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ESG

CVM revoga obrigatoriedade de relatório financeiro de ESG
A CVM revogou a obrigatoriedade de relatórios financeiros de ESG para companhias abertas, alterando a norma anterior que previa a exigência a partir de 2026.
2 de junho, 2026

CAIXA Vida e Previdência aloca mais de R$ 640 milhões em fundos
22 de maio, 2026
Mais notícias e artigos sobre ESG

Com 90% das participantes melhorando seu desempenho, índice atinge maior exigência histórica e reforça papel estratégico no mercado de capitais

A Sabesp é reconhecida pelo segundo ano consecutivo em seu compromisso com o desenvolvimento sustentável ao integrar a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial da B3 (ISE B3).

Complexo multifuncional reúne saúde, educação, esporte e assistência social em um único espaço no município

Ecolab e CDP lançam o Water Use Efficiency Index para ajudar empresas a medir e comparar a eficiência no uso da água, impulsionando a agenda ESG.

Iniciativa financiada pela União Europeia oferece treinamentos práticos em ESG, redução de custos e governança, além de novo ciclo de aceleração para inovação nos negócios.

O pedido é para que a adoção dos novos padrões continue voluntária, como é atualmente.

Novos padrões globais de transparência em sustentabilidade começam a ser adotados de forma voluntária por companhias abertas, mas adesão ainda é limitada

Nova regulamentação pretende reconhecer empresas que adotam práticas sustentáveis e de governança no transporte de cargas.

A proposta busca fortalecer o compromisso com práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) no âmbito do poder público, da iniciativa privada e da sociedade como um todo.

Relatório também destaca as iniciativas ESG e como a Rockwell tem criado produtos e soluções inovadoras e sustentáveis.

Nelson Al Assal Filho detalha a importância das atualizações da ABNT PR 2030 e sua contribuição para a integração de práticas sustentáveis e governança das empresas

O programa abre portas para o desenvolvimento profissional e promove práticas empresariais responsáveis e alinhadas com as exigências e expectativas atuais

Maquiar as façanhas organizacionais se tornou algo tão comum que o fenômeno recebeu até nome: greenwashing

Além das medidas implementadas, a Carioca também é signatária do Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção

Apesar do crescimento ao longo dos anos, as empresas do setor ainda contratam em sua maioria homens.

Aumento de mulheres em cargos operacionais foi de 100%

O índice reúne empresas de capital aberto comprometidas com a eficiência e transparência na gestão dos gases de efeito estufa

A iniciativa é voltada a acelerar as metas propostas pelos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

O estudo está em processo de elaboração e revisão e as áreas estão divididas entre as regiões de Ouro Preto e Tiradentes

Artigo especial por Ricardo de Luca, Gerente de Engenharia de Processos e Produtos da Termomecânica

Em termos práticos, a obtenção do DUNS significa acesso a uma série de novas oportunidades de mercado

Empresa visa promover conscientização através da cultura durante as férias escolares

Estudo reforça a importância da garantia do acesso à água potável e do tratamento de esgoto para toda a população

Entre as metas estão reduzir em 25% o consumo específico da água na planta de Turvo.

O novo modelo permitirá que organizações identifiquem o estágio de evolução em relação aos critérios ESG propostos.

Artigo por Marco Oliveira * O conceito ESG, que aborda os aspectos Ambiental, Social e de Governança das empresas, tem tomado os espaços corporativos e ganhado muita atenção em eventos e palestras que mostram que, definir as operações como socialmente responsáveis, sustentáveis e corretamente gerenciadas, é urgente e essencial. Porém, podemos notar que há um uso descontrolado da sigla, principalmente por corporações que visam trabalhar a boa imagem em ações de marketing, mas que nem sempre as práticas existem de fato. Boas práticas ESG têm que estar no DNA da empresa. Não importa se ela é pequena, média ou grande. Para isso, é preciso estudar sobre o assunto, entender o que é para traçar um planejamento de como implementar essas ações de acordo com a sua estrutura de negócio. A verdade é que o conceito ESG já existia, apenas não tinha ganhado a representação da sigla. Várias empresas no mundo atuam há anos focadas em implementar projetos sociais e ambientais, afinal uma boa governança vai sempre olhar para os colaboradores e a comunidade. No entanto, ainda há muito do “fazer de conta que é ESG”, do “fazer de conta que a empresa se preocupa com questões socioambientais”. E isso, que pode, num primeiro momento, parecer uma ótima estratégia para a imagem da marca, na verdade acaba por prejudicar a reputação. Não há como “fazer de conta” que há transparência na governança corporativa. Ou você trata isso de maneira correta ou será fácil identificar que a sua companhia não possui uma boa estrutura, pois cada vez mais pessoas estão se apropriando de conteúdos para entender o tema e a importância desse assunto, entre elas os consumidores. Ou seja, se você tem uma empresa que polui, que tem um impacto social negativo, e não toma atitude para eliminar ou minimizar esses impactos, a margem e a marca serão prejudicadas, pois há sempre quem analisará estes quesitos para tomar sua decisão de consumo. Para comprovar a importância do tema, um estudo realizado pela agência de pesquisa norte-americana Union + Webster, divulgado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná, revelou que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis, e 70% dos entrevistados dizem que não se importam em pagar um pouco mais por isso. A nova geração está atenta quanto às práticas de ESG e ciente do quanto elas impactarão na forma de consumir e trabalhar. Aos empresários e empreendedores, oriento que a primeira ação realizada seja estudar, para entender o grau de complexidade e aplicação do ESG. A segunda coisa a fazer é um benchmarking, buscando as referências das melhores práticas de gestão. Após, veja como isso funcionará dentro do seu negócio e, se for necessário, contrate um especialista em ESG para verificar as possibilidades de melhorias e o que pode ser feito para aprimorar a governança. Acredito que, ao longo dos anos, a sigla passará por ajustes. Afinal, estamos num mundo de constantes e rápidas mudanças. Mas a relevância do tema continuará presente. Por isso, afirmo que ESG não é uma moda, uma tendência, muito menos uma estratégia de marketing. ESG é um conceito que deve ser compreendido e colocado em prática de verdade. Se não fizer isso agora, no futuro, sua marca certamente sofrerá com as cobranças e consequências das escolhas que você faz hoje. * Marco Oliveira é especialista em gestão estratégica de negócio com foco em Go-To-Market e sócio-fundador da O4B, empresa especializada em consultoria e soluções corporativas.

O fundo tem R$ 20 milhões destinados a três setores estruturantes: água e saneamento, economia de baixo carbono e habitação de interesse social.

Artigo por Maria Albuquerque Por Maria Albuquerque * As mudanças climáticas ganham, a cada ano, a atenção de mais setores da economia e, principalmente, da sociedade. Digo principalmente porque quando uma pauta dessa envergadura passa a fazer parte das demandas da sociedade civil é porque as empresas já estão no olho do furacão há mais tempo. Com a realização da COP-26, em novembro de 2021, e sua grande articulação em termos de divulgação, o tema das mudanças climáticas imbricou-se às decisões que vão afetar muitos negócios, especialmente àqueles em que acordos direcionam para o fim da utilização de derivados de petróleo e, por consequência, do plástico. Por mais que, dia após dia, os materiais plásticos se mostrem indispensáveis à sociedade que vivemos, é inegável que sua cadeia produtiva tenha que arcar hoje com décadas de descaso em relação aos impactos ambientais gerados pelo descarte irresponsável. A indústria do plástico recebeu o aviso de cobrança dessa conta há pelo menos uma década. Nesses tempos, em que as ações voltadas à promoção da sustentabilidade são valorizadas, a indústria do plástico pode se favorecer de sua vocação natural, já que os conceitos de ESG ( Environmental, Social and Governance ) estão intrinsecamente ligados à natureza de seu negócio. O ESG direciona as práticas de toda a cadeia de produção dessa que é uma das principais indústrias para a economia nacional. Iniciativas de minimização de impactos e de geração de valor socioambiental implantadas por empresas desse segmento visam garantir a sustentabilidade social e ambiental, cujos resultados devem ser mensuráveis e monitoráveis, em contextos abertos à aprendizagem e transparência. Essa é a realidade da indústria do plástico que, como agente de impacto climático, sofre imensa pressão para a adoção de tecnologias de reparação ambiental e, por isso, deve estar atenta à necessidade de inovação e de disrupção. Mais do que muitas outras indústrias de transformação, a indústria do plástico deve se voltar necessariamente ao tema de geração de resíduos, que gira em torno de seu negócio, destacando-se entre quaisquer outros. Sobre isso, considero de extrema relevância dois pontos de atenção que trarão diferencial competitivo para a indústria do plástico: a economia circular e a logística reversa. A economia circular, que associa o desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais, por meio da menor dependência de matéria-prima virgem, priorizando insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis, faz com que a indústria do plástico repense sua forma de desenhar, produzir e comercializar produtos para garantir o uso e a recuperação inteligente dos recursos naturais. Já a logística reversa, instituída no Brasil em 2010 pelo PNRS (Plano Nacional de Resíduos Sólidos), mas ainda embrionária em sua implementação, depende de altos investimentos, porém não é mais uma questão de necessidade e, sim, de urgência. Só para citar um exemplo, a coleta de embalagens PET ainda é basicamente realizada e paga pelas administrações públicas. A iniciativa privada precisa se envolver na logística reversa para que os resíduos plásticos passem de problema a solução. Afinal, um resíduo plástico que volta para a economia na forma de novos produtos torna-se o amálgama de uma verdadeira cadeia de valor. Não podemos esquecer que de 6 bilhões de toneladas de plástico produzidas em todo o mundo, nem 10% foi reciclado. Esse dado nos dá o famoso copo meio cheio ou meio vazio: está meio vazio quando demonstra a falta de preparo da indústria e a falta de conhecimento do consumidor em relação aos conceitos da logística reversa, reuso e reciclagem. E está meio cheio quando olhamos para as inovações tecnológicas que surgem em todos os cantos do planeta para solucionar esse problema. A indústria do plástico não pode ter sua imagem colada à da vilã, tampouco da salvadora da economia. Ela pode e deve ser uma jogadora de valor estratégico, capaz de jogar em muitas posições e fazer a diferença no uso de recursos como água e energia, na descarbonização em seus processos de produção e transporte, sem esquecer, claro, de manter atenção especial em sua cadeia de suprimentos, educando fornecedores para a temática ESG, engajando seus públicos de interesse em questões de direitos humanos, de diversidade e equidade de gênero, entre tantas outras urgências que a sociedade atual demanda. * Maria Albuquerque é CEO da Synergia Socioambiental

Artigo por Andreas Göhringer Por Andreas Göhringer * Muito se fala nos critérios ESG atualmente, mas como ir além do discurso e passar à prática numa perspectiva de longo prazo? Atender às necessidades e expectativas dos stakeholders nas três áreas – ambiental, social e governança – exige coragem para realizar um diagnóstico aprofundado de todas as operações e, na sequência, passar para um plano de ação que sane os possíveis gargalos da empresa. Claramente, é preciso investir para obter um raio-x realista de sua própria atividade. Gostaria de abordar uma área em que se faz necessária a aplicação de tais critérios com urgência no Brasil: o saneamento. Sabemos que o tratamento da água no Brasil e a adequação de efluentes industriais é uma emergência, e a crise hídrica apenas intensifica isso. Se pensarmos que a média de água potável perdida no Brasil em 2018 foi de 38,45% do total (de acordo com o Trata Brasil e Water.org), fica clara a necessidade de investimentos na infraestrutura do serviço de fornecimento de água. Destaco ainda a importância da manutenção de todo o sistema, pois medidores mais modernos e precisos podem estancar vazamentos e alertar para deficiência do processo. Os dados obtidos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico revelam que o ganho financeiro que o país teria com a redução de perda desse volume de água poderia chegar a R$ 30 bilhões até 2033. Como a sua empresa se encontra nesse quesito? Seja na atuação com o tratamento de água potável ou na recuperação de seus efluentes, necessário em indústrias de todo ramo, podemos dizer que a perda desse precioso recurso hoje é inadmissível, e equipamentos atualizados e modernos podem ser uma ótima ferramenta evitar o desperdício. O quesito ambiental, quando se fala em saneamento, é óbvio, mas o social também se faz presente. Afinal, 16% da população brasileira ainda vive sem água tratada, e 47%, ou seja, quase a metade, sem acesso à rede de esgoto. Como sua empresa se relaciona com o entorno de suas unidades fabris? Esse é um ponto que já foi abordado por muito tempo dentro de um viés assistencialista, mas que hoje exige medidas realistas e estruturais. A gestão das indústrias, ou sua governança interna e externa, também pode trazer insights de melhoria no tratamento da água e efluentes. Se pensarmos no transporte de fluidos, por exemplo, é crucial que ele seja realizado sem vazamentos, sem a corrosão dos equipamentos condutores e riscos de explosão. É preciso ter domínio de técnicas, é claro, mas também equipamentos próprios e calibrados, com manutenção em dia. As empresas que tiverem coragem de investir e mudar suas práticas em prol do planeta terão como recompensa a consciência limpa e a manutenção de sua competitividade. * Andreas Göhringer é Conselheiro da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK-PR) e CEO da GEMÜ Válvulas, Sistemas de Medição e Controle no Brasil.

Foram emitidas 1.098 toneladas de carbono equivalente pela empresa, 30% menos do que em 2019.

Desde que foi criado, em 2005, o índice valorizou 294,73% contra 245,06% do Ibovespa.

O controle biológico é um dos principais pilares do projeto de Manejo Integrado de Pragas (MIP) da companhia.

Os SLB são instrumentos de dívida com o objetivo de fazer com que o emissor alcance metas de sustentabilidade.

Artigo por Markus Nakagawa Por Markus Nakagawa * Estes dois acrônimos são o que todos os investidores, empresários, empreendedores e executivos deveriam pensar o tempo todo. Sabemos que a visão financeira e a busca pelo lucro e crescimento eterno é o que domina o pensamento linear e cartesiano tradicional. Mas, em um mundo da indústria 4.0, impressão de casas em 3D, inteligência artificial, exoesqueletos, carros voadores, drones entregadores, enfim, também temos que inovar e ampliar a forma simplista de pensar. Quem sabe não pensarmos em 4D? Os ODS, para quem não conhece, são os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, que possuem 169 metas. Em 2015, os 193 Estados-Membros da ONU se reuniram e definiram quais eram os maiores problemas e desafios do mundo. Nestes ODS estão englobados objetivos não só ambientais, como a maioria das pessoas associam a sustentabilidade ao meio ambiente. Também entram as questões sociais, econômicas e parcerias. Por exemplo, tem o ODS número 8, que está ligado ao trabalho decente e ao crescimento econômico; e o número 9, à indústria, inovação e infraestrutura. E para cada um destes ODS é feito um recorte com as suas metas e desenvolvimento. Conheça mais em https://brasil.un.org/pt-br/sdgs . Muitos acham que os ODS são só para as questões governamentais ou do coletivo, porém várias empresas também estão no processo de realizar esses objetivos por meio dos seus produtos, serviços, processos, projetos e atividades. Essas empresas entenderam que nesse novo processo de ganha-ganha, quando é realizada uma ação para melhoria da meta do desenvolvimento sustentável, todos ganham. Lá no Fórum Econômico Mundial do ano passado, até chamaram esse pensamento da economia dos stakeholders , ou seja, que as empresas deveriam trabalhar não só para ter o lucro do acionista e para atender as demandas dos clientes e consumidores, mas também para entregar valor aos outros públicos de relacionamento, como os fornecedores, os empregados, a comunidade no entorno, o governo, a sociedade, entre outros. E desde o Fórum Econômico Mundial a questão do ESG (acrônimo para Enviromental, Social e Governance, em português Ambiental, Social e Governança) ficou mais forte. Tanto que, segundo a Bloomberg, o montante de recursos mundial, que está ligado de alguma forma a esta temática, representou cerca de US$ 38 trilhões em 2020 e, em 2025, deve chegar a US$ 53 trilhões, o que equivale a um terço dos ativos de investimentos. Para apresentar as atividades ligadas ao ESG nas organizações, a pesquisa da AMCHAM de 2021, com 178 lideranças de empresas no Brasil, 95% dos entrevistados afirmaram que as suas empresas possuem engajamento no ESG, sendo que 37% destes têm um engajamento em planejamento ativo e estão mapeando os pontos a serem desenvolvidos; 31% dizem já ter um engajamento integral e integrado ao negócio, colocando a sustentabilidade na gestão estratégica; 26% vêm construindo este engajamento adotando práticas para minimizar seus impactos socioambientais; e 89% dos entrevistados colocaram que já possuem algum nível de investimento direcionado para esse objetivo. O crescimento do interesse pela temática não é só das gigantescas empresas ou dos investidores, mas também das startups, segundo a ACE Cortex, área de inovação da ACE Startups, já são mais de 340 startups que se dedicam ao meio ambiente, questões sociais ou em melhorias de governança em empresas de grande porte, ou seja, o desenvolvimento de um mercado de produtos e serviços, se aprimorando para atender às demandas específicas de cada um dos indicadores do ESG das empresas. Por outro lado, no acrônimo ODS, tivemos um retrocesso acelerado no país, segundo a 5ª edição do Relatório Luz da Sociedade Civil de 2021. Este documento é desenvolvido por um Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, que reúne 57 organizações não governamentais, movimentos sociais, fóruns, redes, universidades, fundações e federações brasileiras. Este diagnóstico foi atestado por 106 especialistas em diversas áreas dos 17 ODS e as suas metas, colocando que “a destruição de direitos sociais, ambientais e econômicos, além de direitos civis e políticos, arduamente construídos nas últimas décadas, fica patente nas 92 metas (54,4%) em retrocesso; 27 (16%) estagnadas; 21 (12,4%) ameaçadas; 13 (7,7%) em progresso insuficiente; e 15 (8,9%) que não dispõem de informação. Este ano não há uma meta sequer com avanço satisfatório”. Assim entendemos que precisamos juntar e fazer com que os acrônimos andem em conjunto. Não só empresarialmente, mas para todos os stakeholders , pois no final do dia ou do ano estamos todos no mesmo “barco” ou no mesmo planeta com as mesmas demandas, desafios e problemas. * Markus Nakagawa é Professor e coordenador do CEDS/ESPM; autor premiado com o Jabuti 2019, palestrante e idealizador da Abraps e do Dias Mais Sustentáveis.

Artigo por Luiz Fernando Gerber Por Luiz Fernando Gerber * Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre ESG (sigla para Environmental, Social and Governance, ou em português, Meio Ambiente, Social e Governança). Na prática, o conceito de ESG visa pautar as ações de uma empresa considerando seus impactos em sustentabilidade. A questão ambiental envolve as boas práticas que a empresa adota para neutralizar emissões de CO2, preservar os recursos naturais envolvidos na cadeia produtiva, bem como a gestão de resíduos e efluentes. O social avalia as relações da organização com funcionários, comunidade e fornecedores. Por fim, a governança foca em ações de combate à corrupção e compliance. Estudos apontam que a sociedade também tem repensado suas atitudes em prol de um futuro sustentável. Uma pesquisa do IBM (Institute for Business Value) realizada com quase 15 mil pessoas em oito países, além do Brasil, aponta que os critérios ESG são uma forma de atrair candidatos para as empresas: 71% dos trabalhadores e pessoas buscando novas oportunidades afirmam que empresas ambientalmente sustentáveis são mais atraentes para se trabalhar. O estudo do IBM indica que 66% dos brasileiros estão dispostos a mudar seus hábitos de consumo para reduzir problemas ambientais. A agência de pesquisa norte-americana Union + Webster também sugere mudanças de comportamento. Para 87% dos consumidores brasileiros, é preferível comprar de empresas sustentáveis. Os dados mostram também que 24% da população brasileira é da geração Z (pessoas nascidas entre 1999 e 2019), representando o segundo maior mercado consumidor do Brasil, seguido dos millenials (nascidos entre 1981 e 1998). Essa transformação no comportamento de consumo acende um sinal amarelo para que as empresas adotem práticas sustentáveis se quiserem continuar atraentes para esse público. Impulsionada por essa geração mais engajada, a economia circular tem ganhado força. A OLX aponta que, entre os 39% dos brasileiros que já compraram produtos usados, 45% deles tiveram esse primeiro contato na pandemia. Em tempo de recessão, é preciso repensar os hábitos e apertar o cinto. O estudo ainda projeta que o mercado de “segunda mão” deva atingir US$ 64 bilhões nos próximos anos, ultrapassando o segmento de vendas tradicionais até 2024. A indústria da moda, por exemplo, é uma das mais poluentes do planeta, conforme aponta a Organização das Nações Unidas (ONU). Ela é responsável por algo entre 8% e 10% das emissões de gás carbônico, e é a segunda que mais consome água, gerando cerca de 20% de todo o esgoto e água despejados no ambiente. Com todos esses dados, fica evidente o importante movimento que está transformando as relações de consumo. Vale observar também que e-commerce, que já estava em alta, ganhou ainda mais força com o crescimento da migração para as compras via smartphones – uma pesquisa realizada pela Shopping Apps Report estima que 75% das vendas neste ano serão feitas nesta modalidade. Neste cenário, ganham força aplicativos que conectam pessoas que querem vender, comprar ou trocar produtos seminovos, além de colocar em contato prestadores de serviços que oferecem seus trabalhos em troca de produtos ou outros serviços. Cada vez mais as pessoas estão reconhecendo que seus hábitos de consumo têm grande impacto no meio ambiente, e que para alcançar um futuro sustentável, é fundamental consumir de forma consciente. * Luiz Fernando Gerber é CEO do Finpli, aplicativo que facilita a troca de produtos entre pessoas pela sua proximidade, usando um sistema de geolocalização.

Por Francisco Perez * Muito tem se falado sobre os crescentes desafios ambientais e sociais que a humanidade está enfrentando. São frequentes os alertas sobre as consequências desses desafios para a economia mundial, como mudança climática, escassez de recursos, perda da biodiversidade, desmatamento, pobreza, desigualdade e desrespeito aos direitos humanos. A importância desses temas é inegável. Ao redor do mundo, países, empresas e indivíduos participam de uma corrida saudável em busca de uma relação entre humanidade e planeta que seja sustentável a longo prazo. Em 2015, o relatório ‘O dever fiduciário no século XXI’, elaborado pela iniciativa PRI (Principles for Responsible Investments – Princípios para Investimentos Responsáveis), da ONU, corroborou entendimento de um parecer jurídico emitido em 2005, da própria entidade, e esclareceu que “é uma quebra do dever fiduciário não considerar geradores de valor de longo prazo, inclusive questões ambientais, sociais e de governança (ESG) na gestão de recursos”. Esse posicionamento tem impulsionado instituições financeiras e gestores de recursos a embarcarem na jornada por uma sociedade mais responsável e sustentável. No Brasil, já podemos observar diversas iniciativas implementadas por instituições financeiras tradicionais que vêm repensando suas políticas e produtos para estarem alinhadas às diretrizes ESG. Isso, sem dúvida, representa um ganho muito importante e já se reflete na cadeia financeira. A prova disso é que a maioria das fintechs criadas atualmente trazem, entre suas principais preocupações, dar respostas às questões ambientais, sociais e de governança. Um levantamento recente, realizado pela empresa de pesquisa sobre investimentos Morningstar, mostrou que foram criados 85 produtos considerados sustentáveis no ano passado, tendo um aumento significativo quando comparamos com 2019, quando foram originados apenas seis. O valor captado foi igualmente expressivo, totalizando R$ 2,5 bilhões. Apesar destes números serem animadores, não podemos negar que ainda existe um longo percurso a ser trilhado para que estas práticas sustentáveis estejam, de fato, difundidas no mercado. Além disso, é importante considerar que a maioria de nós não age de forma irresponsável ou insustentável voluntariamente, mas sim por falta de alternativa, conhecimento ou ambos. Por isso, precisamos praticar a inclusão, sobre a qual tanto se discute nos últimos anos, e abraçar países, empresas e indivíduos aos quais ainda não foram permitidos adquirir o conhecimento ou alcançar o estágio de maturação necessário para adotarem as melhores políticas e exercerem as práticas mais eficazes para que a existência da humanidade neste planeta possa ser chamada de sustentável. Que sejam bem-vindas todas as iniciativas nesse sentido e que sejamos tolerantes com os diferentes estágios de entendimento e as dificuldades daqueles que se propõem a iniciar a jornada, mas ainda não encontraram o caminho. Aprendamos com o exemplo das iniciativas de inovação aberta que proliferaram entre as organizações na última década e encontraram na colaboração a fórmula para inovar, se reinventar e sobreviver. Colaboremos também todos nós, governos, empresas e indivíduos, para que novas formas de organização da sociedade e condução dos negócios floresçam e permitam que encontremos mais justiça e menos desigualdade num planeta mais saudável. Governos, criem medidas que penalizem as práticas não sustentáveis e incentivem as mais responsáveis por parte de empresas e indivíduos. Empresas, exerçam relações mais humanas com a sociedade, representada por empregados, fornecedores, clientes, governos e comunidades. Indivíduos, assumam responsabilidades nos papéis de cidadãos, consumidores, investidores e educadores. * Francisco Perez é Diretor de Novos Negócios do Banco Alfa.

Por Marcello Albuquerque e Osvaldo Fabbro * A sigla ESG define a preocupação das empresas em três esferas: Environmental, Social and Corporate Governance (Governança Ambiental, Social e Corporativa, em português). O termo, cunhado no relatório da ONU “Who Cares Wins” em 2004, representa uma tendência que vem ganhando força no mercado desde iniciativas como o Eco92 e se torna cada vez mais crítico para um mercado que busca investir em companhias que possuem práticas para preservar os recursos ambientais, sociais e econômicos, e pode ter a tecnologia como sua aliada. O ESG ilustra o compromisso com práticas mais sustentáveis e é uma tendência que invadiu as discussões do board das companhias. Uma pesquisa da Global Network of Directors Institutes (GNDI) sobre os reflexos da pandemia nos conselhos de administração e tendências globais mostra a importância das práticas, que foram impulsionadas por conta da Covid. O estudo apontou o ESG como a questão de maior impacto, seguida do reposicionamento dos negócios e maior competição por talentos. Mas o que tecnologia tem a ver com as práticas ESG? A resposta é simples: ela é uma viabilizadora! Mais do que realizar estas iniciativas, é preciso comprová-las com indicadores de resultados e quantificação dessas ações, além de métricas de aumento das demandas, que tende a crescer ano após ano. O volume dessas ações e as exigências se tornam tão grandes que apenas com uso intensivo da tecnologia é possível reportar o quão bem ou mal a sua empresa está no mercado. A tecnologia pode ser utilizada tanto na frente de estruturação dos processos e procedimentos envolvidos quanto na frente de monitoramento destas atividades, com KPIs auditáveis. Com um trabalho consultivo e um olhar holístico e sistemático dos processos da empresa, é possível desenhar planos de ações para realizar as práticas ESG e identificar em quais áreas precisam ser atacadas do ponto de vista de sustentabilidade de negócio, impacto ambiental, social e de governança. A veracidade dessas ações só pode ser autenticada a partir do rastreamento dessas iniciativas, com o uso, por exemplo, de IoT, Blockchain, Data Analytics, entre outras soluções, que devem ser adotadas e customizadas conforme a demanda da empresa. Há diversas atividades que exemplificam o uso da tecnologia com foco nas práticas ESG, como: solução de crachás inteligentes que podem auxiliar na integridade do funcionário; privacidade de dados do paciente no hospital; rastreabilidade da cadeia de descarte de resíduos contaminados; eficiência de processos e melhor utilização de equipamentos a fim de diminuir o impacto no meio ambiente; programas de investimento em microempresas; entre outras possibilidades. Além disso, a implementação de práticas de ESG exige uma governança sistemática e harmônica dentro do negócio e para conseguir isso, de forma auditável, é preciso ter integração de diferentes sistemas. Desta maneira, é possível comprovar a adesão a processos sustentáveis, que é o grande valor buscado pelas empresas que estão preocupadas com o tema. Todas essas soluções que viabilizam as práticas precisam ser construídas a quatro mãos com empresas e integradores tecnológicos e, assim, conseguir desenvolver sistemas capazes de reduzir impactos ambientais e sociais, aprimorar a governança e permitir o monitoramento dos KPIs. Essa tendência, que está começando a eclodir no país, também vem se tornando requisito para sobrevivência no mercado, que pode ser desenvolvida com parceiros que utilizam a disponibilidade tecnológica atual para esse fim - que conseguem desenhar, implementar e operar este tipo de solução, de acordo com a necessidade de cada tipo de negócio. * Marcello Albuquerque e Osvaldo Fabbro são Diretores de Consultoria da Logicalis

Por Marcus Nakagawa * A Cúpula do Clima, realizada no final de abril e liderada pelo presidente norte americano Joe Biden, fez com que vários países se posicionassem sobre as questões da emergência climática e a busca por uma “descarbonização” das suas matrizes energéticas, atividades comerciais e melhoras nas políticas ambientais. Líderes mundiais apresentaram as suas metas das agendas climáticas e a importância do tema para a criação de empregos, novas tecnologias e a busca da tal “economia verde”. Esta reunião, que durou dois dias, foi uma preparação para a COP-26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano. É neste encontro oficial das Nações Unidas que os países, oficialmente, se comprometem e fazem os acordos geopolíticos perante outros países, empresas, ONGs, jornalistas, entre outros. Todo este movimento acaba repercutindo nas empresas, nos investidores e nos negócios, principalmente no tema que tanto povoa a minha “bolha” digital, o tal do ESG. Para aqueles que ainda não estão acostumados com a sigla, o termo tem a ver com uma gestão mais sustentável, fazendo com que a empresa pense não somente na questão financeira do negócio, mas também em todos os indicadores e resultados ligados ao ambiental (Environmental), social (Social) e à governança (Governance). O número de fundos ESG em 2020 disponível para investidores americanos cresceu para quase 400 – um aumento de 30% em relação a 2019 e um aumento de quase quatro vezes em uma década, de acordo com a Morningstar, uma grande e independente empresa de pesquisas de investimentos. Inclusive, em novembro de 2020, esta empresa, formalmente, integrou o ESG em suas análises de ações, fundos e gestores de ativos. No Brasil, segundo a pesquisa “A evolução do ESG no Brasil”, da Rede Brasil do Pacto Global e da Stilingue, de abril de 2021, 78% da geração dos Millennials e 84% da geração Z declaram optar por este tipo de investimento. E no ano de 2020 a discussão deste tema cresceu sete vezes mais, em relação ao ano anterior. Mas será que é só uma discussão das redes? Parece que não, pois a pesquisa mostra ainda que 84% dos representantes do setor empresarial afirmaram que aumentou o interesse em 2020 em relação a entender mais sobre esta agenda e sobre os critérios ESG. Nas respostas das 308 empresas que fazem parte da Rede Brasil do Pacto Global, foi constatado que as empresas estão atuando com vários tópicos e indicadores do ESG, sendo que as cinco iniciativas mais atuantes nas empresas atualmente são: 79% criação de mecanismos de compliance e governança; 76% na gestão de resíduos, reciclagem e reaproveitamento; 68% na criação de comitês e órgãos de governança buscando a integridade da organização; 61% de apoio à Covid-19; e 60% no apoio às comunidades no entorno. O interesse para entrar em fundos e índices de sustentabilidade corporativa também aumentou. Segundo o Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE da B3, o número de empresas inscritas para fazer parte desta carteira foi 69% maior em 2020, comparado ao ano de 2019. Mostrando a importância deste que é o quarto índice de sustentabilidade corporativa criado no mundo, e o primeiro no Brasil, que levanta os critérios de eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa em cada uma das empresas. Desde 2005 até dezembro de 2020, o ISE apresentou uma rentabilidade de +315% contra +272% da Ibovespa. Ainda sobre os fundos, de acordo com o levantamento na Morningstar e Capital Reset, os fundos ESG no Brasil captaram R$ 2,5 bilhões em 2020, sendo que mais da metade deles havia sido criada nos últimos 12 meses. E este ecossistema está crescendo, pois no ESG Tech Report da Distrito, de maio de 2021, são apresentadas as várias empresas de tecnologia que estão trabalhando com os temas de ESG, mostrando que já começa a ser formada uma rede de serviços, apoio e funcionalidades para uma melhor gestão e reporte das questões de governança, ambiental e social das empresas. Mas as empresas estão colocando o ESG no seu dia-a-dia? A resposta é sim, desde que eu trabalhava nas grandes empresas, as ações ligadas à temática estavam acontecendo, talvez menos mensuradas e relatadas naquela época, quase uma década atrás. Empresas, como a Vivo, que acabou de lançar o seu relatório de sustentabilidade 2020, conta todos os pontos de ESG nas mais de 100 páginas de relatos. Ou a Klabin que, além das várias ações que realiza, criou indicadores específicos atrelados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU, os KODS – Objetivos Klabin para o Desenvolvimento Sustentável. Estas e muitas outras empresas estão inserindo a temática diariamente nos objetivos, metas, processos e com melhorias constantes. Nossos colegas profissionais pelo desenvolvimento sustentável estão arduamente trabalhando para a implantação do ESG na prática. É um processo de aprendizado constante, uma nova forma de gerir os negócios, não pensando somente na lucratividade a qualquer preço e a qualquer custo. Até o tradicional bônus das metas está sendo alterado. Como exemplo disso temos a Duratex, que atrelará 10% da remuneração variável de executivos às metas ESG da empresa. Estes são os novos tempos pós-pandemia, em que precisaremos mudar de vez o tradicional mindset com somente um foco e de processos lineares. Empresas, mais ESG, por favor! * Marcus Nakagawa é Professor da ESPM; coordenador do Centro ESPM de Desenvolvimento Socioambiental (CEDS); idealizador e conselheiro da Abraps; e palestrante sobre sustentabilidade, empreendedorismo e estilo de vida .

A grande novidade do novo compromisso sustentável são os instrumentos financeiros como green bonds ou sustainability linked bonds.

Serão consideradas ações como reúso da água, reaproveitamento ou uso eficiente, reciclagem ou descarte sustentável, e utilização de placas solares.

A ferramenta oferece orientação sobre como fortalecer a cultura empresarial, ética, desempenho e apoiar instituições, leis e sistemas públicos.

Por Eduardo Tardelli * ESG e Compliance. Aí estão duas palavras bastante usadas de uns anos para cá, mas você sabe exatamente o que significam? ESG é a sigla de Environme ntal, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança, em tradução livre), ou seja, significa um conjunto de práticas ambientais, sociais e de governança realizadas por empresas para cuidar do meio ambiente, ter responsabilidade social. Compliance, por sua vez, envolve práticas, controles e soluções que têm como objetivo o cumprimento das leis e normas para o empreendimento em questão. Um dos aspectos mais importantes do compliance é a criação de uma cultura na empresa para que todos os funcionários tenham atitudes éticas e de acordo com os princípios e valores que são fundamentais para a empresa. O compliance ambiental é completamente focado nos aspectos relacionados à gestão de resíduos, efluentes e na relação com o meio ambiente e as pessoas, ou seja, o compliance ambiental complementa em muitos aspectos o ESG. A legislação ambiental no Brasil é bastante complexa e abrange todas as atividades de uma empresa: desde a extração da matéria prima até o consumidor final - mas em alguns casos vai além e engloba o papel da logística reversa: do consumidor até a indústria para que o material tenha uma destinação sem impacto ambiental. Do ponto de vista jurídico, isso é gigante e extremamente complexo. O compliance ambiental vem para garantir que todas as normas que envolvem os processos sejam cumpridas com o objetivo maior de evitar problemas futuros. A preservação do meio ambiente está em alta (talvez nem tanto quanto deveria) tanto na sociedade quanto no meio empresarial e por isso aquelas empresas que não estiverem preocupadas com isso vão ficar para trás. Não se trata apenas de realizar ações específicas, mas sim de uma política contínua. Compliance ambiental é mais do que apenas ter cestos de lixo reciclável, mas sim ensinar o colaborador que ele deve reciclar o lixo dele, pelo menos durante o expediente. Quando há uma preocupação verdadeira por parte da empresa, esse aspecto estará tão enraizado no colaborador que não ficará apenas durante o expediente. Ele vai levar essa preocupação para casa e influenciar as pessoas a sua volta, realizando uma verdadeira corrente do bem. É mais do que parar com os copos descartáveis, é optar por equipamentos com baixo impacto ambiental, priorizar itens mais duráveis e diminuir a pegada ambiental da cadeia produtiva. É mais do que compliance, é plantar uma sementinha para uma mudança social. Você e sua empresa estão prontos para isso? * Eduardo Tardelli é CEO da upLexis, empresa de software que desenvolve soluções de busca e estruturação de informações extraídas de grandes volumes de dados (Big Data) da internet e outras bases de conhecimento.

De acordo com um levantamento da Morningstar e Capital Reset, os fundos ESG no Brasil captaram R$ 2,5 bilhões em 2020.

A empresa de engenharia Allonda anunciou a emissão de debênture verde a partir de práticas relacionadas ao ESG (Environmental, Social and Governance). "Nosso propósito é transformar a engenharia através da sustentabilidade. A emissão a partir da metodologia dos Sustainability-Linked Bonds (SLB) vem como um reforço desse posicionamento, mas também como um compromisso para que tenhamos ações ainda mais alinhadas às práticas ESG em nossa atuação", explica Leo Cesar Melo, CEO da Allonda. Diferentemente dos green bonds - títulos para financiar projetos específicos com vantagens ambientais, a captação via sustainability-linked bonds está atrelada a objetivos gerais na área ambiental, social e de governança, o que exige muito mais das empresas. Para realizar a emissão a Allonda passou por avaliação de uma consultoria externa, onde os indicadores propostos foram analisados conforme critérios técnicos sobre o quanto são relevantes, mensuráveis, verificáveis e comparáveis com o mercado. A metodologia busca justamente medir o quão ambiciosas são as metas pactuadas e atreladas a debêntures. "Com o forte crescimento da companhia e endereçamento do seu posicionamento estratégico, além da primeira emissão estruturada, atrelamos tal emissão aos KPIs que já fazem parte dos pilares Ambiental, Social e de Governança, o que reforça o compromisso da Allonda com tais práticas e a prepara para o seu novo ciclo de investimentos, especialmente no segmento de saneamento”, disse Diego Motta, CFO da Allonda. Em 2020, a Allonda iniciou trabalho de reestruturação e organização para esse momento - a empresa preparou mais de 12 propostas de licitações, seja no formato de PPP ou Concessão Plena, mas grande parte das licitações foram suspensas. Os SLB são novidade no mundo e a Allonda se coloca entre as primeiras empresas no Brasil e América Latina a se tornarem aptas a emitir esse tipo de debênture. Atualmente, a Allonda realiza operações em seis estados brasileiros e na América Latina, com obras na Argentina e representação no Peru. "A emissão de debênture verde vem para alavancar a companhia para o reperfilamento da dívida e também para financiar o seu crescimento para este novo ciclo, ou seja, permitir que a Allonda faça maiores investimentos e cresça em setores onde estamos ampliando a nossa participação. E para suportar esse crescimento, conseguimos nos reunir aos principais parceiros financeiros e de relacionamento da companhia", finaliza Diego Motta.


