Publicidade
ARTIGO

Mudança para o paradigma empresarial da sustentabilidade

Por Marcus Nakagawa * Nas aulas que estamos on-line e ao vivo na graduação, temos discutido muitos conceitos, exemplos bons e ruins das empresas, notícias da semana e atualidades. Os alunos e alunas estão muito instigados e engajados com as temáticas da sustentabilidade, comprovando as pesquisas de 2020 da Globescan e do Instituto Akatu, que mostram que na geração Z cerca de 45% dos entrevistados tinham considerado recompensar uma empresa socialmente responsável e 57% mudaram as suas opções de compras no ano passado. Sendo que estes números vêm crescendo nos últimos anos. Nessa pesquisa, ainda, 81% do total de todos os entrevistados colocam atitudes positivas para a natureza, entendendo que “o que é bom para mim, nem sempre é bom para o meio ambiente”. Em uma das aulas, uma aluna questionou que não entendia como as empresas que estão nascendo, as startups e esses novos empreendedores, já não colocavam os temas da sustentabilidade no negócio e na estratégia do seu nascedouro. “Fico inconformada como as temáticas eram só consideradas muitas vezes “marketing” da empresa, virando um greenwashing, socialwashing ou diversitywashing”. Termos que usamos para dizer que pode ser uma ação de sustentabilidade, mas descolada da realidade da empresa ou, simplesmente, uma mentira. Uma “tinta” verde, ou com várias cores do arco-íris no produto, somente para vender mais, sem lastro, sem estratégia ou estofo para as questões do desenvolvimento sustentável. No mundo financeiro, inclusive, agora a moda é o ESG ou ASG, que é o ambiental, social e a governança, que já escrevi em outros artigos. Inclusive com grandes eventos digitais de grandes bancos, mostrando e trazendo especialistas para ensinar o que é este termo, e como aplicá-lo no dia a dia da empresa. Ficamos muito felizes com isso! Mas, com todas essas provocações, gostaria de voltar e ressaltar uma palavra do título deste artigo: paradigma. O significado, segundo o dicionário Michaelis, é algo que serve de exemplo ou modelo; padrão. Alguns sinônimos dessa palavra são: padrão, regra, norma, referência, modelo, exemplo, entre outros. Assim, gostaria de confirmar o que a minha aluna questionou, e que eu e muitos colegas da área estamos debatendo e engajando, há mais de 25 anos no mundo corporativo do País. Esse, inclusive, foi até um dos gatilhos, para a idealização e fundação da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), para levar a necessidade desse modelo para todas as empresas, organizações e governo. Esse paradigma da sustentabilidade empresarial tem que ser colocado no nascedouro, no apogeu e no final das empresas, nos seus produtos e serviços, nos seus processos, nos seus indicadores, ou seja, permear toda a empresa. Desde os seus departamentos, times e bonificação. Pois é: o financeiro talvez seja uma das únicas áreas, ou tema, envolvido em todos os processos, contatos e pessoas. Sim, a parte em que transformamos horas de trabalho em dinheiro, aquele que define o quanto vamos contratar, comprar, devolver, emprestar, lucrar, consertar, fundir, demitir... Ufa, tudo está em torno deste tema. Não estou diminuindo a sua importância, mas, precisamos usar o aprendizado desse paradigma para construirmos um novo. Será que num mundo cada vez mais polarizado, em que temos que escolher um lado ou uma direção, conseguimos desenvolver nosso cérebro e percepção para enxergarmos de uma forma tridimensional ou quadrimensional? Será que as empresas conseguirão entregar valor não unicamente para os acionistas, mas também para todos os outros stakeholders? Será que essas novas empresas já nascerão pensando também nas questões sociais, ambientais e de governança, além do único e tradicional lucro? Sim, é um paradigma a ser trabalhado, pois temos que trocar o tradicional pensamento linear do Fordismo para um pensamento circular da Ellen MacArthur, um pensamento sistêmico da teoria geral de sistemas, ou do ecossistema do que estudamos em nossas aulas de biologia. Acredito que o nosso cérebro consegue se desenvolver, sim, e aumentar a capacidade de trabalhar com esse novo paradigma. Pois, assim como as pesquisas mostram, o mundo financeiro está comunicando, meus alunos e alunas estão questionando, e os profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão trabalhando, o mundo corporativo está mudando o seu paradigma. E o que você está mudando na sua empresa ou no seu departamento? * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

Por Marcus Nakagawa *

Nas aulas que estamos on-line e ao vivo na graduação, temos discutido muitos conceitos, exemplos bons e ruins das empresas, notícias da semana e atualidades. Os alunos e alunas estão muito instigados e engajados com as temáticas da sustentabilidade, comprovando as pesquisas de 2020 da Globescan e do Instituto Akatu, que mostram que na geração Z cerca de 45% dos entrevistados tinham considerado recompensar uma empresa socialmente responsável e 57% mudaram as suas opções de compras no ano passado. Sendo que estes números vêm crescendo nos últimos anos. Nessa pesquisa, ainda, 81% do total de todos os entrevistados colocam atitudes positivas para a natureza, entendendo que “o que é bom para mim, nem sempre é bom para o meio ambiente”. 

Em uma das aulas, uma aluna questionou que não entendia como as empresas que estão nascendo, as startups e esses novos empreendedores, já não colocavam os temas da sustentabilidade no negócio e na estratégia do seu nascedouro. “Fico inconformada como as temáticas eram só consideradas muitas vezes “marketing” da empresa, virando um greenwashing, socialwashing ou diversitywashing”. Termos que usamos para dizer que pode ser uma ação de sustentabilidade, mas descolada da realidade da empresa ou, simplesmente, uma mentira. Uma “tinta” verde, ou com várias cores do arco-íris no produto, somente para vender mais, sem lastro, sem estratégia ou estofo para as questões do desenvolvimento sustentável. 

No mundo financeiro, inclusive, agora a moda é o ESG ou ASG, que é o ambiental, social e a governança, que já escrevi em outros artigos. Inclusive com grandes eventos digitais de grandes bancos, mostrando e trazendo especialistas para ensinar o que é este termo, e como aplicá-lo no dia a dia da empresa. Ficamos muito felizes com isso! 

Mas, com todas essas provocações, gostaria de voltar e ressaltar uma palavra do título deste artigo: paradigma. O significado, segundo o dicionário Michaelis, é algo que serve de exemplo ou modelo; padrão. Alguns sinônimos dessa palavra são: padrão, regra, norma, referência, modelo, exemplo, entre outros. 

Assim, gostaria de confirmar o que a minha aluna questionou, e que eu e muitos colegas da área estamos debatendo e engajando, há mais de 25 anos no mundo corporativo do País. Esse, inclusive, foi até um dos gatilhos, para a idealização e fundação da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), para levar a necessidade desse modelo para todas as empresas, organizações e governo. 

Esse paradigma da sustentabilidade empresarial tem que ser colocado no nascedouro, no apogeu e no final das empresas, nos seus produtos e serviços, nos seus processos, nos seus indicadores, ou seja, permear toda a empresa. Desde os seus departamentos, times e bonificação. Pois é: o financeiro talvez seja uma das únicas áreas, ou tema, envolvido em todos os processos, contatos e pessoas. Sim, a parte em que transformamos horas de trabalho em dinheiro, aquele que define o quanto vamos contratar, comprar, devolver, emprestar, lucrar, consertar, fundir, demitir... Ufa, tudo está em torno deste tema. Não estou diminuindo a sua importância, mas, precisamos usar o aprendizado desse paradigma para construirmos um novo. 

Será que num mundo cada vez mais polarizado, em que temos que escolher um lado ou uma direção, conseguimos desenvolver nosso cérebro e percepção para enxergarmos de uma forma tridimensional ou quadrimensional? Será que as empresas conseguirão entregar valor não unicamente para os acionistas, mas também para todos os outros stakeholders? Será que essas novas empresas já nascerão pensando também nas questões sociais, ambientais e de governança, além do único e tradicional lucro?

Sim, é um paradigma a ser trabalhado, pois temos que trocar o tradicional pensamento linear do Fordismo para um pensamento circular da Ellen MacArthur, um pensamento sistêmico da teoria geral de sistemas, ou do ecossistema do que estudamos em nossas aulas de biologia. 

Acredito que o nosso cérebro consegue se desenvolver, sim, e aumentar a capacidade de trabalhar com esse novo paradigma. Pois, assim como as pesquisas mostram, o mundo financeiro está comunicando, meus alunos e alunas estão questionando, e os profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão trabalhando, o mundo corporativo está mudando o seu paradigma. E o que você está mudando na sua empresa ou no seu departamento?


* Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

Artigos Relacionados

Falar em ESG, sem praticar o conceito, é um erro
ARTIGO
Falar em ESG, sem praticar o conceito, é um erro

Artigo por Marco Oliveira * O conceito ESG, que aborda os aspectos Ambiental, Social e de Governança das empresas, tem tomado os espaços corporativos e ganhado muita atenção em eventos e palestras que mostram que, definir as operações como socialmente responsáveis, sustentáveis e corretamente gerenciadas, é urgente e essencial. Porém, podemos notar que há um uso descontrolado da sigla, principalmente por corporações que visam trabalhar a boa imagem em ações de marketing, mas que nem sempre as práticas existem de fato. Boas práticas ESG têm que estar no DNA da empresa. Não importa se ela é pequena, média ou grande. Para isso, é preciso estudar sobre o assunto, entender o que é para traçar um planejamento de como implementar essas ações de acordo com a sua estrutura de negócio. A verdade é que o conceito ESG já existia, apenas não tinha ganhado a representação da sigla. Várias empresas no mundo atuam há anos focadas em implementar projetos sociais e ambientais, afinal uma boa governança vai sempre olhar para os colaboradores e a comunidade. No entanto, ainda há muito do “fazer de conta que é ESG”, do “fazer de conta que a empresa se preocupa com questões socioambientais”. E isso, que pode, num primeiro momento, parecer uma ótima estratégia para a imagem da marca, na verdade acaba por prejudicar a reputação. Não há como “fazer de conta” que há transparência na governança corporativa. Ou você trata isso de maneira correta ou será fácil identificar que a sua companhia não possui uma boa estrutura, pois cada vez mais pessoas estão se apropriando de conteúdos para entender o tema e a importância desse assunto, entre elas os consumidores. Ou seja, se você tem uma empresa que polui, que tem um impacto social negativo, e não toma atitude para eliminar ou minimizar esses impactos, a margem e a marca serão prejudicadas, pois há sempre quem analisará estes quesitos para tomar sua decisão de consumo. Para comprovar a importância do tema, um estudo realizado pela agência de pesquisa norte-americana Union + Webster, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná, revelou que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis, e 70% dos entrevistados dizem que não se importam em pagar um pouco mais por isso. A nova geração está atenta quanto às práticas de ESG e ciente do quanto elas impactarão na forma de consumir e trabalhar. Aos empresários e empreendedores, oriento que a primeira ação realizada seja estudar, para entender o grau de complexidade e aplicação do ESG. A segunda coisa a fazer é um benchmarking, buscando as referências das melhores práticas de gestão. Após, veja como isso funcionará dentro do seu negócio e, se for necessário, contrate um especialista em ESG para verificar as possibilidades de melhorias e o que pode ser feito para aprimorar a governança. Acredito que, ao longo dos anos, a sigla passará por ajustes. Afinal, estamos num mundo de constantes e rápidas mudanças. Mas a relevância do tema continuará presente. Por isso, afirmo que ESG não é uma moda, uma tendência, muito menos uma estratégia de marketing. ESG é um conceito que deve ser compreendido e colocado em prática de verdade. Se não fizer isso agora, no futuro, sua marca certamente sofrerá com as cobranças e consequências das escolhas que você faz hoje. * Marco Oliveira é especialista em gestão estratégica de negócio com foco em Go-To-Market e sócio-fundador da O4B, empresa especializada em consultoria e soluções corporativas.

10 de outubro, 2022
Greenwashing: a maquiagem que custa caro
ARTIGO
Greenwashing: a maquiagem que custa caro

Artigo por Renan Vargas * Tratar sobre o meio ambiente e a importância de preservá-lo é um assunto que está cada vez mais recorrente. Não apenas nos círculos sociais ativistas dessa causa, as pessoas têm reconhecido e internalizado a importância de conhecer e implementar mais ações sustentáveis no seu dia a dia. Naturalmente, essa tendência tem sido refletida também nas relações comerciais e de marketing: percebe-se que mais produtos e propagandas com selos sustentáveis e orgânicos passaram a encher as prateleiras dos supermercados e chegar às casas dos consumidores. É possível afirmar que isso está se desenvolvendo em nível global, mas de fato o Brasil vem se destacando quando se trata de priorizar marcas que se mostram responsáveis por produtos sustentáveis. Segundo uma pesquisa lançada pelo Capterra e divulgada em 2021, sete em cada dez brasileiros confirmaram que são influenciados a escolher produtos ou selecionar fornecedores quando estão relacionados a ações sustentáveis. Demonstraram também que preço não é um problema: 47% dos brasileiros entrevistados afirmaram que concordam, de alguma maneira, que o preço atribuído a esses produtos é justo. Apesar desses dados apontarem o que deveria ser uma mudança positiva do direcionamento das empresas para uma produção com menor impacto ambiental no mundo, essa nova realidade gerou um comportamento massivo de empresas que ficou conhecido como greenwashing . A maquiagem O greenwashing , ou lavagem verde (em tradução livre), foi uma infeliz consequência do aumento pela procura de produtos ecofriendly, que acontece quando alguma marca adiciona aos seus anúncios, notas nas redes ou peças publicitárias, algum indício que dá a falsa aparência de que os seus processos e produtos são sustentáveis, levando o consumidor ao erro. Essas empresas e marcas apresentam uma verdade maquiada, para atender ao quesito sustentabilidade. Desta forma, é importante pontuar que isso também acontece por uma pressão decorrente de extremismos que são resultado dessa busca por mais sustentabilidade. Disso vem o medo de ser “cancelado”, o temor do “cancelamento”. Esse termo tem se tornado muito popular, por representar o comportamento de exclusão que as pessoas têm se mobilizado tanto nas redes sociais como em padrões de consumo, que é baseado no fato das empresas alcançarem ou não suas expectativas relacionadas a valores morais sobre o que consideram certo e errado. Este é apenas um exemplo de como essa onda de cancelamentos tem funcionado e afetado o trabalho de marcas, sobretudo suas ações relacionadas à publicidade. Um outro termo, o “ pink washing ”, é usado em uma circunstância parecida: quando há a associação de marcas com um apoio ao público LGBTQIA+ com o único intuito de captar mais consumidores, e não um suporte genuíno à causa. Medidas de aparência É possível observar que as marcas agem desta forma não com o intuito de fazer o que é correto sustentavelmente falando, mas de fazer o que as pessoas acham que é correto. Isso para que se encaixem neste contexto e possam estabelecer boas relações com potenciais públicos consumidores. A grande problemática nesta questão é investir muito em manter as aparências, deixando de se posicionar e não realizando ações concretas que beneficiem o meio ambiente. Isso é arriscado, pois pode gerar um ciclo vicioso de cancelamento em massa e ainda mais greenwashing , o que, na prática, não beneficia ninguém. Ou há um benefício momentâneo para a marca, mas pode custar sua reputação e respeito estabelecido com clientes fiéis. E o preço cobrado é bastante alto: quando atos de greenwashing são comprovados, a empresa comprovadamente perde credibilidade no mercado, além de enfrentar questões judiciais. Um exemplo disso pode ser observado no caso da fabricante de café Keurig Canada, que fez declarações falsas sobre reciclar suas cápsulas de café e foi multada em 3 milhões de dólares canadenses. O desperdício de forças direcionado ao greenwashing pode ser direcionado para mudanças, mesmo que pequenas, mas significativas, que de fato impactam positivamente para o mundo e para a própria empresa. Outro exemplo é a Volkswagen com a Dieselgate , onde houve comprovação de fraude no sistema de controle de gases dos veículos. Um caminho interessante é investir na gestão de resíduos, por exemplo. Além de tratar de uma determinação legal, definida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10), gera resultados reais que impedem a contaminação e são marcados pela preservação de fauna e flora local. Além do mais, quem não apoia uma empresa que investe em reciclagem e dá um destino adequado aos seus resíduos? Neste sentido, há de se observar também o ponto de vista de quem está à frente de um negócio. Implementar a cultura da gestão correta de resíduos junto aos colaboradores, assim como adquirir toda a estrutura necessária para isso, pode ser um grande desafio para as empresas. Por isso é necessário que uma empresa que siga essa tendência tenha um suporte especializado de ponta a ponta para que o empreendimento possa realizar uma gestão de resíduos adequada. Isso se aplica a todo o processo: realizar coleta, gerenciar a destinação e fazer a mensuração. O trabalho, via de regra, é direcionado para uma cooperativa, que recebe o material e dá um destino adequado para ele. Além, é claro, das medidas educativas, que envolvem a sinalização dos espaços e a capacitação de funcionários, gestores, clientes, equipes operacionais e de limpeza. A preocupação da iniciativa não é vender aparências ou um produto conceitual, mas dar suporte de ponta a ponta na gestão de resíduos e gerar uma mudança de verdade. E essa é uma tendência que podemos observar em negócios inovadores que estão alcançando o sucesso nos últimos anos: trabalhar com a verdade junto ao seu público. Sem “maquiagens” e sem o indesejável cancelamento por greenwashing. * Renan Vargas é Diretor de Negócios e sócio-fundador da Trashin

26 de setembro, 2022
ODS e ESG andando sempre juntos
ARTIGO
ODS e ESG andando sempre juntos

Artigo por Markus Nakagawa Por Markus Nakagawa * Estes dois acrônimos são o que todos os investidores, empresários, empreendedores e executivos deveriam pensar o tempo todo. Sabemos que a visão financeira e a busca pelo lucro e crescimento eterno é o que domina o pensamento linear e cartesiano tradicional. Mas, em um mundo da indústria 4.0, impressão de casas em 3D, inteligência artificial, exoesqueletos, carros voadores, drones entregadores, enfim, também temos que inovar e ampliar a forma simplista de pensar. Quem sabe não pensarmos em 4D? Os ODS, para quem não conhece, são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, que possuem 169 metas. Em 2015, os 193 Estados-Membros da ONU se reuniram e definiram quais eram os maiores problemas e desafios do mundo. Nestes ODS estão englobados objetivos não só ambientais, como a maioria das pessoas associam a sustentabilidade ao meio ambiente. Também entram as questões sociais, econômicas e parcerias. Por exemplo, tem o ODS número 8, que está ligado ao trabalho decente e ao crescimento econômico; e o número 9, à indústria, inovação e infraestrutura. E para cada um destes ODS é feito um recorte com as suas metas e desenvolvimento. Conheça mais em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs . Muitos acham que os ODS são só para as questões governamentais ou do coletivo, porém várias empresas também estão no processo de realizar esses objetivos por meio dos seus produtos, serviços, processos, projetos e atividades. Essas empresas entenderam que nesse novo processo de ganha-ganha, quando é realizada uma ação para melhoria da meta do desenvolvimento sustentável, todos ganham. Lá no Fórum Econômico Mundial do ano passado, até chamaram esse pensamento da economia dos stakeholders , ou seja, que as empresas deveriam trabalhar não só para ter o lucro do acionista e para atender as demandas dos clientes e consumidores, mas também para entregar valor aos outros públicos de relacionamento, como os fornecedores, os empregados, a comunidade no entorno, o governo, a sociedade, entre outros. E desde o Fórum Econômico Mundial a questão do ESG (acrônimo para Enviromental, Social e Governance, em português Ambiental, Social e Governança) ficou mais forte. Tanto que, segundo a Bloomberg, o montante de recursos mundial, que está ligado de alguma forma a esta temática, representou cerca de US$ 38 trilhões em 2020 e, em 2025, deve chegar a US$ 53 trilhões, o que equivale a um terço dos ativos de investimentos. Para apresentar as atividades ligadas ao ESG nas organizações, a pesquisa da AMCHAM de 2021, com 178 lideranças de empresas no Brasil, 95% dos entrevistados afirmaram que as suas empresas possuem engajamento no ESG, sendo que 37% destes têm um engajamento em planejamento ativo e estão mapeando os pontos a serem desenvolvidos; 31% dizem já ter um engajamento integral e integrado ao negócio, colocando a sustentabilidade na gestão estratégica; 26% vêm construindo este engajamento adotando práticas para minimizar seus impactos socioambientais; e 89% dos entrevistados colocaram que já possuem algum nível de investimento direcionado para esse objetivo. O crescimento do interesse pela temática não é só das gigantescas empresas ou dos investidores, mas também das startups, segundo a ACE Cortex, área de inovação da ACE Startups, já são mais de 340 startups que se dedicam ao meio ambiente, questões sociais ou em melhorias de governança em empresas de grande porte, ou seja, o desenvolvimento de um mercado de produtos e serviços, se aprimorando para atender às demandas específicas de cada um dos indicadores do ESG das empresas. Por outro lado, no acrônimo ODS, tivemos um retrocesso acelerado no país, segundo a 5ª edição do Relatório Luz da Sociedade Civil de 2021. Este documento é desenvolvido por um Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, que reúne 57 organizações não governamentais, movimentos sociais, fóruns, redes, universidades, fundações e federações brasileiras. Este diagnóstico foi atestado por 106 especialistas em diversas áreas dos 17 ODS e as suas metas, colocando que “a destruição de direitos sociais, ambientais e econômicos, além de direitos civis e políticos, arduamente construídos nas últimas décadas, fica patente nas 92 metas (54,4%) em retrocesso; 27 (16%) estagnadas; 21 (12,4%) ameaçadas; 13 (7,7%) em progresso insuficiente; e 15 (8,9%) que não dispõem de informação. Este ano não há uma meta sequer com avanço satisfatório”. Assim entendemos que precisamos juntar e fazer com que os acrônimos andem em conjunto. Não só empresarialmente, mas para todos os stakeholders , pois no final do dia ou do ano estamos todos no mesmo “barco” ou no mesmo planeta com as mesmas demandas, desafios e problemas. * Markus Nakagawa é Professor e coordenador do CEDS/ESPM; autor premiado com o Jabuti 2019, palestrante e idealizador da Abraps e do Dias Mais Sustentáveis.

7 de setembro, 2021
ESG e as mudanças nas formas de consumo
ARTIGO
ESG e as mudanças nas formas de consumo

Artigo por Luiz Fernando Gerber Por Luiz Fernando Gerber * Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou em português, Meio Ambiente, Social e Governança). Na prática, o conceito de ESG visa pautar as ações de uma empresa considerando seus impactos em sustentabilidade. A questão ambiental envolve as boas práticas que a empresa adota para neutralizar emissões de CO2, preservar os recursos naturais envolvidos na cadeia produtiva, bem como a gestão de resíduos e efluentes. O social avalia as relações da organização com funcionários, comunidade e fornecedores. Por fim, a governança foca em ações de combate à corrupção e compliance. Estudos apontam que a sociedade também tem repensado suas atitudes em prol de um futuro sustentável. Uma pesquisa do IBM (Institute for Business Value) realizada com quase 15 mil pessoas em oito países, além do Brasil, aponta que os critérios ESG são uma forma de atrair candidatos para as empresas: 71% dos trabalhadores e pessoas buscando novas oportunidades afirmam que empresas ambientalmente sustentáveis são mais atraentes para se trabalhar. O estudo do IBM indica que 66% dos brasileiros estão dispostos a mudar seus hábitos de consumo para reduzir problemas ambientais. A agência de pesquisa norte-americana Union + Webster também sugere mudanças de comportamento. Para 87% dos consumidores brasileiros, é preferível comprar de empresas sustentáveis. Os dados mostram também que 24% da população brasileira é da geração Z (pessoas nascidas entre 1999 e 2019), representando o segundo maior mercado consumidor do Brasil, seguido dos millenials (nascidos entre 1981 e 1998). Essa transformação no comportamento de consumo acende um sinal amarelo para que as empresas adotem práticas sustentáveis se quiserem continuar atraentes para esse público. Impulsionada por essa geração mais engajada, a economia circular tem ganhado força. A OLX aponta que, entre os 39% dos brasileiros que já compraram produtos usados, 45% deles tiveram esse primeiro contato na pandemia. Em tempo de recessão, é preciso repensar os hábitos e apertar o cinto. O estudo ainda projeta que o mercado de “segunda mão” deva atingir US$ 64 bilhões nos próximos anos, ultrapassando o segmento de vendas tradicionais até 2024. A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais poluentes do planeta, conforme aponta a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela é responsável por algo entre 8% e 10% das emissões de gás carbônico, e é a segunda que mais consome água, gerando cerca de 20% de todo o esgoto e água despejados no ambiente. Com todos esses dados, fica evidente o importante movimento que está transformando as relações de consumo. Vale observar também que e-commerce, que já estava em alta, ganhou ainda mais força com o crescimento da migração para as compras via smartphones – uma pesquisa realizada pela Shopping Apps Report estima que 75% das vendas neste ano serão feitas nesta modalidade. Neste cenário, ganham força aplicativos que conectam pessoas que querem vender, comprar ou trocar produtos seminovos, além de colocar em contato prestadores de serviços que oferecem seus trabalhos em troca de produtos ou outros serviços. Cada vez mais as pessoas estão reconhecendo que seus hábitos de consumo têm grande impacto no meio ambiente, e que para alcançar um futuro sustentável, é fundamental consumir de forma consciente. * Luiz Fernando Gerber é CEO do Finpli, aplicativo que facilita a troca de produtos entre pessoas pela sua proximidade, usando um sistema de geolocalização.

2 de setembro, 2021
Uma jornada em busca do ESG
ARTIGO
Uma jornada em busca do ESG

Por Francisco Perez * Muito tem se falado sobre os crescentes desafios ambientais e sociais que a humanidade está enfrentando. São frequentes os alertas sobre as consequências desses desafios para a economia mundial, como mudança climática, escassez de recursos, perda da biodiversidade, desmatamento, pobreza, desigualdade e desrespeito aos direitos humanos. A importância desses temas é inegável. Ao redor do mundo, países, empresas e indivíduos participam de uma corrida saudável em busca de uma relação entre humanidade e planeta que seja sustentável a longo prazo. Em 2015, o relatório ‘O dever fiduciário no século XXI’, elaborado pela iniciativa PRI (Principles for Responsible Investments – Princípios para Investimentos Responsáveis), da ONU, corroborou entendimento de um parecer jurídico emitido em 2005, da própria entidade, e esclareceu que “é uma quebra do dever fiduciário não considerar geradores de valor de longo prazo, inclusive questões ambientais, sociais e de governança (ESG) na gestão de recursos”. Esse posicionamento tem impulsionado instituições financeiras e gestores de recursos a embarcarem na jornada por uma sociedade mais responsável e sustentável. No Brasil, já podemos observar diversas iniciativas implementadas por instituições financeiras tradicionais que vêm repensando suas políticas e produtos para estarem alinhadas às diretrizes ESG. Isso, sem dúvida, representa um ganho muito importante e já se reflete na cadeia financeira. A prova disso é que a maioria das fintechs criadas atualmente trazem, entre suas principais preocupações, dar respostas às questões ambientais, sociais e de governança. Um levantamento recente, realizado pela empresa de pesquisa sobre investimentos Morningstar, mostrou que foram criados 85 produtos considerados sustentáveis no ano passado, tendo um aumento significativo quando comparamos com 2019, quando foram originados apenas seis. O valor captado foi igualmente expressivo, totalizando R$ 2,5 bilhões. Apesar destes números serem animadores, não podemos negar que ainda existe um longo percurso a ser trilhado para que estas práticas sustentáveis estejam, de fato, difundidas no mercado. Além disso, é importante considerar que a maioria de nós não age de forma irresponsável ou insustentável voluntariamente, mas sim por falta de alternativa, conhecimento ou ambos. Por isso, precisamos praticar a inclusão, sobre a qual tanto se discute nos últimos anos, e abraçar países, empresas e indivíduos aos quais ainda não foram permitidos adquirir o conhecimento ou alcançar o estágio de maturação necessário para adotarem as melhores políticas e exercerem as práticas mais eficazes para que a existência da humanidade neste planeta possa ser chamada de sustentável. Que sejam bem-vindas todas as iniciativas nesse sentido e que sejamos tolerantes com os diferentes estágios de entendimento e as dificuldades daqueles que se propõem a iniciar a jornada, mas ainda não encontraram o caminho. Aprendamos com o exemplo das iniciativas de inovação aberta que proliferaram entre as organizações na última década e encontraram na colaboração a fórmula para inovar, se reinventar e sobreviver. Colaboremos também todos nós, governos, empresas e indivíduos, para que novas formas de organização da sociedade e condução dos negócios floresçam e permitam que encontremos mais justiça e menos desigualdade num planeta mais saudável. Governos, criem medidas que penalizem as práticas não sustentáveis e incentivem as mais responsáveis por parte de empresas e indivíduos. Empresas, exerçam relações mais humanas com a sociedade, representada por empregados, fornecedores, clientes, governos e comunidades. Indivíduos, assumam responsabilidades nos papéis de cidadãos, consumidores, investidores e educadores. * Francisco Perez é Diretor de Novos Negócios do Banco Alfa.

22 de julho, 2021
O ESG já é uma realidade no Brasil?
ARTIGO
O ESG já é uma realidade no Brasil?

Por Marcus Nakagawa * A Cúpula do Clima, realizada no final de abril e liderada pelo presidente norte americano Joe Biden, fez com que vários países se posicionassem sobre as questões da emergência climática e a busca por uma “descarbonização” das suas matrizes energéticas, atividades comerciais e melhoras nas políticas ambientais. Líderes mundiais apresentaram as suas metas das agendas climáticas e a importância do tema para a criação de empregos, novas tecnologias e a busca da tal “economia verde”. Esta reunião, que durou dois dias, foi uma preparação para a COP-26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano. É neste encontro oficial das Nações Unidas que os países, oficialmente, se comprometem e fazem os acordos geopolíticos perante outros países, empresas, ONGs, jornalistas, entre outros. Todo este movimento acaba repercutindo nas empresas, nos investidores e nos negócios, principalmente no tema que tanto povoa a minha “bolha” digital, o tal do ESG. Para aqueles que ainda não estão acostumados com a sigla, o termo tem a ver com uma gestão mais sustentável, fazendo com que a empresa pense não somente na questão financeira do negócio, mas também em todos os indicadores e resultados ligados ao ambiental (Environmental), social (Social) e à governança (Governance). O número de fundos ESG em 2020 disponível para investidores americanos cresceu para quase 400 – um aumento de 30% em relação a 2019 e um aumento de quase quatro vezes em uma década, de acordo com a Morningstar, uma grande e independente empresa de pesquisas de investimentos. Inclusive, em novembro de 2020, esta empresa, formalmente, integrou o ESG em suas análises de ações, fundos e gestores de ativos. No Brasil, segundo a pesquisa “A evolução do ESG no Brasil”, da Rede Brasil do Pacto Global e da Stilingue, de abril de 2021, 78% da geração dos Millennials e 84% da geração Z declaram optar por este tipo de investimento. E no ano de 2020 a discussão deste tema cresceu sete vezes mais, em relação ao ano anterior. Mas será que é só uma discussão das redes? Parece que não, pois a pesquisa mostra ainda que 84% dos representantes do setor empresarial afirmaram que aumentou o interesse em 2020 em relação a entender mais sobre esta agenda e sobre os critérios ESG. Nas respostas das 308 empresas que fazem parte da Rede Brasil do Pacto Global, foi constatado que as empresas estão atuando com vários tópicos e indicadores do ESG, sendo que as cinco iniciativas mais atuantes nas empresas atualmente são: 79% criação de mecanismos de compliance e governança; 76% na gestão de resíduos, reciclagem e reaproveitamento; 68% na criação de comitês e órgãos de governança buscando a integridade da organização; 61% de apoio à Covid-19; e 60% no apoio às comunidades no entorno. O interesse para entrar em fundos e índices de sustentabilidade corporativa também aumentou. Segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3, o número de empresas inscritas para fazer parte desta carteira foi 69% maior em 2020, comparado ao ano de 2019. Mostrando a importância deste que é o quarto índice de sustentabilidade corporativa criado no mundo, e o primeiro no Brasil, que levanta os critérios de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa em cada uma das empresas. Desde 2005 até dezembro de 2020, o ISE apresentou uma rentabilidade de +315% contra +272% da Ibovespa. Ainda sobre os fundos, de acordo com o levantamento na Morningstar e Capital Reset, os fundos ESG no Brasil captaram R$ 2,5 bilhões em 2020, sendo que mais da metade deles havia sido criada nos últimos 12 meses. E este ecossistema está crescendo, pois no ESG Tech Report da Distrito, de maio de 2021, são apresentadas as várias empresas de tecnologia que estão trabalhando com os temas de ESG, mostrando que já começa a ser formada uma rede de serviços, apoio e funcionalidades para uma melhor gestão e reporte das questões de governança, ambiental e social das empresas. Mas as empresas estão colocando o ESG no seu dia-a-dia? A resposta é sim, desde que eu trabalhava nas grandes empresas, as ações ligadas à temática estavam acontecendo, talvez menos mensuradas e relatadas naquela época, quase uma década atrás. Empresas, como a Vivo, que acabou de lançar o seu relatório de sustentabilidade 2020, conta todos os pontos de ESG nas mais de 100 páginas de relatos. Ou a Klabin que, além das várias ações que realiza, criou indicadores específicos atrelados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, os KODS – Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável. Estas e muitas outras empresas estão inserindo a temática diariamente nos objetivos, metas, processos e com melhorias constantes. Nossos colegas profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão arduamente trabalhando para a implantação do ESG na prática. É um processo de aprendizado constante, uma nova forma de gerir os negócios, não pensando somente na lucratividade a qualquer preço e a qualquer custo. Até o tradicional bônus das metas está sendo alterado. Como exemplo disso temos a Duratex, que atrelará 10% da remuneração variável de executivos às metas ESG da empresa. Estes são os novos tempos pós-pandemia, em que precisaremos mudar de vez o tradicional mindset com somente um foco e de processos lineares. Empresas, mais ESG, por favor! * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida .

24 de junho, 2021
Dia, mês, ano, década e século do meio ambiente
ARTIGO
Dia, mês, ano, década e século do meio ambiente

Por Marcus Nakagawa * “Todo dia era dia de índio... Amantes da natureza... Preservando o equilíbrio ecológico... Da terra, fauna e flora...”, esta letra da música “Todo dia era dia de índio”, da Baby do Brasil, que cantávamos na escola, me inspirou a lembrar que todo dia é Dia das Mães, dos Pais, da família, da natureza... Fazemos parte de todo um ecossistema, de uma família chamada planeta Terra, e precisamos de uma linda palavra que faz parte desta música, que é o equilíbrio. Mesmo assim, é muito importante termos um dia, uma semana ou um mês para sempre reforçarmos a importância que o meio ambiente, a natureza, a vida ecológica, as relações sistêmicas no planeta têm no nosso dia-a-dia. O Dia Mundial do Meio Ambiente oficial é 5 de junho, pois em 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma importante conferência que discutia o futuro sustentável e as relações entre os seres humanos e o planeta. Neste evento, na Suécia, conhecido como Conferência de Estocolmo, também foi criado o PNUMA, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente ou, em inglês, o UNEP – UN Environment Programme. O PNUMA colocou como tema para 2021 a Restauração de Ecossistemas e criou uma chamada muito bacana: “Reimagine, Recrie e Restaure”. E ainda afirma que “este é o nosso momento, pois não podemos mais voltar no tempo, mas podemos cultivar árvores, tornar nossas cidades verdes, renovar nossos jardins, mudar nossas dietas e limpar rios e encostas”. E que “somos a geração que pode fazer as pazes com a natureza”, para ficarmos ativos e não ansiosos. Inclusive, aproveitando o momento, foi criada a hashtag #GeraçãoRestauração! Muito bacana, não é? Além disso, o PNUMA possui um guia prático online para baixar em PDF (em inglês) para a restauração de ecossistemas, bem didático e ilustrativo: ( https://www.worldenvironmentday.global/pt-br/faca-parte/guia-pratico-para-restauracao-de-ecossistemas ). Sim, precisamos nos juntar a esta e outras mobilizações como o movimento Lixo Zero, que trabalha com a ponta final do nosso consumo. Na verdade, é este conceito que precisamos quebrar nesta temática dos resíduos. Segundo o Instituto Lixo Zero Brasil, o conceito de lixo zero consiste no “máximo aproveitamento e correto encaminhamento dos resíduos recicláveis e orgânicos e a redução – ou mesmo o fim – do encaminhamento destes materiais para os aterros sanitários e\ou para a incineração”. Neste movimento, a batalha é que empresas, governos, ONGs e pessoas físicas se juntem para simplesmente não “jogar fora” o lixo. Isso porque no nosso planeta, de exuberante natureza, não existe “fora”. Estamos todos na mesma nave espacial que vaga pelo universo e precisamos cuidar deste meio ambiente em que vivemos. Segundo a agenda 2030 da ONU, temos somente nove anos para atingir os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e as 169 metas, mas não precisamos ficar ansiosos como diz o PNUMA. Temos que colocar a mão na massa, no caso na natureza, mesmo durante esta pandemia e ao final dela. Vamos buscar ações, atividades, trabalhos voluntários, mobilizações digitais e trazer o dia do meio ambiente para todos os dias. Busque ONGs ambientais, movimentos sociais e cuidadores dos animais e do meio ambiente para ajudar, doar e se voluntariar. Tenho trabalhado bastante para mobilizar pessoas para este movimento por meio de aulas, palestras, workshops , lives , enfim, todas as formas possíveis. Por exemplo, na plataforma www.diasmaissustentaveis.com temos colocado notícias, dicas para o seu dia-a-dia mais sustentável, vídeos, podcasts e deixamos uma parte no site para você também sugerir a sua dica. Vamos juntos pelo nosso lar, pelo nosso meio ambiente, enfim, pelo planeta e todos que aqui habitam. Feliz Dia do Meio Ambiente! Feliz Semana do Meio Ambiente! Feliz Mês do Meio Ambiente! Pois todo dia é dia do meio ambiente! * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

9 de junho, 2021
Saneamento Ambiental Logo
ARTIGO
Automação industrial e sustentabilidade

Por Pedro Okuhara * O crescimento populacional e o ritmo acelerado em que o mundo está, vem aumentando o consumo dos recursos naturais e poderá ser uma catástrofe para as gerações futuras. A preservação da biodiversidade é ponto fundamental para que empresas possam evoluir sustentavelmente, evitando possíveis desequilíbrios no meio ambiente, que poderiam proliferar pragas, vírus e doenças. Cada vez mais, o crescimento sustentável de uma empresa não depende apenas do pilar econômico. Suas ações no âmbito social e ambiental podem impactar no seu resultado final, caso não haja equilíbrio entre eles. Dessa forma, o investimento em automação industrial e Indústria 4.0 podem ser caminhos para equilibrar esses pilares, aplicando assim diversas novas tecnologias para facilitar o desenvolvimento sustentável do negócio, trazendo benefícios como eficiência energética, redução do desperdício de água, redução de emissão de poluentes, entre outros. Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, o mundo vinha sofrendo um impacto muito grande com o crescimento desenfreado de consumo dos recursos naturais, porém no início da pandemia, mais precisamente no final de abril de 2020, segundo um artigo publicado em maio de 2020 pela Nature Climate Research, tivemos uma redução mundial de 17% nas emissões de carbono em relação ao ano passado. Esse mesmo estudo mostra que, no Brasil, a redução atingiu 25%, fortemente impactada pelos setores de transporte e indústria, que passaram por um período muito atípico e foram obrigados a reduzir o ritmo, enquanto vivíamos em meio às diversas incertezas na luta contra a Covid-19. Em paralelo, foi possível observar a natureza se revigorar: o maior buraco na camada de ozônio se fechou no início de maio; os dois países com maior densidade populacional do mundo tiveram seus níveis de poluição reduzidos e, consequentemente, a sua emissão de CO2. Em Veneza, as águas dos canais ficaram claras e nítidas; animais silvestres em extinção voltaram a acasalar, devido à ausência de pessoas nos zoológicos; entre diversos outros exemplos de como o planeta voltou a "respirar" novamente. A transformação digital abordada pela Indústria 4.0 é muito enfática sobre como a automação, a robótica e a inteligência artificial irão aumentar a escala de produção, fazendo produtos complexos e personalizados de forma mais rápida e perfeita. Porém, muitas vezes ela deixa de destacar todo o ganho em eficiência no processo que faz a indústria economizar em matéria-prima, seja com água ou outro insumo, desperdiçando menos recursos naturais e reduzindo o impacto no meio ambiente. Além disso, os profissionais do chão de fábrica terão vidas mais saudáveis, deixando de trabalhar em processos repetitivos exaustivos durante várias horas diárias, para desempenhar rotinas administrativas de controle. A inteligência artificial poderá fazer análises em tempo real, mostrando soluções otimizadas de processo ou alternativas de materiais com menor impacto ambiental, atingindo o mesmo resultado no produto final. O consumo consciente é um tema novo, mas que já nasce com os jovens da geração Millennials (nascidos após os anos 2000), que desde o início de sua educação já aprendem a se preocupar com os impactos que o consumo de um produto pode ter no meio ambiente, assim como a empresa que desenvolve e comercializa essa mercadoria faz para minimizar os impactos gerados, seja através de investimentos em novos materiais, biodegradáveis ou recicláveis, em ações de reflorestamento, utilização de energia e processos limpos, ou até mesmo em projetos sociais para a comunidade. Apesar das grandes companhias já estarem engajadas quando o tema é Sustentabilidade, é possível notar um movimento muito forte de pequenas e médias empresas em levar este assunto cada vez mais a sério. O crescimento de nichos de mercado, onde a preocupação com o meio ambiente é ponto crucial, também estimula as empresas a se preocupar com suas ações, independentemente do seu porte. A automação e a Indústria 4.0 terão papéis fundamentais no avanço da manufatura de forma sustentável, e suas tecnologias farão os impactos reduzirem, contribuindo para a manutenção de todo ecossistema. No Japão, a cultura da sustentabilidade já nasce tanto nas empresas quanto na sociedade, e esperamos que o Brasil possa se espelhar nas ações de diversos países que estão à nossa frente, aplicando tecnologias que possam auxiliar na eficiência produtiva e ambiental. * Pedro Okuhara é Especialista de produtos da Mitsubishi Electric do Brasil

18 de dezembro, 2020
Saneamento Ambiental Logo
ARTIGO
ESG ou Sustentabilidade Empresarial?

Por Marcus Nakagawa * Não sei se é a minha bolha nas redes sociais, mas muitos dos meus contatos estão postando e escrevendo sobre este tal de ESG. Muitas empresas estão indo atrás deste termo e meus alunos e alunas começam a se confundir com as várias siglas e conceitos. Será que isso tem a ver com a sustentabilidade? É um outro tema que conversa com o Desenvolvimento Sustentável? Já temos que ir atrás de um outro curso ou indicador? Bom, primeiro vamos explicar que ESG é a sigla para Environmental, Social & Governance, o que traduzido daria ASG: Ambiental, Social e Governança. Interessante que, se você coloca este termo nos buscadores resulta em um monte de empresas da área financeira, fundos e bancos colocando a importância das questões ambientais e sociais como riscos aos negócios. Este termo apareceu na publicação “Who Cares Wins”, de 2004, do Pacto Global da ONU junto com o Banco Mundial. No último Fórum Econômico Mundial, no começo do ano, as questões ambientais e a emergência climática eram os principais tópicos de riscos apresentados a longo prazo. E, logo depois, aconteceu a pandemia, que subtraiu valores da maior parte das empresas e governos devido à falta de cuidado com a gestão dos animais silvestres e à governança global. Klaus Schwab, fundador em 1971, do evento que tem o objetivo de discutir práticas de gestão global, colocou que as empresas precisam gerar valor para os acionistas e também para os outros stakeholders ou públicos de relacionamento. Vimos isso bastante em tempos de pandemia, empresas de bebidas fazendo álcool em gel, empresas de roupas fazendo máscaras e muitas empresas e pessoas físicas no país fazendo doações para as reais necessidades da população. A pergunta é se isso continuará na retomada da crise pós pandemia. Sobre gerar valor para os vários stakeholders, Porter e Kramer, em um artigo de uma década atrás, colocaram a necessidade de se criar valor compartilhado para além dos acionistas e clientes/consumidores, também para os fornecedores, comunidades, colaboradores, meio ambiente, entre outros. Ou seja, a empresa não é uma ilha isolada que fica somente produzindo e vendendo para bater a meta prometida aos acionistas. Neste processo haverá muitos outros movimentos que impactarão negativamente ou positivamente o entorno e as pessoas que estão em contato. E aí, sim, estamos falando dos stakeholders, que podem oferecer riscos de um acidente no trabalho, de uma poluição no ar ou rio, de um fornecedor que tem práticas não aderentes aos Direitos Humanos, ou um funcionário que dá comissão para um político. Estes riscos ambientais e sociais precisam ser medidos, avaliados, controlados e melhorados. Para isso existem as políticas, os procedimentos, as regras, os códigos de condutas, certificações e o compliance nas empresas. Para apoiar e operacionalizar tudo isso temos as áreas de sustentabilidade, de qualidade, de saúde e segurança, de meio ambiente, de auditoria, de ética e compliance, entre os vários nomes para estas áreas. E tudo isso precisa ser “orquestrado” pelo C-level (a liderança empresarial) na governança desta empresa. A forma que a empresa seguirá as “regras e leis” que ela colocou será fundamental para a gestão inclusiva e sustentável. Mas tudo isso vale a pena também financeiramente? Sim! É isso que fundos como o ISE da B3 tem mostrado nestes 15 anos, com uma rentabilidade maior do que os fundos tradicionais. E mais do que isso: já tirou desta carteira de empresas com ESG várias delas que, no meio do caminho, tiveram problemas ambientais, sociais e éticos, mesmo que fossem muito representativas no âmbito total do fundo. A empresa XP criou uma área específica para este tipo de investimento e os bancos tradicionais possuem fundos éticos, sociais e ambientais desde o começo desta década. O maior fundo de pensão do mundo, o Fundo de Investimento em Pensão do Governo do Japão, também anunciou, no meio da pandemia, que está priorizando investimentos ESG e está utilizando indicadores e análises de riscos relacionadas às mudanças climáticas e as oportunidades que este desafio possa criar. No começo do ano, a maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, também apresentou a importância que estava dando para as questões de ESG. E agora, no final de outubro, a empresa, junto com a XP, lançaram o BlackRock Global Impact, que é um fundo formado por empresas globais com produtos e serviços pautados nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Ou seja, trabalhando com empresas que, efetivamente, estão buscando as melhorias necessárias no planeta e para as pessoas. Mas afinal, ESG é a mesma coisa que sustentabilidade? Sim, a ideia é a mesma. E muitos usam a mesma base de indicadores da área de sustentabilidade que estamos discutindo há mais de três décadas. Para corroborar ainda mais com esta semelhança entre os termos, o diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, coloca que o ESG é um olhar do setor financeiro sobre as questões de sustentabilidade, as quais discutimos ao longo deste artigo. Entretanto, muito cuidado para quem quer implementar o ESG, pois não basta criar um produto ou uma linha de produtos mais verdes, sustentáveis ou somente apoiar um projeto social. Estamos falando aqui de gestão, governança, controles e avaliações. E inserir as questões ambientais e sociais no cerne da estratégia dos negócios e em todos os processos. Quando o mercado financeiro tornar este termo um mainstream, ou seja, um padrão para todas as empresas e negócios, e não somente algumas carteiras e fundos, o desenvolvimento sustentável ganhará ainda mais força. * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Idealizador da plataforma Dias Mais Sustentáveis. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos; Administração por Competências; e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).

7 de dezembro, 2020
Saneamento Ambiental Logo
ARTIGO
Desenvolvimento sustentável e bem-estar dos colaboradores

Por Leo Cesar Melo * A sustentabilidade busca o equilíbrio entre a realização de atividades econômicas, a preservação do meio ambiente e o bem-estar social. Ou seja, sem deixar de atender as necessidades da sociedade, devemos pensar o crescimento da nossa economia de maneira que os recursos naturais sejam utilizados com racionalidade. Esse trabalho só é possível se adotarmos novos comportamentos, que valem para a vida na esfera íntima e familiar e também para o convívio em sociedade, na rua e no trabalho. No ambiente corporativo, o desenvolvimento sustentável deve estar diretamente ligado às questões que envolvem o bem-estar dos colaboradores. Já que os pilares da sustentabilidade envolvem aspectos financeiros, sociais e ambientais. A adoção de uma gestão sustentável requer o investimento e a valorização do capital humano. Para isso, gestores devem reconhecer a necessidade de promover ações que incentivem o crescimento profissional, a busca por conhecimento e a coletividade no ambiente de trabalho. Quando as pessoas percebem que sua experiência e sugestões são consideradas, elas se sentem parte e isso pode contribuir para a melhoria nos processos e para que novas visões estratégicas sejam apresentadas, ampliando as chances de sucesso. Isso faz parte de criar um ambiente colaborativo e sustentável, tendo o funcionário como aliado nas estratégias de consolidação da sua empresa. Assim como o comportamento do consumidor mudou com a Era da Experiência, o modo como os novos profissionais enxergam a postura das empresas onde querem trabalhar também foi modificado. Eles exigem viver melhores experiências profissionais, analisam a coerência entre discurso e prática nas organizações e buscam oportunidades de crescimento ligadas às questões sociais mais urgentes. Sustentabilidade é uma delas. Essa é uma tendência de crescimento que não pode ser ignorada e que tem definido o futuro das organizações e os resultados positivos das organizações. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

23 de novembro, 2020
Saneamento Ambiental Logo
LIVROS
Autor dá dicas que como colocar em prática a tal sustentabilidade

O professor de graduação e MBA da ESPM, Marcus Nakagawa, acaba de lançar o livro ‘101 dias com ações mais sustentáveis para mudar o mundo’, produzido pela Editora Labrador. O prefácio da obra é assinado pela Klabin, uma de suas patrocinadoras. A orelha do livro traz, ainda, os depoimentos de Fabiano Rangel, Presidente da ABRAPS - Associação Brasileira dos Profissionais do Desenvolvimento Sustentável e de Carlo Pereira, Secretário Executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. O livro busca esclarecer as pessoas sobre como é possível colocar as ideias do desenvolvimento sustentável em prática em suas vidas. Segundo o autor, a ideia do livro surgiu a partir de questionamentos que sempre lhe são feitos, sobre como colocar a sustentabilidade em prática? “Comecei a listar várias ações que podem ser praticadas por todo cidadão e quando percebi já tinha 101 atividades listadas. Desde ações simples como apagar a luz ao sair de um ambiente, passando por ações de descarte correto, até energia solar e compostagem, por exemplo,” explica Nakagawa. Para a realização do projeto, Nakagawa contou com a colaboração de diversas pessoas e empresas que contribuíram financeiramente, por meio de uma campanha de crowdfunding na plataforma Kickante. O livro é voltado para todas as pessoas que queiram começar a realizar algum movimento sustentável pensando no meio ambiente e na sociedade, seja em casa, na empresa, ou na escola. O livro está dividido por ação, cada capítulo traz uma que pode ser implantada no dia a dia. Dessa forma, o leitor percebe que é simples praticar ações sustentáveis, basta mudar seus hábitos e com algumas mudanças ou adaptações é possível melhorar o Planeta.

25 de junho, 2018