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COP28

Países anunciam acordo para ajudar vulneráveis

Países anunciam acordo para ajudar vulneráveis

O Fundo foi acordado pela primeira vez durante a COP27, realizada em Sharm El Sheikh, no Egito

O Presidente da COP28, Dr. Sultan Al Jaber, entregou um acordo histórico para operacionalizar o Fundo que ajudará os países em desenvolvimento que são particularmente vulneráveis aos efeitos adversos das alterações climáticas, conhecidos nas negociações como “perdas e danos”. “O trabalho árduo de muitas pessoas ao longo de muitos anos foi realizado em Dubai.” Al Jaber disse no primeiro dia de evento que “a velocidade com que o mundo se uniu para operacionalizar este fundo no prazo de um ano desde que as Partes concordaram com ele em Sharm El Sheikh não tem precedentes”.
O Fundo foi acordado pela primeira vez durante a COP27, realizada em Sharm El Sheikh, no Egito, e torna-se hoje operacional na sequência do acordo alcançado pelas partes durante 5 reuniões do comité de transição. A 5ª reunião de transição organizada no início deste mês em Abu Dhabi foi acrescentada pela Presidência da COP28 após o impasse alcançado na 4ª reunião, onde as Partes chegaram a uma resolução. Essa reunião gerou recomendações sobre a implementação do Fundo, incluindo a prestação de apoio essencial baseado em subvenções a países especialmente afetados pelo clima e pelas perdas. Numa visita de audição abrangente, a liderança da COP28 socializou essas recomendações com os governos nacionais antes da COP28, lançando as bases para a decisão histórica de hoje.

As perdas e danos são essenciais, mesmo que o mundo cumpra os objetivos de mitigação climática, porque um nível de aquecimento “bloqueado” já afeta comunidades particularmente vulneráveis que são atingidas por fenómenos meteorológicos extremos, como tempestades e inundações, redução da produtividade agrícola e aumento do nível do mar. Esta ação decisiva em matéria de Perdas e Danos permitirá que as Partes se concentrem na resposta mais forte possível ao Balanço Global, o boletim mundial sobre o progresso em direção aos objetivos do Acordo de Paris.
Os EAU anunciaram compromisso de US$ 100 milhões para o Fundo, que visa fornecer assistência financeira aos países em risco extremo devido às alterações climáticas, para apoiar a mitigação e a recuperação das alterações climáticas. Outros países que assumiram compromissos notáveis incluíram a Alemanha, que comprometeu US$ 100 milhões, o Reino Unido, que com 40 milhões de libras para o Fundo e 20 milhões de libras para outros acordos, o Japão, que contribuiu com US$ 10 milhões e os Estados Unido, com US$ 17,5 milhões.

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"Uma coisa sempre parece impossível até que seja feita". A frase do Ex-Presidente Sul-Africano Nelson Mandela foi lembrada pelo Presidente da Conferência do Clima da ONU (COP-21), o ministro francês Laurent Fabius, durante o anúncio do último projeto de acordo global para o combate às alterações climáticas, assinado no último dia 12 de dezembro, em Paris. O documento de 31 páginas é um acordo equilibrado entre interesses e propostas dos 195 países presentes na COP-21. O tratado entrará em vigor em 2020 e traz algumas novidades. Pela prrimeira vez, chamará à ação os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ao todo 186 países apresentaram propostas voluntárias para reduzir as emissões, que devem ser revistas e atualizadas a cada cinco anos. O acordo propõe limitar o aumento da temperatura "bem abaixo dos 2° C em relação aos níveis pré-industriais" e fazer "esforços para limitar o aumento a 1,5° C", reconhecendo que isso reduziria significativamente os riscos e impactos previstos. Isto é apenas um compromisso em relação ao pedido dos países mais vulneráveis e dos representantes da sociedade civil de inserir o limite de 1,5° C. O ponto principal é a forma de como se combater o aquecimento global e, em seguida, a aplicação das políticas de mitigação. Nesse caso, não há referências específicas nem em relação aos percentuais de redução, nem em relação aos prazos em que devem ser realizados os compromissos, a não ser um objetivo geral de "metade do século" dentro do qual se deve chegar à estabilização. "Seremos julgados por um texto, não por uma palavra, não pelo trabalho de um dia, mas por um acordo que valerá por um século", disse o Presidente francês François Hollande. O acordo prevê que as ações de mitigação e adaptação às alterações climáticas sejam financiadas através de fundos disponibilizados pelos Estados desenvolvidos. O financikamento começa a partir de um valor anual de US$ 100 bilhões. Contudo, o documento não deixa claro a partir de que ano os fundos devem ser pagos. A questão chave está na capacidade de se transferir o financiamento dos subsídios dos combustíveis fósseis, que, em conjunto, somam mais de US$ 470 bilhões por ano. Um dos temas mais debatidos nas duas semanas de COP-21 foi o "Loss & Damage" (L&D) – “Perdas e Danos” - que ocorrem nos países mais vulneráveis. As pequenas ilhas em vias de desenvolvimento voltam para casa com uma vitória importante. O artigo 8 do acordo é inteiramente dedicado à questão, embora não haja nenhuma referência à criação de um mecanismo ad hoc para gerir o fenômeno dos migrantes climáticos. Entretanto, o artigo não poderá ser usado como base jurídica por parte dos países do mundo em desenvolvimento para validar pedidos de indenização por danos causados pelas alterações climáticas, dos quais os países industrializados são historicamente responsáveis. Uma nota exigida explicitamente pelos Estados Unidos, e à qual os países do mundo em desenvolvimento podem ter cedido para ver a meta de 1,5° C mencionada no acordo. Durante a COP-21, Paris viu várias manifestações organizadas pela sociedade civil. Os manifestantes têm poucas ilusões e não creem que o acordo mudará as coisas, já que por trás das palavras do texto estão os interesses das grandes potências do planeta.

4 de janeiro, 2016