AMAZÔNIA LEGAL

Desmatamento cresce 22% em um ano

Desmatamento cresce 22% em um ano

Entre os estados com maior índice de desmatamento estão o Pará (5.257 km²), seguido por Amazonas (2.347 km²), Mato Grosso (2.263 km²) e Rondônia (1.681 km²).

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), unidade vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), concluiu que o desmatamento na Amazônia Legal Brasileira atingiu 13.235 km² de corte raso entre 1° de agosto de 2020 e 31 de julho deste ano, o que configura um crescimento de 21,97% em relação à taxa de desmatamento apurada pelo PRODES 2020 (10.851 km²). Esta estimativa é fruto do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (PRODES). O mapeamento do PRODES é feito com base em imagens do satélite Landsat ou similares, para registrar e quantificar as áreas desmatadas maiores que 6,25 hectares. "O resultado é fruto de um esforço persistente, planejado e contínuo de destruição das políticas de proteção ambiental no regime de Jair Bolsonaro. É o triunfo de um projeto cruel que leva a maior floresta tropical do mundo a desaparecer diante dos nossos olhos e torna o Brasil de Bolsonaro uma ameaça climática global", disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

Entre os estados com maior índice de desmatamento estão o Pará (5.257 km²), seguido por Amazonas (2.347 km²), Mato Grosso (2.263 km²) e Rondônia (1.681 km²). Para gerar esta estimativa, o INPE analisou um subconjunto de 106 cenas do sensor OLI/Landsat-8 dentro das 229 que recobrem a Amazônia Legal. As 106 cenas selecionadas como prioritárias atendem a três critérios : 1) cobrir a região onde foram registrados pelo menos 90% do desmatamento no período anterior do PRODES (agosto/2019 a julho/2020); 2) cobrir regiões onde foram registrados pelo menos 90% dos avisos de desmatamento do DETER 2020/2021; e 3) cobrir os 54 municípios prioritários para fiscalização referidos no Decreto Federal 6.321/2007 e atualizado em 2018, 2020 e 2021 pelas Portarias n° 428, 161 e 9 do 19 de novembro de 2018, 15 de abril de 2020 e 11 de janeiro de 2021 do Ministério do Meio Ambiente (MMA). "Diferentemente da propaganda que o governo e seus aliados no agro e na indústria levaram à COP26, em Glasgow, o Brasil real é este, da terra arrasada, da violência contra populações tradicionais e do crime organizado agindo sem controle na Amazônia”, disse Astrini.

O INPE reforça que os valores apresentados são uma estimativa da taxa de desmatamento para o PRODES 2021. A taxa consolidada será apresentada no primeiro semestre de 2022, quando for completado o processamento de todas as 229 cenas que recobrem a Amazônia Legal Brasileira. “O governo já tinha em mãos antes da conferência do clima e escondeu deliberadamente, o que mostra, também, que o mais de meio bilhão de reais gastos em operações militares na floresta não foi capaz de fazer frente ao desmatamento. E traz também uma indicação preocupante: o Estado do Amazonas, na expectativa da pavimentação da BR-319, passou Mato Grosso em destruição. Precisamos de uma resposta forte e à altura vinda de toda a sociedade. Bolsonaro precisa ser parado", conclui Astrini.

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