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ÁGUA

Enfil consolida tecnologia de sistemas de reuso

Enfil consolida tecnologia de sistemas de reuso

Ao longo dos anos, a empresa projetou e executou as maiores plantas de reuso em refinarias, como a Plangás, com vazão de tratamento de 5.100 m³/h

Apesar de ser pouco utilizada, o Brasil já conta com expertise para implementar qualquer tipo de sistema de reuso, seja ele direto ou indireto, com tecnologias como as disponibilizadas pela Enfil. Ao longo dos anos, a empresa projetou e executou as maiores plantas de reuso em refinarias, como a Plangás, com vazão de tratamento de 5.100 m³/h, processo de tratamento de clarificação, ultrafiltração seguida do sistema de desmineralização por troca iônica e polimento de água.

A Petrobras contou com os serviços da Enfil em diversas das suas refinarias, como, por exemplo, a REVAP, com vazão de tratamento de 1.800 m³/h, onde o processo de tratamento foi a clarificação, filtração, ultrafiltração seguida de dois trens de desmineralização por osmose reversa e sistema de polimento por leitos mistos ; REDUC, vazão de tratamento de planta de 800 m³/h, processo de tratamento foi MBR - Membrane Bio-reactor; RNEST - vazão de tratamento de planta de 2.100 m³/h, processo de tratamento para reuso, que englobou clarificação, sistema de filtração em carvão ativado, eletrodiálise reversa e sistema de desmineralização por troca iônica e REPAR – são três sistemas de ultrafiltração – ULTRA 1 – Flotofiltro e sistema de desaguamento de lodo / ULTRA2 e 3 (reuso) – Flotofiltro, sistema de filtração em carvão ativado, eletrodiálise reversa e sistema de desmineralização por troca iônica.

Já na área de saneamento público, a Enfil, em parceria com a Sanasa – Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento executou a Construção da Estação de Tratamento de Esgotos Sanitários Boa Vista, que abrangeu a execução do projeto civil e construção, utilizando o processo MBR (Membrane BioReactor), com a instalação de um Sistema de Ultrafiltração por Membranas Submersas de Fibra Oca, com capacidade de 180 l/s. São duas estações que utilizam a tecnologia de reuso, as Estações de Produção de Água de Reuso EPAR CAPIVARI II e EPAR BOA VISTA, que produzem uma água de reuso com grau de qualidade de 99%. A obra foi um marco brasileiro, pois, com essa estação, Campinas conseguiu atingir 100% do seu esgoto tratado, o que tornou a cidade a primeira com mais de 500 mil habitantes a atingir esta capacidade.

A maioria dos projetos de água de reuso são feitos após o tratamento de esgoto e depende da sua aplicação, sendo que : se for para recomposição hídrica, basta fazer um tratamento biológico com remoção de nutrientes, como o fósforo e nitrogênio, sendo que muitas vezes é necessário um tratamento terciário composto de um tratamento físico-químico seguido de filtração para complementação da remoção do fósforo. No caso de abastecimento industrial, dependendo da qualidade do ponto de utilização, podem ser desde sistemas simples compostos de tratamento físico-químico seguidos de filtração, até sistemas mais rebuscados com a utilização de processos com membranas de ultrafiltração e osmose reversa ou processos biológicos empregando tecnologias como MBR (Membrane Bio-reactor), MBBR (Moving Bed Biofilm Reactor) ou IFAS (Integrated Fixed-Film Activated Sludge), entre outras e seguidos de osmose reversa, enquanto para abastecimento público, a utilização de sistemas biológicos com remoção de fósforo e nitrogênio e com o emprego de MBR, seguido de uma desinfecção que poderá ser a ultravioleta e cloro são os mais utilizados.

Os efeitos significativos do efeito multiuso do reuso e as métricas do tão falado e almejado ESG, a reutilização da água é fundamental para implementar sólidas estratégias em prol de alcançar metas em ESG e em economia circular. Para se ter ideia, para cada R$ 1 investido em reúso de água, consegue-se R$ 3,40 em expansão da produção nacional.


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ABASTECIMENTO
Enfil vence licitação da Caesb

A Enfil S/A. Controle Ambiental venceu licitação promovida pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) para projetar e montar sistema de captação e tratamento de água emergencial no Lago Paranoá (DF). “O projeto vai utilizar o sistema de ultrafiltração por membranas, que permite muito maior velocidade na implantação, com o uso de skids (kits), e vem tendo uso crescente no mundo, pela rapidez na instalação e por possibilitar a obtenção de água com as melhores características de potabilidade”, explica Franco Tarabini Jr, sócio diretor da empresa. O contrato tem valor de R$ 42 milhões (15% abaixo do preço teto) com prazo de instalação de oito meses. No Brasil essa tecnologia só foi utilizada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) em 2014 – no auge da crise hídrica - que obrigou a uma redução no fornecimento. A situação brasiliense é similar à enfrentada por São Paulo, por causa da forte seca e falta de recursos hídricos. A Caesb teve que lançar mão de uma reserva valiosa, o Lago Paranoá. Para enfrentar o problema em curto prazo, a montagem da unidade de ultrafiltração é a única alternativa para ter o sistema em funcionamento. O fornecedor das membranas é a Dow Química, que não mediu esforços em conjunto com a Enfil para ter todos os skids no Brasil em tempo hábil para montagem dentro do cronograma exigido pela Caesb. Em 2014 a Enfil fechou seu primeiro contrato de ultrafiltração com a Sabesp para um sistema em Bertioga, em operação desde 2015. Atualmente a empresa tem em andamento contratos de saneamento com a Sanepar (PR), e a prefeitura de Pelotas (RS), para projeto e construção de instalações convencionais de tratamento de esgoto e de água, respectivamente, que estão em andamento.

15 de maio, 2017
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REÚSO
Tecnologias disponíveis ainda são caras

Segundo o pesquisador do Laboratório de Instalações Prediais e Saneamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Luciano Zanella, atualmente há diversas tecnologias para transformar a qualidade da água de toda e qualquer forma. “O problema é que, quanto mais radical a mudança, mais cara ela é, não só em termos de instalação, mas de operação e manutenção. Para garantir a transformação de uma água residual em água potável, por exemplo, é necessário manter três ou quatro sistemas em operação, para aumentar a segurança e reduzir a probabilidade de falhas”, explica. A viabilidade financeira é um dos pontos cruciais para o reuso das águas e aproveitamento de subprodutos resultantes do tratamento de esgoto no Brasil, diz Zanella. Segundo o pesquisador, o uso de recursos do meio ambiente pode ser poupado por meio de alternativas tecnológicas que mantêm as águas disponíveis para uso por mais tempo, como os sistemas de reúso, e já são realidade por serem economicamente vantajosas para os envolvidos. “As águas residuais, de acordo com a legislação, precisam receber um tratamento adequado antes de serem lançadas novamente no meio ambiente. É lei. No caso do reúso, essas águas receberiam tratamentos além do convencional, dependendo da finalidade para a qual serão utilizadas”, detalha o pesquisador. “Hoje, é vantajoso para muitas indústrias fazer o próprio tratamento da água para utilizá-la para determinadas atividades como lavagens, por exemplo, ou mesmo comprá-la de empresas com estações de reúso. Além de ganharem em marketing ambiental, é mais barato do que comprar o mesmo volume de água potável”. Na indústria, os usos são variados e dependem do tipo, porte e setor ao qual o empreendimento pertence, enquanto no uso comercial e doméstico, as alternativas para o reúso de águas residuais estão ficando cada vez mais populares nas grandes cidades. O uso de esgotos tratados em concomitância com águas de chuva em descargas sanitárias é uma das medidas financeiramente rentáveis para shoppings centers; em alguns condomínios residenciais, parte do esgoto (geralmente aquele intitulado de águas cinza) é tratado e utilizado para o mesmo fim. Contudo, o ponto alto do reúso para o pesquisador está começando a dar seus primeiros passos no País agora. “A tendência dos últimos anos é não encarar a água residual como algo a ser tratado e lançado de volta no meio ambiente, apenas. No tratamento desse tipo de efluente, é possível encontrar água, nutrientes, matéria orgânica e até mesmo gases para a geração de energia. O esgoto é uma fonte de subprodutos, cujo aproveitamento depende da viabilização financeira do tipo de tratamento necessário para obtê-los”. “Compramos substâncias que temos à mão e jogamos fora. Hoje, aqui mesmo no IPT, existem pesquisas de recuperação de compostos de nitrogênio e fósforo a partir da urina. Fora do País, muitos lugares já contam com a extração desses nutrientes durante o tratamento do esgoto, destinados à irrigação de culturas na agricultura”, conta o pesquisador. “Isso é uma evolução no reúso: o aproveitamento de insumos que estariam sendo despejados no meio ambiente. Mas é importante dizer que, caso a caso, é preciso estudar a viabilidade técnica e econômica de manutenção e operação para implementação de cada tratamento específico, para que essas alternativas sejam de fato eficazes”, finaliza.

4 de abril, 2017
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SANEAMENTO
A estratégia da Enfil para o setor

Há dois anos a Enfil, empresa com mais de 20 anos de mercado, especializada em soluções tecnológicas ambientais para ar, água (indústria e cidades) e solo, elegeu o setor de saneamento (tratamento de água e efluentes) como uma de suas prioridades, juntamente com os segmentos de gestão de resíduos e de áreas contaminadas. Franco Castellani Tarabini Jr., sócio-diretor da empresa, conta que a decisão se deu depois da empresa passar por um momento muito difícil em 2015 por conta de dois contratos que acabaram drenando significativamente seu caixa (no caso, os projetos de montagem realizados para as empresas OSX e o Complexo de Suape, da Petrobras, que não foram pagos). “Naquele momento optamos por não mais fazer montagem de obras civis para terceiros, apenas dando continuidade às obras de tratamento de água e efluentes, de tratamento de ar, com tecnologia própria, tudo para diminuir o risco. Resolvemos focar no ‘nosso negócio’. Vimos que não havia espaço para oferecermos o pacote inteiro”, relata Tarabini. Em 2014, a Enfil teve seu melhor ano de vendas, com faturamento de R$ 485 milhões, o que a ajudou a superar a crise. Em 2015, as vendas somaram apenas R$ 110 milhões, um quarto do faturamento do exercício anterior, isso sem perder muitos negócios – “foi um ano dramático”, conta o empresário. Em 2016, a conta deve fechar em R$ 180 milhões. Ainda assim, apesar de toda a situação vivida em 2015, a Enfil não deixou de entregar as obras, chegando inclusive a assumir impostos no lugar de seus clientes. Mas, com os últimos “soluços”, o lema da empresa que era o cronograma físico-financeiro, hoje é financeiro-físico. Dos R$ 180 milhões informados em 2016, R$ 120 milhões vieram do setor de saneamento, R$ 40 milhões da gestão de resíduos, R$ 20 milhões de papel e celulose e mais alguma coisa de petróleo e gás. Para 2017, a previsão da Enfil não foge muito desse valor, mas vai depender do mercado. As apostas continuam em saneamento (em valor), no setor de siderurgia (bons projetos) e na gestão de resíduos e papel e celulose. Cerca de R$ 250 milhões vão passar pelo caixa da empresa (faturados), acredita Tarabini. “Mas nossa principal aposta é o setor de saneamento, onde montamos uma equipe forte. Em nossa avaliação, é um mercado infinito, o que é bom e ruim. E pegamos o jeito de fazer – ao invés de ficar embaixo de grandes construtoras, vamos competir. Essa é a nossa estratégia”, indica Tarabini. Seguindo a nova diretriz, a Enfil entregou recentemente a expansão do tratamento de esgotos da Sanepar, uma ETE com capacidade para 2 m³/s. Nesse contrato, a empresa foi responsável pela construção, montagem e entrega de equipamentos – ou seja, o pacote completo. Outro projeto em curso é a ETE de Capivari, da Sanasa, em Campinas (SP), que deverá estar pronta até o fim de 2017 – com essa estação, a cidade deve atingir a marca de 100% de efluentes tratados. Na parte de água, a Enfil está construindo a Estação de Tratamento de Água de Pelotas, projeto que envolve as etapas de captação, condução, a própria estação e distribuição até um reservatório localizado em frente à Santa Casa de Pelotas. Um pouco atrasada, a obra deverá estar concluída até o fim de 2017 e um dos problemas que acabou influenciando no prazo de execução do projeto foram os diversos sítios arqueológicos encontrados da região. Para a Companhia de Saneamento do Distrito Federal a Enfil está fazendo a parte de condução da água potável para reservação e, em breve, deverá assinar o contrato para executar o tratamento de água da ETA Paranoá, com capacidade para 2,1 m³/s. “Com isso temos conseguido garantir nossa presença e competitividade no mercado”, salienta Tarabini, destacando ainda as parcerias firmadas com empresas como Augusto Veloso e Ônix, ambas com grande experiência no setor, como forma de reduzir riscos e levar para o segmento público a forte capacidade de gerenciamento conquistada pela Enfil na esfera industrial. No momento, a Enfil não pensa em atuar no setor através de PPP (Parceria Público-Privada) – “estamos descapitalizados”, explica o empresário, ressaltando a possibilidade de atuarem como “epecistas”, numa parcela minoritária para poder operar a planta. A modalidade BOT também não está no horizonte da empresa, “a não ser associado com um grupo que queira uma empresa de tecnologia como de fato somos e com capacidade de fazer crescer”, sinaliza o sócio-diretor da empresa. Mas como para toda regra há uma exceção, a Enfil considera participar de PPPs de projetos específicos, “que apresentem tecnologia diferenciada”, como a geração de energia a partir do lodo – “estamos considerando essa proposta, mas ainda falta fechar a equação”, diz Tarabini, ressaltando que existem muitas empresas interessadas nessa concorrência da Sabesp, mas que poucas dominam de fato a tecnologia. No início deste ano a Enfil implementou em sua estrutura um Conselho Administrativo com o objetivo de trazer uma nova visão sobre a gestão de empreendimentos. Além de excluir as obras civis de montagem que não são ambientais, a empresa optou por atuar mais fortemente em saneamento e na gestão de resíduos. O próximo passo será a operação e manutenção de Estações de Tratamento de Água e Efluentes, o que não significa entrar no Capex. Tarabini reforça que muitas prefeituras pequenas (até 50 mil habitantes) não conseguem o máximo rendimento de suas instalações por falta de conhecimento técnico. “Estamos nos estruturando para atuar nessa área, diretamente ou através de parceiros”, já considerando o pacote de medidas que o Governo Federal está estudando para a manutenção e operação “terceirizada” dessas estações. “Um levantamento feito em todas as plantas mostra o gasto de cada estação. É uma otimização que pode ser feita inclusive na área industrial. Muitas ETAs e ETEs são operadas sem qualquer critério. Quando se conhece a tecnologia e tem-se expertise no processo de tratamento, é possível tirar leite de pedra”, esclarece o executivo, informando ainda que para melhor aproveitar essas oportunidades, a Enfil está firmando um consórcio com uma empresa que, até o fim do ano, já deverá estar atendendo três municípios. Mercado industrial Desde a sua fundação, em 1994, a Enfil atua na área da indústria de base – com foco especialmente nos setores de mineração, metalurgia, siderurgia, papel e celulose, óleo e gás e energia, segmentos cuja demanda está concentrada nas áreas de tratamento de ar, água e resíduos. Embora o setor siderúrgico esteja atualmente numa situação deficitária, Tarabini relata que a Enfil tem atuado em alguns projetos, com volumes que variam entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, e que continua apostando nesse mercado. Em energia, há uma termoelétrica no Sergipe que necessita de tratamento de água e outra em Pernambuco, que também necessita de um sistema de despoeiramento. Em papel e celulose, existem dois projetos no mercado, prestes a serem aprovados. “São áreas onde temos condição de fazer negócios”, sinaliza Tarabini. Quanto à gestão de resíduos, Tarabini lembra que há quatro anos, quando a Enfil começou a atual na área, o foco da empresa era o mercado imobiliário – “toda vez que se vende um terreno industrial, na transferência o vendedor ou o comprador tem que fazer a remediação da área. Isso nos trouxe um volume de negócios bem interessante”. Na sequência, outros segmentos viraram clientes desse setor: o siderúrgico, óleo e gás e refinarias. Atualmente, depois do acidente da Samarco, o setor de mineração é outro cliente potencial. Já a parte de waste-to-energy está difícil de emplacar, pois faltam garantias por parte do poder público. De acordo com Tarabini, o BNDES sinalizou com a criação de uma linha especifica, mas o problema não está somente no financiamento. Alguns fatores que tem impedido esse avanço é o baixo custo dos aterros no Brasil quando comparados à média mundial. E uma planta de waste-to-energy só se torna viável economicamente em cidades acima de 500 mil habitantes. É uma tecnologia cara que só é adotada quando não há outra escolha de disposição final. Mas, sem dúvida, é uma importante alternativa dentro de um leque de soluções conjuntas para tratar de forma ambientalmente os resíduos urbanos.

10 de fevereiro, 2017
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TRATAMENTO E REUSO DA ÁGUA
Um investimento recompensador

Por Renato Rossato* Desde o começo da crise hídrica a sociedade vem cobrando respostas para a escassez de água. Dentre os principais questionamentos, a água de reuso é um dos temas recorrentes quando se fala em soluções. Esse recurso tem sido de grande importância para os negócios nos períodos de estiagem e vem ganhando ainda mais força com o atual cenário. Se considerarmos que, segundo a Uniagua, o setor industrial e a agricultura são os principais consumidores de água potável e que seria possível reutilizar, pelo menos, 60% desse consumo com sistemas de reuso. Temos como exemplo nacional o projeto Aquapolo, uma parceria da Sabesp com a iniciativa privada, que distribui água de reuso para 10 fábricas da região do ABC. A economia de água potável equivale ao consumo diário de uma cidade com 500 mil habitantes. A economia é de 2,58 bilhões de litros de água potável por mês. Mas também é possível planejar e instalar estações de tratamento mesmo em locais pequenos, de acordo com o perfil do negócio. Com a reciclagem da água empresas economizam no gasto da água potável, pagando o custo de implantação do sistema para tratamento e reuso da água ao longo do tempo, e com ganhos ainda maiores em um longo prazo. Vamos fazer um cálculo hipotético considerando um negócio médio, que tem um gasto mensal entre água e esgoto de R$ 1.300,00. É possível instalar uma estação de tratamento para reuso em um “cômodo” ou menos e os custos de implantação seriam de aproximadamente R$35.000,00. Se considerarmos um número modesto de economia de água, com o tratamento de 100% da água, a economia chegaria em aproximadamente R$ 972,00 por mês. Assim, em 36 meses é possível recuperar o investimento feito e, daí em diante, essa economia passa a fazer parte dos rendimentos da empresa. Em alguns projetos é possível tratar volumes maiores da água utilizada, para retornos de volumes ainda mais expressivos, como é o caso da Estação de Reabastecimento de Àguas Subterraneas - GWRS na Califórnia, que produz diariamente cerca de 265 mil m³ de água de alta qualidade, conseguindo abastecer cerca de 600 mil residentes do condado de Orange. O importante ao considerar estas soluções é operar com sistemas eficientes de tratamento, além de uma atenção maior às legislações vigentes para o tratamento do esgoto e aquelas que deverão surgir voltadas a potabilidade das águas de reuso, algo que ainda não existe no Brasil. Como em qualquer investimento também é importante considerar as soluções que serão compradas, considerando custos de manutenção, durabilidade, adequação do projeto ao negócio, vida útil dos sistemas, eficiência energética dos equipamentos, entre outros. E ter em mente que qualquer investimento naquilo que diz respeito ao reuso, deve visar, sempre, ganhos futuros, sejam eles econômicos ou ambientais. *Renato Rossato é Engenheiro de Desenvolvimento da REHAU

2 de julho, 2015
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REUSO
Sabesp quer produzir água potável com água de reuso

A Sabesp informa que irá utilizar água de reúso para produzir água potável, tecnologia já utilizada em alguns países da Europa, nos Estados Unidos, Israel e Cingapura. Duas estações de produção de água de reúso vão produzir 3.000 litros por segundo, que serão lançados nas represas Guarapiranga e Isolina – esta do Sistema Baixo Cotia - aumentando o volume de água armazenada dos reservatórios. No primeiro caso, será implantada uma estação de produção de água de reúso próxima à estação de trem Jurubatuba, na zona sul de São Paulo. O esgoto coletado da região de Interlagos, que passa por uma tubulação às margens do rio Pinheiros, será captado e tratado na nova estação. Após o tratamento diferenciado, a água de reúso será lançada no córrego Julião, que já foi despoluído pelo Programa Córrego Limpo, da Sabesp, e então despejada na Represa Guarapiranga. A partir da represa, a água de reúso, misturada à água acumulada pelas chuvas, será coletada e tratada, passando pelo processo já usado no tratamento tradicional, e distribuída à população. No caso da água de reúso que será aproveitada pelo Sistema Baixo Cotia, todo o esgoto habitualmente despoluído na estação de tratamento Barueri passará pelo mesmo tratamento refinado, com membranas e osmose. Em seguida, a água de reúso será levada para a repre¬sa Isolina, que integra o sistema. Antes, o esgoto tratado pela ETE Barueri era despejado no rio Tietê. Paulo Nobre, superintendente de Tratamento de Esgotos da Região Metropolitana, explica que para chegar a esse resultado duas estações de produção de água de reúso serão equipadas com reatores biológicos de membranas, que fazem uma ultrafiltração e têm ca¬pacidade para remover partículas sólidas com tamanho correspondente a um diâmetro mil vezes menor que um fio de cabelo. Depois das membranas, será empregado o processo de osmose por foto-oxidação, que vai eliminar peque¬nas partículas, como bactérias e vírus. Como última etapa, a água é submetida a um processo de desinfecção final, com emprego de radiação ultravioleta associada ao peróxido de hidrogênio. A qualidade da água de reúso será moni¬torada continuamente pela Sabesp, por analisadores online e análises laboratoriais.

22 de abril, 2015