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Engenharia ambiental também é gestão de riscos: os desafios por trás da destinação de resíduos

Engenharia ambiental também é gestão de riscos: os desafios por trás da destinação de resíduos

A engenharia ambiental é crucial na gestão de riscos associados à destinação de resíduos, garantindo a proteção ambiental e promovendo a economia circular.

Um produto não deixa de apresentar riscos por ter chegado ao final de sua vida útil. Pelo contrário, o fim desse ciclo marca o início do processo de destinação ambientalmente adequada desse produto, que passa a ser denominado como “resíduo”. Esta etapa exige conhecimento técnico, planejamento e procedimentos específicos para evitar impactos negativos ao meio ambiente e à sociedade, como a contaminação do solo e da água, e favorecer a economia circular, reduzindo por exemplo a extração de recursos naturais para novos processos de fabricação.

É nesse contexto que a engenharia ambiental se relaciona diretamente à gestão de riscos, uma vez que a área atua na identificação de situações que podem gerar impactos, na avaliação de suas consequências e na definição de medidas capazes de preveni-las ou controlá-las. Essa abordagem é importante porque permite antecipar problemas, em vez de atuar apenas quando um acidente ou dano ambiental já aconteceu. Na prática, isso significa olhar para um produto para além de sua função original, considerando sua composição, suas características e os riscos associados ao seu armazenamento, transporte, tratamento e destinação. Um material que parece comum no cotidiano pode exigir cuidados específicos justamente por apresentar propriedades que não são perceptíveis à primeira vista, tornando o conhecimento técnico fundamental para definir a forma mais segura de conduzir cada etapa.

A importância de uma gestão de resíduos estruturada também pode ser observada pelos impactos ambientais associados à forma como os resíduos são tratados. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), divulgado pela Agência Brasil em janeiro de 2026, mostra que, municípios com cerca de 100 mil habitantes poderiam reduzir em 33,5% suas emissões de gases de efeito estufa com um modelo intermediário de gestão de resíduos sólidos, enquanto sistemas avançados poderiam alcançar uma redução de 61,7%. Os números mostram que as decisões relacionadas aos resíduos vão além da destinação e podem contribuir diretamente para a redução de impactos ambientais.

Nesse sentido, a logística reversa permite organizar esse caminho ao estabelecer fluxos para coleta, transporte, tratamento e destinação adequada, criando condições para que cada etapa seja realizada de acordo com as características do resíduo, evitando a contaminação do meio ambiente e possíveis questões de saúde pública.

As lâmpadas fluorescentes são um exemplo. Por conterem pequenas quantidades de mercúrio em sua composição, uma substância de elevada toxicidade, ao final de sua vida útil, demandam procedimentos ambientalmente adequados de coleta, transporte e destinação. A Reciclus, desde 2017, atua na gestão da logística reversa desse resíduo no Brasil e, por meio de uma operação que envolve planejamento e integração entre diferentes atores para que as lâmpadas fluorescentes possam receber o tratamento adequado, já possibilitou a destinação correta de mais de 57 milhões de unidades.

Assim, o papel da engenharia ambiental não se limita à definição de procedimentos, mas engloba a análise de diferentes possibilidades e a busca por soluções que conciliam proteção ambiental, segurança e eficiência. A atuação técnica permite antecipar problemas, avaliar os efeitos de cada escolha e buscar soluções compatíveis com os desafios de cada resíduo, de modo a contribuir para que os processos sejam desenvolvidos de maneira compatível com as suas características. (Por João Pedro Gomes dos Santos, Engenheiro Ambiental da Reciclus).

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