento linear do Fordismo para um pensamento circular da Ellen MacArthur, um pensamento sistêmico da teoria geral de sistemas, ou do ecossistema do que estudamos em nossas aulas de biologia. Acredito que o nosso cérebro consegue se desenvolver, sim, e aumentar a capacidade de trabalhar com esse novo paradigma. Pois, assim como as pesquisas mostram, o mundo financeiro está comunicando, meus alunos e alunas estão questionando, e os profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão trabalhando, o mundo corporativo está mudando o seu paradigma. E o que você está mudando na sua empresa ou no seu departamento? * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

22 de março, 2021
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ARTIGO
Desenvolvimento sustentável e bem-estar dos colaboradores

Por Leo Cesar Melo * A sustentabilidade busca o equilíbrio entre a realização de atividades econômicas, a preservação do meio ambiente e o bem-estar social. Ou seja, sem deixar de atender as necessidades da sociedade, devemos pensar o crescimento da nossa economia de maneira que os recursos naturais sejam utilizados com racionalidade. Esse trabalho só é possível se adotarmos novos comportamentos, que valem para a vida na esfera íntima e familiar e também para o convívio em sociedade, na rua e no trabalho. No ambiente corporativo, o desenvolvimento sustentável deve estar diretamente ligado às questões que envolvem o bem-estar dos colaboradores. Já que os pilares da sustentabilidade envolvem aspectos financeiros, sociais e ambientais. A adoção de uma gestão sustentável requer o investimento e a valorização do capital humano. Para isso, gestores devem reconhecer a necessidade de promover ações que incentivem o crescimento profissional, a busca por conhecimento e a coletividade no ambiente de trabalho. Quando as pessoas percebem que sua experiência e sugestões são consideradas, elas se sentem parte e isso pode contribuir para a melhoria nos processos e para que novas visões estratégicas sejam apresentadas, ampliando as chances de sucesso. Isso faz parte de criar um ambiente colaborativo e sustentável, tendo o funcionário como aliado nas estratégias de consolidação da sua empresa. Assim como o comportamento do consumidor mudou com a Era da Experiência, o modo como os novos profissionais enxergam a postura das empresas onde querem trabalhar também foi modificado. Eles exigem viver melhores experiências profissionais, analisam a coerência entre discurso e prática nas organizações e buscam oportunidades de crescimento ligadas às questões sociais mais urgentes. Sustentabilidade é uma delas. Essa é uma tendência de crescimento que não pode ser ignorada e que tem definido o futuro das organizações e os resultados positivos das organizações. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

23 de novembro, 2020
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ARTIGO
Engenharia e Sustentabilidade

Por Leo Cesar Melo * Criar soluções de engenharia por si só já é um grande desafio. Porém, o desafio se torna ainda maior quando se busca ter a sustentabilidade sempre como protagonista no desenvolvimento de soluções. Nesse sentido, as ações elaboradas pelas empresas de engenharia devem visar não apenas o seu fortalecimento, mas também da comunidade ao redor, além da preservação dos recursos naturais e a adoção da ética como guia para todas as ações e decisões. Ou seja, é preciso colocar a sustentabilidade na base da criação de seus projetos, visando o crescimento econômico aliado à preservação do meio ambiente e bem-estar da comunidade envolvida. Para isso, cada vez mais as novas tecnologias e processos aplicados pela engenharia devem caminhar nesse sentido, trazendo mais segurança para as pessoas, prevenindo riscos para os ecossistemas e otimizando custos, produtividade e necessidade de matéria-prima. É fato que não se pode mais ignorar a necessidade de, por exemplo, haver uma gestão eficiente dos resíduos e da água em toda a cadeia produtiva para minimizar os impactos ambientais. Essa compreensão tem levado a um processo de transição para um modelo de gestão permeado pela economia circular, que no Brasil vem evoluindo muito, ganhando mais adeptos. Como se percebe, o número de pessoas preocupadas em proteger a natureza não para de crescer, assim como a demanda por serviços e produtos com menor impacto ambiental. É nesse momento que as empresas guiadas por esse propósito se destacam e é justamente por isso que temos executado uma série de projetos para indústrias e setores de infraestrutura em que, mais do que ser economicamente viável, colocam a saúde do meio ambiente e das pessoas no cerne da engenharia. Que a sustentabilidade é pauta do mercado financeiro, sendo em muitos casos premissa para investidores, nós já sabemos. Mas, junto e melhor que isso, cresce de forma significativa o entendimento de que, para alcançar a sustentabilidade ambiental e a equidade social, não é necessário sacrificar a viabilidade econômica de um projeto. Sim, é possível adotar práticas responsáveis e levar em consideração a ética ambiental da comunidade onde a obra será desenvolvida. Isso não implica em abrir mão da lucratividade, reduzir danos aos bens naturais e os impactos ambientais que a atividade pode oferecer pode até mesmo ampliar margens e faturamento. O desenvolvimento econômico associado à preservação pode evitar prejuízos incalculáveis para o presente e para nossas próximas gerações. Somente com uma engenharia feita dessa forma é que poderemos construir um mundo melhor. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda

9 de novembro, 2020
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SUSTENTABILIDADE
Schneider Electric rumo ao zero carbono

A Schneider Electric anunciou investimento de 10 bilhões de euros em inovação e P&D para o desenvolvimento sustentável até 2025. A companhia está desenvolvendo uma abordagem especial em respeito à biodiversidade, fomentando ações de combate à perda acelerada de espécies e à degradação do mundo natural. Estudos recentes dão conta de que, atualmente, 1 milhão de espécies de plantas e animais estão em risco de extinção por causa das atividades humanas. Segundo João Carlos Salgueiro, gerente sênior de Sustentabilidade da Schneider Electric, a empresa seguirá a pauta de negociações a ser desenrolada na Convenção de Diversidade Biológica (COP-15) em 2021 e, a partir de então, estabelecerá metas ambiciosas para o longo prazo. "Precisamos a todo custo evitar perdas líquidas de biodiversidade, da forma como foi feito para o combate às mudanças climáticas. Buscamos neutralizar as emissões e contribuir para que o aquecimento global não ultrapasse 1,5°C acima dos níveis pré-industriais", pondera. O gerente diz ainda que: "Negócios e indústria podem ter impactos negativos nas fontes de biodiversidade, mas, enquanto a iniciativa privada é parte do problema, ela também representa a maior parcela da solução. Os recursos e a influência do setor privado oferecem oportunidades importantes e inovadoras, e contribuições eficazes para a conservação da biodiversidade", explica Salgueiro. A Schneider Electric tem aproximadamente 193 unidades produtivas em todo o mundo que registraram redução significativa do seu impacto ambiental com a aplicação racional de materiais primários, ampliação dos indicadores de reúso e reciclagem, eliminação da destinação de resíduos para aterros sanitários e crescimento da produtividade energética. "Todas essas medidas permitiram, do ponto de vista econômico, contribuir para maior rentabilidade e competitividade da empresa, tornando-se parte dos indicadores das operações e dos centros de distribuição", informa. As iniciativas de economia circular da Schneider abrangem um plano de ação para oferecer produtos, serviços e soluções com o mínimo impacto ambiental: reduzir o uso de matérias-primas; reutilizar matérias-primas ou aumentar - quando possível – a utilização de matérias-primas recicladas; reparar, oferecendo serviços de manutenção e modernização para certas gamas de produtos; e reciclar, por meio dos serviços que a empresa oferece na fase final de vida útil dos produtos. A Schneider Electric tem como meta minimizar suas emissões de carbono até 2025, e zerá-las cinco anos mais tarde. Além disto, tornar sua cadeia de suprimentos estendida zero carbono até 2050. A companhia é signatária das iniciativas do Climate Group, através das iniciativas EP100, RE100 e EV100, que a tornam comprometida até 2030 em dobrar a produtividade energética, atingir 100% de utilização de energia renovável e operar com uma frota composta por veículos 100% elétricos. Os compromissos climáticos e de economia circular estão incorporados ao "Sustainability Impact" para o período 2018-2020, contemplando 21 iniciativas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), das Nações Unidas (ONU). O "Sustainability Impact" é um scorecard exclusivo criado para mensurar trimestralmente os compromissos da empresa para o desenvolvimento sustentável, equilibrando os pilares social, econômico e ambiental.

6 de julho, 2020