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Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis

Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis

Por Leandro Bertoni * Sabemos que as empresas do setor de energia elétrica já vêm implementando diversas estratégias com foco na redução da emissão de gás carbônico (CO2). Porém, é fundamental que essas empresas também dediquem seus esforços para serem sustentáveis do ponto de vista ambiental, gerando uma eletricidade “limpa” que ajude a evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5º C. Prevê-se que a procura mundial de eletricidade aumente em 60% até 2040. Por outro lado, a boa notícia é que durante o mesmo período se espera que a porcentagem de eletricidade solar e eólica no mundo triplique. Essa possível mudança nas fontes de abastecimento representa um novo nível de desafios e oportunidades para a oferta e procura da energia. Por isso, um futuro sustentável e baseado em energias renováveis exigirá o apoio e a inovação de todos os agentes do setor. Do lado da procura, a complexidade vem da interação com os mercados energéticos, uma vez que os “novos clientes” não são apenas consumidores de energia (como acontecia antigamente). Tornaram-se gestores, tanto em termos de consumo como da própria produção da energia. Do lado da oferta, a complexidade é maior, pois envolve operação, planejamento, investimento e estratégia para o consumo de energia. E, tanto para procura quanto para oferta, existem soluções de medição graças à tecnologia digital, as quais são suficientemente flexíveis para suportar os desafios atuais e permitir a preparação para o futuro. Mesmo assim, é importante destacar que a digitalização deve ser acompanhada de outras iniciativas para que as empresas de energia atinjam os objetivos de sustentabilidade e permaneçam competitivas. Alguns exemplos dessas iniciativas: Integrar mais energias renováveis em todos os níveis da rede para substituir os combustíveis fósseis. Utilizar equipamentos modernos, como um quadro de média tensão sem gás de efeito estufa hexafluoreto de enxofre (SF6) que utiliza apenas ar e vácuo. Focar no aumento da eficiência não só da rede mas também da força de trabalho, reduzindo a sua movimentação por meio de maior utilização de dados e troca das frotas atuais por veículos elétricos. Aumentar a utilização de energias renováveis descentralizadas é, portanto, essencial para as empresas de eletricidade terem a sustentabilidade em todos os aspectos do seu negócio e, consequentemente, ajudarem no alcance dos objetivos climáticos. Como benefício desse novo “comportamento sustentável”, haverá mais confiabilidade e disponibilidade no sistema energético utilizado em todo o planeta. * Leandro Bertoni é Vice-presidente da unidade de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul.

Por Leandro Bertoni *

Sabemos que as empresas do setor de energia elétrica já vêm implementando diversas estratégias com foco na redução da emissão de gás carbônico (CO2). Porém, é fundamental que essas empresas também dediquem seus esforços para serem sustentáveis do ponto de vista ambiental, gerando uma eletricidade “limpa” que ajude a evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5º C.

Prevê-se que a procura mundial de eletricidade aumente em 60% até 2040. Por outro lado, a boa notícia é que durante o mesmo período se espera que a porcentagem de eletricidade solar e eólica no mundo triplique. Essa possível mudança nas fontes de abastecimento representa um novo nível de desafios e oportunidades para a oferta e procura da energia. Por isso, um futuro sustentável e baseado em energias renováveis exigirá o apoio e a inovação de todos os agentes do setor.

Do lado da procura, a complexidade vem da interação com os mercados energéticos, uma vez que os “novos clientes” não são apenas consumidores de energia (como acontecia antigamente). Tornaram-se gestores, tanto em termos de consumo como da própria produção da energia. Do lado da oferta, a complexidade é maior, pois envolve operação, planejamento, investimento e estratégia para o consumo de energia.

E, tanto para procura quanto para oferta, existem soluções de medição graças à tecnologia digital, as quais são suficientemente flexíveis para suportar os desafios atuais e permitir a preparação para o futuro.

Mesmo assim, é importante destacar que a digitalização deve ser acompanhada de outras iniciativas para que as empresas de energia atinjam os objetivos de sustentabilidade e permaneçam competitivas. Alguns exemplos dessas iniciativas:

  • Integrar mais energias renováveis em todos os níveis da rede para substituir os combustíveis fósseis.
  • Utilizar equipamentos modernos, como um quadro de média tensão sem gás de efeito estufa hexafluoreto de enxofre (SF6) que utiliza apenas ar e vácuo.
  • Focar no aumento da eficiência não só da rede mas também da força de trabalho, reduzindo a sua movimentação por meio de maior utilização de dados e troca das frotas atuais por veículos elétricos.

Aumentar a utilização de energias renováveis descentralizadas é, portanto, essencial para as empresas de eletricidade terem a sustentabilidade em todos os aspectos do seu negócio e, consequentemente, ajudarem no alcance dos objetivos climáticos. Como benefício desse novo “comportamento sustentável”, haverá mais confiabilidade e disponibilidade no sistema energético utilizado em todo o planeta.


* Leandro Bertoni é Vice-presidente da unidade de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul.

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O impacto de edifícios no caminho da descarbonização e na economia de energia em cidades brasileiras
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O impacto de edifícios no caminho da descarbonização e na economia de energia em cidades brasileiras

Com o futuro do planeta em jogo, a necessidade de soluções sustentáveis nunca foi tão clara como agora. A mudança do clima vem se intensificando, fazendo com que a transformação dos segmentos industriais seja uma prioridade global. Em 2025, o Brasil sediará a COP30, momento em que líderes de todo o mundo se reunirão para discutir a transição energética e os compromissos de redução das emissões de gases poluentes. Entretanto, enquanto as indústrias recebem atenção central nesses debates, a construção civil - um dos principais segmentos consumidores de energia e responsável por uma significativa pegada ambiental - ainda não ocupa o devido destaque nas discussões. Em um cenário no qual o tempo é um fator bastante crítico, a modernização do setor está aquém da urgência que a crise climática exige. Tanto construções novas quanto as existentes precisam ser integradas aos esforços para atingir as metas globais de sustentabilidade, além de promover o fortalecimento de cidades mais resilientes. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050, cerca de 68% da população mundial viverão em áreas urbanas que, apesar de representarem apenas 3% da superfície terrestre, consomem 78% da energia. Isso revela um grande potencial para diminuir o consumo e as emissões. As estruturas conectadas, por definição, utilizam tecnologias avançadas para aprimorar a eficiência operacional e ambiental. No Brasil, com sua verticalização crescente, essa mudança pode ser crucial para atingir as metas de sustentabilidade. Para renovar a área de edificações, é imprescindível adotar a digitalização e a conectividade como aliadas. Juntas, elas garantem o uso automatizado de recursos e viabilizam a integração com outras infraestruturas, como redes elétricas. Com o auxílio da internet das coisas (IoT) e de ferramentas interconectadas, os imóveis alcançam um novo nível de desempenho. Um exemplo são os sensores conectados que ajustam a temperatura e a iluminação conforme a presença de ocupantes, resultando em uma queda significativa de desperdícios e viabilizando uma gestão mais eficiente. Em regiões nas quais a variação climática é acentuada e eventos extremos, como tempestades e ondas de calor, são cada vez mais frequentes, essas tecnologias se tornam essenciais. Ao integrar sistemas com fontes renováveis, como a solar, é possível criar ambientes mais confortáveis e assegurar que a produção gerada seja armazenada e utilizada adequadamente. Esses dispositivos são configurados para responder prontamente de forma a ajustar a ventilação e melhorar a qualidade do ar interno, bem como empregar sombreamento dinâmico e ativar geradores, propiciando o fornecimento contínuo durante períodos de alta demanda. A implementação de soluções em edifícios inteligentes envolve despesas iniciais, mas, ao longo do tempo, os benefícios superam os custos, resultando no controle das despesas, maior competitividade no mercado e valorização do imóvel. Ao mesmo tempo, contribui para o aproveitamento mais estratégico dos recursos urbanos. As vantagens, contudo, transcendem a questão econômica. À medida que mais projetos se tornam inovadores, cresce a procura por profissionais capacitados, impulsionando a criação de empregos e o desenvolvimento de negócios nos setores imobiliário e de infraestrutura. Com a adoção de alternativas disruptivas, os projetos do futuro vão transformar a paisagem e se tornar pilares fundamentais na construção de cidades mais sustentáveis e preparadas para os enormes desafios das próximas décadas. Patrícia Cavalcanti - diretora de Digital Energy e Power Products na Schneider Electric para América do Sul

3 de março, 2025
Como se tornar uma empresa neutra em carbono até 2050
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Como se tornar uma empresa neutra em carbono até 2050

Artigo por Marcos Matias Por Marcos Matias * A mudança climática é a questão mais marcante dos tempos atuais. Então, alcançar a neutralidade do carbono até 2050 se tornou uma prioridade indispensável para o mundo. Estamos bastante confiantes de que isso é possível, considerando o importante protagonismo do setor corporativo durante a COP26, com um engajamento inédito em relação à agenda climática. Mas por onde começamos esse processo de sustentabilidade? Como todos sabemos, as empresas têm grande responsabilidade pelo alto nível de emissões e vivemos um momento em que elas finalmente perceberam a urgência em desenvolver — e executar — um plano de ação climática na jornada rumo à descarbonização. É possível garantir que os investimentos retornem na forma de crescimento econômico. Por isso, vamos sugerir iniciativas que podem servir de base para as empresas em suas ações que contribuem com a jornada rumo à descarbonização do meio ambiente. Infraestrutura de energia inteligente - Essa é a espinha dorsal de um ecossistema sustentável e resiliente. As empresas devem integrar a automação aos sistemas de gerenciamento de energia, remodelando o tipo de consumo a partir de uma análise de suas emissões feita em tempo real que permitirá a prática de estratégias robustas para mitigação das mudanças climáticas. Um exemplo prático é a ampla adoção de tecnologias elétricas e digitais, como uso de bombas de calor e sistemas digitais de gerenciamento de energia, podendo diminuir a demanda de energia dos edifícios em até 40% e ajudar significativamente a promover mudanças, reduzir emissões e combater o impacto ambiental. Defesa dos resultados – As empresas também precisam defender os resultados dos investimentos feitos visando a neutralidade de carbono. Para isso, recomenda-se que sigam um plano de política climática e baseado na ciência, fazendo parte das iniciativas EP100 e EV100, ambas do Climate Group , e participando de outras ações globais. Como alcançar a neutralidade de carbono até 2050 é missão urgente e crítica, torna-se importante defender as atividades, estratégias e progresso de forma proativa. Colaboração global – É necessário construir uma coalizão verdadeiramente global para alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Cada empresa, instituição financeira, cidade e país deve traçar estratégias no sentido de eliminar as emissões globais de forma significativa. Para que esses três passos sejam executados, felizmente temos a tecnologia ao nosso lado. Então, é hora de acompanharmos como serão tomadas as decisões necessárias para promover a conscientização energética e, consequentemente, alcançar a neutralidade de carbono até 2050, o que pode garantir que os investimentos retornem na forma de crescimento econômico para empresas e cidades a partir de um plano bem estruturado. * Marcos Matias é Presidente da Schneider Electric no Brasil

7 de fevereiro, 2022
Digitalização é ponto-chave para combater mudanças climáticas
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Digitalização é ponto-chave para combater mudanças climáticas

Artigo por Carlos Urbano Por Carlos Urbano * Nos últimos 18 meses, em um período no qual ninguém sonharia ser possível, conquistamos coisas incríveis. Várias vacinas foram desenvolvidas, testadas, aprovadas e produzidas em massa no decorrer de um ano, diferentemente de antes, quando isso poderia demorar cerca de uma década. Indústria após indústria se adaptaram a métodos 100% remotos de trabalho em meses, em vez dos cinco a sete anos que normalmente levariam. As empresas reconfiguraram e adaptaram completamente as cadeias de abastecimento para garantir que produtos, de EPI a papel higiênico e alimentos frescos, pudessem ser adquiridos, produzidos e despachados nas quantidades necessárias, apesar do fechamento de fábricas e de fronteiras. A tecnologia digital tem sido fundamental para permitir cada um desses sucessos no período de tempo acelerado em que foram alcançados. À medida que voltamos nossa atenção para o maior desafio que enfrentamos coletivamente, o aquecimento global, acredito que o digital é a bala prata que procuramos. Por que o digital é a chave para combater as mudanças climáticas? Para evitar uma catástrofe ambiental, precisamos reduzir as emissões de poluentes o máximo que pudermos (em última análise, 100%) o mais rápido possível (nos próximos 30 anos). O digital é um acelerador comprovado de mudança em todas as facetas da sociedade. As tecnologias já existem e podem ser adotadas imediatamente. Isso permite não apenas reduzir as emissões, mas também oferecer um retorno sobre o investimento que significa mais do que se paga ao longo do tempo. Entre os impactos da digitalização nas mudanças climáticas, podemos citar: 1) Visibilidade : as ferramentas digitais nos ajudam a ver e medir o que não podemos capturar a olho nu. A mudança climática é o problema energético: 80% de todas as emissões de carbono estão ligadas à energia. Reduzir (ou erradicar) a perda e o desperdício de energia são medidas que podem ser tomadas hoje com tecnologias que nos permitem monitorar o desempenho e a eficiência energética de casas, escritórios e indústrias. 2) Eficiência : o que pode ser medido pode ser melhorado e otimizado. No geral, dois terços do potencial de eficiência são inexplorados no que diz respeito à economia de energia: 82% em edifícios, 58% na indústria e 79% em infraestrutura. Mesmo os processos de uso intensivo de energia, como a produção de petróleo e gás, podem alcançar reduções significativas nas emissões com melhor planejamento e implantação de soluções digitais. Um estudo recente que realizamos com a McDermott e a io Consulting descobriu que uma redução surpreendente de 76% nas emissões operacionais de instalações de petróleo e gás poderia ser alcançada com um aumento mínimo de gastos de 2%. Isso poderia ser fornecido por meio de uma combinação de energia de rede renovável digital, quadro de distribuição sem SF6 e certas modificações que permitiriam às instalações se livrar das chamadas emissões fugitivas, promovendo operações remotas e a segurança da equipe. 3) Interoperabilidade : soluções projetadas para diminuir erros e dar visibilidade completa de um projeto. Soluções interoperáveis ajudarão a reduzir erros e a criar um sistema de visibilidade completa desde o projeto até o nível de operações, especialmente no ponto em que a colaboração dentro ou fora do local é dada em uma série de segmentos críticos, incluindo estoque de edifícios, rede, transporte e projetos de infraestrutura-chave. Conectar todos os elementos dentro dos edifícios, que respondem por 40% das emissões de carbono, ajudaria a resolver um dos grandes desafios do nosso tempo – a eficiência da construção. 4) Capacitação : implantação e gerenciamento da transição para energias renováveis. À medida que as energias renováveis substituem os combustíveis fósseis, sua produção começa a mudar de mãos. Além dos grandes produtores de energia, existem empresas e indivíduos que a geram por si mesmos e a vendem para a rede. Nossos padrões de uso estão se adaptando com a migração para veículos elétricos, bombas de calor elétricas e serviços de streaming. E estamos consumindo mais eletricidade do que nunca. As tecnologias digitais são essenciais para criar a rede inteligente de próxima geração e para apoiar a integração e a gestão de painéis solares, o carregamento de EV e o aquecimento em casa e nos locais de trabalho. 5) Inovação : o aumento do investimento sustentável gera impacto em escala Com o rápido avanço das tecnologias digitais, podemos acelerar o progresso para cumprir os compromissos globais com as mudanças climáticas usando as ferramentas à nossa disposição hoje. E não há tempo a perder. Governos, empresas e sociedades têm demonstrado grande agilidade para priorizar a saúde pública. Agora precisamos aplicar a mesma urgência quando se trata da saúde de nosso planeta. O digital fornece uma mudança radical na forma como abordamos, entregamos e dimensionamos os esforços de sustentabilidade. Um futuro líquido zero de carbono é certamente verde, mas também deve ser digital e elétrico. * Carlos Urbano é Diretor de Industrial Automation da Schneider Electric Brasil

7 de setembro, 2021
O que a próxima década reserva para energia e sustentabilidade
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O que a próxima década reserva para energia e sustentabilidade

Artigo por Dominic Barbato Por Dominic Barbato * Os setores de energia e sustentabilidade passaram por mudanças mais rápidas entre 2010 e 2020 do que nos 50 anos anteriores. Na nova década, essa transformação global não mostra sinais de desaceleração – apesar da crise da Covid-19. As empresas estão se movendo mais rapidamente e de diferentes formas inovadoras para lidar com as próprias emissões de carbono e as de toda a sua cadeia de valor. Para muitos, 2020 foi um ponto de inflexão para a ação climática e 2030 será o próximo grande marco, fazendo com que muitos se perguntem: que progresso, interrupções e oportunidades as empresas podem esperar futuramente? O surgimento de uma economia de identidade Atualmente, o modelo de economia de experiência está sendo substituído pela economia da identidade. Isso porque as novas gerações de consumidores e funcionários valorizam cada vez mais as marcas nas quais se sentem representados. Os indivíduos desejam interagir com organizações que compartilham seu ethos e optam pelas marcas não apenas com base nos bens e serviços que esta produz, mas também no seu legado. A sustentabilidade é um dos principais, senão o mais importante, fator de influência. Além disso, as iniciativas que tiverem esse conceito intrínseco poderão observar mais rapidamente a aceleração da lucratividade, terão uma melhor direção estratégica e contarão com uma gestão financeira e de riscos mais assertiva, garantindo a continuidade do negócio. Podemos pegar como exemplo disso empresas líderes em todo o mundo que atraem talentos por conta de seus compromissos com o meio ambiente, práticas de comércio justo, uso de tecidos reaproveitados, embalagens compostáveis ou outros atributos semelhantes. Algumas até articulam como os preços mais altos de certos bens contribuem para a comunidade local, o uso mais sustentável da terra e até mesmo a rastreabilidade dos insumos. Possivelmente, nos próximos dez anos, as empresas precisarão investir ainda mais em ações decisivas que atendam às demandas de sustentabilidade de seus acionistas, clientes, conselhos, executivos, funcionários, entre outros, para aproveitar as oportunidades apresentadas e estar em consonância com as mudanças do mundo. Reimaginando a rede de energia para um futuro sustentável A sustentabilidade também poderá ser observada na utilização energética. A Bloomberg New Energy Finance acredita que a energia eólica e a solar fornecerão 50% da eletricidade mundial até 2050. E, quando o armazenamento da bateria se tornar mais econômico, podem atingir 80% de penetração em alguns mercados. Fato é que o gerenciamento de energia convencional com combustível fóssil está sendo desafiado pela rede de geração renovável e recursos de energia distribuída (DERs). Na maioria dos mercados globais, esta última já está começando a rivalizar e a ultrapassar até mesmo as fontes mais baratas. Embora a maioria das opções de armazenamento de energia em grande escala ainda não seja comercialmente viável, não podemos presumir que esse cenário irá se manter até 2030. Ao mitigar os problemas de intermitência e carga de base que as fontes de energia renováveis enfrentam, as barreiras que impedem uma maior adoção de recursos eólicos e solares desaparecerão. Dessa forma, as microrredes vão conectar uma combinação de tecnologias limpas, ajudar as organizações a operar de forma autônoma em relação à rede tradicional e integrar fontes renováveis em uma escala ainda maior. Um dos grandes valores das tecnologias de microrrede é que elas permitem que as organizações operem independentemente da rede elétrica – uma estratégia preparada para, no futuro, gerenciar interrupções no fornecimento de energia causadas por eventos climáticos extremos ou, como estamos vivenciando, pandemias. Recursos autônomos vão impulsionar o crescimento do ecossistema de energia renovável A forma como se gerencia e se monitora a energia também está mudando, junto com o seu fluxo. A proliferação de energias renováveis e outros DERs começaram a testar muitas das suposições de longa data que sustentam os sistemas de energia de hoje e estão impulsionando a inovação, à medida que os produtores e consumidores buscam monetizar a flexibilidade de seus DERs usando fluxos de energia bidirecionais. No futuro, inúmeros DERs de todos os tamanhos e variedades criarão novas oportunidades de mercado para que os produtores e consumidores otimizem seus recursos de energia. Hoje já temos um exemplo disso. Enquanto o carro elétrico está parado em uma garagem, ele pode atuar como um DER – baixando energia quando há um excedente da rede ou carregando eletricidade sobressalente de volta para a rede quando há uma escassez – e, no processo, reduzir potencialmente os custos de carregamento. Além disso, graças aos microchips de baixo custo habilitados para comunicação e incorporados em tudo, desde eletrodomésticos até veículos elétricos e lâmpadas inteligentes, a capacidade de criar uma resposta em qualquer número de ativos altamente distribuídos existe hoje. Esse nível de interconexão pode parecer futurístico, mas é o centro da revolução da Internet das Coisas (IoT), que está impulsionando a inovação em praticamente todos os setores globais. Por isso, nesses tempos de incerteza, olhar para o futuro da energia e da sustentabilidade inspira esperança e o propósito de fazer melhor. Esse sentimento pode revolucionar a maneira como os negócios funcionam hoje e estimular a adoção de práticas que beneficiem não só os resultados financeiros, mas também o meio ambiente. * Dominic Barbato é diretor de Estratégia da Schneider Electric, serviços de energia e sustentabilidade

31 de agosto, 2021
Energia, uma questão de eficiência no saneamento
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Energia, uma questão de eficiência no saneamento

Por Péricles Weber * Um dos efeitos mais desafiadores do aquecimento global, que altera o regime climático, está na extensão das estiagens, tanto no que diz respeito à sua duração quanto às áreas onde elas ocorrem. Neste cenário, um país como o Brasil, que possui sua matriz energética fortemente estruturada em hidrelétricas, a falta de chuvas acarreta, além da própria carência de água para o consumo humano, a preocupação em se buscar fontes alternativas e mais sustentáveis de geração de energia. No saneamento, particularmente, a energia é um dos principais insumos das operações de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, estando presente em todo o seu ciclo. Ela é a força motriz para a captação nos rios, enviar para as estações de tratamento e para o bombeamento que leva a água tratada para as casas das pessoas. Ao tratar de energia, o saneamento busca eficiência atrelada à sustentabilidade para a manutenção de seus serviços. A Iguá vem se destacando no setor de saneamento enquanto expoente de inovações voltadas para a eficiência energética e operacional, com foco em soluções sustentáveis. Em Palestina (SP), por exemplo, a companhia desenvolve um sistema inédito de geração fotovoltaica a partir de placas flutuantes de captação de energia solar localizadas sobre a lagoa de uma estação de tratamento de esgoto do município. Ao mesmo tempo em que a lagoa remove a poluição, ela gera energia limpa. Atualmente, fazendas de geração fotovoltaica têm ganhado terreno no Brasil. A Iguá está prestes a ter quatro de suas operações no interior do estado de São Paulo - Andradina, Castilho, Palestina e Mirassol – alimentadas pela energia solar. Para tanto, estão sendo construídas duas usinas com placas solares dotadas de tracker – tecnologia que permite o acompanhamento da trajetória do sol e torna a captação mais eficiente –, com capacidade para gerar um total de 2.9 KW. Ao consumir de uma fonte limpa, sustentável e perene, a companhia reduz a possibilidade de paralisação de suas operações mediante um apagão do sistema elétrico, como ocorreu no Brasil entre 2001 e 2002. Mas não é apenas o uso de uma matriz energética mais limpa que será suficiente para combatermos o aquecimento global. A redução do consumo de energia elétrica é uma das iniciativas mais relevantes para as empresas de saneamento neste desafio ambiental. Para implementar a eficiência energética, hoje há uma série de recursos que podem ser implementados. Inicialmente pela própria concepção de projetos inovadores, com diferente “mindset”, que sejam menos demandantes de energia. A adequação de iniciativas existentes atreladas a práticas operacionais mais eficazes também têm um papel preponderante. Finalmente, a utilização de equipamentos inteligentes de alta tecnologia, que consomem menos energia durante sua vida útil, é a base a para uma eficiência energética efetiva. Em face de tudo isto, a Iguá estabeleceu a meta de utilizar 100% de energia limpa até 2030, além de ser carbono neutro até o final da década. Esses são alguns de seus objetivos dentro do programa de ESG que a Companhia tem adotado como um fator norteador para seu crescimento sustentável. Os resultados de uma busca constante por fontes limpas e sustentáveis de energia trazem vantagens que extrapolam as economias financeiras. No saneamento, especificamente, os ganhos operacionais são altamente significativos. Como consequência, os benefícios se estendem ao meio ambiente, contribuindo para a sua conservação. E também para as pessoas, que passam a ter mais garantia da constância dos serviços oferecidos, assegurando seu bem-estar e qualidade de vida. * Péricles Weber é Diretor de Operações na Iguá Saneamento.

29 de maio, 2021
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O impacto da falta de eficiência energética no Brasil

Por Rodrigo Pereira * Menos é mais. Esse é o conceito básico de eficiência energética: dosar a quantidade de energia utilizada para determinada ação a fim de obter um resultado tão bom quanto outro que foi realizado com uma quantidade maior de energia. Mas será que o Brasil é um país preparado para considerar a eficiência energética no seu dia a dia? Um estudo realizado pelo Instituto E+, centro que aborda temas relacionados à energia, aponta a falta de eficiência energética no país. Segundo a pesquisa, o investimento nacional não chega a 50% do investimento feito por países europeus e estima-se que para chegar ao mesmo nível da União Europeia, por exemplo, nosso país ainda precise de 20 anos de caminhada. O fato é que o Brasil tem uma carência de investimentos no mercado local para a fabricação de produtos voltados à energia, não possibilitando ao consumidor e às empresas ter à sua disposição uma gama de produtos eficientes e com mais opções de escolha. Além disso, a pouca oferta de incentivos fiscais por parte do próprio governo brasileiro a fim de ajudar desde o fabricante ao consumidor final, torna a energia renovável inviável do ponto de vista financeiro. Ainda de acordo com o relatório do Instituto E+, atualmente o consumo de energia no Brasil é distribuído nos seguintes segmentos: transportes (34,8%), industrial (33,8%), energético (11,2%), residencial (10,6%), comercial e público (5,2%) e agropecuário (4,4%). Observa-se que os setores de transportes e indústria são os que mais consomem energia, fator difícil de reverter por se tratar de áreas que demandam muito mais energia se comparadas às outras. No entanto, é possível diminuir esse consumo, principalmente por meio de campanhas, sejam de iniciativa pública ou privada, que divulguem os benefícios do investimento em energia renovável. Por meio do fortalecimento do conhecimento na gestão da energia de cada um dos segmentos, deixando claro onde está o desperdício e onde se pode economizar sem perder a produtividade, existe grande chance de trazer uma eficiência energética para as grandes empresas de transporte e do setor industrial do país. Energia x Gastos Segundo a ABESCO– Associação Brasileira das Empresas Brasileiras de Conservação de Energia, em um período de três anos (2014-2016) o desperdício de energia no Brasil custou R$ 61,7 bilhões para o país. Este dado deixa clara a necessidade de ações voltadas ao mercado de eficiência energética para auxiliar na redução desses gastos nas empresas e, consequentemente, na economia nacional. Apesar da necessidade de investimentos em eficiência energética para minimizar o desperdício de energia, ainda estamos defasados neste sentido. Conhecimento e informação sobre esta questão são fundamentais para as boas práticas de eficiência energética não apenas nas empresas, mas em todos os lugares. Com um consumo energético mais eficiente, o mercado local torna-se mais competitivo, as empresas reduzem os custos relacionados à energia, mantendo ou até melhorando sua produtividade e, como resultado, a população em geral é beneficiada com a redução do preço dos produtos e serviços. Não é segredo que todo setor que possui gastos elevados com energia são os mais impactados economicamente. Portanto, são estes também os que mais devem se preocupar com a eficiência energética e como aplicá-la em seu ambiente. Apenas dessa maneira será possível aumentar o investimento em energia renovável no Brasil para fomentar a competitividade internacional e aumentar a demanda local. É importante ter consciência que o desperdício de energia está ligado a diversos fatores, como um compressor de ar comprimido que teve um consumo maior de energia nos últimos meses devido a vazamentos de ar na tubulação e que aumentaram seu período de funcionamento, por exemplo. Portanto, todo projeto de eficiência energética começa com um estudo da qualidade da energia utilizada, e para isso, existem equipamentos e tecnologias capazes de realizar uma medição para identificar os gargalos e então aplicar as correções necessárias. Perspectivas para o mercado de eficiência energética Apesar de tantos desafios e de ainda estarmos muito atrás no que diz respeito aos investimentos em energia, a perspectiva é de crescimento para o mercado brasileiro, uma vez que a questão energética tem estado mais em pauta justamente pela vantagem comercial e produtiva. Além disso, as empresas a cada dia estão investindo mais em sustentabilidade, o que inclui o uso de energias renováveis, buscando economia e minimizando os impactos ambientais. Atualmente já existem modelos variados de instrumentos para a medição de qualidade de energia. As empresas brasileiras estão atentas aos novos desafios do mercado e, por isso, têm desenvolvido equipamentos cada vez mais sofisticados para realizar medições complexas de forma rápida, precisa e segura. Além de equipamentos, a cada dia são disponibilizados também conjuntos de acessórios e softwares para auxiliar no trabalho com os próprios equipamentos, facilitando assim o uso dos produtos em qualquer situação de medição de qualidade de energia. Somente entendendo a origem do desperdício de energia é possível tomar decisões inteligentes sobre maneiras eficientes de reduzir o consumo e, consequentemente, os custos. No fim das contas, a melhor maneira de utilizar a energia de maneira eficaz, com base no conceito "menos é mais", e projetando um crescimento de mercado no país, é por meio da conscientização, investindo no conhecimento e na divulgação dos benefícios da aplicação da energia renovável. * Rodrigo Pereira é Gerente de Contas da Fluke do Brasil do segmento de energia, companhia líder mundial em ferramentas de teste eletrônico compactas e profissionais.

23 de outubro, 2020
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ARTIGO
Energia solar: aliada da retomada dos negócios e da sustentabilidade

Por José Renato Colaferro * Você sabia que o Brasil detém um dos melhores recursos solares do planeta? Esse recurso abundante vem fazendo crescer vertiginosamente a fonte de energia fotovoltaica no Brasil, tecnologia que transforma luz em energia elétrica (independente se estiver frio ou quente). De acordo com o banco de dados da Agência Nacional de Energia (ANEEL), o número de instalações de unidades geradoras fotovoltaicas triplicou em 2019 e, em 2020. Apesar dos impactos causados pela pandemia, o mercado solar brasileiro segue em crescimento e com excelentes perspectivas. Segundo a agência, foram registradas mais de 74 mil novas instalações no primeiro semestre de 2020, somando uma potência de 898 Megawatts. Isso representa um aumento de 70% da capacidade instalada na comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto o número de sistemas cresceu mais de 75%. Recentemente, o governo brasileiro decidiu incluir uma série de equipamentos de energia solar em uma lista de bens de capital cujos impostos de importação estão zerados até o final de 2021. A medida deve ajudar a impulsionar os negócios, uma vez que entre os itens que tiveram o valor de importação zerada estão alguns tipos de módulos fotovoltaicos, inversores e outros componentes especiais. Segundo o último levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), divulgado no mês de julho, temos 3 GW de capacidade instalada em geração centralizada. Embora ainda represente uma parcela pequena na matriz elétrica brasileira, essa marca colocou o Brasil na 16ª posição do ranking mundial de energia solar, da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). Com um cenário favorável no Brasil, estima-se que a tecnologia fotovoltaica mantenha a curva de crescimento em 2020 e seja um dos pilares da retomada econômica do país, assim como aconteceu nas crises econômicas de 2015 e 2016. Inclusive, de acordo com um novo relatório da IRENA, o investimento em fontes de energias renováveis poderia levar à expansão do PIB mundial em cerca de US$ 100 trilhões até 2050 e auxiliar na retomada da economia. Além de poder ser um propulsor da economia, o estudo também aponta outros benefícios da transição para um setor elétrico mundial movido a energias renováveis, como o cumprimento das metas climáticas, redução de até 70% das emissões de CO2 no setor elétrico mundial, melhor rentabilidade das tecnologias que utilizam fontes de energia gratuitas, geração de empregos (estima-se cerca de 42 milhões de trabalhadores no setor até 2050 em todo o mundo), entre diversos outros benefícios. Essa transição sustentável para o uso de fontes limpas também marca o início do empoderamento dos consumidores de energia. O setor elétrico não possui portabilidade, como a telefonia, e, por isso, os consumidores de energia têm pouquíssimo poder de escolher a energia que consomem e de quem adquirem a mesma. Isso muda com a energia solar, que dá o poder de se gerar no próprio ponto onde se consome a energia. Esse conceito é disruptivo de diversas formas, pois quebra o velho e ultrapassado princípio da necessidade de o poder público construir projetos bilionários e dá ao consumidor a capacidade de gerar de forma granular a energia necessária para o crescimento do país. Além disso, há o "drive" financeiro, dado que os geradores podem reduzir a conta de luz de milhares de reais para um valor mensal menor que R$ 50, além de se manterem imunes à inflação energética. É gratificante saber que o solar já proporcionou a centenas de milhares de famílias brasileiras a vantagem de não pagar conta de luz alta neste momento de pandemia, período em que a maioria das pessoas viu suas rendas diminuírem. Apesar dos números favoráveis, a fonte solar ainda se encontra em sua infância no Brasil. A Austrália, por exemplo, com uma população de 25 milhões de habitantes (quase 10 vezes menor que a brasileira) já possui 2 milhões de sistemas solares conectados, enquanto o Brasil nem chegou aos 300 mil sistemas (até agosto de 2020). Em paralelo, o que se chamou no setor elétrico de "Conta COVID", irá aumentar as tarifas de energia nos próximos anos no Brasil, fato que ampliará ainda mais a economia de quem possui um sistema fotovoltaico já instalado. Reduzir esses custos, que aumentarão ainda mais no caso de quem ficou em casa, é um desejo da maior parte dos cidadãos e o maior interesse de qualquer empresário. A lista de vantagens é imensa e os ganhos farão a diferença não só no bolso, mas para toda a sociedade. * José Renato Colaferro é formado em Administração de Empresas pelo Insper São Paulo. Trabalha no setor elétrico há 11 anos. É cofundador e Diretor de Operações da Blue Sol Energia Solar, empresa fundada em 2009 com ampla atuação em treinamentos e soluções para energia solar no segmento de Geração Distribuída.

22 de setembro, 2020