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Desvendando o greenwashing

Desvendando o greenwashing

Maquiar as façanhas organizacionais se tornou algo tão comum que o fenômeno recebeu até nome: greenwashing

Por: Isabela Basso (*)

Nas últimas décadas, o tema sustentabilidade ganhou destaque nas pautas corporativas, refletindo um apelo crescente por práticas ecologicamente responsáveis. Como consequência, o mundo empresarial passou a exibir frequentemente rótulos e selos que buscam comprovar o seu cuidado com o meio ambiente, até como forma de conquistar a confiança dos consumidores conscientes. Hoje, essa tendência abrindo tem sido muito questionada sobre seu real impacto. Maquiar as façanhas organizacionais se tornou algo tão comum que o fenômeno recebeu até nome: greenwashing, ou ao pé da letra, “lavagem verde”.

Em linhas gerais, este é o nome dado à prática de empresas que exageram ou falseiam seu compromisso ambiental, seja por meio de omissão de dados ou pela ênfase desmedida em aspectos isolados (e frequentemente pouco relevantes) de suas operações. De forma intencional ou não, a grande verdade é que a falta de transparência e o marketing enganoso das companhias intensificam essa prática, ajudando corporações a terem um status de protagonismo ambiental mesmo sem apresentar evidências científicas que justifiquem essa reputação.

Alerta vermelho

Termos como "sustentável", "eco" e "verde", passaram a ser usados de forma indiscriminada e acabaram banalizados, resultando em consequências perigosas como o descrédito e falta de uma consciência real sobre as questões ambientais. Para ilustrar a dimensão do problema, um estudo da PwC revelou que 98% dos investidores brasileiros acreditam que essa prática está presente nos relatórios de sustentabilidade das empresas. Globalmente falando, essa percepção segue altíssima, alcançando os 94%. Os números demonstram uma desconfiança generalizada sobre a veracidade das informações divulgadas pelo setor.

No Brasil, a situação ainda é complicada, uma vez que praticamente não há movimentos destinados à criação de normas que exijam informações detalhadas e consistentes das corporações. A consultoria Bain & Company fez um levantamento que joga luz à percepção do consumidor sobre as informações prestadas pelas empresas: 60% dos consumidores recorrem às embalagens para se informar sobre as origens e processos que envolvem estes produtos e 27% dos entrevistados dizem que a falta de informação e transparência sobre os processos de produção sustentável é uma barreira que impede uma compra ‘’confiável e segura’’.

Felizmente, medidas para endereçar esse problema já começaram a ser vistas em vários países. O parlamento europeu, por exemplo, aprovou recentemente uma lei anti-greenwashing, exigindo que rótulos e selos ecológicos sejam respaldados por sistemas de certificação reconhecidos internacionalmente, representando um avanço significativo para garantir a transparência e autenticidade das alegações ambientais das empresas.

Tempo de mudanças

Em um cenário de constante atualização, a regulação é crucial para estimular práticas mais robustas e transparentes. A união entre setores da sociedade é essencial para impulsionar normas que garantam rigor nas informações divulgadas. Um outro estudo conduzido pela PwC revela que 59,5% das empresas brasileiras já avaliam mudanças para cumprir requisitos do International Sustainability Standards Board (ISSB), um dos mais renomados conselhos internacionais relacionados ao tema.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) demonstrou compromisso com o tema ao aprovar uma resolução que obriga empresas listadas na bolsa de valores a adequarem seus relatórios de riscos ESG às normas padronizadas pelo ISSB até 2026. A regulamentação se torna uma peça fundamental para assegurar que a transformação seja um processo positivo para todos.

Em linha com essa diretriz, coletar e difundir dados robustos, obtidos por meio de ferramentas científicas são pilares essenciais para lidar com a questão. Sem indicadores bem definidos e estruturados, muitas empresas poderão seguir mascarando o seu verdadeiro impacto ou, até mesmo, seguir acreditando que estão agindo corretamente quando, na verdade, estão contribuindo para a perpetuação do problema.

O combate ao greenwashing no Brasil requer uma combinação de regulamentação rigorosa e uma mudança de mentalidade empresarial. Está na hora de exigirmos clareza e autenticidade nas práticas dentro do contexto corporativo, adotando medidas concretas e dados cientificamente comprovados. Somente assim poderemos garantir que os esforços em sustentabilidade sejam genuínos e efetivos, contribuindo para um futuro verdadeiramente mais verde e transparente.

(*) Co-fundadora da Zaya


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Artigo por Marco Oliveira * O conceito ESG, que aborda os aspectos Ambiental, Social e de Governança das empresas, tem tomado os espaços corporativos e ganhado muita atenção em eventos e palestras que mostram que, definir as operações como socialmente responsáveis, sustentáveis e corretamente gerenciadas, é urgente e essencial. Porém, podemos notar que há um uso descontrolado da sigla, principalmente por corporações que visam trabalhar a boa imagem em ações de marketing, mas que nem sempre as práticas existem de fato. Boas práticas ESG têm que estar no DNA da empresa. Não importa se ela é pequena, média ou grande. Para isso, é preciso estudar sobre o assunto, entender o que é para traçar um planejamento de como implementar essas ações de acordo com a sua estrutura de negócio. A verdade é que o conceito ESG já existia, apenas não tinha ganhado a representação da sigla. Várias empresas no mundo atuam há anos focadas em implementar projetos sociais e ambientais, afinal uma boa governança vai sempre olhar para os colaboradores e a comunidade. No entanto, ainda há muito do “fazer de conta que é ESG”, do “fazer de conta que a empresa se preocupa com questões socioambientais”. E isso, que pode, num primeiro momento, parecer uma ótima estratégia para a imagem da marca, na verdade acaba por prejudicar a reputação. Não há como “fazer de conta” que há transparência na governança corporativa. Ou você trata isso de maneira correta ou será fácil identificar que a sua companhia não possui uma boa estrutura, pois cada vez mais pessoas estão se apropriando de conteúdos para entender o tema e a importância desse assunto, entre elas os consumidores. Ou seja, se você tem uma empresa que polui, que tem um impacto social negativo, e não toma atitude para eliminar ou minimizar esses impactos, a margem e a marca serão prejudicadas, pois há sempre quem analisará estes quesitos para tomar sua decisão de consumo. Para comprovar a importância do tema, um estudo realizado pela agência de pesquisa norte-americana Union + Webster, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná, revelou que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis, e 70% dos entrevistados dizem que não se importam em pagar um pouco mais por isso. A nova geração está atenta quanto às práticas de ESG e ciente do quanto elas impactarão na forma de consumir e trabalhar. Aos empresários e empreendedores, oriento que a primeira ação realizada seja estudar, para entender o grau de complexidade e aplicação do ESG. A segunda coisa a fazer é um benchmarking, buscando as referências das melhores práticas de gestão. Após, veja como isso funcionará dentro do seu negócio e, se for necessário, contrate um especialista em ESG para verificar as possibilidades de melhorias e o que pode ser feito para aprimorar a governança. Acredito que, ao longo dos anos, a sigla passará por ajustes. Afinal, estamos num mundo de constantes e rápidas mudanças. Mas a relevância do tema continuará presente. Por isso, afirmo que ESG não é uma moda, uma tendência, muito menos uma estratégia de marketing. ESG é um conceito que deve ser compreendido e colocado em prática de verdade. Se não fizer isso agora, no futuro, sua marca certamente sofrerá com as cobranças e consequências das escolhas que você faz hoje. * Marco Oliveira é especialista em gestão estratégica de negócio com foco em Go-To-Market e sócio-fundador da O4B, empresa especializada em consultoria e soluções corporativas.

10 de outubro, 2022
Greenwashing: a maquiagem que custa caro
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Artigo por Renan Vargas * Tratar sobre o meio ambiente e a importância de preservá-lo é um assunto que está cada vez mais recorrente. Não apenas nos círculos sociais ativistas dessa causa, as pessoas têm reconhecido e internalizado a importância de conhecer e implementar mais ações sustentáveis no seu dia a dia. Naturalmente, essa tendência tem sido refletida também nas relações comerciais e de marketing: percebe-se que mais produtos e propagandas com selos sustentáveis e orgânicos passaram a encher as prateleiras dos supermercados e chegar às casas dos consumidores. É possível afirmar que isso está se desenvolvendo em nível global, mas de fato o Brasil vem se destacando quando se trata de priorizar marcas que se mostram responsáveis por produtos sustentáveis. Segundo uma pesquisa lançada pelo Capterra e divulgada em 2021, sete em cada dez brasileiros confirmaram que são influenciados a escolher produtos ou selecionar fornecedores quando estão relacionados a ações sustentáveis. Demonstraram também que preço não é um problema: 47% dos brasileiros entrevistados afirmaram que concordam, de alguma maneira, que o preço atribuído a esses produtos é justo. Apesar desses dados apontarem o que deveria ser uma mudança positiva do direcionamento das empresas para uma produção com menor impacto ambiental no mundo, essa nova realidade gerou um comportamento massivo de empresas que ficou conhecido como greenwashing . A maquiagem O greenwashing , ou lavagem verde (em tradução livre), foi uma infeliz consequência do aumento pela procura de produtos ecofriendly, que acontece quando alguma marca adiciona aos seus anúncios, notas nas redes ou peças publicitárias, algum indício que dá a falsa aparência de que os seus processos e produtos são sustentáveis, levando o consumidor ao erro. Essas empresas e marcas apresentam uma verdade maquiada, para atender ao quesito sustentabilidade. Desta forma, é importante pontuar que isso também acontece por uma pressão decorrente de extremismos que são resultado dessa busca por mais sustentabilidade. Disso vem o medo de ser “cancelado”, o temor do “cancelamento”. Esse termo tem se tornado muito popular, por representar o comportamento de exclusão que as pessoas têm se mobilizado tanto nas redes sociais como em padrões de consumo, que é baseado no fato das empresas alcançarem ou não suas expectativas relacionadas a valores morais sobre o que consideram certo e errado. Este é apenas um exemplo de como essa onda de cancelamentos tem funcionado e afetado o trabalho de marcas, sobretudo suas ações relacionadas à publicidade. Um outro termo, o “ pink washing ”, é usado em uma circunstância parecida: quando há a associação de marcas com um apoio ao público LGBTQIA+ com o único intuito de captar mais consumidores, e não um suporte genuíno à causa. Medidas de aparência É possível observar que as marcas agem desta forma não com o intuito de fazer o que é correto sustentavelmente falando, mas de fazer o que as pessoas acham que é correto. Isso para que se encaixem neste contexto e possam estabelecer boas relações com potenciais públicos consumidores. A grande problemática nesta questão é investir muito em manter as aparências, deixando de se posicionar e não realizando ações concretas que beneficiem o meio ambiente. Isso é arriscado, pois pode gerar um ciclo vicioso de cancelamento em massa e ainda mais greenwashing , o que, na prática, não beneficia ninguém. Ou há um benefício momentâneo para a marca, mas pode custar sua reputação e respeito estabelecido com clientes fiéis. E o preço cobrado é bastante alto: quando atos de greenwashing são comprovados, a empresa comprovadamente perde credibilidade no mercado, além de enfrentar questões judiciais. Um exemplo disso pode ser observado no caso da fabricante de café Keurig Canada, que fez declarações falsas sobre reciclar suas cápsulas de café e foi multada em 3 milhões de dólares canadenses. O desperdício de forças direcionado ao greenwashing pode ser direcionado para mudanças, mesmo que pequenas, mas significativas, que de fato impactam positivamente para o mundo e para a própria empresa. Outro exemplo é a Volkswagen com a Dieselgate , onde houve comprovação de fraude no sistema de controle de gases dos veículos. Um caminho interessante é investir na gestão de resíduos, por exemplo. Além de tratar de uma determinação legal, definida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10), gera resultados reais que impedem a contaminação e são marcados pela preservação de fauna e flora local. Além do mais, quem não apoia uma empresa que investe em reciclagem e dá um destino adequado aos seus resíduos? Neste sentido, há de se observar também o ponto de vista de quem está à frente de um negócio. Implementar a cultura da gestão correta de resíduos junto aos colaboradores, assim como adquirir toda a estrutura necessária para isso, pode ser um grande desafio para as empresas. Por isso é necessário que uma empresa que siga essa tendência tenha um suporte especializado de ponta a ponta para que o empreendimento possa realizar uma gestão de resíduos adequada. Isso se aplica a todo o processo: realizar coleta, gerenciar a destinação e fazer a mensuração. O trabalho, via de regra, é direcionado para uma cooperativa, que recebe o material e dá um destino adequado para ele. Além, é claro, das medidas educativas, que envolvem a sinalização dos espaços e a capacitação de funcionários, gestores, clientes, equipes operacionais e de limpeza. A preocupação da iniciativa não é vender aparências ou um produto conceitual, mas dar suporte de ponta a ponta na gestão de resíduos e gerar uma mudança de verdade. E essa é uma tendência que podemos observar em negócios inovadores que estão alcançando o sucesso nos últimos anos: trabalhar com a verdade junto ao seu público. Sem “maquiagens” e sem o indesejável cancelamento por greenwashing. * Renan Vargas é Diretor de Negócios e sócio-fundador da Trashin

26 de setembro, 2022
ESG e as mudanças nas formas de consumo
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ESG e as mudanças nas formas de consumo

Artigo por Luiz Fernando Gerber Por Luiz Fernando Gerber * Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou em português, Meio Ambiente, Social e Governança). Na prática, o conceito de ESG visa pautar as ações de uma empresa considerando seus impactos em sustentabilidade. A questão ambiental envolve as boas práticas que a empresa adota para neutralizar emissões de CO2, preservar os recursos naturais envolvidos na cadeia produtiva, bem como a gestão de resíduos e efluentes. O social avalia as relações da organização com funcionários, comunidade e fornecedores. Por fim, a governança foca em ações de combate à corrupção e compliance. Estudos apontam que a sociedade também tem repensado suas atitudes em prol de um futuro sustentável. Uma pesquisa do IBM (Institute for Business Value) realizada com quase 15 mil pessoas em oito países, além do Brasil, aponta que os critérios ESG são uma forma de atrair candidatos para as empresas: 71% dos trabalhadores e pessoas buscando novas oportunidades afirmam que empresas ambientalmente sustentáveis são mais atraentes para se trabalhar. O estudo do IBM indica que 66% dos brasileiros estão dispostos a mudar seus hábitos de consumo para reduzir problemas ambientais. A agência de pesquisa norte-americana Union + Webster também sugere mudanças de comportamento. Para 87% dos consumidores brasileiros, é preferível comprar de empresas sustentáveis. Os dados mostram também que 24% da população brasileira é da geração Z (pessoas nascidas entre 1999 e 2019), representando o segundo maior mercado consumidor do Brasil, seguido dos millenials (nascidos entre 1981 e 1998). Essa transformação no comportamento de consumo acende um sinal amarelo para que as empresas adotem práticas sustentáveis se quiserem continuar atraentes para esse público. Impulsionada por essa geração mais engajada, a economia circular tem ganhado força. A OLX aponta que, entre os 39% dos brasileiros que já compraram produtos usados, 45% deles tiveram esse primeiro contato na pandemia. Em tempo de recessão, é preciso repensar os hábitos e apertar o cinto. O estudo ainda projeta que o mercado de “segunda mão” deva atingir US$ 64 bilhões nos próximos anos, ultrapassando o segmento de vendas tradicionais até 2024. A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais poluentes do planeta, conforme aponta a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela é responsável por algo entre 8% e 10% das emissões de gás carbônico, e é a segunda que mais consome água, gerando cerca de 20% de todo o esgoto e água despejados no ambiente. Com todos esses dados, fica evidente o importante movimento que está transformando as relações de consumo. Vale observar também que e-commerce, que já estava em alta, ganhou ainda mais força com o crescimento da migração para as compras via smartphones – uma pesquisa realizada pela Shopping Apps Report estima que 75% das vendas neste ano serão feitas nesta modalidade. Neste cenário, ganham força aplicativos que conectam pessoas que querem vender, comprar ou trocar produtos seminovos, além de colocar em contato prestadores de serviços que oferecem seus trabalhos em troca de produtos ou outros serviços. Cada vez mais as pessoas estão reconhecendo que seus hábitos de consumo têm grande impacto no meio ambiente, e que para alcançar um futuro sustentável, é fundamental consumir de forma consciente. * Luiz Fernando Gerber é CEO do Finpli, aplicativo que facilita a troca de produtos entre pessoas pela sua proximidade, usando um sistema de geolocalização.

2 de setembro, 2021
O ESG já é uma realidade no Brasil?
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O ESG já é uma realidade no Brasil?

Por Marcus Nakagawa * A Cúpula do Clima, realizada no final de abril e liderada pelo presidente norte americano Joe Biden, fez com que vários países se posicionassem sobre as questões da emergência climática e a busca por uma “descarbonização” das suas matrizes energéticas, atividades comerciais e melhoras nas políticas ambientais. Líderes mundiais apresentaram as suas metas das agendas climáticas e a importância do tema para a criação de empregos, novas tecnologias e a busca da tal “economia verde”. Esta reunião, que durou dois dias, foi uma preparação para a COP-26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano. É neste encontro oficial das Nações Unidas que os países, oficialmente, se comprometem e fazem os acordos geopolíticos perante outros países, empresas, ONGs, jornalistas, entre outros. Todo este movimento acaba repercutindo nas empresas, nos investidores e nos negócios, principalmente no tema que tanto povoa a minha “bolha” digital, o tal do ESG. Para aqueles que ainda não estão acostumados com a sigla, o termo tem a ver com uma gestão mais sustentável, fazendo com que a empresa pense não somente na questão financeira do negócio, mas também em todos os indicadores e resultados ligados ao ambiental (Environmental), social (Social) e à governança (Governance). O número de fundos ESG em 2020 disponível para investidores americanos cresceu para quase 400 – um aumento de 30% em relação a 2019 e um aumento de quase quatro vezes em uma década, de acordo com a Morningstar, uma grande e independente empresa de pesquisas de investimentos. Inclusive, em novembro de 2020, esta empresa, formalmente, integrou o ESG em suas análises de ações, fundos e gestores de ativos. No Brasil, segundo a pesquisa “A evolução do ESG no Brasil”, da Rede Brasil do Pacto Global e da Stilingue, de abril de 2021, 78% da geração dos Millennials e 84% da geração Z declaram optar por este tipo de investimento. E no ano de 2020 a discussão deste tema cresceu sete vezes mais, em relação ao ano anterior. Mas será que é só uma discussão das redes? Parece que não, pois a pesquisa mostra ainda que 84% dos representantes do setor empresarial afirmaram que aumentou o interesse em 2020 em relação a entender mais sobre esta agenda e sobre os critérios ESG. Nas respostas das 308 empresas que fazem parte da Rede Brasil do Pacto Global, foi constatado que as empresas estão atuando com vários tópicos e indicadores do ESG, sendo que as cinco iniciativas mais atuantes nas empresas atualmente são: 79% criação de mecanismos de compliance e governança; 76% na gestão de resíduos, reciclagem e reaproveitamento; 68% na criação de comitês e órgãos de governança buscando a integridade da organização; 61% de apoio à Covid-19; e 60% no apoio às comunidades no entorno. O interesse para entrar em fundos e índices de sustentabilidade corporativa também aumentou. Segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3, o número de empresas inscritas para fazer parte desta carteira foi 69% maior em 2020, comparado ao ano de 2019. Mostrando a importância deste que é o quarto índice de sustentabilidade corporativa criado no mundo, e o primeiro no Brasil, que levanta os critérios de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa em cada uma das empresas. Desde 2005 até dezembro de 2020, o ISE apresentou uma rentabilidade de +315% contra +272% da Ibovespa. Ainda sobre os fundos, de acordo com o levantamento na Morningstar e Capital Reset, os fundos ESG no Brasil captaram R$ 2,5 bilhões em 2020, sendo que mais da metade deles havia sido criada nos últimos 12 meses. E este ecossistema está crescendo, pois no ESG Tech Report da Distrito, de maio de 2021, são apresentadas as várias empresas de tecnologia que estão trabalhando com os temas de ESG, mostrando que já começa a ser formada uma rede de serviços, apoio e funcionalidades para uma melhor gestão e reporte das questões de governança, ambiental e social das empresas. Mas as empresas estão colocando o ESG no seu dia-a-dia? A resposta é sim, desde que eu trabalhava nas grandes empresas, as ações ligadas à temática estavam acontecendo, talvez menos mensuradas e relatadas naquela época, quase uma década atrás. Empresas, como a Vivo, que acabou de lançar o seu relatório de sustentabilidade 2020, conta todos os pontos de ESG nas mais de 100 páginas de relatos. Ou a Klabin que, além das várias ações que realiza, criou indicadores específicos atrelados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, os KODS – Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável. Estas e muitas outras empresas estão inserindo a temática diariamente nos objetivos, metas, processos e com melhorias constantes. Nossos colegas profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão arduamente trabalhando para a implantação do ESG na prática. É um processo de aprendizado constante, uma nova forma de gerir os negócios, não pensando somente na lucratividade a qualquer preço e a qualquer custo. Até o tradicional bônus das metas está sendo alterado. Como exemplo disso temos a Duratex, que atrelará 10% da remuneração variável de executivos às metas ESG da empresa. Estes são os novos tempos pós-pandemia, em que precisaremos mudar de vez o tradicional mindset com somente um foco e de processos lineares. Empresas, mais ESG, por favor! * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida .

24 de junho, 2021
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Mudança para o paradigma empresarial da sustentabilidade

Por Marcus Nakagawa * Nas aulas que estamos on-line e ao vivo na graduação, temos discutido muitos conceitos, exemplos bons e ruins das empresas, notícias da semana e atualidades. Os alunos e alunas estão muito instigados e engajados com as temáticas da sustentabilidade, comprovando as pesquisas de 2020 da Globescan e do Instituto Akatu, que mostram que na geração Z cerca de 45% dos entrevistados tinham considerado recompensar uma empresa socialmente responsável e 57% mudaram as suas opções de compras no ano passado. Sendo que estes números vêm crescendo nos últimos anos. Nessa pesquisa, ainda, 81% do total de todos os entrevistados colocam atitudes positivas para a natureza, entendendo que “o que é bom para mim, nem sempre é bom para o meio ambiente”. Em uma das aulas, uma aluna questionou que não entendia como as empresas que estão nascendo, as startups e esses novos empreendedores, já não colocavam os temas da sustentabilidade no negócio e na estratégia do seu nascedouro. “Fico inconformada como as temáticas eram só consideradas muitas vezes “marketing” da empresa, virando um greenwashing, socialwashing ou diversitywashing”. Termos que usamos para dizer que pode ser uma ação de sustentabilidade, mas descolada da realidade da empresa ou, simplesmente, uma mentira. Uma “tinta” verde, ou com várias cores do arco-íris no produto, somente para vender mais, sem lastro, sem estratégia ou estofo para as questões do desenvolvimento sustentável. No mundo financeiro, inclusive, agora a moda é o ESG ou ASG, que é o ambiental, social e a governança, que já escrevi em outros artigos. Inclusive com grandes eventos digitais de grandes bancos, mostrando e trazendo especialistas para ensinar o que é este termo, e como aplicá-lo no dia a dia da empresa. Ficamos muito felizes com isso! Mas, com todas essas provocações, gostaria de voltar e ressaltar uma palavra do título deste artigo: paradigma. O significado, segundo o dicionário Michaelis, é algo que serve de exemplo ou modelo; padrão. Alguns sinônimos dessa palavra são: padrão, regra, norma, referência, modelo, exemplo, entre outros. Assim, gostaria de confirmar o que a minha aluna questionou, e que eu e muitos colegas da área estamos debatendo e engajando, há mais de 25 anos no mundo corporativo do País. Esse, inclusive, foi até um dos gatilhos, para a idealização e fundação da Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável (Abraps), para levar a necessidade desse modelo para todas as empresas, organizações e governo. Esse paradigma da sustentabilidade empresarial tem que ser colocado no nascedouro, no apogeu e no final das empresas, nos seus produtos e serviços, nos seus processos, nos seus indicadores, ou seja, permear toda a empresa. Desde os seus departamentos, times e bonificação. Pois é: o financeiro talvez seja uma das únicas áreas, ou tema, envolvido em todos os processos, contatos e pessoas. Sim, a parte em que transformamos horas de trabalho em dinheiro, aquele que define o quanto vamos contratar, comprar, devolver, emprestar, lucrar, consertar, fundir, demitir... Ufa, tudo está em torno deste tema. Não estou diminuindo a sua importância, mas, precisamos usar o aprendizado desse paradigma para construirmos um novo. Será que num mundo cada vez mais polarizado, em que temos que escolher um lado ou uma direção, conseguimos desenvolver nosso cérebro e percepção para enxergarmos de uma forma tridimensional ou quadrimensional? Será que as empresas conseguirão entregar valor não unicamente para os acionistas, mas também para todos os outros stakeholders? Será que essas novas empresas já nascerão pensando também nas questões sociais, ambientais e de governança, além do único e tradicional lucro? Sim, é um paradigma a ser trabalhado, pois temos que trocar o tradicional pensamento linear do Fordismo para um pensamento circular da Ellen MacArthur, um pensamento sistêmico da teoria geral de sistemas, ou do ecossistema do que estudamos em nossas aulas de biologia. Acredito que o nosso cérebro consegue se desenvolver, sim, e aumentar a capacidade de trabalhar com esse novo paradigma. Pois, assim como as pesquisas mostram, o mundo financeiro está comunicando, meus alunos e alunas estão questionando, e os profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão trabalhando, o mundo corporativo está mudando o seu paradigma. E o que você está mudando na sua empresa ou no seu departamento? * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; idealizador da Plataforma Dias Mais Sustentáveis; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida.

22 de março, 2021
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ESG ou Sustentabilidade Empresarial?

Por Marcus Nakagawa * Não sei se é a minha bolha nas redes sociais, mas muitos dos meus contatos estão postando e escrevendo sobre este tal de ESG. Muitas empresas estão indo atrás deste termo e meus alunos e alunas começam a se confundir com as várias siglas e conceitos. Será que isso tem a ver com a sustentabilidade? É um outro tema que conversa com o Desenvolvimento Sustentável? Já temos que ir atrás de um outro curso ou indicador? Bom, primeiro vamos explicar que ESG é a sigla para Environmental, Social & Governance, o que traduzido daria ASG: Ambiental, Social e Governança. Interessante que, se você coloca este termo nos buscadores resulta em um monte de empresas da área financeira, fundos e bancos colocando a importância das questões ambientais e sociais como riscos aos negócios. Este termo apareceu na publicação “Who Cares Wins”, de 2004, do Pacto Global da ONU junto com o Banco Mundial. No último Fórum Econômico Mundial, no começo do ano, as questões ambientais e a emergência climática eram os principais tópicos de riscos apresentados a longo prazo. E, logo depois, aconteceu a pandemia, que subtraiu valores da maior parte das empresas e governos devido à falta de cuidado com a gestão dos animais silvestres e à governança global. Klaus Schwab, fundador em 1971, do evento que tem o objetivo de discutir práticas de gestão global, colocou que as empresas precisam gerar valor para os acionistas e também para os outros stakeholders ou públicos de relacionamento. Vimos isso bastante em tempos de pandemia, empresas de bebidas fazendo álcool em gel, empresas de roupas fazendo máscaras e muitas empresas e pessoas físicas no país fazendo doações para as reais necessidades da população. A pergunta é se isso continuará na retomada da crise pós pandemia. Sobre gerar valor para os vários stakeholders, Porter e Kramer, em um artigo de uma década atrás, colocaram a necessidade de se criar valor compartilhado para além dos acionistas e clientes/consumidores, também para os fornecedores, comunidades, colaboradores, meio ambiente, entre outros. Ou seja, a empresa não é uma ilha isolada que fica somente produzindo e vendendo para bater a meta prometida aos acionistas. Neste processo haverá muitos outros movimentos que impactarão negativamente ou positivamente o entorno e as pessoas que estão em contato. E aí, sim, estamos falando dos stakeholders, que podem oferecer riscos de um acidente no trabalho, de uma poluição no ar ou rio, de um fornecedor que tem práticas não aderentes aos Direitos Humanos, ou um funcionário que dá comissão para um político. Estes riscos ambientais e sociais precisam ser medidos, avaliados, controlados e melhorados. Para isso existem as políticas, os procedimentos, as regras, os códigos de condutas, certificações e o compliance nas empresas. Para apoiar e operacionalizar tudo isso temos as áreas de sustentabilidade, de qualidade, de saúde e segurança, de meio ambiente, de auditoria, de ética e compliance, entre os vários nomes para estas áreas. E tudo isso precisa ser “orquestrado” pelo C-level (a liderança empresarial) na governança desta empresa. A forma que a empresa seguirá as “regras e leis” que ela colocou será fundamental para a gestão inclusiva e sustentável. Mas tudo isso vale a pena também financeiramente? Sim! É isso que fundos como o ISE da B3 tem mostrado nestes 15 anos, com uma rentabilidade maior do que os fundos tradicionais. E mais do que isso: já tirou desta carteira de empresas com ESG várias delas que, no meio do caminho, tiveram problemas ambientais, sociais e éticos, mesmo que fossem muito representativas no âmbito total do fundo. A empresa XP criou uma área específica para este tipo de investimento e os bancos tradicionais possuem fundos éticos, sociais e ambientais desde o começo desta década. O maior fundo de pensão do mundo, o Fundo de Investimento em Pensão do Governo do Japão, também anunciou, no meio da pandemia, que está priorizando investimentos ESG e está utilizando indicadores e análises de riscos relacionadas às mudanças climáticas e as oportunidades que este desafio possa criar. No começo do ano, a maior gestora de recursos do mundo, a BlackRock, também apresentou a importância que estava dando para as questões de ESG. E agora, no final de outubro, a empresa, junto com a XP, lançaram o BlackRock Global Impact, que é um fundo formado por empresas globais com produtos e serviços pautados nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Ou seja, trabalhando com empresas que, efetivamente, estão buscando as melhorias necessárias no planeta e para as pessoas. Mas afinal, ESG é a mesma coisa que sustentabilidade? Sim, a ideia é a mesma. E muitos usam a mesma base de indicadores da área de sustentabilidade que estamos discutindo há mais de três décadas. Para corroborar ainda mais com esta semelhança entre os termos, o diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira, coloca que o ESG é um olhar do setor financeiro sobre as questões de sustentabilidade, as quais discutimos ao longo deste artigo. Entretanto, muito cuidado para quem quer implementar o ESG, pois não basta criar um produto ou uma linha de produtos mais verdes, sustentáveis ou somente apoiar um projeto social. Estamos falando aqui de gestão, governança, controles e avaliações. E inserir as questões ambientais e sociais no cerne da estratégia dos negócios e em todos os processos. Quando o mercado financeiro tornar este termo um mainstream, ou seja, um padrão para todas as empresas e negócios, e não somente algumas carteiras e fundos, o desenvolvimento sustentável ganhará ainda mais força. * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida. Idealizador da plataforma Dias Mais Sustentáveis. Autor dos livros: Marketing para Ambientes Disruptivos; Administração por Competências; e 101 Dias com Ações Mais Sustentáveis para Mudar o Mundo (Prêmio Jabuti 2019).

7 de dezembro, 2020
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COP 21
Mudanças climáticas e impactos na economia

Por Ricardo Zibas* Nas últimas décadas, os avisos da natureza começaram a apontar uma maior necessidade da sociedade em dar atenção a questões relacionadas às mudanças climáticas no planeta. Com este pano de fundo, as Nações Unidas organizam uma reunião anual com as principais autoridades governamentais de diversos países para discutir sobre como devemos lidar com as mudanças climáticas, que apresentam consequências aparentemente cada vez mais drásticas, tais como secas prolongadas, tempestades, derretimento dos polos e aumento do nível dos oceanos. A próxima Conference of the Parties (COP), em sua 21ª edição, marcada para acontecer entre 30 de novembro até o dia 11 de dezembro deste ano, em Paris, será uma das mais importantes já realizadas. As chances de sucesso agora são mais altas, já que todos os países signatários da ‘Convenção – Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima’ (United Nations Framework Convention on Climate Change - UNFCCC) antecipadamente concordaram em assinar um tratado vinculante até 2015, para reduzir suas emissões de gases causadores de efeito estufa. O que favorece essa convicção positiva são os novos posicionamentos do mercado quanto ao tema. Uma delas foi a modificação nos cenários políticos dos dois maiores emissores de gases de efeito estufa no mundo, Estados Unidos e China, os quais flexibilizaram as negociações e no ano passado anunciaram que irão cortar suas emissões de gases até 2025 e 2030, respectivamente. Além disso, houve uma drástica redução nos custos das tecnologias capazes de diminuir tais emissões ao meio ambiente, isso em razão do aumento de projetos de energia renováveis disponíveis e pela maior facilidade em financiar a aquisição desses recursos – como é o caso dos títulos verdes (green bonds) e do financiamento coletivo (crowdfunding). A grande questão, aqui, é de que maneira os novos comprometimentos, com os quais as nações estão dispondo-se no decorrer dos próximos anos, afetarão as empresas e a economia. Há previsão de que as atividades intensivas na emissão de carbono (como, por exemplo, as que geram energia a partir da queima de derivados de petróleo) se tornarão mais caras e as organizações terão de lidar com regulamentações mais rigorosas, preços de carbono menos acessíveis e metas de corte de emissões de gases mais rígidas. Contudo, os efeitos da mudança do clima obrigarão as empresas a estabelecerem um plano de resiliência para lidar e adaptar as atividades em detrimento dos impactos, como escassez de água, clima extremo, migrações populacionais e instabilidade social. Na contramão disso, no entanto, vantagens surgirão, como, obviamente, a de tornar-se uma empresa de emissões reduzidas de poluentes; e oportunidades também estarão em vista, criadas pelo crescimento da economia sustentável embasada em energias renováveis. Apesar de rigorosas consequências que já afetam o meio ambiente, medidas urgentes são necessárias para lidar agora com essa questão, e os governos em todo o mundo, com o auxílio das empresas e da sociedade civil, precisarão trabalhar para dissociar as emissões de gases de efeito estufa do crescimento econômico e direcionar o mundo para uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, o caminho para uma atividade perene e sustentável é que as organizações e seus administradores apliquem tempo e experiência para o aprimoramento no desenvolvimento ambiental e social das empresas; isso inclui tornar permanente a mensuração e a redução das emissões de carbono, bem como a preparação e divulgação de informações transparentes e confiáveis sobre tais emissões, apresentando à sociedade e ao mercado a contribuição da empresa na minimização dos efeitos das mudanças climáticas. * Ricardo Zibas é sócio-diretor responsável pela prática de sustentabilidade da KPMG no Brasil e América Latina.

9 de novembro, 2015