Crise hídrica exige respostas estruturais e integradas

Encontro com especialistas destaca impactos socioeconômicos e aponta a governança como eixo central para a segurança da água
Em um momento em que os desafios relacionados à água se intensificam em escala global e nacional, a sede da Enfil foi palco de um debate estratégico que reuniu especialistas do país para debater sobre gestão, impactos e caminhos para a segurança hídrica. O encontro, organizado pela Revista Saneamento Ambiental em conjunto com seus conselheiros, integrou as discussões em torno do Dia Mundial da Água, 22 de março, e reforçou a urgência de ações coordenadas diante da crescente pressão sobre os recursos hídricos.
Estruturado em quatro blocos temáticos — que abordaram desde o panorama atual da crise hídrica até soluções sustentáveis e inovação —, o debate trouxe uma análise qualificada sobre os riscos estruturais, os impactos socioeconômicos e ambientais da escassez e o papel da governança como eixo central do desenvolvimento.
Entre os debatedores, destacaram-se profissionais com ampla trajetória no setor. Silvio Leifert, engenheiro civil e CEO da Sygha Consultoria e Engenharia Ltda., compartilhou sua experiência de mais de quatro décadas em projetos estratégicos de abastecimento e esgotamento sanitário. José Eduardo Prestes Alves, engenheiro químico e fundador da Crisis Solutions, trouxe a perspectiva da gestão e comunicação de crises em cenários de risco hídrico. Everton de Oliveira, hidrogeólogo e fundador do Instituto Água Sustentável, contribuiu com reflexões sobre governança e educação ambiental, enquanto Samuel Barrêto, biólogo e pesquisador associado do Observatório das Águas, destacou a relevância da segurança hídrica como ativo estratégico para a sociedade. Representando a Enfil, Franco Tarabin, engenheiro químico e CEO da empresa, enfatizou o papel da engenharia ambiental no desenvolvimento de soluções eficientes e o papel da indústria. Já Mara Ramos, engenheira civil e Gerente Executiva de Segurança e Resiliência Hídrica da SABESP, abordou os desafios da gestão em grandes sistemas urbanos.
Com uma visão de longo prazo, Eugenio Singer, engenheiro civil e consultor estratégico, foi o moderador do debate e ressaltou a evolução da agenda socioambiental no Brasil, enquanto Sergio Roberto Rodrigues Ribeiro, engenheiro químico e diretor comercial da Haskoning, destacou avanços tecnológicos e reuso de água.
Ao longo do debate, eles ressaltaram que a crise hídrica, embora não seja um fenômeno novo, tornou-se mais intensa, visível e complexa, revelando um cenário marcado pelo paradoxo entre abundância e escassez — com regiões sujeitas a enchentes e outras enfrentando severa falta de água potável.
O debate reforçou que a segurança hídrica deve ser tratada como um eixo estruturante para o desenvolvimento sustentável, exigindo integração entre políticas públicas, inovação tecnológica e engajamento da sociedade.
A cobertura completa do debate, com análises aprofundadas e propostas apresentadas pelos especialistas, estará disponível na próxima edição da Revista Saneamento Ambiental, prevista para publicação no final de março.








