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SUSTENTABILIDADE

Relatórios IFRS S1 e S2 avançam lentamente entre empresas brasileiras

Relatórios IFRS S1 e S2 avançam lentamente entre empresas brasileiras

Novos padrões globais de transparência em sustentabilidade começam a ser adotados de forma voluntária por companhias abertas, mas adesão ainda é limitada

Com o encerramento do prazo para adesão voluntária aos novos padrões de reporte de sustentabilidade internacionalmente reconhecidos como IFRS S1 e IFRS S2, apenas oito entre cerca de 700 companhias abertas no Brasil comunicaram formalmente a adoção antecipada dessas normas até 31 de dezembro de 2025. Essa adesão voluntária antecede a obrigatoriedade prevista para os próximos anos, quando os relatórios de sustentabilidade padronizados deverão integrar as práticas de divulgação corporativa das empresas listadas em bolsa.

As normas IFRS S1 e IFRS S2 foram elaboradas pelo International Sustainability Standards Board (ISSB) com o intuito de padronizar globalmente os relatórios que combinam informações financeiras e não financeiras relacionadas à sustentabilidade e aos riscos climáticos. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) incorporou esses padrões ao seu arcabouço regulatório por meio da Resolução nº 193, que permite, de forma voluntária, a elaboração desses relatórios antes de sua obrigatoriedade.

Entre as empresas que anteciparam a divulgação de relatórios nos formatos IFRS S1 e S2 estão nomes de destaque no mercado brasileiro, como Lojas Renner S.A. e Vale, que foram pioneiras no movimento, seguidas por outras organizações como Natura, Irani Papel e Embalagens, B3 — a bolsa de valores paulista — além de varejistas como C&A, Grendene S/A e JHSF.

Esse número ainda restrito de adesões reflete a cautela com que muitas companhias estão se aproximando das novas exigências. Embora as normas estejam em vigor para adoção voluntária desde 2024, os desafios relacionados à coleta de dados, à integração de informações financeiras e de sustentabilidade e à capacitação técnica das equipes corporativas continuam a influenciar a decisão de antecipar a divulgação.

Especialistas destacam que a incorporação dos padrões IFRS S1 e S2 representa um avanço relevante na transparência corporativa, ao oferecer aos investidores informações comparáveis e alinhadas às melhores práticas internacionais sobre riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade e ao clima. No entanto, muitos gestores ainda optam por aguardar o período de transição e adaptação antes de anunciar publicamente a adesão aos novos relatórios.

A obrigatoriedade de preparo e divulgação de relatórios de sustentabilidade alinhados aos padrões IFRS S1 e S2 está prevista para se consolidar a partir de 2027, quando todas as companhias abertas deverão incluir essas informações em seus principais documentos corporativos. O movimento reflete tanto uma tendência global de integração entre desempenho financeiro e sustentabilidade quanto a crescente demanda de investidores e mercados por dados consistentes, comparáveis e relevantes sobre práticas ambientais, sociais e de governança.

Nota: IFRS S1 (requisitos gerais para divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade) e IFRS S2 (divulgações específicas sobre riscos e oportunidades climáticos) foram desenvolvidos pelo ISSB para harmonizar relatórios corporativos no cenário global.

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