SANEAMENTO BÁSICO

CASAN chega a 44% da rede em obra de R$ 28 milhões contra esgoto nos Ingleses e Santinho

CASAN chega a 44% da rede em obra de R$ 28 milhões contra esgoto nos Ingleses e Santinho

CASAN avança na ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário dos bairros Ingleses e Santinho, em Florianópolis, com 44% da rede já implantada. Investimento de R$ 28 milhões deve beneficiar 18 mil moradores.

A Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN) completou seis meses de obras de ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário (SES) Ingleses/Santinho, no Norte da Ilha de Florianópolis, com 44% da rede coletora prevista já implantada. Desde abril, foram instalados 3,7 dos 8,4 quilômetros de tubulação projetados para atender os dois bairros, um dos trechos de maior adensamento populacional da capital catarinense.

A frente mais avançada do cronograma está na Estrada Dom João Becker, onde equipes executam simultaneamente a implantação da rede coletora, a construção de poços de visita e as ligações domiciliares. Segundo a companhia, esse trecho — um dos mais extensos do projeto — deve ficar pronto até o fim de novembro, com o calendário sujeito a ajustes conforme as condições climáticas.

Essa etapa da obra representa um investimento de R$ 28 milhões e é executada pela GKF Engenharia de Obras, com prazo de execução de 730 dias. Além da rede coletora, o projeto prevê a instalação de emissários, a construção de sete novas estações elevatórias — responsáveis por bombear o esgoto entre trechos de diferentes cotas — e a reforma da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) que já opera na região. De acordo com dados levantados por reportagem especializada, a intervenção deve beneficiar diretamente 5.327 unidades imobiliárias, alcançando cerca de 18 mil moradores.

Segunda fase de um sistema maior

A obra atual é a continuidade de um investimento mais amplo na região. A primeira etapa do SES Ingleses-Santinho, concluída anos antes, recebeu aporte total de R$ 132 milhões, viabilizado em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), e resultou na implantação de mais de 68 quilômetros de redes coletoras, com capacidade para atender 42 mil moradores fixos e elevar em 5% a cobertura de esgotamento sanitário de toda a capital. A nova fase, mais pontual e direcionada a trechos ainda não contemplados, amplia esse legado com tecnologia construtiva diferente e foco em ruas e servidões que ainda dependiam de soluções individuais, como fossas.

Método Não Destrutivo reduz impacto nas vias

Entre as novidades técnicas da obra está o uso do Método Não Destrutivo (MND), tecnologia de perfuração horizontal que permite instalar tubulações a partir de uma única perfuração no solo, sem a necessidade de abertura de valas contínuas. O equipamento conta com sistema de navegação de alta precisão, que direciona a perfuração ao longo do traçado projetado, reduzindo a necessidade de interdições prolongadas em vias e minimizando o transtorno à mobilidade urbana durante a execução — um fator sensível em bairros turísticos como Ingleses e Santinho, que recebem forte fluxo de veranistas no verão.

Em paralelo às obras civis, a CASAN mantém desde maio um Programa Socioambiental na região, com visitas domiciliares, reuniões comunitárias e orientações sobre o cronograma e o funcionamento do novo sistema. Das 2.800 visitas pré-obra programadas, aproximadamente 2.300 já haviam sido realizadas até o momento. Uma segunda etapa do programa tratará especificamente da autorização para conexão dos imóveis à rede, processo que só pode ocorrer após testes e liberação técnica de cada trecho — orientação que a companhia reforça para evitar ligações irregulares, que comprometem o funcionamento hidráulico do sistema.

Florianópolis ainda abaixo da meta do Marco Legal

O avanço nos Ingleses e Santinho integra um esforço maior da CASAN para elevar a cobertura de esgotamento sanitário em Florianópolis, hoje a capital catarinense com pior desempenho relativo nesse indicador frente a outras capitais do país. Segundo levantamento da Prefeitura apresentado em conferência municipal de saneamento, o índice de cobertura de esgoto saltou de 58,03% em 2022 para 71,15% em 2025, um avanço de 13,12 pontos percentuais em três anos, tendo passado por 60,04% em 2023 e 64,24% em 2024. Já o Tribunal de Contas de Santa Catarina, em auditoria recente sobre o contrato de programa entre o município e a CASAN, registrou cobertura de 68,13% para 2023, com atendimento de água praticamente universalizado, em 98,46% da população.

Os números variam conforme a metodologia e o ano-base de cada fonte: o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), com dados de 2024, aponta 67,7% da população de Florianópolis com acesso a serviços de esgotamento sanitário, ante uma média estadual de apenas 35,9% e nacional de 62,3% — o que evidencia a defasagem histórica de Santa Catarina frente a outros estados no quesito coleta e tratamento de esgoto.

Com base nas obras já entregues e no ritmo atual de execução, a própria CASAN projeta que a cobertura de Florianópolis chegue a 82% em 2027 e a 90% em 2032, patamar que atenderia com um ano de antecedência a meta de universalização de 90% estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento para 2033. A meta de conclusão do conjunto de obras do SES Ingleses-Santinho está prevista para o início de 2028, com cronograma ajustado durante a alta temporada de verão para reduzir interferências no trânsito turístico da região.

Outras frentes da CASAN na capital

A ampliação dos Ingleses e Santinho não é a única obra de esgotamento em andamento na cidade. Segundo o Relatório da Administração da CASAN referente a 2024, a companhia também avança na ampliação do Sistema de Esgotamento Sanitário do Saco Grande, em intervenções nas Bacias D/F e na construção da nova Estação de Tratamento de Esgoto do Sistema Integrado de Potecas, que envolve os municípios de São José e Florianópolis, além do avanço do sistema Saco Grande/Monte Verde e de interligações em Cacupé, Sambaqui e Santo Antônio. Há ainda novas estações de tratamento de esgoto previstas para os bairros Campeche, Pântano do Sul, Ribeirão da Ilha e Tapera, sendo que a ETE do Pântano do Sul já tem localização definida e recebeu Licença Ambiental Prévia.

Nem todas as obras de saneamento da capital avançam no ritmo esperado, no entanto. A ETE do Sul da Ilha, prometida pela CASAN desde 2007 para atender uma região que hoje reúne mais de 85 mil moradores, acumula sucessivas paralisações — a mais recente em 2024 — e permanece inoperante mesmo após um investimento histórico de R$ 217 milhões, com cerca de 90% da estrutura de concreto armado pronta, mas sem autorização para entrar em operação. O caso ilustra os desafios regulatórios e de licenciamento ambiental que acompanham grandes obras de saneamento na Ilha de Santa Catarina, e reforça por que a CASAN tem priorizado, nos Ingleses e Santinho, uma execução mais ágil e acompanhada de perto por programas socioambientais e tecnologias que reduzem conflitos com a comunidade e com o licenciamento.

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