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Mudança climática aumenta riscos de novas pandemias

Mudança climática aumenta riscos de novas pandemias

Artifo por Rogério Catharino Fernandez Por Rogério Catharino Fernandez * Segundo a Organização Mundial da Saúde ( OMS ) o surgimento de doenças provocadas por fatores ambientais podem estar associadas com a invasão humana em áreas selvagens, gerando o aumento de contato entre as espécies de animais silvestres e o consequente transbordamento de patógenos : vírus, bactérias, protozoários, fungos e rickettsias que , antes habitavam exclusivamente na vida selvagem, para animais domésticos e seres humanos. Estudo sinaliza que a possível origem do vírus SARS-CoV-2 seja proveniente dos impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas. Além do surgimento de outras pandemias que podem vir com o agravamento da crise climática. Para a OMS essas mudanças têm o potencial de não somente afetar atividades econômicas, infraestrutura e ecossistemas, como também de causar riscos à saúde da população humana. Cientistas apontam através do estudo a relação da degradação ambiental com problemas de saúde. As fortes variações do clima implicam diretamente com o comportamento de morcegos que são um dos principais vetores de doenças infecciosas, inclusive são apontados como sendo a provável origem do novo coronavírus. Alterações nas chuvas e na temperatura podem afetar a disponibilidade de alimentos consumidos por animais como morcegos (hospedeiros do coronavírus), chimpanzés, pangolins e veados. Por conta das restrições alimentares, os animais silvestres passam a buscar alimentos na mesma fonte alimentar. Isso quer dizer que o morcego pode vir a se alimentar e contaminar a mesma fruta na árvore que, também é fonte de alimentação entre os chimpanzés, micos, aves, incluindo papagaios e araras, entre outros. Por isso, um dos debates durante a Conferência do Clima da ONU (COP26) foi sobre um sistema global de saúde para enfrentar o problema. Um estudo publicado em maio de 2021, na revista "Science of The Total Environment", traçou um paralelo entre o comportamento de morcegos e as mudanças climáticas . A descoberta é que a crise climática tem provocado a extinção e a mudança de hábitos de algumas espécies para que consigam sobreviver. Os morcegos estão no topo da lista dos animais afetados pelo clima sempre em mudança. São seres que costumam viajar para lugares quentes quando as temperaturas começam a cair. Os impactos da mudança climática nos portos Segundo especialistas, os efeitos das mudanças do clima já são visíveis nas operações portuárias brasileiras. As perspectivas são que as ameaças se agravem nos próximos anos, com impactos que podem gerar riscos para a operação e para a economia do país. Para a Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq), se as condições climáticas atuais forem mantidas, há uma tendência de piorar o cenário. A ocorrência de vendavais, tempestades, ressacas são alguns dos sintomas das mudanças climáticas que podem paralisar as atividades portuárias com riscos de inundação nas instalações e em áreas de entorno do porto. A conclusão é do estudo " Impactos e Riscos da Mudança do Clima nos Portos Públicos Costeiros Brasileiros" desenvolvido pela Antaq em parceria com a GIZ da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. Entre os impactos ambientais gerados pelas mudanças climáticas em grandes proporções são as altas temperaturas. A falta de chuvas também intensifica o calor, com os termômetros registrando índices cada vez mais altos e com calor cada vez mais persistente. A escassez de chuva gerando queimadas em áreas de preservação ambientais e secas em área agrícola prejudicando diretamente a cadeia produtiva de alimentos. Já as fortes chuvas com tempestades, além de vendavais e ressacas podem provocar o aumento do nível do mar levando a mais inundações nos portos e outras infraestruturas costeiras críticas. Outros sintomas da crise climática aparecem nas chuvas de granizo; estiagens e baixa umidade, ondas de frio e ciclones e tornados. Outro fator preocupante é que há uma íntima relação entre os impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas e o aumento populacional de pragas e vetores em ambiente urbano no entorno das instalações portuárias. Roedores, pombos, entre outros animais, principalmente lacraias, baratas, mosquitos, escorpiões, em condições de elevadas temperatura e umidade se proliferam em menor período de reprodução, antecipando a produção de novas gerações. Quando isso acontece no ambiente portuário, onde naturalmente há maior oferta de alimentos durante a movimentação de granéis sólidos (açúcar, soja, milho, trigo, cevada e farelos), o ambiente é perfeito para aumentar o risco de agravo a saúde das pessoas que circulam ou trabalham nos ambientes contaminados. As doenças de origem zoonótica como a dengue, leptospirose e a Covid-19 , responsável pela pandemia mais recente, tem como origem o desequilíbrio ecológico causado pela degradação ambiental provocada pelo desmatamento de florestas, queimadas, mudanças climáticas , crescimento urbano desordenado com invasão em áreas de preservação ambiental habitados por animais silvestres. Além do comércio ilegal de animais silvestres que resulta na maior convivência e interação muito próxima dos seres humanos e animais domésticos com esses animais. Para minimizar os riscos de proliferação da fauna sinantrópica ( pragas ), os portos devem manter um eficiente Programa de Controle da Proliferação de Vetores. Além de intensificar as boas práticas com higienização e sanitização de suas instalações para contribuição de um ambiente saudável com a redução do aumento populacional de vetores e pragas urbanas, transmissores de graves doenças. A revisão do IDA — Índice de Desempenho Ambiental da Antaq, que promete dar mais destaque aos indicadores focados à saúde — vai ajudar a melhorar as instalações portuárias quanto ao Monitoramento de Fauna e Flora e do Controle da Fauna Sinantrópica (roedores, morcegos, pombos , entre outros ) que, além de representar um grande transtorno ambiental, é de grande risco à saúde pública. Embora os casos e mortes por Covid-19 tenham caído em grande parte do mundo, a preocupação e cuidados devem ser mantidos. Não podemos ignorar o risco de novos surtos de Covid, até porque novas variantes continuam surgindo. A vigilância em animais precisa ser regular e coordenada, principalmente em espécies estratégicas , como morcegos , animais silvestres de grupo vulneráveis. Caso contrário, criaremos um reservatório do vírus. * Rogério Catharino Fernandez é engenheiro agrônomo com mestrado em Engenharia Ambiental e diretor técnico da Astral Saúde Ambiental.

Por Rogério Catharino Fernandez *

Segundo a Organização Mundial da Saúde ( OMS ) o surgimento de doenças provocadas por fatores ambientais podem estar associadas com a invasão humana em áreas selvagens, gerando o aumento de contato entre as espécies de animais silvestres e o consequente transbordamento de patógenos : vírus, bactérias, protozoários, fungos e rickettsias que , antes habitavam exclusivamente na vida selvagem, para animais domésticos e seres humanos.

Estudo sinaliza que a possível origem do vírus SARS-CoV-2 seja proveniente dos impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas. Além do surgimento de outras pandemias que podem vir com o agravamento da crise climática. Para a OMS essas mudanças têm o potencial de não somente afetar atividades econômicas, infraestrutura e ecossistemas, como também de causar riscos à saúde da população humana.

Cientistas apontam através do estudo a relação da degradação ambiental com problemas de saúde. As fortes variações do clima implicam diretamente com o comportamento de morcegos que são um dos principais vetores de doenças infecciosas, inclusive são apontados como sendo a provável origem do novo coronavírus. Alterações nas chuvas e na temperatura podem afetar a disponibilidade de alimentos consumidos por animais como morcegos (hospedeiros do coronavírus), chimpanzés, pangolins e veados. Por conta das restrições alimentares, os animais silvestres passam a buscar alimentos na mesma fonte alimentar. Isso quer dizer que o morcego pode vir a se alimentar e contaminar a mesma fruta na árvore que, também é fonte de alimentação entre os chimpanzés, micos, aves, incluindo papagaios e araras, entre outros.

Por isso, um dos debates durante a Conferência do Clima da ONU (COP26) foi sobre um sistema global de saúde para enfrentar o problema. Um estudo publicado em maio de 2021, na revista "Science of The Total Environment", traçou um paralelo entre o comportamento de morcegos e as mudanças climáticas . A descoberta é que a crise climática tem provocado a extinção e a mudança de hábitos de algumas espécies para que consigam sobreviver. Os morcegos estão no topo da lista dos animais afetados pelo clima sempre em mudança. São seres que costumam viajar para lugares quentes quando as temperaturas começam a cair.

Os impactos da mudança climática nos portos

Segundo especialistas, os efeitos das mudanças do clima já são visíveis nas operações portuárias brasileiras. As perspectivas são que as ameaças se agravem nos próximos anos, com impactos que podem gerar riscos para a operação e para a economia do país. Para a Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq), se as condições climáticas atuais forem mantidas, há uma tendência de piorar o cenário.

A ocorrência de vendavais, tempestades, ressacas são alguns dos sintomas das mudanças climáticas que podem paralisar as atividades portuárias com riscos de inundação nas instalações e em áreas de entorno do porto. A conclusão é do estudo " Impactos e Riscos da Mudança do Clima nos Portos Públicos Costeiros Brasileiros" desenvolvido pela Antaq em parceria com a GIZ da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.

Entre os impactos ambientais gerados pelas mudanças climáticas em grandes proporções são as altas temperaturas. A falta de chuvas também intensifica o calor, com os termômetros registrando índices cada vez mais altos e com calor cada vez mais persistente. A escassez de chuva gerando queimadas em áreas de preservação ambientais e secas em área agrícola prejudicando diretamente a cadeia produtiva de alimentos. Já as fortes chuvas com tempestades, além de vendavais e ressacas podem provocar o aumento do nível do mar levando a mais inundações nos portos e outras infraestruturas costeiras críticas. Outros sintomas da crise climática aparecem nas chuvas de granizo; estiagens e baixa umidade, ondas de frio e ciclones e tornados.

Outro fator preocupante é que há uma íntima relação entre os impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas e o aumento populacional de pragas e vetores em ambiente urbano no entorno das instalações portuárias. Roedores, pombos, entre outros animais, principalmente lacraias, baratas, mosquitos, escorpiões, em condições de elevadas temperatura e umidade se proliferam em menor período de reprodução, antecipando a produção de novas gerações. Quando isso acontece no ambiente portuário, onde naturalmente há maior oferta de alimentos durante a movimentação de granéis sólidos (açúcar, soja, milho, trigo, cevada e farelos), o ambiente é perfeito para aumentar o risco de agravo a saúde das pessoas que circulam ou trabalham nos ambientes contaminados.

As doenças de origem zoonótica como a dengue, leptospirose e a Covid-19 , responsável pela pandemia mais recente, tem como origem o desequilíbrio ecológico causado pela degradação ambiental provocada pelo desmatamento de florestas, queimadas, mudanças climáticas , crescimento urbano desordenado com invasão em áreas de preservação ambiental habitados por animais silvestres. Além do comércio ilegal de animais silvestres que resulta na maior convivência e interação muito próxima dos seres humanos e animais domésticos com esses animais.

Para minimizar os riscos de proliferação da fauna sinantrópica ( pragas ), os portos devem manter um eficiente Programa de Controle da Proliferação de Vetores. Além de intensificar as boas práticas com higienização e sanitização de suas instalações para contribuição de um ambiente saudável com a redução do aumento populacional de vetores e pragas urbanas, transmissores de graves doenças. A revisão do IDA — Índice de Desempenho Ambiental da Antaq, que promete dar mais destaque aos indicadores focados à saúde — vai ajudar a melhorar as instalações portuárias quanto ao Monitoramento de Fauna e Flora e do Controle da Fauna Sinantrópica (roedores, morcegos, pombos , entre outros ) que, além de representar um grande transtorno ambiental, é de grande risco à saúde pública.

Embora os casos e mortes por Covid-19 tenham caído em grande parte do mundo, a preocupação e cuidados devem ser mantidos. Não podemos ignorar o risco de novos surtos de Covid, até porque novas variantes continuam surgindo. A vigilância em animais precisa ser regular e coordenada, principalmente em espécies estratégicas , como morcegos , animais silvestres de grupo vulneráveis. Caso contrário, criaremos um reservatório do vírus.


* Rogério Catharino Fernandez é engenheiro agrônomo com mestrado em Engenharia Ambiental e diretor técnico da Astral Saúde Ambiental.

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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Quais as consequências para o Brasil?

Mara Fornari Segundo o sexto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) recentemente divulgado, é inegável a influência da ação humana para o aumento do aquecimento global e os impactos das variações de temperatura nos próximos anos em diversas áreas do planeta, com sérias consequências para segmentos fundamentais da economia mundial. Buscando trazer essa discussão para o âmbito nacional, a Academia Brasileira de Ciências promoveu o evento “O Brasil e as Mudanças Climáticas – o novo Relatório do IPCC”, coordenado pelo físico e membro titular do órgão, Luiz Davidovich. Abrindo as discussões, Paulo Artaxo, Professor de Física da USP e membro do IPCC, salientou que o novo relatório AR6 WG1 traz linguagem mais incisiva em relação aos anteriores, onde as mudanças recentes no clima são generalizadas, rápidas e intensificadas e sem precedentes em pelo menos 6.500 anos na história do planeta e que as mensagens científicas são diretas, como a que diz que “a menos que haja reduções imediatas, rápidas e em grande escala nas emissões de gases de efeito estufa, limitar o aquecimento a 1,5ºC pode ser impossível”. Sem dúvida, as atividades humanas estão tornando os eventos climáticos mais extremos, incluindo ondas de calor, chuvas fortes e secas, cada vez mais frequentes e severas. Ou seja, se não reduzirmos as emissões, os impactos se tornarão cumulativos e cada vez maiores. O relatório também fala de maneira explícita que algumas mudanças climáticas são irreversíveis – “no entanto, algumas podem ser retardadas e outras interrompidas se as emissões forem limitadas. Recado claro da ciência para que os governos efetivamente tomem medidas concretas para reduzir as emissões”, ressalta Artaxo. Para limitar o aquecimento global são necessárias reduções fortes, rápidas e sustentadas de CO2 , metano e outros gases de efeito estufa. Isso não apenas reduziria as consequências das mudanças climáticas, mas melhoraria a poluição do ar nas cidades. Leia a matéria completa na edição 199 de Saneamento Ambiental

23 de setembro, 2021
Amazônia pode virar uma floresta seca
ARTIGO
Amazônia pode virar uma floresta seca

Artigo por Priscila Caneparo Por Priscila Caneparo * É inegável que as mudanças climáticas vêm sendo aprofundadas pela ação antrópica desmedida: a ação humana, nos últimos 2 mil anos, nunca se fez tão presente no cenário das alterações climáticas. Enchentes na Europa e na Ásia, recordes de temperaturas na América do Norte, estiagem na América do Sul, todos estes eventos devem ser colocados na conta das mudanças climáticas – haja vista que esta não se atrela apenas ao aumento das temperaturas, mas congrega todas as adversidades climáticas que, cada vez mais, a humanidade vem passando. É incontestável, em termos nacionais, que as mudanças climáticas acabam por nos afetar cada dia mais – e se não tomarmos uma atitude concreta colocaremos em risco até mesmo a nossa sobrevivência. Ondas de frio extremas e estiagem na região Sul, chuvas intensas no Sudeste, falta de clima adequado e propício ao desenvolvimento da agricultura, comprometendo a oferta e o preço dos alimentos, no Centro-Oeste, são alguns dos cenários que tendem a se tornar constantes se não tomarmos uma atitude, individual, coletiva e governamental frente às ações que geram as mudanças climáticas. Comprovações O Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas, de agosto de 2021, trouxe ainda mais comprovações que mudanças no modo de vida humano devem urgentemente ser concretizadas: já se observam danos irreversíveis aos oceanos; a temperatura global da superfície da Terra continuará aumentando até meados do presente século - caso não haja uma alteração no cenário das emissões de gases de efeito estufa, até o ano de 2030, a temperatura aumentará entre 1,5oC e 2oC aos níveis pré-industriais, sendo que somente se observará uma (possível) estabilização em 20 a 30 anos. Ações robustas e concretas Assim, os governos de 196 países devem estar preparados para apresentar novos e efetivos planos de redução de emissões dos gases de efeito estufa na próxima Cúpula do Clima (COP-26), a ser realizada em novembro deste ano, em Glasgow, na Escócia. O que se espera é que os governos negociem ações robustas e concretas para limitar em definitivo as mudanças climáticas: financiamento pelos países desenvolvidos para o combate e a adaptação às mudanças climáticas; a compensação para os efeitos que as mudanças provocarão; e o auxílio financeiro para que os Estados alcancem economias mais verdes. Enquanto isso, no Brasil No cenário brasileiro, exaltam-se diversas incertezas e inseguranças: a partir das teses negacionistas, difundidas pelo Presidente Jair Bolsonaro, o Brasil segue degradando seu meio ambiente de forma criminosa e alarmante – só entre agosto de 2020 e julho de 2021, a Amazônia brasileira teve 8.712km2 de floresta desmatada (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe), sendo responsável por cerca de 45% das emissões nacionais de gases de efeito estufa. Inclusive, segundo o Relatório do IPCC, a Amazônia pode virar uma floresta seca se o desmatamento não for contido e o aumento da temperatura da Terra não se reverter. Cabe destacar que o cenário brasileiro se diferencia dos demais Estados, especialmente dos europeus, China e Índia: o Brasil possui uma matriz energética limpa, mas é um grande poluidor por questões que não sabe (ou não quer, em termos mais recentes) resolver, quais sejam, as questões das queimadas, do desmatamento e do gado bovino (que contribui para o desmatamento e a emissão de metano). Ainda assim, há esperança: Pará, Pernambuco, Minas Gerais e São Paulo, juntamente com outras doze cidades e mais de cem empresas privadas, anunciaram, recentemente, compromissos climáticos para ajudar o Brasil a alcançar as metas do Acordo de Paris. Para que o Brasil possa apresentar soluções robustas às suas questões ambientais, precisará rever suas políticas nacionais ambientais, atuando a partir de uma democracia participativa, em conjunto com a sociedade, e aceitar que o controle do desmatamento irá fazer com que não apenas a sua economia, via seu agronegócio exportador, seja favorecida (já que precisará estar em consonância com o green new deal para continuar encabeçando as rodadas do mercado internacional), mas também trará o equilíbrio ao seu meio ambiente e à qualidade de vida de seus nacionais. Inegavelmente, precisamos, primeiramente, conscientizar a sociedade sobre a importância de políticas ambientais e que essa se reflita na cobrança em termos governamentais. Só assim iremos, de fato, garantir que as futuras gerações de toda a nossa biodiversidade possam desfrutar de uma exímia qualidade de vida. * Priscila Caneparo é Doutora em Direito Internacional pela PUC-SP, coordenadora da Clínica de Direito Internacional do UniCuritiba, professora dos cursos de Direito e Relações Internacionais do UniCuritiba e membro da Academia Brasileira de Direito Internacional.

27 de agosto, 2021
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ARTIGO - WWF International
Brasil entre os países que mais concentram desmatamento

Um novo relatório do WWF-Internacional coloca o Brasil entre os campeões de desmatamento e de fragmentação de florestas e outros ecossistemas entre 2000 e 2018. O fato de o Brasil ter duas frentes simultâneas de destruição – Amazônia e Cerrado – acende o farol amarelo sobre as possibilidades de sermos local de origem de nossas zoonoses. Fruto de uma extensa pesquisa em 29 países, o relatório “Frentes de desmatamento: vetores e respostas em um mundo em evolução”, divulgado dia 13 de janeiro e disponível para download, busca compreender onde o desmatamento e a fragmentação da floresta ocorreram, identificar suas principais causas e oferecer respostas. O estudo se concentra em 24 frentes de desmatamento na América Latina, na África Subsaariana, no Sudeste Asiático e na Oceania, onde ocorreu mais da metade (52%) do desmatamento total registrado nessas regiões – uma área de 43 milhões de hectares, quase a mesma extensão do Marrocos. Pelo menos dois terços da perda de cobertura florestal global nesse período ocorreram nessas regiões tropicais e subtropicais. Não por acaso, o surgimento de novas doenças é elevado em regiões tropicais, biodiversas e historicamente cobertas por florestas e savanas que estão passando por mudanças no uso da terra. “Quando saudáveis, as florestas oferecem uma proteção contra doenças como a COVID-19. No entanto, quando as florestas se encontram sob ataque, suas salvaguardas são enfraquecidas, o que leva a uma disseminação de doenças”, explica Marco Lambertini, diretor do WWF-Internacional. O desmatamento e a degradação florestal estão entre os principais fatores para o surgimento de doenças zoonóticas como HIV/AIDS, Ebola, SARS, Febre do Vale Rift e, a partir de 2020, a COVID-19. Isso ocorre porque o aumento da densidade de animais em áreas desmatadas e degradadas também eleva as doenças nessas populações de animais selvagens que, por sua vez, têm mais interações com pessoas devido à maior presença humana nas áreas de floresta degradada. Resultado: mudanças no uso da terra contribuíram para quase metade das doenças zoonóticas que afetaram humanos entre 1940 e 2005. "Embora os números que estamos compartilhando hoje sejam alarmantes, o processo de recuperação da pandemia da COVID-19 pode proporcionar uma oportunidade para o tipo de mudanças transformadoras que são essenciais para salvaguardar nossas florestas - mudanças que foram identificadas como necessárias por algum tempo", diz Fran Raymond Price, líder da Prática de Florestas no WWF Internacional. “Neste momento em que governos criam políticas para lidar com os impactos econômicos e sociais da pandemia global, devemos lidar com o consumo excessivo e valorizar mais a saúde e a natureza do que a ênfase esmagadora atual no crescimento econômico e nos lucros financeiros a todo custo. Isto é do melhor interesse da humanidade: mudanças no uso da terra são um dos principais vetores de novas zoonoses. Portanto, se não enfrentarmos o desmatamento enquanto podemos, poderemos perder nossa chance de ajudar a evitar a próxima pandemia". Combate à crise climática O combate ao desmatamento deve ser reconhecido como um componente vital para a mitigação da crise climática. "Os setores agrícola, florestal e de uso da terra são responsáveis por cerca de um quarto de todas as emissões globais de gases de efeito estufa”, destaca Pablo Pacheco, cientista líder de florestas do WWF . Enfrentar o desmatamento é essencial para cumprir também as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e outros acordos globais. Para os autores, as respostas para lidar com o desmatamento e suas causas precisam ser inclusivas e adaptadas ao contexto local e regional. Não existe uma abordagem única para todos e as soluções têm sido mais eficazes quando várias opções de resposta são combinadas, incluindo soluções de mercado, como Pagamentos por Serviços Ambientais e acordos setoriais, como a Moratória da Soja na Amazônia . Os compromissos corporativos com cadeias livres de desmatamento também têm um importante papel a desempenhar nesse contexto. O reconhecimento e a proteção dos direitos territoriais dos povos indígenas e comunidades locais , que permitem a manutenção de seus modelos de governança e economias locais, têm mostrado bons resultados. Nove das 24 frentes de desmatamento estão na América Latina, uma região que experimentou um declínio particularmente dramático nas populações da fauna selvagem, da ordem de 94%, segundo a edição de 2020 do Relatório Planeta Vivo . Outras oito estão na África e sete na Ásia-Pacífico. Quase metade dos ecossistemas nessas frentes - cerca de 45% - sofreu algum tipo de fragmentação. Áreas fragmentadas e bordas de mata são mais sujeitas a incêndios, além de mais fáceis de acessar e mais suscetíveis a impactos humanos. Essas tendências são alarmantes, porque os trópicos abrigam 45% das florestas do mundo, além de outros ecossistemas extremamente relevantes. Em todo o mundo, a agricultura comercial, especialmente em larga escala, é a principal causa do desmatamento de áreas para pecuária e o cultivo de commodities. A mineração e a expansão da infraestrutura, tais como redes de estradas de ferro e rodovias, que conectam as zonas de produção aos mercados domésticos e de exportação, são outros dois importantes vetores. Cenário brasileiro Dados consolidados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) , indicam que a área desmatada na Amazônia brasileira chegou ao nível anual mais alto desde 2008 — um total de 11.088 km² entre agosto de 2019 e julho de 2020. No Cerrado brasileiro, onde vivem 5% dos animais e plantas do planeta, foram perdidos 7.340km2 no mesmo período, um valor 13% superior ao ano anterior . Segundo o estudo do WWF, apenas na “frente de desmatamento” do Cerrado (que corresponde à porção norte do bioma), um terço (32,8%) da área florestal remanescente foi perdida entre 2004 e 2017, principalmente para a produção de gado e soja. "Pensar no Cerrado daqui a 50 a 60 anos me faz sofrer”, lamenta Ana Cláudia Mota da Silva, membro da comunidade afrodescendente de Mumbuca, no Tocantins. “Sabendo que nossos rios estão secando, que tantas árvores estão morrendo, temo que meus descendentes não vejam o que eu vi.” Dados de 2019 e 2020 comprovam que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado continua – e cada vez mais acelerado. “O Brasil tem duas frentes simultâneas entre as regiões que mais devastam a vegetação nativa do planeta”, destaca Edegar de Oliveira Rosa, diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil. Segundo ele, o governo brasileiro relaxou as regulamentações e fiscalizações ambientais, fazendo com que o país atingisse seu maior nível de desmatamento desde 2008, em meio a um aumento da extração ilegal de madeira, garimpos ilegais e desmatamento. Entre agosto de 2019 e julho de 2020, mesmo com desmatamento subindo 9,5% da taxa já elevada do período anterior, o IBAMA aplicou o menor número de multas administrativas por desmatamento ilegal desde sua criação: 42% a menos que no período anterior, caindo de 3.403 para 1.964 autos de infração. “Desmatar para produzir commodities agropecuárias é uma ironia, pois já começa a afetar diretamente as safras e a qualidade das pastagens por causa da redução das chuvas”, diz Rosa. Mariana Napolitano, gerente de ciências do WWF-Brasil, lembra que “a Amazônia brasileira está perto de atingir um ponto de inflexão, no qual a floresta não será mais capaz de manter seus ciclos e processos naturais, e as porções mais afetadas sofrerão diminuição das chuvas e períodos de seca prolongados.” Segundo ela, a tendência de alteração do clima no país é reforçada pela destruição do Cerrado brasileiro. Savana com maior biodiversidade do mundo, o bioma desempenha um papel essencial no apoio ao ciclo da água no Brasil como fonte de oito das 12 bacias hidrográficas do país. O desmatamento contínuo pode reduzir a precipitação e aumentar as temperaturas locais, colocando em risco a vegetação remanescente, a subsistência e a produção de alimentos. O relatório completo está disponível no link https://wwfbr.awsassets.panda.org/downloads/wwf_brasil_frentes_desmatamentos_port_final_v2.pdf .

22 de janeiro, 2021
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BEM-ESTAR
Conscientização ambiental pode reduzir doenças

O fundador e presidente da ONG Save Cerrado, Paulo Bellonia, comenta que quando o homem destrói uma floresta para abrir terras, construir barragens ou eliminar a biodiversidade de forma desenfreada, acaba desencadeando problemas que podem afetá-lo diretamente. “Agora, estamos entrando mais em contato com patógenos de animais silvestres quando alteramos seu habitat, em um contexto pior para nós, pois a densidade populacional dos seres humanos é muito mais alta, e estamos muito mais conectados, o que favorece o espalhamento de uma doença, como o coronavírus.”, completa Bellonia. As mudanças climáticas causadas pelo desmatamento humano também podem contribuir para o aparecimento de novas doenças, segundo cientistas. “Há outras maneiras pelas quais nossas atividades humanas podem facilitar o surgimento ou transmissão de doenças, como o desmatamento e isso não pode ser ignorado”, alerta o fundador da SaveCerrado. Atualmente, todos os países enfrentam a pandemia da COVID-19, o que faz Bellonia acreditar que as pessoas estão olhando mais para o coletivo. “Defender o equilíbrio do ecossistema é preservar a saúde e o bem-estar humano. Tudo está inserido dentro de um importante ciclo”, alerta. A Save Cerrado atua exclusivamente no bioma e tem ações relacionadas com áreas específicas e de altíssima relevância de preservação para a sociedade brasileira e mundial, tanto pela abundância das águas quanto pelo fato de se tratar de um hotspot, tudo com total transparência sobre onde exatamente os recursos estão sendo aplicados. O ambientalista diz que Hotspots são áreas com grande biodiversidade, ricas principalmente em espécies endêmicas, e que apresentam alto grau de ameaça. Elas se concentram em apenas 2,3% da superfície do planeta e detêm cerca de 60% de patrimônio biológico do mundo. Durante a pandemia, a Save Cerrado iniciou uma campanha que vai destinar parte dos recursos captados às entidades e projetos que estejam atuando no combate aos impactos sociais da doença.

22 de janeiro, 2021
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SAÚDE PÚBLICA
OMS e UNFCCC renovam parceria

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Secretaria das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC) assinaram um novo Memorando de Entendimento para renovar o compromisso conjunto para enfrentar os desafios emergentes de saúde pública provocados pelo aumento das temperaturas, além de ajudar os países a melhorar o combate às mudanças climáticas. O acordo visa assegurar que países com pouca infraestrutura na área de saúde ou com infraestrutura inadequada recebam apoio para proteger a saúde humana e construir uma resiliência climática para responder a tais ameaças. Patricia Espinosa, Secretária Executiva da ONU sobre Mudanças Climáticas, disse: "Estou encantada que nossas duas instituições estão evoluindo em um nível mais alto e mais orientado para a ação. O Acordo de Mudança Climática de Paris precisa de união se quisermos garantir um mundo saudável e cidadãos saudáveis agora e no futuro". "Muitas pessoas experimentam alterações climáticas através dos impactos na sua saúde, desde a poluição do ar e as ondas de calor até a contaminação da água potável de eventos climáticos extremos - se junto e com muitos parceiros podemos perceber os objetivos climáticos do mundo, também podemos desempenhar nosso papel em fornecer um grande impulso de saúde para bilhões de pessoas", disse ela. A colaboração ocorre num momento em que as mudanças climáticas representam uma ameaça significativa para a saúde pública - eventos climáticos extremos e clima variável afetam o ar limpo, a água potável, a segurança alimentar e o abrigo seguro - e podem causar aproximadamente 250 mil mortes adicionais por ano, do calor, estresse, desnutrição, diarréia e malária, entre 2030 e 2050. O memorando de entendimento proporcionará um quadro conjunto para a colaboração estratégica entre a OMS e a UNFCCC para apoiar a capacitação, particularmente no mundo em desenvolvimento, e ajudar os países a reduzir a vulnerabilidade da saúde às mudanças climáticas: Serão fornecidas orientações sobre riscos para a saúde decorrentes das mudanças climáticas e benefícios das políticas de mitigação; melhoria na capacitação dos países para abordar a saúde nos Planos Nacionais de Ação Climática e Planos Nacionais de Adaptação; apoio da OMS a políticas e programas de saúde, inclusive em saúde ambiental, fortalecimento do sistema de saúde e preparação para desastres; Informar articuladores de políticas de clima e saúde, profissionais, sociedade civil e o público em geral na comunicação e prevenção de riscos climáticos; Acompanhar e relatar a escala e a natureza dos investimentos na proteção da saúde contra os riscos climáticos e no desenvolvimento que promove a saúde, reduz as emissões de carbono e aumenta a resiliência aos impactos das mudanças climáticas e realizar a medição do progresso que os países estão tendo com tais medidas de proteção à saúde contra as mudanças climáticas.

16 de novembro, 2017
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DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
Estudos vêem saúde humana em risco

Segundo os estudos do Secretariado da Convenção da Diversidade Biológica (CDB) da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), de junho deste ano, e da Rockefeller Foundation, dos Estados Unidos, em colaboração com a revista Lancet , do Reino Unido, realizado em julho de 2015, a degradação ambiental observada em todo o planeta Terra coloca a saúde humana cada vez mais em risco. As duas publicações foram lançadas no Brasil em 24 de setembro, durante o painel “Planetary health: a challenge for individual health”, realizado no campus da Universidade de São Paulo (USP) na capital paulista. “Os dois relatórios se complementam e resumem o atual conhecimento científico sobre as relações entre saúde e meio ambiente”, disse Braulio Ferreira de Souza Dias, Secretário-executivo da CDB, em sua palestra durante o evento. O primeiro estudo intitulado “Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health” da CDB e OMS, aponta que a degradação ambiental tem causado o declínio da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos no mundo, como o fornecimento de água, alimentos e ar limpo. Esta queda, segundo o estudo, representa risco à saúde humana e para a sustentabilidade econômica do planeta, avaliam os autores do documento. “Diferentemente das mudanças climáticas, que podem se manifestar por meio de eventos extremos muito perceptíveis, como maior frequência de secas e inundações, a perda de biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos pela degradação ambiental é um processo lento, contínuo e pouco visível. Por isso, a maior parte das pessoas não se dá conta disso”, afirmou Dias. O relatório indica que a contínua degradação ambiental já ocasionou a perda de mais de 80% da vegetação herbácea, além de 90% de todas as áreas úmidas e dos estoques de peixes de maior porte no mundo. Resultou também na perda de mais de 90% da variedade genética de espécies de trigo, arroz e frutas, como maçã, nas últimas décadas. “A perda dessa diversidade de cultivares está tornando a população mundial mais vulnerável a surtos de pragas agrícolas e a um colapso na oferta de alimentos”, disse Dias. Ele cita entre os principais fatores que estão causando essa degradação as mudanças no uso da terra, sobre-explotação de recursos biológicos, poluição, dispersão de espécies exóticas e invasoras, além das mudanças climáticas e a acidificação dos oceanos. Os desequilíbrios nos ecossistemas causados por essas formas de degradação ambiental provocam surtos de doenças, como as causadas por ebola e hantavírus, aponta o relatório. Ação coletiva urgente Já o relatório “Safeguarding human health in the Anthropocene epoch”, da Rockefeller Foundation, em parceria com a Lancet , afirma que a degradação ambiental demandará uma ação coletiva urgente, tanto em nível global como local, e a cooperação será indispensável. A Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada na sede da ONU, em Nova York – em que os países passaram a adotar oficialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) –, e a 21ª Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21), em Paris, no início de dezembro, representam uma janela de oportunidades para colocar em pauta a discussão sobre os impactos da degradação ambiental na saúde na agenda global, avaliam os autores do relatório. “É necessário que os países se empenhem em atacar as causas das mudanças ambientais, promovendo padrões sustentáveis e equitativos de consumo, controlando o crescimento de suas populações e que usem o poder das novas tecnologias para promover mudanças”, disse Sir Andy Haines, professor da London School of Hygiene and Tropical Medicine, em sua palestra por videconferência durante o evento. Entre as medidas apontadas no estudo para reduzir o impacto da degradação ambiental na saúde humana estão a proteção de recursos hídricos, combate e redução do desperdício de alimentos, investir em planos escaláveis e modelos de financiamento para a implementação de energias renováveis e incentivar o investimento regional em infraestrutura de transporte urbano. “As soluções devem se basear na redefinição de prosperidade, com foco na melhoria da qualidade de vida e na promoção da saúde, juntamente com o respeito pela integridade dos ecossistemas”, disse Haines. O encontro teve a participação de José Goldemberg, presidente da Fapesp, e de representantes da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, da USP e dos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein. Na avaliação de Goldemberg, a pesquisa científica pode auxiliar muito na busca de soluções. A descoberta de que a palha da cana-de-açúcar poderia ser usada para gerar eletricidade fez com que a prática da queima da planta para a colheita manual fosse substituída pela colheita mecanizada da cana crua nos canaviais no Estado de São Paulo, exemplificou. “O aproveitamento desse subproduto da cana-de-açúcar contribuiu para diminuir a poluição, está ajudando a gerar lucros para as usinas e produzir eletricidade para o país”, avaliou Goldemberg. “É preciso olhar para as causas e consequências da degradação ambiental, que podem resultar em soluções como essa”, afirmou. O relatório Connecting Global Priorities: Biodiversity and Human Health pode ser acessado em www.cbd.int/health/stateofknowledge/default.shtml . Já o relatório Safeguarding human health in the Anthropocene epoch pode ser consultado no site www.thelancet.com/commissions/planetary-health .

30 de setembro, 2015