Cetesb aprova viabilidade ambiental de nova ligação Anchieta-Imigrantes

Consema referenda parecer técnico para a terceira pista do sistema, com 91% do traçado em túneis na Serra do Mar; obra de R$ 8 bilhões prevê movimentação de 4 milhões de m³ de solo e rocha.
O Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (Consema) aprovou, em 25 de março de 2026, o parecer técnico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que atesta a viabilidade ambiental da terceira pista do Sistema Anchieta-Imigrantes. Com a decisão, a Cetesb deve emitir a licença prévia para o empreendimento, permitindo o avanço do processo de implantação. O projeto, sob responsabilidade da Ecovias, tem investimento estimado em R$ 8 bilhões e início de obras previsto para o segundo semestre de 2026.
Com 21,6 quilômetros de extensão, a nova ligação conectará o km 43 da Rodovia dos Imigrantes ao km 265 da Rodovia Cônego Domênico Rangoni, próximo ao polo industrial de Cubatão, facilitando o acesso ao Porto de Santos. A expectativa é ampliar em cerca de 25% a capacidade do sistema, com impacto direto na logística e no escoamento de cargas. Considerada uma das obras rodoviárias mais complexas do país, a via terá aproximadamente 91% do traçado em túneis — solução adotada para minimizar interferências em área sensível da Serra do Mar, com presença significativa de Mata Atlântica.
O projeto prevê a construção de cinco túneis, que somam cerca de 17,3 quilômetros. Um deles deve ultrapassar seis quilômetros de extensão, o que o tornaria o maior túnel rodoviário do Brasil. A obra inclui ainda oito pontes e viadutos. A avaliação técnica da Cetesb destacou o caráter inovador da engenharia empregada, com a alta concentração de túneis como estratégia de preservação das áreas naturais. Durante a construção, está prevista a movimentação de aproximadamente 4 milhões de metros cúbicos de solo e rocha — volume equivalente a cerca de 1.600 piscinas olímpicas.
A aprovação foi condicionada a medidas que incluem plano detalhado para destinação do material escavado, controle ambiental nas frentes de obra, monitoramento da biodiversidade e proteção de recursos hídricos. Segundo o diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Toledo, o licenciamento é essencial para garantir segurança em uma obra dessa magnitude, permitindo avaliar cada etapa da engenharia e assegurar que o projeto avance com controle e redução de impactos. Com a licença prévia emitida, o empreendimento segue para a fase de licença de instalação, necessária para o efetivo início das obras.








