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ÁGUA

Comunidade pede mais financiamentos

A maioria dos planos climáticos nacionais com um componente de adaptação que foram submetidos no âmbito do Acordo de Mudança Climática de Paris prioriza a ação na água, mas o financiamento precisaria triplicar para US$ 255 bilhões por ano para atingir esses objetivos. Esta foi uma das mensagens principais da comunidade internacional da água durante a COP-23. "O uso sustentável da água para múltiplos propósitos deve continuar sendo um meio de vida e precisa estar no centro da construção de cidades resilientes e assentamentos humanos e garantir a segurança alimentar em um contexto de mudança climática", disse Mariet Verhoef-Cohen, presidente da Women for Water Partnership e co-presidente da Plataforma de Escassez de Água na Agricultura (WASAG). A comunidade internacional de água co-assinou um docimento chamado de "declaração de solução baseada na natureza" na abertura do Dia de Ação da Água para incentivar o uso de sistemas naturais na gestão de suprimentos de água saudáveis. Cerca de 40% da população mundial enfrentará escassez de água em 2050, acelerando a migração e provocando conflitos, enquanto algumas regiões podem perder até 6% de sua produção econômica, a menos que seja melhor gerenciada. "Envolver as mulheres e os homens na tomada de decisões e as iniciativas integradas de recursos hídricos leva a uma melhor sustentabilidade, governança e eficiência", afirmou a Sra. Verhoef-Cohen. Os obstáculos ao acesso ao financiamento para atender aos requisitos de investimento em mudanças climáticas no setor de água dificultam a realização do Objetivo 6 do Desenvolvimento Sustentável da ONU (garantindo disponibilidade e gerenciamento sustentável de água e saneamento para todos), além de pôr em perigo o objetivo do Acordo de Paris de garantir que a temperatura média global suba bem abaixo de 2 graus Celsius e o mais próximo possível de 1,5. A comunidade internacional da água engloba várias redes, incluindo também #ClimateIsWater, Alliance for Global Water Adaptation (AGWA) e Global Alianças para Água e Clima (GAfWaC). A comunidade sublinhou o imperativo de desenvolver uma cooperação mais estreita dentro da comunidade climática, bem como as comunidades de energia, agricultura, urbanas, saúde e oceanos. Os especialistas da comunidade da água disseram que os países devem comprometer-se em ações ambiciosas, através do aumento dos esforços anunciados em seus planos climáticos nacionais - conhecidos como contribuições nacionais.

A maioria dos planos climáticos nacionais com um componente de adaptação que foram submetidos no âmbito do Acordo de Mudança Climática de Paris prioriza a ação na água, mas o financiamento precisaria triplicar para US$ 255 bilhões por ano para atingir esses objetivos. Esta foi uma das mensagens principais da comunidade internacional da água durante a COP-23. "O uso sustentável da água para múltiplos propósitos deve continuar sendo um meio de vida e precisa estar no centro da construção de cidades resilientes e assentamentos humanos e garantir a segurança alimentar em um contexto de mudança climática", disse Mariet Verhoef-Cohen, presidente da Women for Water Partnership e co-presidente da Plataforma de Escassez de Água na Agricultura (WASAG).

A comunidade internacional de água co-assinou um docimento chamado de "declaração de solução baseada na natureza" na abertura do Dia de Ação da Água para incentivar o uso de sistemas naturais na gestão de suprimentos de água saudáveis.

Cerca de 40% da população mundial enfrentará escassez de água em 2050, acelerando a migração e provocando conflitos, enquanto algumas regiões podem perder até 6% de sua produção econômica, a menos que seja melhor gerenciada. "Envolver as mulheres e os homens na tomada de decisões e as iniciativas integradas de recursos hídricos leva a uma melhor sustentabilidade, governança e eficiência", afirmou a Sra. Verhoef-Cohen.

Os obstáculos ao acesso ao financiamento para atender aos requisitos de investimento em mudanças climáticas no setor de água dificultam a realização do Objetivo 6 do Desenvolvimento Sustentável da ONU (garantindo disponibilidade e gerenciamento sustentável de água e saneamento para todos), além de pôr em perigo o objetivo do Acordo de Paris de garantir que a temperatura média global suba bem abaixo de 2 graus Celsius e o mais próximo possível de 1,5. A comunidade internacional da água engloba várias redes, incluindo também #ClimateIsWater, Alliance for Global Water Adaptation (AGWA) e Global Alianças para Água e Clima (GAfWaC). A comunidade sublinhou o imperativo de desenvolver uma cooperação mais estreita dentro da comunidade climática, bem como as comunidades de energia, agricultura, urbanas, saúde e oceanos.

Os especialistas da comunidade da água disseram que os países devem comprometer-se em ações ambiciosas, através do aumento dos esforços anunciados em seus planos climáticos nacionais - conhecidos como contribuições nacionais.

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ÁGUA POTÁVEL
OMS exige investimentos urgentes

Durante a Semana Mundial da Água, realizada de 25 a 30 de agosto, em Estocolmo, Suécia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a ONU-Água exigiram investimentos urgentes em fortes sistemas de água potável e saneamento. Segundo relatório divulgado pelas duas organizações, atualmente há sistemas governamentais fracos e escassez de recursos monetários e humanos, que comprometem a prestação de serviços de água e saneamento nos países mais pobres do mundo, minando os esforços para garantir saúde para todos. “Muitas pessoas não têm acesso à água potável, banheiros e lavatórios confiáveis e seguros, colocando-as em risco de infecções mortais e ameaçando o progresso da saúde pública”, diz o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. A Avaliação e Análise Global da ONU-Água para Saneamento e Água Potável 2019 (conhecida como relatório GLAAS) pesquisou 115 países e territórios, representando 4,5 bilhões de pessoas. O levantamento mostrou que grande parte dos países tem implementado políticas e planos de água, saneamento e higiene limitados por recursos humanos e financeiros inadequados. Dezenove países e um território relataram uma lacuna de financiamento de mais de 60% entre as necessidades identificadas e o financiamento disponível. Menos de 15% dos países têm os recursos financeiros ou humanos necessários para implementar seus planos. "Se queremos criar uma sociedade mais saudável, mais justa e estável, o fortalecimento dos sistemas para alcançar aqueles que vivem atualmente sem serviços de água, saneamento e higiene seguros e acessíveis deve ser uma prioridade", diz Gilbert F Houngbo, presidente da ONU Água e Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola. O relatório também descobriu que os países começaram a tomar medidas positivas para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 em água e saneamento. "Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos inspiraram a adotar ações concretas em nível nacional para aumentar o acesso ao saneamento", diz David Molefha, engenheiro-chefe de água do Ministério de Serviços de Água e Saneamento do Ministério de Gerenciamento de Terras de Botsuana. “Desenvolvemos um roteiro de saneamento e estamos trabalhando para eliminar a defecação a céu aberto. Com essas ações, estamos trabalhando para melhorar a vida das pessoas”. Cerca de metade dos países pesquisados já estabeleceu metas de água potável que visam a cobertura universal em níveis superiores aos serviços básicos até 2030, por exemplo, abordando a qualidade da água e aumentando o acesso à água nas instalações. Além disso, a eliminação especificamente da defecação a céu aberto terá um impacto dramático na saúde pública e ambiental.

2 de setembro, 2019
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FORUM MUNDIAL DA ÁGUA
ONU defende soluções baseadas na natureza

As soluções baseadas na natureza podem colaborar para a melhoria da qualidade da água e do abastecimento, de acordo com relatório da ONU lançado no 8º Fórum Mundial da Água, que se realiza de 18 a 23 de março, em Brasília. De acordo com a entidade, os reservatórios, canais de irrigação e estações de tratamento não são os únicos instrumentos disponíveis para se fazer a gestão hídrica e que as soluções com base na natureza podem também desempenhar um papel importante no sentido de evitar desastres naturais. CNI pede regulação adequada Em evento realizado durante o Fórum, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu uma regulação adequada da água e melhoria dos dados e informações sobre as bacias hidrográficas, a fim de que se possa garantir “a disponibilidade de água em quantidade e qualidade adequadas”. Segundo o presidente do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Marcos Guerra, a segurança hídrica representará o principal desafio de sustentabilidade nos próximos anos e, para o avanço dessa agenda, é importante ter ambiente favorável aos investimentos. “A estabilidade no fornecimento de água depende de investimentos públicos e privados em inovação e de encorajar empresas a se envolverem em ações mais ambiciosas para isso”, destacou. Já o secretário executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU, Carlo Pereira, que participou do evento, afirmou que as empresas são as principais parceiras de governos em todo o mundo na superação dos desafios de segurança hídrica. “O Brasil tem posição privilegiada e o desenvolvimento sustentável pode ser transformado em diferencial competitivo para as empresas do país”, declarou.

19 de março, 2018
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ENERGIA RENOVÁVEL
Matriz 100% até 2030? Cientistas acreditam

Segundo pesquisa realizada pela Rede de Políticas de Energias Renováveis para o Século 21 (REN 21), 71% dos especialistas acreditam que é possível ter uma matriz 100% renovável até 2030. Os dados são parte do Relatório da Situação Global das Energias Renováveis e foram o tema do debate “Nexo Água-Energia: como a geração hidrelétrica pode liderar o desenvolvimento sustentável em um ambiente em mudança”, promovido pela Itaipu Binacional em parceria com a Secretaria das Nações Unidas para Mudanças Climáticas na 23ª Conferência Mundial do Clima (COP-23), em Bonn, na Alemanha. A empresa reuniu diferentes atores do setor de geração energética para discutir ações rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 e 7. As metas tratam de água e energia e são parte da lista de 17 objetivos ratificados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na lista estão ações de eficiência energética, cooperação internacional e universalização do acesso a ambos os recursos. O diretor de Coordenação da Itaipu, Hélio Amaral, destacou ações do Cultivando Água Boa, um amplo programa de cuidados com as microbacias da região. “Fazemos tudo com a participação da comunidade local e promovendo o desenvolvimento regional. Consideramos a segurança da água como parte dos nossos negócios”, disse. As ações envolvem recuperação de nascentes, capacitação de agricultores, reflorestamento e também a diversificação da matriz energética. A Itaipu investe também na geração de biogás a partir de dejetos dos animais e instalou placas de geração de energia solar no estacionamento de um de seus escritórios, porém ainda em sistema piloto e sem objetivos de comercialização.

16 de novembro, 2017
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EMISSÕES
Agricultura sustentável pode contribuir na redução

Maiores investimentos em agricultura sustentável ajudarão a reduzir as emissões e proteger as pessoas contra as mudanças climáticas, informaram líderes na Conferência das Nações Unidas (COP-23) sobre Mudanças Climáticas em Bonn, Alemanha. "A agricultura é um fator chave para a sustentabilidade das áreas rurais, a responsabilidade pela segurança alimentar e seu potencial para oferecer soluções para mudanças climáticas é enorme", afirmou Christian Schmidt, Ministro Federal da Alimentação e Agricultura da Alemanha, durante a abertura da sessão. A ideia é destinar recursos ao setor agrícola para atingir os objetivos do Acordo de Mudança Climática de Paris e a Agenda de Desenvolvimento Sustentável de 2030, estritamente vinculada, feita durante o Dia de Ação da Agricultura sob a Parceria de Marrakesh para a Ação Global para o Clima na COP-23. "Os países agora têm a oportunidade de transformar seus setores agrícolas para alcançar segurança alimentar para todos através de agricultura sustentável e estratégias que promovam a eficiência do uso de recursos, conservem e restaurem a biodiversidade e recursos naturais e combatam os impactos das mudanças climáticas", disse René Castro, Assistente-Diretor Geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O objetivo central do Acordo de Paris é manter o aumento médio da temperatura global bem abaixo de 2 graus C e o mais próximo possível de 1,5 graus. Cerca de um grau desse aumento já aconteceu, ressaltando a urgência de progredir o mais rápido possível para cortar os gases de efeito estufa que causam o aquecimento global. Para o setor pecuário, por exemplo, a FAO estima que as emissões poderiam ser facilmente reduzidas em cerca de 30% com a adoção das melhores práticas. Os impactos climáticos extremos também afetam desproporcionalmente pequenos agricultores, pastores e comunidades de pesca e florestas que ainda fornecem a maior parte dos alimentos do planeta. Apoiar essas comunidades com soluções inovadoras, tanto para reduzir suas emissões quanto para proteger suas comunidades, também atende a muitos dos objetivos de cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

16 de novembro, 2017
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RECURSOS HÍDRICOS
Gestão integrada é debatida por organizações

No inicio de setembro foi realizado seminário promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) sobre um panorama da crise global de água. Representantes da Agência Nacional de Águas (ANA), da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa) e do Ministério das Cidades falaram sobre a situação brasileira e a necessidade de promover uma gestão integrada, a conservação e o uso eficiente dos recursos hídricos. O diretor de Gestão Estratégica do MCTIC, Johnny Santos, definiu como vital a gestão integrada dos recursos hídricos. “A história da humanidade está diretamente associada com a água, desde a ocupação do território, com o surgimento das cidades e os movimentos migratórios, até o desenvolvimento econômico e social dos povos, incluindo a questão sanitária”, disse. Santos destacou ainda que a água é um dos 12 temas prioritários da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti), válida de 2016 a 2022, e serve de eixo para o fundo setorial CT-Hidro, destinado a financiar estudos e projetos com recursos hídricos, para aperfeiçoar diversos usos, de modo a assegurar à atual e às futuras gerações alto padrão de qualidade e utilização racional, com vistas ao desenvolvimento sustentável e à prevenção contra fenômenos hidrológicos críticos”. O superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, Joaquim Gondim, abordou a necessidade de se estabelecer planos de segurança hídrica. “Na operação de sistemas, deve-se considerar o risco de ocorrência de eventos extremos: secas e inundações, além de acidentes”, apontou. “As condições estatísticas extremas podem ser evitadas por custos muito altos, mas é possível planejar estes cenários para se obter maior resiliência”. O superintendente cita ainda a importância em ampliar a capacidade de resposta das cidades diante dos eventos de seca, que, em suas palavras, tendem a ocorrer com maior frequência e em maior intensidade em decorrência da mudança do clima. Representante do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), o analista de infraestrutura Sergio Abreu, do Ministério das Cidades, tratou do programa Interáguas, “esforço brasileiro na tentativa de se buscar uma melhor articulação e coordenação de ações”. O SNIS possui uma base de dados sobre a prestação de serviços de água e esgoto, de manejo de resíduos sólidos urbanos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.

12 de setembro, 2017
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AGRICULTURA
Três iniciativas lançadas na COP-22

O Marrocos, a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) e outros parceiros estão intensificando as ações climáticas na agricultura com três iniciativas ; ‘Adaptação da Agricultura Africana (AAA); Quadro Global de Escassez Hídrica e o Pacto Político-Alimentar de Milão. As três foram lançadas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Marrakech (COP22) e visam ajudar pequenos agricultores a desenvolver suas capacidades de adaptação, ajudar os cidadãos urbanos a lidarem com os impactos das mudanças climáticas e apoiar os países no cumprimento dos seus compromissos climáticos. O Evento de Ação faz parte da Agenda Global de Ação Climática, liderada pela França e Marrocos, que visa estimular os esforços dos setores público e privado para reduzir as emissões rapidamente, ajudar as nações vulneráveis a se adaptarem aos impactos climáticos e construir um futuro sustentável. De acordo com o Acordo de Paris sobre Alterações Climáticas, 95% de todos os países incluem a agricultura em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (INDCs).A iniciativa AAA visa aumentar a resiliência dos agricultores na África, ao promover uma gestão sustentável do solo, uma melhor gestão da água e uma gestão dos riscos ligada ao desenvolvimento de capacidades, às políticas e aos mecanismos de financiamento. Espera-se que os benefícios de adaptação resultantes do aumento do uso de fundos climáticos e de projetos agrícolas tenham implicações globais positivas. Alinhada com a African Adaptation Initiative (AAI), a AAA já conta com o apoio ativo de 28 países africanos, de várias entidades nacionais e privadas, bem como da FAO. "Em muitos países, adaptar-se às mudanças climáticas e encontrar formas de garantir a segurança alimentar e a nutrição são parte do mesmo desafio", disse o Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva, observando que a adoção generalizada de práticas resilientes ao clima aumentaria a produtividade, renda dos agricultores e geraria preços mais baixos dos alimentos. A iniciativa da FAO visa identificar ações prioritárias e impulsionar a inovação para a adaptação da agricultura às condições de escassez de água, que estão aumentando devido às alterações climáticas.O Quadro Global sobre a Escassez de Água apoia os países na integração da ação climática e da utilização sustentável da água nas políticas para os seus setores agrícolas e no diálogo intersetorial, na implementação de seus planos nacionais de ação climática (NDCs), e aprimoramento no desenvolvimento da capacidade climática, energética e de alimentos, além de compartilhar conhecimento e experiências com outros países. "As temperaturas mais elevadas, a crescente variabilidade das chuvas, as secas e inundações mais frequentes e a subida do nível do mar estão interrompendo a quantidade de água disponível para as culturas, gado, florestas e pescas, o que acaba por afetar seriamente os meios de subsistência", disse Maria Helena Semedo, diretora-adjunta da FAO. Para ela, a agricultura representa 70% das retiradas mundiais de água e que mais água será necessária para produzir alimentos nutritivos e suficientes para uma população em crescimento. A terceira nova iniciativa envolve a participação do público em áreas urbanas e peri-urbanas.Introduzido no ano passado, o Pacto de Política Alimentar Urbano de Milão (MUFPP) apela a sistemas de alimentação sustentável que promovam a acessibilidade de alimentos saudáveis aos cidadãos das cidades, a proteção da biodiversidade e a redução de resíduos alimentares. O pacto foi assinado pelos prefeitos de 130 cidades ao redor do mundo. O Evento de Ação em Agricultura e Segurança Alimentar inclui sessões de diálogo que se concentram em temas prioritários para a integração da resiliência climática na agricultura, como abordagens ecossistêmicas para maior resiliência, integração na paisagem e cadeia de valor, gestão da água e financiamento climático. Diversas partes - governos, organizações intergovernamentais, empresas e sociedade civil - estão se unindo para explorar medidas que facilitariam a transição e os investimentos em agricultura sustentável, resistente ao clima e mais produtiva.

18 de novembro, 2016
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ÁGUA
Participantes da Semana Mundial esperam acordo na COP-21

A Semana Mundial da Água teve em 2015 como tema “Água para o Desenvolvimento” e recebeu 3.300 participantes, de 125 países, representando governos, universidades, sociedade civil, organizações internacionais, o setor privado, e muitos outros. O evento, que é realizado juntamente com o Stockholm Water Prize, completou 25 anos. O Diretor-executivo do SIWI (Stockholm International Water Institute), Torgny Holmgren, resumiu as apresentações durante a semana com a afirmação: "A água é o que une todos os aspectos das mudanças climáticas. A mudança climática é a mudança da água." Segundo o Diretor, o impacto das alterações climáticas é sentido através da água, com inundações, padrões de chuva erráticos, secas e outros eventos climáticos extremos. "É absolutamente vital que a água seja uma parte de ambas as iniciativas voluntárias de mitigação e adaptação às alterações climáticas, bem como da Convenção do Clima em si", disse Karin Lexén, Diretora da Semana Mundial da Água, Processos internacionais e prêmios. A Ministra da Suécia para o Clima e Meio Ambiente e Vice-Primeira-Ministra, Åsa Romson, repercutiu a mensagem do SIWI, afirmando que "se as águas não forem devidamente geridas e a gestão dos recursos hídricos não estiver bem integrada nos esforços climáticos, os impactos do clima terão um efeito significativo sobre nossas sociedades – o que é um desafio para todos os países”. A ministra disse que pretende encorajar novas discussões sobre a forma de reforçar a resiliência da água como parte da agenda de ações para se certificar de que os investimentos nas questões climáticas, incluindo aqueles realizados através do Fundo Verde para o Clima, possam apoiar a resiliência da água. Benedito Braga, Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo no Brasil e presidente do Conselho Mundial da Água, disse que "a segurança da água é provavelmente o maior desafio humano deste século." Em um apelo apaixonado aos negociadores em Paris, no final deste ano, o Presidente das Ilhas Marshall, Christopher J Loeak, disse que não tinha certeza se deveria esperar um compromisso mais forte na redação do acordo sobre o clima, mas disse ter esperanças de que o mundo possa chegar a um compromisso histórico, não apenas para salvar o seu país, mas também o mundo. "Nós (as Ilhas Marshall) estamos literalmente contemplando um futuro no qual estamos sendo varrido do mapa do mundo", disse ele. Durante a semana, vários prêmios foram concedidos para a excelência em questões relacionadas com a água. O Prêmio da Água de Estocolmo para a Indústria foi entregue à empresa de engenharia CH2M, por desenvolver métodos para limpar a água, e aumentar a aceitação pública de água reciclada. Perry Alagappan, dos EUA, recebeu o Prêmio Estocolmo de Água Júnior 2015 por inventar um filtro através do qual os metais pesados tóxicos de lixo eletrônico podem ser removidos da água. E, finalmente, o prêmio de maior prestígio, o Stockholm Water Prize foi atribuído a Rajendra Singh, da Índia, por seus esforços inovadores de restauração de água, melhoria da segurança da água na Índia rural, e por mostrar coragem e determinação extraordinária em sua busca para melhorar as condições de vida para os mais necessitados.

10 de setembro, 2015
O acesso à água tem implicações econômicas, sociais e ambientais
ÁGUA
O acesso à água tem implicações econômicas, sociais e ambientais

Por Adalberto Luis Val * Um dos grandes desafios para as atuais e futuras gerações é atender a demanda de itens básicos para o desenvolvimento humano. A previsão para 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) é que a população global vai necessitar de 40% mais água, 35% mais alimentos, e 50% mais energia. Vale lembrar que tanto a produção de alimentos quanto a de energia estão diretamente ligadas à oferta de água. Outra questão vital é a crescente necessidade de ampliação do tratamento de água e da cobertura de saneamento, que impactam tanto a saúde da população quanto a conservação do meio ambiente. Apesar de o acesso à água potável ter sido uma das maiores conquistas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), atualmente, quase 750 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água tratada, 2,5 bilhões não melhoraram suas condições sanitárias e 1,3 bilhão não têm acesso à eletricidade, de acordo com a ONU. Neste sentido, é essencial o entendimento de que o recurso “água” está ligado a tudo na humanidade, da produção de alimentos à urbanização, da saúde ao transporte. E tem impacto no controle de doenças, no desenvolvimento sustentável e, até mesmo, na desigualdade social. Uma cidade que não tem acesso à água potável, por exemplo, pode ter grande prejuízo no seu desenvolvimento humano. Ainda hoje, a falta de acesso à água potável e saneamento é responsável pela morte de uma média de mil crianças todos os dias em consequência de doenças diarreicas. Além disso, a dificuldade de acesso à água condena mulheres e meninas a diminuir muito o tempo dedicado ao cuidado de suas famílias e aos estudos, aumentando ainda mais a desigualdade de oportunidades. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que, na África, a soma do tempo gasto pelas pessoas a cada ano caminhando para se abastecer de água ultrapassa 40 bilhões de horas. E cada vez mais, não é possível dissociar a oferta do manejo. Qualidade ambiental e água estão intrinsicamente ligados. Uma das maiores crises hídricas de todos os tempos, enfrentadas pelo Brasil, em especial a região sudeste, a mais populosa e com as maiores metrópoles, colocam em xeque o tratamento que temos dado aos nossos recursos hídricos. Ao mesmo tempo em que a população sofria com a falta d’água, tinha que conviver com enchentes. Por outro lado, as soluções caseiras encontradas para armazenar água tratada e água de chuva trouxeram outra ameaça à saúde: o crescimento de casos da dengue. Até abril deste ano, o Brasil já havia registrado um aumento de 240%, sendo que só em São Paulo, que tinha a mais grave situação de epidemia, foram registrados 258 mil casos de dengue nos primeiros três meses do ano, representando 56% dos casos no país, e número sete vezes superior ao mesmo período de 2014, conforme dados do Ministério da Saúde. Isso nos leva a repensar soluções imediatistas e sem planejamento, como se estivéssemos lidando com recursos infinitos ou uma situação pontual. E o que também deve ser repensado são as técnicas que temos usado para tratamento de águas servidas, que ocasionam uma série de problemas, como o descarte inadequado de medicamentos, que trazem efeitos devastadores para o meio ambiente. Quando antibióticos, anticoncepcionais, inibidores de apetite e diversos outros medicamentos chegam aos ecossistemas implicam, muitas vezes, na extinção de um conjunto significativo de microrganismos que têm papel importante na recomposição de corpos d’água degradados, além disso, podem contribuir para extinção de um vasto número de anfíbios, de peixes e da própria vegetação do entorno dos corpos d’água, por conta da poluição causada. Em suma, não dá para tratar a água sem pensar todo o ciclo e implicações econômicas, sociais e ambientais. E fica a pergunta: se não é possível desenvolvimento econômico sem água, por que colocar os interesses econômicos acima da preservação de mananciais e fontes de água potável? *Adalberto Luis Val é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI) e membro do Conselho Administrativo da Fundação Bunge.

29 de junho, 2015