Ibiúna lidera pacote da Sabesp no Médio Tietê com R$ 852 milhões até 2029

Ibiúna receberá R$ 852 milhões em investimentos da Sabesp até 2029, liderando o pacote da região do Médio Tietê. O aporte, somado aos recursos já em execução, totaliza aproximadamente R$ 880 milhões, o maior investimento em saneamento básico do município.
Ibiúna (SP) foi confirmada como o município mais beneficiado pelo novo pacote de investimentos em saneamento básico anunciado pela Sabesp para a região do Médio Tietê. Dos R$ 4,29 bilhões previstos para os 31 municípios atendidos pela área de prestação regionalizada entre 2026 e 2029, R$ 852 milhões serão direcionados à cidade, concentrando 20,51% do total. Somados aos cerca de R$ 28 milhões já em execução desde o segundo semestre de 2024, o aporte chega a aproximadamente R$ 880 milhões, configurando o maior investimento em saneamento básico já registrado no município.
Na comparação regional, Ibiúna fica à frente de São Roque, segunda colocada com R$ 646,4 milhões, e de Botucatu, com R$ 443 milhões — uma diferença de R$ 234 milhões para o segundo município e quase o dobro do valor previsto para a terceira posição. A destinação dos recursos leva em conta a posição estratégica do município para a segurança hídrica e alimentar do estado de São Paulo, dada a presença de mananciais relevantes e a vocação agrícola da região, considerada um dos principais polos hortifrutigranjeiros do entorno da capital paulista.
Estrutura do pacote regional
O plano da Sabesp para o Médio Tietê — que reúne Botucatu, São Roque, Tatuí, Ibiúna e outros 27 municípios sob gestão da Unidade Regional de Águas e Esgoto 1 (Urae 1) — prevê a construção de 1.119 quilômetros de redes de água, 1.568 quilômetros de redes de esgoto, 476 estações elevatórias de esgoto e 33 novas estações de tratamento de esgoto (ETEs), além de 13 estações de tratamento de água. O pacote é resultado direto da desestatização da companhia, concluída pelo Governo do Estado em 2024, que estabeleceu metas contratuais para universalizar o atendimento de água, coleta e tratamento de esgoto até 2029.
Considerando o conjunto ampliado do Baixo e Médio Tietê — 113 cidades —, a Sabesp já aplicou mais de R$ 357 milhões desde julho de 2024 e prevê R$ 4,8 bilhões adicionais até o fim da década. Especificamente na região de Botucatu, o investimento médio por habitante saltou de R$ 128 antes do novo contrato para R$ 613 sob o regime atual, indicador que sintetiza a inflexão do nível de aporte da concessionária no interior paulista.
“Estamos vivendo um momento importante de planejamento e diálogo com os municípios. A Sabesp está totalmente estruturada para cumprir a meta de universalizar o saneamento até 2029, levando água, coleta e tratamento de esgoto a toda a população atendida”, afirmou Roberval Tavares, diretor de Engenharia da companhia. Já João Paulo Tavares Papa, head de Relações Governamentais da Sabesp, classificou o anúncio como “um marco relevante para o interior de São Paulo” e reforço do “compromisso da Sabesp com a ampliação do acesso ao saneamento básico”.
Indicadores operacionais e tarifa social
Os números operacionais acumulados desde a desestatização indicam o ritmo da expansão na região. Entre julho de 2024 e o início de 2026, foram incorporadas mais de 13,2 mil novas economias urbanas e 4,2 mil em áreas informais e rurais à rede de água; mais de 12 mil novas economias urbanas e 3,1 mil em áreas informais e rurais passaram a contar com coleta de esgoto; e outras 13,3 mil economias receberam tratamento de efluentes. Em paralelo, o número de famílias beneficiadas pela tarifa social no Médio Tietê saltou de 5.710, em junho de 2024, para 33.370 em fevereiro de 2026 — alta de quase seis vezes em pouco mais de um ano e meio.
O que está previsto em Ibiúna
O cronograma específico para o município contempla a ampliação das redes de distribuição de água e de coleta de esgoto, a construção de novas estações de tratamento e melhorias estruturais no sistema de abastecimento. As intervenções têm como pano de fundo a preservação de rios e mananciais e o suporte à produção agrícola local, com reflexos diretos sobre saúde pública e qualidade ambiental. Em períodos de estiagem, o reforço nas etapas de captação, tratamento e distribuição tende a ampliar a segurança hídrica de uma região historicamente pressionada pela variabilidade pluviométrica e pelo crescimento da demanda urbana e rural.
Fundo Municipal de Saneamento Básico
Em paralelo às obras da concessionária, a Prefeitura de Ibiúna prepara um Projeto de Lei para criar o Fundo Municipal de Saneamento Básico, a ser apreciado pela Câmara Municipal. A proposta visa garantir autonomia para a gestão de recursos em frentes complementares às do contrato da Sabesp, com aplicação direta em obras de drenagem urbana e combate a enchentes, desassoreamento de córregos, regularização fundiária de núcleos urbanos consolidados e recuperação de áreas de risco.
Pelo desenho preliminar, o Fundo será alimentado por repasses trimestrais, permitindo que a administração municipal direcione as melhorias para áreas de maior necessidade segundo critérios técnicos. A leitura da prefeitura é que a combinação entre o pacote contratual da Sabesp e um fundo municipal próprio é a única arquitetura capaz de endereçar simultaneamente os dois gargalos históricos do município: a expansão das redes de água e esgoto e os passivos urbanos relacionados a drenagem, ocupação irregular e degradação de cursos d'água.












