Publicidade
ARTIGO

Davos 2026: a urgência da transição energética e o papel estratégico do Brasil

Davos 2026: a urgência da transição energética e o papel estratégico do Brasil

A eletrificação, o uso de biocombustíveis, investimentos em matrizes elétricas limpas, da mobilidade à indústria, foram reiteradas como um caminho inevitável e acelerado.

Rubens Filho*

E acabou mais uma edição do Fórum Econômico Mundial em Davos, que, em 2026, consolidou a transição energética como o grande protagonista global. Este ano não estive na cidade, mas acompanhei daqui, do Brasil, toda a movimentação e todas as discussões que lá ocorreram. Líderes mundiais, chefes de estado, CEOs e acadêmicos foram unânimes na reafirmação da necessidade de acelerar a migração para energias limpas, e fortalecer a cooperação política e econômica nesse sentido, um pouco em linha com as conversas orquestradas durante a COP30, em Belém (PA).

Minha impressão é de que o futuro que vínhamos antecipando já se manifesta no presente, tanto pelos danos causados pelas mudanças do clima, como pela crescente da agenda da sustentabilidade no mundo corporativo, exigindo ação coordenada e inovação sem precedentes. Não se trata mais de um debate sobre "se", mas sobre "como" e "com que velocidade" faremos essa transição. A eletrificação, o uso de biocombustíveis, investimentos em matrizes elétricas limpas, da mobilidade à indústria, foram reiteradas como um caminho inevitável e acelerado, essencial para a descarbonização e para a construção de uma economia mais resiliente.

Em Davos, ficou claro que o investimento em energia renovável não apenas continua a crescer globalmente, como também é visto como pilar central para a competitividade e a segurança econômica das nações e das empresas. Países e organizações que liderarem essa transição serão os protagonistas da economia verde que emerge, e o Brasil tem grandes chances de o ser! É uma questão de resiliência frente às crises climáticas, de inovação tecnológica e de posicionamento estratégico no novo cenário geopolítico e econômico. A energia limpa deixa de ser apenas uma alternativa sustentável para se tornar base da economia nacional.

Neste cenário global, a agenda brasileira de sustentabilidade corporativa não apenas ressoa, mas contribui ativamente com soluções e oportunidades de mercado. Na rede brasileira do Pacto Global da ONU, que opera como catalisador da sustentabilidade socioambiental, por exemplo, iniciativas como o Movimento Ambição Net Zero, Hub Biocombustíveis e Elétricos, bem como a agenda de Agricultura engajam centenas de empresas a estabelecer metas de descarbonização robustas e alinhadas com a ciência, muitas delas focando diretamente na transição para fontes de energia renováveis e na eficiência energética.

Além disso, o Brasil conta hoje com um ecossistema cada vez mais robusto de coalizões empresariais, plataformas multissetoriais e agendas colaborativas voltadas à transição energética. Essas iniciativas têm impulsionado empresas de diferentes setores a avançar na eletrificação de processos, na ampliação do uso de fontes renováveis e na incorporação do tema clima como vetor estratégico de competitividade e inovação, conectando políticas públicas, financiamento e ação empresarial concreta.

Apoiado por múltiplas iniciativas de impacto, o Brasil se mantém intrinsecamente alinhado às discussões globais de transição energética que marcaram o Fórum Econômico Mundial 2026. Nossas empresas avançam nos cumprimentos de metas, compartilhando bons casos e sendo base para ações em sustentabilidade corporativa pelo mundo. Pouco a pouco, a agenda ESG vem ganhando a maturidade necessária para ser tratada como investimento com retorno de curto prazo.

Há avanços distintos, mas a sustentabilidade por si permeia muito mais as agendas corporativas do que antes. Portanto, ainda que riscos climáticos não apareçam como preocupação imediata como antes nas análises do Fórum Econômico Mundial (Global Risks Report de 2026), o tema ganha a seriedade necessária dentro das salas das altas lideranças corporativas. Afinal, as perdas e danos já estão dadas.

Portanto, estamos todos prontos para liderar, inovar e cooperar, assegurando que o Brasil não apenas participe, mas seja protagonista ativo na construção de um futuro mais verde, com matriz elétrica e energética cada vez mais limpas, e mais próspero para todos e todas.

Artigos Relacionados

O impacto de edifícios no caminho da descarbonização e na economia de energia em cidades brasileiras
ARTIGO
O impacto de edifícios no caminho da descarbonização e na economia de energia em cidades brasileiras

Com o futuro do planeta em jogo, a necessidade de soluções sustentáveis nunca foi tão clara como agora. A mudança do clima vem se intensificando, fazendo com que a transformação dos segmentos industriais seja uma prioridade global. Em 2025, o Brasil sediará a COP30, momento em que líderes de todo o mundo se reunirão para discutir a transição energética e os compromissos de redução das emissões de gases poluentes. Entretanto, enquanto as indústrias recebem atenção central nesses debates, a construção civil - um dos principais segmentos consumidores de energia e responsável por uma significativa pegada ambiental - ainda não ocupa o devido destaque nas discussões. Em um cenário no qual o tempo é um fator bastante crítico, a modernização do setor está aquém da urgência que a crise climática exige. Tanto construções novas quanto as existentes precisam ser integradas aos esforços para atingir as metas globais de sustentabilidade, além de promover o fortalecimento de cidades mais resilientes. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), em 2050, cerca de 68% da população mundial viverão em áreas urbanas que, apesar de representarem apenas 3% da superfície terrestre, consomem 78% da energia. Isso revela um grande potencial para diminuir o consumo e as emissões. As estruturas conectadas, por definição, utilizam tecnologias avançadas para aprimorar a eficiência operacional e ambiental. No Brasil, com sua verticalização crescente, essa mudança pode ser crucial para atingir as metas de sustentabilidade. Para renovar a área de edificações, é imprescindível adotar a digitalização e a conectividade como aliadas. Juntas, elas garantem o uso automatizado de recursos e viabilizam a integração com outras infraestruturas, como redes elétricas. Com o auxílio da internet das coisas (IoT) e de ferramentas interconectadas, os imóveis alcançam um novo nível de desempenho. Um exemplo são os sensores conectados que ajustam a temperatura e a iluminação conforme a presença de ocupantes, resultando em uma queda significativa de desperdícios e viabilizando uma gestão mais eficiente. Em regiões nas quais a variação climática é acentuada e eventos extremos, como tempestades e ondas de calor, são cada vez mais frequentes, essas tecnologias se tornam essenciais. Ao integrar sistemas com fontes renováveis, como a solar, é possível criar ambientes mais confortáveis e assegurar que a produção gerada seja armazenada e utilizada adequadamente. Esses dispositivos são configurados para responder prontamente de forma a ajustar a ventilação e melhorar a qualidade do ar interno, bem como empregar sombreamento dinâmico e ativar geradores, propiciando o fornecimento contínuo durante períodos de alta demanda. A implementação de soluções em edifícios inteligentes envolve despesas iniciais, mas, ao longo do tempo, os benefícios superam os custos, resultando no controle das despesas, maior competitividade no mercado e valorização do imóvel. Ao mesmo tempo, contribui para o aproveitamento mais estratégico dos recursos urbanos. As vantagens, contudo, transcendem a questão econômica. À medida que mais projetos se tornam inovadores, cresce a procura por profissionais capacitados, impulsionando a criação de empregos e o desenvolvimento de negócios nos setores imobiliário e de infraestrutura. Com a adoção de alternativas disruptivas, os projetos do futuro vão transformar a paisagem e se tornar pilares fundamentais na construção de cidades mais sustentáveis e preparadas para os enormes desafios das próximas décadas. Patrícia Cavalcanti - diretora de Digital Energy e Power Products na Schneider Electric para América do Sul

3 de março, 2025
Brasil pode recuperar o protagonismo perdido
ARTIGO
Brasil pode recuperar o protagonismo perdido

Artigo por Ricardo Young Por Ricardo Young * A reunião em que os governadores e seus representantes, de 24 estados brasileiros, tiveram com o príncipe Charles nos dá uma sinalização bastante importante. Uma das grandes discussões durante essa COP é a mobilização do setor privado para investimentos. E todos nós sabemos que o príncipe Charles tem sido um expoente na liderança de fundos para investimentos verdes. Quando vemos a maioria dos governadores e o príncipe reunidos, nós temos dois elementos muito poderosos: de um lado, a força dos governos subnacionais, ou seja, a agenda verde não dependerá só do Governo Federal. Como nós já vínhamos observando, a Coalisão de Governadores Pelo Clima cresceu muito e agora tem protagonismo, identidade própria e interlocução direta com representantes de estado e representantes de investidores. Do outro, o príncipe Charles, mesmo não sendo representante de estado, é uma presença extremamente simbólica, pois ele canaliza e tem diálogo com muitos investidores de porte mundial, além do aspecto simbólico de ser da família real britânica. O que podemos ver é que a Coalisão dos Governadores começa a ter interlocuções poderosas. Isso significa que, assim que o artigo 6, do Acordo de Paris, for regulamentado em Glasgow, vamos ver bilhões de recursos fluindo para investimentos verdes nas mais diversas formas; desde green bonds , que são linhas de empréstimos bastante acessíveis e interessantes do ponto de vista das taxas de juros e oportunidade, passando por fundos de investimentos em compensação de carbono, mercado voluntário de carbono, até projetos de captura e aterramento de carbono. Este fluxo de novos investimentos trará impactos crescentes em muitas atividades econômicas, tais como infraestrutura, reflorestamento, serviços ambientais, energia limpa, economia circular e inovação tecnológica em sustentabilidade, só para citar algumas. Então, estamos num momento em que as empresas brasileiras e as multinacionais aqui localizadas precisam estar preparadas, pois podemos estar diante de uma situação sui generis , onde a oferta de recursos possa ser maior que a capacidade de demanda na emergente economia verde. Estamos vendo novos interlocutores governamentais que não só o Federal, fundos importantes – e a presença do príncipe Charles dá uma grande força a essa ideia – além da mobilização já anunciada de bilhões do setor privado, para a área de florestas. Precisamos nos preparar! É a hora do Brasil se preparar porque nós podemos, sim, desta vez dar um enorme salto para frente e recuperarmos o atraso de dez anos, onde o país não só andou de lado, como se descapitalizou ambientalmente como potência ambiental. Já vemos algumas lideranças empresariais brasileiras importantes se posicionando de forma mais ousada nesse sentido. Um exemplo vindo do Brasil é do presidente da JBS, Gilberto Tomazoni, que não só se colocou a favor do acordo de redução das emissões do gás metano (gás pesadamente emitido pela fermentação entérica do gado), como vem estabelecendo novas parcerias para neutralizar o gás nos rebanhos, por meio de suplemento nutricional. Isso nos traz otimismo, pois representa uma inspiração para outros líderes no sentido de tomar a iniciativa e aproveitar a oportunidade, ao invés de negar ou protelar a irreversibilidade dessas mudanças. Em nível mundial, os dez maiores produtores de commodities agrícolas, cujas receitas combinadas somam quase 500 bilhões de dólares, assinaram um compromisso compartilhado para conter a perda de florestas associada às suas produções e comércio. Eles reconhecem que os progressos até então são louváveis, mas devem ser acelerados e ampliados, a fim de apoiar os esforços globais para alcançar emissões líquidas zero globalmente até 2050. E ainda assumiram o compromisso de, até a COP27, traçar um roteiro compartilhado para uma ação aprimorada da cadeia de abastecimento consistente com um caminho de 1,5 ° C. Anotem o nome desses dez executivos, dentre eles três brasileiros, pois ao assinarem esse documento de compromisso estão dando um passo histórico em prol do meio ambiente, passo esse que esperamos celebrar muito em breve. São eles: Juan Luciano (ADM), Judiney Carvalho (Amaggi), Gregory Heckman (Bunge), David MacLennan (Cargill), Wei Dong (COFCO International), Franky Oesman Widjaja (Golden Agri-Resources), Gilberto Tomazoni (JBS), Michael Gelchie (Louis Dreyfus Company), Marcos Mulina (Marfrig), Sunny Verghese (Olam International), David Mattiske (Viterra) e Kuok Khoon Hong (Wilmar International). * Ricardo Young é conselheiro da Synergia e presidente do Conselho do Instituto Ethos e do IDS – Instituto Desenvolvimento Sustentável.

10 de novembro, 2021
Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis
ARTIGO
Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis

Por Leandro Bertoni * Sabemos que as empresas do setor de energia elétrica já vêm implementando diversas estratégias com foco na redução da emissão de gás carbônico (CO2). Porém, é fundamental que essas empresas também dediquem seus esforços para serem sustentáveis do ponto de vista ambiental, gerando uma eletricidade “limpa” que ajude a evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5º C. Prevê-se que a procura mundial de eletricidade aumente em 60% até 2040. Por outro lado, a boa notícia é que durante o mesmo período se espera que a porcentagem de eletricidade solar e eólica no mundo triplique. Essa possível mudança nas fontes de abastecimento representa um novo nível de desafios e oportunidades para a oferta e procura da energia. Por isso, um futuro sustentável e baseado em energias renováveis exigirá o apoio e a inovação de todos os agentes do setor. Do lado da procura, a complexidade vem da interação com os mercados energéticos, uma vez que os “novos clientes” não são apenas consumidores de energia (como acontecia antigamente). Tornaram-se gestores, tanto em termos de consumo como da própria produção da energia. Do lado da oferta, a complexidade é maior, pois envolve operação, planejamento, investimento e estratégia para o consumo de energia. E, tanto para procura quanto para oferta, existem soluções de medição graças à tecnologia digital, as quais são suficientemente flexíveis para suportar os desafios atuais e permitir a preparação para o futuro. Mesmo assim, é importante destacar que a digitalização deve ser acompanhada de outras iniciativas para que as empresas de energia atinjam os objetivos de sustentabilidade e permaneçam competitivas. Alguns exemplos dessas iniciativas: Integrar mais energias renováveis em todos os níveis da rede para substituir os combustíveis fósseis. Utilizar equipamentos modernos, como um quadro de média tensão sem gás de efeito estufa hexafluoreto de enxofre (SF6) que utiliza apenas ar e vácuo. Focar no aumento da eficiência não só da rede mas também da força de trabalho, reduzindo a sua movimentação por meio de maior utilização de dados e troca das frotas atuais por veículos elétricos. Aumentar a utilização de energias renováveis descentralizadas é, portanto, essencial para as empresas de eletricidade terem a sustentabilidade em todos os aspectos do seu negócio e, consequentemente, ajudarem no alcance dos objetivos climáticos. Como benefício desse novo “comportamento sustentável”, haverá mais confiabilidade e disponibilidade no sistema energético utilizado em todo o planeta. * Leandro Bertoni é Vice-presidente da unidade de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul.

17 de julho, 2021
Saneamento Ambiental Logo
ENERGIA
Fórum Pacto Global lança estudo

No último dia 16 de maio o Fórum Pacto Global da ONU lançou estudo pioneiro sobre o setor de energia. O estudo Integração dos ODS no Setor Elétrico Brasileiro estabelece um panorama de como os ODS têm influenciado o trabalho das empresas – públicas e privadas – elétricas brasileiras. A pesquisa foi conduzida por professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, e da PUC-SP, e contou com 20 participantes, tanto de geração quanto de distribuição e transmissão de energia. “A energia é o fio comum que conecta o crescimento econômico”. Foi com essa frase de Ban Ki-Moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) entre 2007 e 2016, que a vice-presidente da Rede Brasil do Pacto Global, Márcia Massotti, abriu o painel de Energia no Fórum Pacto Global - 15 Anos da Rede Brasil, realizado no dia 16 de maio, no Masp, em São Paulo. “O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem a sua matriz energética predominantemente sustentável. Hoje, somos a 9ª economia do mundo e o 8º país em consumo de energia. Temos alto percentual de geração, mas baixo consumo per capita quando comparado a países desenvolvidos, ocupando a 98º posição. Até 2030, precisamos reduzir em 43% as emissão dos gases de efeito estufa, meta firmada no âmbito do Acordo em Paris, e Energia é um dos setores que mais impactam no alcance do combate à mudança climática (ODS 13). Temos aí um grande desafio pela frente”, destaca a vice-presidente da Rede Brasil do Pacto Global, Márcia Massotti. O levantamento aponta que 50% das companhias ainda não consideram os ODS como referência para estruturação ou revisão da estratégia e gestão de seus negócios, sendo que 30% afirmaram que irão adotar os ODS no próximo planejamento, enquanto 20% disseram que seguem outros indicadores de sustentabilidade. A principal dificuldade mencionada é o alinhamento das metas internas às estipuladas pelos ODS. O Brasil tem como meta reduzir os gases causadores do efeito estufa em 43% até 2030, segundo o que foi firmado no Acordo de Paris. O setor brasileiro de energia tem metas específicas: aumentar para 18% a participação de bioenergia na matriz energética, reduzir 10% do consumo de eletricidade e utilizar fontes renováveis para geração de energia elétrica. Além de barrar o aquecimento global, a energia está relacionada com outros ODS, como trabalho crescente e crescimento econômico (ODS 8), consumo e produção responsáveis (ODS 12), energia limpa e acessível (ODS 7), igualdade de gênero (ODS 5) — visto que o setor é predominantemente masculino — e parcerias (ODS 17). Entre os ODS mais relevantes, apareceram o 7 (Energia Limpa e Acessível), o 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima), o 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), o 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e o 15 (Vida Terrestre). O levantamento completo traz ainda matriz de impactos e oportunidades dos ODS e está disponível para download: https://bit.ly/2wSWdhx

25 de maio, 2018
Saneamento Ambiental Logo
COP 21
Mudanças climáticas e impactos na economia

Por Ricardo Zibas* Nas últimas décadas, os avisos da natureza começaram a apontar uma maior necessidade da sociedade em dar atenção a questões relacionadas às mudanças climáticas no planeta. Com este pano de fundo, as Nações Unidas organizam uma reunião anual com as principais autoridades governamentais de diversos países para discutir sobre como devemos lidar com as mudanças climáticas, que apresentam consequências aparentemente cada vez mais drásticas, tais como secas prolongadas, tempestades, derretimento dos polos e aumento do nível dos oceanos. A próxima Conference of the Parties (COP), em sua 21ª edição, marcada para acontecer entre 30 de novembro até o dia 11 de dezembro deste ano, em Paris, será uma das mais importantes já realizadas. As chances de sucesso agora são mais altas, já que todos os países signatários da ‘Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima’ (United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC) antecipadamente concordaram em assinar um tratado vinculante até 2015, para reduzir suas emissões de gases causadores de efeito estufa. O que favorece essa convicção positiva são os novos posicionamentos do mercado quanto ao tema. Uma delas foi a modificação nos cenários políticos dos dois maiores emissores de gases de efeito estufa no mundo, Estados Unidos e China, os quais flexibilizaram as negociações e no ano passado anunciaram que irão cortar suas emissões de gases até 2025 e 2030, respectivamente. Além disso, houve uma drástica redução nos custos das tecnologias capazes de diminuir tais emissões ao meio ambiente, isso em razão do aumento de projetos de energia renováveis disponíveis e pela maior facilidade em financiar a aquisição desses recursos – como é o caso dos títulos verdes (green bonds) e do financiamento coletivo (crowdfunding). A grande questão, aqui, é de que maneira os novos comprometimentos, com os quais as nações estão dispondo-se no decorrer dos próximos anos, afetarão as empresas e a economia. Há previsão de que as atividades intensivas na emissão de carbono (como, por exemplo, as que geram energia a partir da queima de derivados de petróleo) se tornarão mais caras e as organizações terão de lidar com regulamentações mais rigorosas, preços de carbono menos acessíveis e metas de corte de emissões de gases mais rígidas. Contudo, os efeitos da mudança do clima obrigarão as empresas a estabelecerem um plano de resiliência para lidar e adaptar as atividades em detrimento dos impactos, como escassez de água, clima extremo, migrações populacionais e instabilidade social. Na contramão disso, no entanto, vantagens surgirão, como, obviamente, a de tornar-se uma empresa de emissões reduzidas de poluentes; e oportunidades também estarão em vista, criadas pelo crescimento da economia sustentável embasada em energias renováveis. Apesar de rigorosas consequências que já afetam o meio ambiente, medidas urgentes são necessárias para lidar agora com essa questão, e os governos em todo o mundo, com o auxílio das empresas e da sociedade civil, precisarão trabalhar para dissociar as emissões de gases de efeito estufa do crescimento econômico e direcionar o mundo para uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, o caminho para uma atividade perene e sustentável é que as organizações e seus administradores apliquem tempo e experiência para o aprimoramento no desenvolvimento ambiental e social das empresas; isso inclui tornar permanente a mensuração e a redução das emissões de carbono, bem como a preparação e divulgação de informações transparentes e confiáveis sobre tais emissões, apresentando à sociedade e ao mercado a contribuição da empresa na minimização dos efeitos das mudanças climáticas. * Ricardo Zibas é sócio-diretor responsável pela prática de sustentabilidade da KPMG no Brasil e América Latina.

9 de novembro, 2015