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DESMATAMENTO

Taxa na Amazônia deve superar 10 mil km² em 2022

Taxa na Amazônia deve superar 10 mil km² em 2022

Foram desmatados 1.120 km², a maior marca desde 2016, início da série histórica do sistema Deter-B, o que corresponde a aumento de 130% em relação a junho de 2018.

Segundo dados do Inpe, o desmatamento na Amazônia atingiu recorde pelo terceiro ano consecutivo em junho. Foram desmatados 1.120 km², a maior marca desde 2016, início da série histórica do sistema Deter-B, o que corresponde a aumento de 130% em relação a junho de 2018, último ano do governo Michel Temer.

No governo Bolsonaro, os alertas de desmatamento ultrapassaram 1.000 km² em junho: foram 1.043 em 2020, 1.061 em 2021 e agora 1.120. No acumulado do ano até aqui (o Inpe sempre mede o desmatamento de agosto de um ano a julho do ano seguinte), os alertas já chegam a 7.104 km2, ficando atrás apenas para os recordes do próprio goverrno Bolsonaro no mesmo período de 11 meses (agosto a junho): 7.557 km2 em 2020 e 7.282 km2 em 2021.

Na série de 2022, que se encerra no fim de julho, houve recorde de desmatamento em outubro, janeiro, fevereiro, abril e agora em junho. Os dados do Inpe desmentem o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que apontou queda no desmatamento em razão da operação Guardiões do Bioma Amazônia, lançada em março. Porto Velho, em Rondônia, foi o município com mais alertas de desmatamento em junho (2.450), seguido por Lábrea, no Amazonas (2.071), Apuí, também no Amazonas (1.910), São Félix do Xingu, no Pará (1.779), e Altamira, também no Pará (1.481).

A alta do desmatamento no Sul do Amazonas, em municípios como o de Lábrea, ocorre devido ao aumento da grilagem, por conta da tentativa do ex-ministro da Infraestrutura, Tarcício Freitas, de pavimentar a BR-319 (Manaus-Porto Velho). A estrada corta uma das áreas mais intocadas da floresta amazônica e estudos indicam que seu asfaltamento quadruplicará a devastação.

A área de proteção com maior número de alertas é a APA do Tapajós, no Pará (571 avisos), seguida pela Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre (411), e pela Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará (262) Os alertas mensais de desmatamento precisam ser mensurados com cautela, já que o sistema Deter não é feito para medir área desmatada, e sim para orientar o trabalho do Ibama. O dado oficial de desmatamento é informado pelo sistema Prodes, mais lento, porém acurado, uma vez por ano. Os dados de alertas até o momento indicam, porém, que a taxa de desmatamento em 2022 deverá ultrapassar novamente os 10.000 km². Em 2021, pela primeira vez desde o início das medições, em 1988, a Amazônia teve o quarto ano seguido de aumento na devastação. "Espanto será se o desmatamento não subir de novo em 2022", disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. "Como a tragédia do Vale do Javari deixou explícito para o mundo inteiro, a Amazônia está sob o comando de gente que mata e desmata, com o incentivo de Bolsonaro e seus generais. A destruição faz parte de um projeto de governo implementado com muito afinco, que o próximo Presidente da República terá muito trabalho para reverter”.

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