ARTIGO

Investimento em aterros sanitários é solução viável para o fim dos lixões

Por Francisco Oliveira *

Com o aumento do descarte de lixo, que nos últimos anos cresceu três vezes mais rápido que o número de habitantes, soa como retórica a importância e necessidade da implantação de aterros sanitários no Brasil. Garanto que esta é a solução mais viável e acessível para amenizar os males dos lixões a céu aberto e descartar, de forma ambientalmente correta, os resíduos. 

Claro que quando falamos de tratamento de lixo, a instalação de usinas de compostagem é o plano ideal para reduzir os danos ambientais inimagináveis causados pelo descarte incorreto em lixões. Mas, sabemos também que esta é uma solução que está longe da realidade financeira de muitas prefeituras. Para se ter uma ideia do atraso quanto à atenção ao caso, desde 2014 lixões a céu aberto deveriam ter sido erradicados nos municípios de todo o país, de acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída pelo governo federal em 2010. Porém, o prazo não foi cumprido, tendo o governo prorrogado o período limite para este ano, 2021, e cidades com mais de 100 mil habitantes têm até agosto de 2022 como prazo final. 

Estre grande desafio assumido pelos novos prefeitos eleitos pode ter uma solução economicamente acessível com a implantação de aterros sanitários. De acordo com um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos e Efluentes (Abetre), o Brasil necessita de aproximadamente 500 aterros sanitários para erradicar os lixões, podendo ser todos construídos com um investimento de R$ 2,6 bilhões (cerca de R$ 63,40 per capita). Ainda segundo relatório da Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA), os investimentos necessários para dar destinação adequada aos resíduos, em atendimento à Política Nacional de Resíduos Sólidos, demandam cerca de um terço do prejuízo anual causado pelo descarte incorreto. 

Para que um local seja considerado um aterro, são necessárias diversas características, tais como: possibilidade de alojamento em células especiais para vários tipos de resíduos; células para rejeitos oriundos do lixo domiciliar e hospitalar; isolamento inferior não permitindo que o chorume atinja os lençóis freáticos; isolamento superior evitando contaminação do ar e atração de animais que se alimentam dos resíduos; sistema de drenagem pluvial para evitar que a água da chuva penetre no aterro e dessa forma gere ainda mais chorume; entre outras. Ou seja, aterro sanitário é uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos que possui regras e benefícios para não causar danos à saúde pública e ao meio ambiente, minimizando inúmeros impactos ambientais. 

Se não há capacidade para investimentos, seja com recursos públicos ou privados, a sociedade merece uma solução que seja, a curto prazo, funcional e benéfica. 


* Francisco Oliveira é Engenheiro civil e mestre em Mecânica dos Solos, Fundações, Geotecnia e fundador da FRAL Consultoria.

Artigos Relacionados

São Paulo abre consulta pública para regulamentar logística reversa
RESÍDUOS
São Paulo abre consulta pública para regulamentar logística reversa

Proposta busca fortalecer a logística reversa com participação da sociedade e maior clareza nas atribuições de fabricantes, comerciantes e poder público.

26 de fevereiro, 2026
Projeto de aterro na Grande Belém acende alerta sobre contaminação de rios
RESÍDUOS URBANOS
Projeto de aterro na Grande Belém acende alerta sobre contaminação de rios

Instalação prevista na região metropolitana levanta preocupações quanto ao risco de poluição hídrica e impactos sobre comunidades ribeirinhas.

18 de fevereiro, 2026
Carnaval 2025 gera 3,5 mil toneladas em cinco capitais
RESÍDUOS
Carnaval 2025 gera 3,5 mil toneladas em cinco capitais

Além do impacto visual e urbano imediato, o descarte inadequado de microplásticos (como glitter), copos e garrafas plásticas, latas de alumínio, confetes e serpentinas provoca consequências diretas, como o entupimento de bueiro.

12 de fevereiro, 2026
São Paulo prorroga prazo para receber propostas de consulta pública
LOGÍSTICA REVERSA
São Paulo prorroga prazo para receber propostas de consulta pública

A iniciativa quer ampliar o diálogo com a sociedade e aperfeiçoar as regras que orientam a responsabilidade pelo retorno e a destinação correta de produtos e resíduos no Estado.

2 de fevereiro, 2026
Brasil reaproveita 12% dos resíduos sólidos para gerar energia limpa
RESÍDUOS
Brasil reaproveita 12% dos resíduos sólidos para gerar energia limpa

Em 2024, do total de resíduos gerados no Brasil, 11,7% foram reaproveitados para geração de insumos energéticos, o que mostra que o Brasil tem potencial para expandir exponencialmente a geração de energia limpa e renovável.

10 de dezembro, 2025
ABREMA participa de painéis para debater resíduos sólidos
COP 30
ABREMA participa de painéis para debater resíduos sólidos

Na primeira semana da COP, a associação participa de uma série de eventos e painéis organizados por ministérios, governos locais e conselhos profissionais para promover a gestão adequada de resíduos.

14 de novembro, 2025
Resíduo e lixo: Entenda a diferença e como realizar o descarte correto
ARTIGO
Resíduo e lixo: Entenda a diferença e como realizar o descarte correto

Popularmente, os termos “lixo” e “resíduo” costumam ser utilizados como sinônimos, no entanto, gera-se um erro de entendimento no dia a dia, pois essas expressões possuem definições distintas.

1 de outubro, 2025
Qualidade de geossintéticos aplicados em aterros é tema de workshop
EVENTOS
Qualidade de geossintéticos aplicados em aterros é tema de workshop

O workshop será voltado para engenheiros, compradores, projetistas e licenciadores.

4 de setembro, 2025