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COVID-19

Pandemia afeta indústria de base florestal

Empresa internacional de engenharia, projetos e consultoria, a Pöyry constatou que os impactos da pandemia COVID-19 na indústria de base florestal brasileira foram sentidos de maneiras diferentes pelos vários segmentos que compõem sua cadeia de valor. "A redução na atividade econômica afetou negativamente o consumo de madeira pelas empresas que atuam, principalmente, no mercado doméstico, mais especificamente na produção de painéis de madeira, madeira serrada e papel imprensa", explica Dominique Duly, gerente de consultoria em Energia e Agroindústria da Pöyry no Brasil. Já as companhias exportadoras – principalmente produtoras de celulose e carvão vegetal para a siderurgia ou compensados – e que não tiveram operações interrompidas, conseguiram manter ou ampliar o nível de produção em função do aumento de competitividade ligado à desvalorização do real frente ao dólar, e da diminuição de produção concorrente da China. A influência da COVID-19 nos preços médios estaduais da madeira foi limitada e bem menor do que os impactos de eventos de mercado mais usuais, tais como alterações de custos o do misto de fornecedores.

Empresa internacional de engenharia, projetos e consultoria, a Pöyry constatou que os impactos da pandemia COVID-19 na indústria de base florestal brasileira foram sentidos de maneiras diferentes pelos vários segmentos que compõem sua cadeia de valor. "A redução na atividade econômica afetou negativamente o consumo de madeira pelas empresas que atuam, principalmente, no mercado doméstico, mais especificamente na produção de painéis de madeira, madeira serrada e papel imprensa", explica Dominique Duly, gerente de consultoria em Energia e Agroindústria da Pöyry no Brasil.

Já as companhias exportadoras – principalmente produtoras de celulose e carvão vegetal para a siderurgia ou compensados – e que não tiveram operações interrompidas, conseguiram manter ou ampliar o nível de produção em função do aumento de competitividade ligado à desvalorização do real frente ao dólar, e da diminuição de produção concorrente da China. A influência da COVID-19 nos preços médios estaduais da madeira foi limitada e bem menor do que os impactos de eventos de mercado mais usuais, tais como alterações de custos o do misto de fornecedores.

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AMAZÔNIA
Bioeconomia previne colapso futuro

O Seminário online “Amazônia: tecnologia, desenvolvimento e sustentabilidade” ocorreu no último dia 5 de abril e foi transmitido ao vivo, por meio do canal no YouTube da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O evento contou com a presença de quatro experientes pesquisadores: Adalberto Luis Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia; Carlos Nobre, do Instituto de Estados Avançados da Universidade de São Paulo; Gilberto Câmara Neto, do Grupo de Observação da Terra e que foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e Paulo Artaxo, pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. O evento fez parte do Ciclo FAPESP + ILP. Os palestrantes comentaram que um modelo de desenvolvimento que use recursos biológicos em detrimento de recursos não-renováveis, como é o caso dos combustíveis fosseis, é uma importante estratégia de preservação da floresta amazônica. Além de preservar a floresta, a bioeconomia previne futuros colapsos provocados pelo desmatamento ilegal, que corresponde a 95% dos casos. Segundo os pesquisadores, a bioeconomia visa colaborar com meios de produção tecnológicos mais frutíferos, que teriam um impacto positivo na empregabilidade e, consequentemente, na economia brasileira. O crescimento do desmatamento durante o período da pandemia é considerado pelo grupo de pesquisadores e cientistas algo alarmante. "Os alertas de mudança em março de 2021 são da mesma ordem dos de 2019 e 2020, o que é bastante preocupante, porque, evidentemente, nós vivemos em uma situação de pandemia, uma situação em que a atividade econômica está praticamente paralisada. E, se os alertas continuam em uma escala parecida com os anos anteriores, isso indica que é necessária uma ação muito forte para evitar que haja um recrudescimento do desmatamento da Amazônia", disse Gilberto Câmara Neto. O evento pode ser assistido por meio do link https://www.youtube.com/watch?v=jaP9Am8AjLw .

11 de abril, 2021
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ARTIGO
A retomada da economia brasileira e o cenário energético

Por Valdo Marques * São inegáveis os diversos impactos suportados por empresas, dos mais diversos setores no Brasil, em razão da pandemia de Covid-19 nos últimos 12 meses. Não obstante as centenas de milhares de mortes causadas pelo vírus, o País também se viu mergulhado em uma crise sem precedentes, resultando em desafios que transcendem, neste momento, a esfera da Saúde. Nesse sentido, cerca de um ano após os registros dos primeiros casos de Coronavírus no Brasil, é preciso assegurar condições para o crescimento dos setores que contribuirão para a retomada econômica aguardada por todos. A partir do desenvolvimento e da aplicação em massa das vacinas, o que se espera é que o país inicie novamente sua caminhada, em um cenário que ainda exigirá muita organização e resiliência. O setor elétrico é fundamental para que esta retomada ocorra de maneira pujante, sustentável e segura. É preciso fomentar os segmentos que serão essenciais, não somente no esforço de “fazer a roda da economia girar” novamente, mas também para mantê-la em funcionamento adequadamente. Atualmente, o gasto com energia elétrica no Brasil representa entre 7% e 8% dos custos de uma empresa. Por isso, a demanda é cada vez maior de companhias dos mais diversos portes, por soluções inteligentes para promover um melhor aproveitamento energético em suas atividades, reduzindo ou otimizando essa despesa que representa uma parcela tão importante de seus orçamentos. É necessário também entender, e levar em consideração, o impacto direto da pandemia no próprio setor de energia. Relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE) apontou para uma previsão de queda de 6% na demanda global de energia em 2020. O resultado representa um decréscimo sete vezes maior do que o registrado logo após a crise financeira global de 2008. Ainda que o isolamento das pessoas em suas casas possa ter ampliado de forma tímida o consumo de energia, a balança ainda se revela negativa quando levado em consideração o tempo inativo de empresas por todo o País. Há um esforço neste momento, através da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), para que o mercado de energia possa se recuperar de forma vivaz em 2021. No último mês de dezembro, por exemplo, houve a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que a Câmara pudesse atuar no âmbito da judicialização do risco hidrológico. Trata-se de uma medida que poderá liberar aproximadamente R$ 9 bilhões nos primeiros três meses deste ano, devolvendo liquidez ao setor e proporcionando um ambiente propicio a novos investimentos e geração de empregos. Empresas e consumidores anseiam cada vez mais por soluções que lhes tragam eficiência, segurança e, principalmente, despesas menores. O setor está atento a estas demandas, alinhado também às proposições relativas ao fortalecimento da chamada “energia verde”, por todo o país. É premente às empresas no Brasil, diante de um cenário de profundos gargalos em infraestrutura estatal, que busquem soluções seguras, que permitam sua recuperação e a retomada do crescimento. Nesse sentido, a utilização de grupos geradores de energia garante uma solução eficaz e imediata às turbulências geradas pela falta de investimento público na infraestrutura nacional como um todo. A recuperação da economia brasileira em 2021 caminha lado a lado com o fortalecimento e fomento de diversos setores. Players e entidades que representam o setor elétrico estão cientes de suas responsabilidades diante deste cenário, confiantes de que suas capacidades e lideranças mantiveram-se resistentes frente às adversidades enfrentadas no último ano. * Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac, empresa que oferece soluções em Grupos Geradores comercial, empresarial e industrial

15 de março, 2021
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ARTIGO - WWF International
Brasil entre os países que mais concentram desmatamento

Um novo relatório do WWF-Internacional coloca o Brasil entre os campeões de desmatamento e de fragmentação de florestas e outros ecossistemas entre 2000 e 2018. O fato de o Brasil ter duas frentes simultâneas de destruição – Amazônia e Cerrado – acende o farol amarelo sobre as possibilidades de sermos local de origem de nossas zoonoses. Fruto de uma extensa pesquisa em 29 países, o relatório “Frentes de desmatamento: vetores e respostas em um mundo em evolução”, divulgado dia 13 de janeiro e disponível para download, busca compreender onde o desmatamento e a fragmentação da floresta ocorreram, identificar suas principais causas e oferecer respostas. O estudo se concentra em 24 frentes de desmatamento na América Latina, na África Subsaariana, no Sudeste Asiático e na Oceania, onde ocorreu mais da metade (52%) do desmatamento total registrado nessas regiões – uma área de 43 milhões de hectares, quase a mesma extensão do Marrocos. Pelo menos dois terços da perda de cobertura florestal global nesse período ocorreram nessas regiões tropicais e subtropicais. Não por acaso, o surgimento de novas doenças é elevado em regiões tropicais, biodiversas e historicamente cobertas por florestas e savanas que estão passando por mudanças no uso da terra. “Quando saudáveis, as florestas oferecem uma proteção contra doenças como a COVID-19. No entanto, quando as florestas se encontram sob ataque, suas salvaguardas são enfraquecidas, o que leva a uma disseminação de doenças”, explica Marco Lambertini, diretor do WWF-Internacional. O desmatamento e a degradação florestal estão entre os principais fatores para o surgimento de doenças zoonóticas como HIV/AIDS, Ebola, SARS, Febre do Vale Rift e, a partir de 2020, a COVID-19. Isso ocorre porque o aumento da densidade de animais em áreas desmatadas e degradadas também eleva as doenças nessas populações de animais selvagens que, por sua vez, têm mais interações com pessoas devido à maior presença humana nas áreas de floresta degradada. Resultado: mudanças no uso da terra contribuíram para quase metade das doenças zoonóticas que afetaram humanos entre 1940 e 2005. "Embora os números que estamos compartilhando hoje sejam alarmantes, o processo de recuperação da pandemia da COVID-19 pode proporcionar uma oportunidade para o tipo de mudanças transformadoras que são essenciais para salvaguardar nossas florestas - mudanças que foram identificadas como necessárias por algum tempo", diz Fran Raymond Price, líder da Prática de Florestas no WWF Internacional. “Neste momento em que governos criam políticas para lidar com os impactos econômicos e sociais da pandemia global, devemos lidar com o consumo excessivo e valorizar mais a saúde e a natureza do que a ênfase esmagadora atual no crescimento econômico e nos lucros financeiros a todo custo. Isto é do melhor interesse da humanidade: mudanças no uso da terra são um dos principais vetores de novas zoonoses. Portanto, se não enfrentarmos o desmatamento enquanto podemos, poderemos perder nossa chance de ajudar a evitar a próxima pandemia". Combate à crise climática O combate ao desmatamento deve ser reconhecido como um componente vital para a mitigação da crise climática. "Os setores agrícola, florestal e de uso da terra são responsáveis por cerca de um quarto de todas as emissões globais de gases de efeito estufa”, destaca Pablo Pacheco, cientista líder de florestas do WWF . Enfrentar o desmatamento é essencial para cumprir também as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e outros acordos globais. Para os autores, as respostas para lidar com o desmatamento e suas causas precisam ser inclusivas e adaptadas ao contexto local e regional. Não existe uma abordagem única para todos e as soluções têm sido mais eficazes quando várias opções de resposta são combinadas, incluindo soluções de mercado, como Pagamentos por Serviços Ambientais e acordos setoriais, como a Moratória da Soja na Amazônia . Os compromissos corporativos com cadeias livres de desmatamento também têm um importante papel a desempenhar nesse contexto. O reconhecimento e a proteção dos direitos territoriais dos povos indígenas e comunidades locais , que permitem a manutenção de seus modelos de governança e economias locais, têm mostrado bons resultados. Nove das 24 frentes de desmatamento estão na América Latina, uma região que experimentou um declínio particularmente dramático nas populações da fauna selvagem, da ordem de 94%, segundo a edição de 2020 do Relatório Planeta Vivo . Outras oito estão na África e sete na Ásia-Pacífico. Quase metade dos ecossistemas nessas frentes - cerca de 45% - sofreu algum tipo de fragmentação. Áreas fragmentadas e bordas de mata são mais sujeitas a incêndios, além de mais fáceis de acessar e mais suscetíveis a impactos humanos. Essas tendências são alarmantes, porque os trópicos abrigam 45% das florestas do mundo, além de outros ecossistemas extremamente relevantes. Em todo o mundo, a agricultura comercial, especialmente em larga escala, é a principal causa do desmatamento de áreas para pecuária e o cultivo de commodities. A mineração e a expansão da infraestrutura, tais como redes de estradas de ferro e rodovias, que conectam as zonas de produção aos mercados domésticos e de exportação, são outros dois importantes vetores. Cenário brasileiro Dados consolidados do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) , indicam que a área desmatada na Amazônia brasileira chegou ao nível anual mais alto desde 2008 — um total de 11.088 km² entre agosto de 2019 e julho de 2020. No Cerrado brasileiro, onde vivem 5% dos animais e plantas do planeta, foram perdidos 7.340km2 no mesmo período, um valor 13% superior ao ano anterior . Segundo o estudo do WWF, apenas na “frente de desmatamento” do Cerrado (que corresponde à porção norte do bioma), um terço (32,8%) da área florestal remanescente foi perdida entre 2004 e 2017, principalmente para a produção de gado e soja. "Pensar no Cerrado daqui a 50 a 60 anos me faz sofrer”, lamenta Ana Cláudia Mota da Silva, membro da comunidade afrodescendente de Mumbuca, no Tocantins. “Sabendo que nossos rios estão secando, que tantas árvores estão morrendo, temo que meus descendentes não vejam o que eu vi.” Dados de 2019 e 2020 comprovam que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado continua – e cada vez mais acelerado. “O Brasil tem duas frentes simultâneas entre as regiões que mais devastam a vegetação nativa do planeta”, destaca Edegar de Oliveira Rosa, diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil. Segundo ele, o governo brasileiro relaxou as regulamentações e fiscalizações ambientais, fazendo com que o país atingisse seu maior nível de desmatamento desde 2008, em meio a um aumento da extração ilegal de madeira, garimpos ilegais e desmatamento. Entre agosto de 2019 e julho de 2020, mesmo com desmatamento subindo 9,5% da taxa já elevada do período anterior, o IBAMA aplicou o menor número de multas administrativas por desmatamento ilegal desde sua criação: 42% a menos que no período anterior, caindo de 3.403 para 1.964 autos de infração. “Desmatar para produzir commodities agropecuárias é uma ironia, pois já começa a afetar diretamente as safras e a qualidade das pastagens por causa da redução das chuvas”, diz Rosa. Mariana Napolitano, gerente de ciências do WWF-Brasil, lembra que “a Amazônia brasileira está perto de atingir um ponto de inflexão, no qual a floresta não será mais capaz de manter seus ciclos e processos naturais, e as porções mais afetadas sofrerão diminuição das chuvas e períodos de seca prolongados.” Segundo ela, a tendência de alteração do clima no país é reforçada pela destruição do Cerrado brasileiro. Savana com maior biodiversidade do mundo, o bioma desempenha um papel essencial no apoio ao ciclo da água no Brasil como fonte de oito das 12 bacias hidrográficas do país. O desmatamento contínuo pode reduzir a precipitação e aumentar as temperaturas locais, colocando em risco a vegetação remanescente, a subsistência e a produção de alimentos. O relatório completo está disponível no link https://wwfbr.awsassets.panda.org/downloads/wwf_brasil_frentes_desmatamentos_port_final_v2.pdf .

22 de janeiro, 2021
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ARTIGO
Devastação da Amazônia já afasta investimentos

Por Eugenio Singer * A agenda ambiental torna-se decisiva para a retomada das atividades econômicas pós-pandemia da Covid-19. No Brasil, porém, os graves impactos do desmatamento na Amazônia colocam o País na contramão dessa irreversível tendência. No momento em que a crise deflagrada pela expansão do novo coronavírus cria gravíssimo impacto planetário de múltiplas consequências, alguns fatos de especial relevância causam inédita preocupação pelo poder que têm em interferir nos já difíceis e imprevisíveis rumos do desenvolvimento humano, social e econômico global no futuro pós-pandemia. Dentre tais fatores, ele aponta a maneira como distintas dimensões da crise entrelaçam-se no Brasil, fazendo convergir problemas anteriores e aqueles deflagrados pela Covid-19. Isso tem repercussões ambientais e sociais de alto risco para o País, seu povo e instituições, bem como para a humanidade. Afinal, é inegável que o Brasil, por suas características geopolíticas, diversidade cultural e incomparável patrimônio ambiental, é um dos pilares para o turning-point que aponta cada vez mais, em escala global, para uma renovação estruturante dos conceitos de desenvolvimento prevalentes até o momento. Estes precisam ser reinventados com urgência, visando garantir até mesmo a vida na Terra, como alertam diariamente os efeitos dramáticos das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e da decrescente disponibilidade de água. Autoridades públicas dos distintos níveis de responsabilidade, centros de pesquisa, universidades, comunidade de saúde e sociedade civil empenham-se em atender às urgências da pandemia e, ao mesmo tempo, em preservar a capacidade do Brasil de se recuperar com a minimização possível de danos. Porém, é preciso alertar sobre alguns pontos que podem ter efeitos desastrosos no futuro próximo do País e na sua inserção nos esforços globais de soerguimento, cada vez mais comprometidos com o desenvolvimento sustentável e a defesa dos direitos humanos. Nesta linha, apontamos cinco questões prioritárias: 1) Assim como grupos empresariais de diferentes nações, vinculados a diversos ramos de atividade econômica, manifestaram seu desconforto com os rumos que vem tomando a destruição da Floresta Amazônica, com aumento expressivo do ritmo e do volume do desmatamento, não poderíamos deixar de apresentar nosso ponto de vista. Nossa posição é lastreada pela presença de corporações estrangeiras no Brasil, especificamente da Europa, América do Norte e Ásia, em setores importantes, como os da agricultura, infraestrutura, transporte, mineração, saúde, telecomunicações, energia, petróleo e gás, automotivo, farmacêutico e alimentos. Vemos com crescente mal-estar a fragilização das condições de investimento no País. Este problema decorre das sinalizações efetivas, dadas por instituições e personalidades de governo, por meio de palavras, ações e omissões, de um afastamento dos preceitos ecológicos. Trata-se de postura em sentido contrário dos protocolos de ação consolidados no mundo inteiro, que reconhecem a necessidade - e, mais do que isso, a urgência inarredável - de respeitar e defender o meio ambiente como bem estratégico de uso coletivo, a ser planejado e utilizado como tal, e não mais como objeto de uso predatório e centrado em interesses produtivos mais imediatos. Fazemos parte da parcela crescente da sociedade global que, finalmente, reconhece na conservação rigorosa e de base científica dos recursos naturais e dos bens da natureza um ativo de imenso valor, preponderante para o crescimento econômico sustentável. É este o fator que garantirá às empresas uma inserção mais acolhedora e sensível nas questões sociais e culturais, imprescindíveis para um avanço civilizatório capaz de preservar, inclusive, nossos interesses e capitais. Tais movimentos transformadores são inadiáveis. 2) A pandemia atual e seus efeitos devastadores mostram-nos que a retomada das atividades e das esperanças individuais não deve pretender apenas recompor o desenho previamente existente no qual espelhávamos nossas vidas, nossas sociedades, nossa economia e nossas interações locais, nacionais e globais. A recuperação exige pensamento estratégico. É decisivo dar um passo à frente, dialogar com as reflexões e respostas positivas e inovadoras hoje gestadas no mundo todo. Dessa forma, é incompreensível e causa perplexidade que o Brasil não se dedique a inserir fortemente a Amazônia preservada como parte fundamental de seu cacife para a conjuntura necessariamente diferenciada que surgirá da crise da Covid-19. Mas, não é o que vemos. Ao contrário, observa-se o aumento expressivo e persistente do desmatamento, a fragilização dos órgãos de fiscalização com expertise na área ambiental e a redução significativa das punições impostas aos infratores, a despeito de novos arranjos institucionais formalmente destinados à proteção da Floresta Amazônica ; 3) Ao mesmo tempo, causa-nos profundo pesar constatar a situação de risco extremo a que estão submetidos os povos indígenas em todo o País, sobretudo na Amazônia. À escalada da pressão de atividades ilegais de mineração e desmatamento em suas terras, mesmo as já demarcadas, soma-se agora a ação devastadora do novo coronavírus. Mesmo diante de tais ameaças concretas, esses brasileiros não vêm recebendo a atenção diferenciada que sua situação de maior vulnerabilidade exige. Em contraste com o esforço voluntário da sociedade civil brasileira e internacional para socorrê-los, é nítida a participação tímida dos órgãos governamentais destinados à proteção indígena, mesmo diante dos números que indicam um impacto que pode ser fatal para várias etnias; 4) Entendemos ser indissociáveis as duas questões aqui destacadas, ou seja, a proteção ao meio ambiente e os direitos indígenas. A destruição de uma acarretará graves danos à outra e vice-versa. E ambas são conquistas que estão na base do pensamento crítico e analítico que nos leva, desde o século passado, a rever padrões de valores que fundamentam a vida em sociedade e, principalmente, a arejar o pensamento empresarial sobre seus compromissos para além da realização econômica. Hoje, de maneira nítida e abrangente, tais princípios passam a fazer parte intrínseca da vida das empresas, dos critérios de mercado, de investimentos e de viabilidade de parcerias. E não há como ser diferente, dadas as duras lições que a humanidade tem aprendido sobre o uso predatório dos recursos naturais e sobre a desconsideração de direitos humanos, sociais e culturais básicos. Embora ainda não possamos afirmar a hegemonia desses novos parâmetros, sabemos que é um caminho sem volta, no qual países, corporações e indivíduos engajam-se cada vez mais. Afinal, não se trata de ideologia, mas de constatar, o que temos feito com frequência e bom senso, o efeito virtuoso de tal atitude, inclusive para os resultados da produção econômica. Trata-se, enfim, de trazer o futuro para os cálculos do presente e não de destruí-lo. 5) Assim, ao mesmo tempo em que reconhecemos no Brasil um tradicional ambiente propício a investimentos, não podemos ignorar e deixar de nos manifestar a respeito da insegurança atual quanto aos fatores aqui expostos. Ao mesmo tempo em que vemos o País como potência ambiental capaz de participar de maneira decisiva da recomposição planetária pós-pandemia, reconhecemos num possível estigma antiambiental e contrário aos direitos indígenas o poder de afastá-lo da interlocução global e do fluxo de capitais, para os quais este é um ponto de difícil superação. E, certamente, a política ambiental atual, com um nível ponderável de relaxamento dos protocolos básicos de licenciamento, controle e garantia de transparência dos dados sobre desmatamento, aliada ao insuficiente apoio às comunidades indígenas, não é um caminho que possa dar suporte a parcerias duradouras com corporações, instituições e fundos globais. * Eugenio Singer é Bacharel em Engenharia Civil pela Universidade de Campinas (Unicamp), mestre em Engenharia Nuclear pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da Universidade de São Paulo (IPEN USP) e PhD em Engenharia Ambiental e de Recursos Hídricos pela Universidade de Vanderbilt (EUA). É presidente da Ramboll no Brasil e do Conselho de Administração do Instituto Pharos.

31 de agosto, 2020
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DESMATAMENTO
Amazônia tem queda de 26% em julho

Segundo o Deter, sistema do INPE, o desmatamento na Amazônia atingiu 1.654 km² em julho de 2020, uma queda de 26% na comparação com o mesmo mês de 2019. Entretanto, o instituto comenta que os atuais níveis de áreas abertas no bioma indicam que o desmatamento, em 2020, será maior que o registrado no último ano, quando chegou a quase 11 mil km2, ou duas vezes o Distrito Federal. A área agregada até julho até é semelhante à do mesmo período de 2019. Todas essas árvores derrubadas, somadas ao que caiu em 2019 e não queimou, já comprometem as tentativas de controle do fogo na Amazônia nesta estação seca. "Essa temporada na Amazônia não será recuperada. Quem derruba floresta quer recuperar seu investimento, e isso passa pela queima da vegetação desmatada para limpar o terreno, o que vai acontecer mais cedo ou mais tarde, com ou sem moratória de fogo. Coibir as queimadas começa com controlar o desmatamento", afirma a diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar. Com o desmatamento, as metas climáticas assumidas pelo Brasil, internamente e em foros internacionais estão cada vez mais distantes. "O Brasil pode ser exemplo para o mundo e atingir todas suas metas de produção agropecuária nas áreas já abertas, inclusive na Amazônia. Não precisamos desmatar mais, e 1,6 mil km2 derrubados num único mês é injustificado", diz o diretor-executivo do IPAM, André Guimarães. "Se o histórico dos últimos anos nos ensina algo é que a taxa deste mês é motivo de um otimismo extremamente cauteloso. Recuperar a confiança no país passa por mais do que um único mês de queda no desmatamento. É preciso mostrar que o Brasil não compactua com a destruição da Amazônia, não cede à ilegalidade que come a floresta pelas beiradas, e que investe pesadamente em uma economia de baixo carbono."

10 de agosto, 2020
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QUESTÕES AMBIENTAIS
Nordea retira JBS de investimentos

A gestora de investimentos finlandesa Nordea Asset Management retirou a JBS de sua carteira de investimentos, ao alegar questões ambientais. O Comitê de Investimentos Responsáveis da companhia entendeu que não estava vendo resposta no que eles procuravam. Eric Perdensen, chefe de Investimentos Responsáveis da Nordea disse: “Não foi pensando só no risco de desmatamento na cadeia de suprimentos da JBS, mas também na saúde e segurança de funcionários em relação à COVID-19”. O executivo citou ainda a evolução do tratamento dado às denúncias de corrupção. O valor de mercado da JBS na B3 é de quase R$ 60 bilhões. Pedersen elogiou o plano de sustentabilidade de outro frigorífico brasileiro, a Marfrig, para os próximos cinco e dez anos. “Ali temos um diálogo e estamos satisfeitos com as iniciativas do grupo”. A Nordea pertence a um grupo de 29 investidores que gerencia US$ 3,7 trilhões em ativos e, em junho, enviou uma carta as embaixadas brasileiras de oito países, mostrando-se preocupada com os índices do desmatamento e as incertezas para continuar a investir no Brasil. A JBS disse não comentar decisões de investidores, mas lamenta não ter chances para apresentar de forma direta suas ações e medidas comprovando seu comprometimento com a sustentabilidade das suas operações. “Estamos comprometidos com a erradicação do desmatamento em toda a cadeia de fornecimento e fomos uma das primeiras empresas a investir em políticas e tecnologia para conter o desmatamento na Amazônia”, disse a JBS em nota. Em relação à COVID-19, a JBS afirma manter esforços para garantir o abastecimento e a produção de alimentos, além de adotar medidas para prevenção e segurança de seus colaboradores em suas unidades. As medidas implementadas seguem orientações de especialistas e instituições de referência, como o Hospital Albert Einstein.

3 de agosto, 2020
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DESMATAMENTO
Brasil pode perder 9 mil km² de florestas

Segundo nota técnica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), caso o desmatamento continue em ritmo acelerado nos próximos meses de 2020, o Brasil pode perder quase 9 mil km2 ,já que a época mais intensa de derrubada e queima se inicia agora, com a chegada do período seco na região. "Coibir as queimadas e o desmatamento neste ano, além de uma ação de proteção ambiental, é também uma medida de saúde", afirma o autor principal da nota, o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM. Em 2019, os municípios que mais sofreram com queimadas na Amazônia tiveram, em média, o ar 53% mais poluído na comparação com 2018. Moutinho ainda pondera que "uma não ação dos poderes públicos na prevenção do desmatamento e das queimadas poderá representar perdas de vidas humanas para além das previstas com a pandemia". "Precaução é a palavra chave agora", conclui. "Durante a temporada de fogo, extensas áreas da Amazônia têm qualidade do ar pior que no centro da cidade de São Paulo, devido às queimadas. Isso tem forte efeito na saúde, especialmente em crianças e idosos, que são as populações mais vulneráveis", explicou o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo, que colaborou com o trabalho. "Como a poluição das queimadas viaja por milhares de quilômetros, comunidades isoladas de índios respiram esta atmosfera insalubre, que é muito acima dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde”. Quatro estados concentram 88% da área desmatada e não queimada: Pará, com 42% dos 4,5 mil km2, Mato Grosso (23%), Rondônia (13%) e Amazonas (10%). Segundo o estudo, onze regiões são consideradas preocupantes e devem ser priorizadas para ações de comando e controle, especialmente aquelas planejadas pelo governo federal, assim como para o planejamento de atendimento à saúde pelos governos estaduais. O fogo é o próximo passo no processo de conversão de uma floresta em outro uso da terra, como pasto, explica a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, que também assina a nota técnica. "Por isso, quando temos uma taxa de desmatamento alta na Amazônia, a relação com o aumento de focos de calor é direta. Foi o que vimos acontecer em 2019 e, infelizmente, se nada for feito, é o que deveremos ver em 2020, já que a derrubada continua num ritmo elevado."

15 de junho, 2020
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WEBINAR
O que será da infraestrutura após a crise da Covid-19?

O 4º webinar promovido em conjunto pelas revistas Brasil Mineral e Saneamento Ambiental , com a colaboração da Ramboll e mediação de Eugenio Singer, conselheiro das duas publicações, buscou discutir o futuro da infraestrutura no Brasil passados os impactos do Covid-19. Fizeram parte deste debate Casemiro Tercio de Carvalho – engenheiro naval, que já atuou na administração dos portos de Santos e São Sebastião e da Hidrovia Tietê-Paraná, que abordou o setor portuário; Eduardo Ledsham – geólogo, CEO da Bahia Mineração, falando sobre a área de mineração; Hugo Rosa – engenheiro de Produção, CEO da Método Potencial Engenharia, que analisou o setor de Óleo e Gás; Rogério de Paula Tavares – vice-presidente de Relações Institucionais da Aegea, falando sobre saneamento; Sergio Pompeia – presidente da CPEA, trazendo a visão do setor de consultoria ambiental; e Francisco Lyra – comandante e empreendedor na área de aviação no Brasil, presidente do Instituto Brasileiro de Aviação, que fez uma análise sobre o segmento aeroportuário. Questionados sobre os principais impactos e o futuro dos negócios de infraestrutura no Brasil após a crise do Covid-19, Eduardo Ledsham fez uma análise do setor de mineração e disse que o período pós-pandemia pode ser uma alavanca para o setor de mineração – “já existe uma demanda crescente na China por minério de ferro de alta qualidade, reflexo da retomada e do investimento que esse país fará no setor de infraestrutura. Outra commodity que teve grande impacto foi o ouro, historicamente um ativo financeiro cuja onça está próxima de US$ 1.800,00, valor que dá suporte a novos projetos. Os metais de base – cobre, zinco e níquel – que sofreram um pouco mais no início da pandemia, já começam a apresentar sinais de retomada. No geral, Ledsham percebe um movimento de retomada da mineração com os investimentos previstos em infraestrutura, como no caso dos novos corredores para transporte de grandes volumes de minério de ferro que deverão colocar o Brasil em vantagem competitiva – “o minério de ferro hoje está cotado a US$ 96,00 a tonelada, chegando a US$ 110,00 a tonelada do minério premium e o câmbio coloca o Brasil competitivo para novos projetos greenfield”. Ledsham ressaltou ainda a grande interface do Brasil no agronegócio, que depende de fertilizantes – “a combinação da carga de mineração, grãos e infraestrutura alavanca os projetos já existentes no País”. A avaliação do setor de Óleo e Gás foi feita por Hugo Rosa. Segundo ele, dos contratos em andamento na Método Potencial Engenharia, dois sofreram redução de ritmo devido a condições locais e velocidade do contágio da população pelo coronavírus. Ainda assim, a empresa continuou assinando novo contratos no período, porém a mobilização para execução dessas obras foi postergada para alguns meses ou para o início de 2021 – “isso deve impactar nossa receita neste ano”. O impacto foi mais sentido na área de Gás, que estava em processo de expansão e projeção de crescimento para os próximos cinco anos com ampliação das redes de distribuição e uso para energia. “Com o impacto da pandemia no PIB, o consumo de energia se reduziu, tanto que os leilões de energia programados para abril foram adiados para o fim do ano”, informou Rosa. Em sua opinião, o retorno das atividades pós pandemia será mais lento que o esperado com base em projeções de sites internacionais que dizem que o Brasil ainda está longe do pico o Covid-19 – “a coisa ainda vai piorar muito antes de melhorar e acho precipitados os anúncios de redução da quarentena, pois isso poderá acelerar o crescimento de novos casos”. Para Rosa, o “retorno da normalidade” só deve ocorrer no final do ano ou início de 2021. Rogério Tavares disse que o setor de saneamento é resiliente à situação de pandemia por ser uma atividade essencial e que a operação se mantém praticamente dentro da normalidade. Mas, para poder continuar operando, as empresas de saneamento tiveram que se reorganizar no sentido de dar suporte a seus colaboradores, especialmente aos que estão na linha de frente, com o fornecimento de EPIs e telemedicina – “primeiro é preciso cuidar do time para que ele possa trabalhar em níveis de segurança ideais”, destaca o VP de Relações Institucionais da Aegea. No caso do saneamento, é preciso considerar ainda que 35 milhões de brasileiros não contam com serviços de água e 100 milhões de pessoas permanecem sem esgoto e os impactos da pandemia são maiores nas áreas mais pobres. “Nas cidades onde atuamos, a Aegea tem como diretriz fazer o máximo possível para dar condições sanitárias adequadas à população, buscando, inclusive, atender as áreas mais vulneráveis, cumprindo e até superando as metas contratuais. Há muito investimento a ser feito e a pandemia coincide com o momento da discussão no Senado da aprovação do novo Marco Legal do Saneamento, que cria condições para maior participação da iniciativa privada na prestação desses serviços”. Do ponto de vista da situação do setor, Tavares ressalta que todos os operadores estão fazendo o máximo que podem para atender a população nesse momento, com ações que extrapolam o fornecimento de água e atendimento de esgoto, como a desinfecção de ruas e doações de equipamentos de proteção individual para hospitais. Quanto à evolução do saneamento, Tavares salienta que o consumo de água cresceu no segmento residencial e que, até o momento, os impactos de arrecadação (inadimplência) não são tão significativos. A perspectiva de futuro do representante da Aegea é que os investimentos deverão crescer e que o setor será essencial para a retomada do País no aspecto infraestrurura – “vamos começar pelo básico, pelo saneamento básico”. Para Sergio Pompeia, a consultoria ambiental é um bom indicador para avaliar o desenvolvimento do País – “tivemos um sinal de alerta quando foram estabelecidas as medidas de distanciamento social e as suas consequências econômicas. A pandemia cria um ambiente de insegurança nos investimentos e a prioridade das empresas é manter os negócios em funcionamento, onde a questão ambiental muitas vezes está fora desse contexto”. Um dos impactos sentidos pela CPEA nesse período em seus contratos foi a pressão sobre os preços e pedidos para maior prazo para pagamentos. Ainda assim, algumas atividades de campo foram mantidas, como o monitoramento ambiental. Quanto aos serviços de consultoria, o home office ganhou força e novas alternativas tecnológicas passaram a ser adotadas para fazer o serviço de forma mais remota. Passados pouco mais de 60 dias das medidas de contenção, Pompeia afirma ver sinais positivos – “na área de passivos ambientais a atividade continua, por ser obrigação. Mas a grande surpresa foi o aumento da procura dos investidores de infraestrutura com visão de longo prazo, o que deve significar nova demanda na área de consultoria ambiental”. Coube a Casemiro Tercio de Carvalho as considerações sobre o setor de portos – no início do ano a movimentação com exportações foi recorde, devido ao efeito dólar – até abril, o porto de Santos já havia movimentado mais de 12 milhões de toneladas. O movimento de contêineres, que estava normal até fevereiro / março, começou a apresentar redução de volume movimentado a partir do início de abril, devendo permanecer assim pelos próximos meses. Segundo Tercio, essa queda está entre 20% e 25%. O legado que a pandemia traz para o setor é a automação dos processos, a “eliminação” de pessoas na tomada de decisão e maior uso da Inteligência Artificial – mudança de paradigmas que deverão sustentar a atividade portuária daqui em diante. Para Francisco Lyra, o setor aéreo foi um dos mais atingidos e que talvez experimente uma recuperação bastante lenta e alertou para dois aspectos: “o Brasil é um país de dimensões continentais e que está localizado a uma distância grande dos principais centros financeiros do mundo. Portanto, o transporte aéreo num país como o Brasil é um serviço público essencial, cujos ativos são operados pelo setor privado”. Lyra reforçou a necessidade de relançar a aviação regional no País. Antes da pandemia, 140 cidades eram servidas por linhas aéreas, agora são apenas 100, muito embora o potencial do setor continue o mesmo. A íntegra das discussões deste webinar pode ser assistida em nossos canais no YouTube, no endereço https://www.youtube.com/watch?v=giW-jdtG21I .

2 de junho, 2020
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MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Emissões brasileiras devem crescer até 20% com recessão

Segundo análise do Observatório do Clima lançada dia 21 de maio, as emissões brasileiras de gases de efeito estufo podem subir entre 10% e 20% em 2020 na comparação com 2018, último ano para o qual há dados disponíveis. A recessão gerada pela pandemia do COVID-19 no restante do mundo pode gerar redução de 6% dos gases. O aumento das emissões no Brasil é explicado de acordo com nota técnica do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do OC), pelo aumento do desmatamento na Amazônia neste ano. Este crescimento das emissões brasileiras tende a compensar a queda esperada das emissões no setor de energia e na atividade industrial, além da redução que também vem sendo verificada no desmatamento no Cerrado. Considerando a média dos últimos cinco anos do desmatamento nos meses de maio a julho, as emissões decorrentes da destruição da floresta em 2020 serão 29% maiores que em 2018. Caso o desmatamento em maio, junho e julho deste ano seja semelhante ao do mesmo período do ano passado, porém, a Amazônia pode terminar 2020 com 14,5 mil km2 desmatados e emissões 51% maiores do que em 2018. O desmatamento é medido sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Em julho se encerra a série de 2020. A redução do consumo de carne em abril contribuiu para o aumento nas emissões do Brasil. Em abril, os abates de bovinos caíram 20%, o que pode significar um ligeiro acréscimo nas emissões do setor. A pecuária responde sozinha por 20% das emissões do Brasil, sobretudo devido ao metano emitido pelo rebanho bovino (o popular "arroto" do boi). A redução nos abates significa mais bois no pasto e, portanto, mais emissões. Outros setores com tendência de queda são o de transportes, por exemplo, a partir da adoção do isolamento social, em março. No entanto, o consumo de diesel no transporte de carga subiu, o que levou a uma queda de 1% nas emissões no primeiro trimestre, no cômputo geral – uma redução pequena. A geração de eletricidade e a indústria tiveram quedas nas emissões. Em 2018, o Brasil emitiu 1,9 bilhão de toneladas brutas de CO2 equivalente, divididas da seguinte forma - 21% em energia, 5% em processos industriais, 25% em agropecuária, 5% em resíduos e 44% em mudança de uso da terra. A depender do que possa acontecer com o desmatamento da Amazônia, as emissões podem ser da ordem de 2,1 bilhão a 2,3 bilhões de toneladas brutas neste ano. Isso desviaria o país tanto do cumprimento da Política Nacional de Mudança do Clima, que tem meta de emissões decrescentes para 2020, quanto do Acordo de Paris, que prevê emissões de 1,3 bilhão de toneladas de CO2 equivalente para 2025. "O efeito da pandemia é redução das emissões no mundo inteiro. Mas, no Brasil, temos a maior parte das emissões vinculadas a mudanças do uso da terra, que estão descoladas da Covid-19", disse Tasso Azevedo, coordenador do Seeg.

25 de maio, 2020
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CONSULTORIA AMBIENTAL
Como a Covid-19 impacta os negócios?

Para discutir os impactos da Covid-19 nos negócios da área de consultoria e engenharia ambiental e nos principais setores empresariais atendidos, vários dirigentes de empresas, representando mais de 2 mil profissionais no Brasil e quase 6 mil na América Latina, se reuniram e teleconferência, na segunda quinzena de abril. O encontro, mediado por Eugenio Singer , conselheiro da Saneamento Ambiental e diretor geral da Ramboll Brasil, reuniu André Rebouças , da Mérieux Laboratórios, Eduardo Yassuda , da TetraTech, Gustavo Mello da Ramboll, João Marcellino , da Advisian, Karin Formigoni , da Arcadis, Lucila Telles , da Golder, Paulo Santos , da ERM Brasil, Marco Fabiani , da ES4i e Sergio Pompéia , da CPEA. Abordando o primeiro tópico -- como a crise tem impactado os negócios na área ambiental -- os participantes afirmaram que ainda não houve impacto que resultasse no cancelamento de contratos, embora já tenham se registrado vários atrasos e postergações de contratos. Para muitos, a chegada da pandemia ao Brasil aconteceu de forma muito rápida. Aqueles que conseguiram se preparar antecipadamente, tiveram vantagens. Segundo João Marcellino, que é managing consultant para os negócios ambientais da Advisian na América do Sul, “o maior impacto foi o movimento de home office, mas sem grandes problemas. Ainda de acordo com ele, foi uma surpresa positiva”. Ele também destacou que não teve contratos encerrados, mas algumas suspensões. E relatou muito atraso nas atividades de campo, o que impactará os trabalhos. Marcellino reforçou que há uma mudança de comportamento, onde a estratégia, o planejamento e a preparação serão fundamentais, uma vez que há menos informações de campo. Pensamento semelhante foi apresentado por Karin Formigoni, presidente da divisão ambiental do Brasil e diretora de negócios de remediação da américa latina da ARCADIS, que destacou também contratos suspensos ou adiados. Mas ela reforçou a grande oportunidade para as atividades de consultoria e revisão de processos. Karin relatou, também, uma atenção muito grande com os colaboradores, com atividades para cuidar, inclusive, da saúde mental deles no período de isolamento social. Sérgio Pompéia, presidente da CPEA, também se expressou como as pessoas “estão se mostrando maduras para o trabalho remoto”, que tende a se fortalecer no futuro. Ele também reforçou as dificuldades envolvendo os trabalhos de campo. Mas destacou os problemas envolvendo o licenciamento ambiental, que acaba sendo prejudicado por conta da paralisação de serviços públicos. Apesar disso, ele fez uma ressalva muito positiva, destacando que o pós-pandemia deve trazer uma grande oportunidade no crescimento no setor de infraestrutura, com um bom crescimento no primeiro trimestre de 2021. Paulo Santos, managing partner da ERM no Brasil, reforçou que os negócios não pararam, mas também relatou postergações. Ele foi enfático sobre os impactos causados na logística e reforçou os esforços da empresa para manter a saúde e a segurança da equipe, preparando-se já em dezembro para a chegada da Covid ao Brasil. Santos destacou a importância da atuação da alta gestão nesse caso, opinião compartilhada por Eugenio Singer, diretor geral da Ramboll Brasil, que destacou a importância de compartilhar a visão estratégica como elemento fundamental para antecipar riscos. Marco Fabiani, presidente da ES4i, direcionou o foco para as operações, porque “os laboratórios de saúde não podem parar. Justamente pela visão estratégica, eles procuraram criar procedimentos para minimizar os impactos da covid nas atividades, como maior turno de operações, afastar os de maior risco etc.” Neste sentido entra também uma visão de continuidade da operação, como a busca por empresas de desinfecção. Já Lucila Telles, country manager no Brasil e líder da divisão ambiental da Golder na américa Latina, concordou com os posicionamentos apresentados pelos colegas, destacando o home office, contratos suspensos ou adiados, dificuldades nas atividades de campo e atrasos nos processos de Licenciamento Ambiental. Ela também destacou questões envolvendo as operações na América Latina, onde outros países, como o Peru, tiveram suspensão total das atividades. André Rebouças, diretor executivo de water and environment da Mérieux, pontuou que uma pandemia era questão de tempo e que, por isso, começou a se preparar bem cedo, integrando diversos setores, como laboratórios, comercial, campo, coleta etc, de forma a manter a continuidade. Segundo ele, cada setor teve uma estratégia diferente, que foi implantada em meados de março. Isso tudo alinhado com apoio psicológico e foco trabalhista. Contudo, o CEO relatou que os negócios sentiram os impactos na segunda quinzena de março, com a suspensão de entrada de novos trabalhos, cancelamentos e dificuldades logísticas Rebouças destacou a infraestrutura, que será uma oportunidade durante a retomada. Assim como os demais dirigentes, Gustavo Dorota, diretor operacional da Ramboll Brasil, destacou a importância da visão estratégica e a resposta global. Ele informou que, com os seis escritórios fechados, o home office acabou sendo o foco. Os trabalhos de campo prosseguiram, mas de forma mais cautelosa. Assim como outros os outros líderes, Dorota relatou impactos nas operações e afirma que maio será um mês desafiador. Por fim, ainda sobre o mesmo tema, Eduardo Yassuda, presidente da TetraTech na américa do sul, apresentou sua realidade, em que destacou o processo de transferência para home office, que passou por algumas dificuldades, como a indisponibilidade de VPN para todos. Mas, segundo ele, também testemunhou melhorias, como reuniões mais produtivas. E acrescentou que as atividades não pararam, o que é positivo. Ele também fez uma análise sobre uma tendência de redução de espaços físicos, que podem cair em 30%. Setores mais impactados A segunda questão colocada por Eugenio Singer disse respeito aos setores mais impactados. Para Eduardo Yassuda, o setor que sofreu maior impacto foi o de óleo e gás, pois a crise do coronavírus coincidiu com os outros impactos globais. Já a atividade de mineração manteve-se positiva. João Marcellino, por sua vez, disse acreditar que o maior impacto foi na manufatura de carros, que deve apresentar uma retomada lenta. Para ele, o setor de óleo e gás sentiu, mas não vê diminuição, apesar de intensificarem os trabalhos como advisors. Eugenio Singer, por seu lado, destaca que deve haver um impacto no setor de descomissionamento de plataformas, opinião compartilhada por João Marcellino. Para o CEO, a mineração está resiliente, graças, principalmente, à cadeia de suprimentos. Karin Formigoni também não vê impactos grandes em óleo e gás no Brasil, mas projeta dificuldades em outros países, como nos Estados Unidos. Para ela, o setor automotivo foi mais impactado. Ela destacou, também, algumas retomadas em projetos de meio ambiente e energia. Sergio Pompéia destacou dois focos de retomada, através da infraestrutura e das concessões, como de aeroportos e portos. Ele destacou também que as empresas que terão mais impactos serão aquelas que não querem gastos com questões ambientais, que não se atentam aos gastos com passivos ambientais. Aproveitando o momento, Pompeia também destacou o problema das políticas públicas, que tentam afrouxar as questões ambientais. O CEO destacou que em São Paulo isso será mais difícil, evitando, assim, um sucateamento de liberações ambientais. Contudo, destacou que quem terá impacto são os grandes projetos imobiliários, como shoppings e prédios corporativos, que precisarão se reinventar. Paulo Santos enfatiza que o impacto será nas remediações, de forma mais pontual para cada cliente, onde os gestores sofrerão pressão para terem projetos mais eficientes e com menor custos. “Esses projetos de gestão precisarão passar por uma revisão. Apesar disso, haverá potencial para revisões na área de gestão das áreas contaminadas, com o crescimento nas tecnologias de coleta de dados remotos, de tratamento de dados etc”. Gustavo Mello, concordou que gás e mineração estão mais blindados, sem sofrer grandes impactos, mas ressalva que o setor automotivo parou, assim como toda a cadeia de fornecedores. “O Setor de manufatura sentiu, mas conseguiram se adaptar, mudando suas linhas de produção”. Ele também destacou que remediações sofrerão um impacto, uma vez que poucos entendem o passivo ambiental. Nesse sentido, será necessário buscar soluções “mais cerebrais”, com foco em tecnologia e sustentabilidade. Lucila Telles afirmou que é o momento de ajudar colaboradores e fornecedores, tentando não repassar as dificuldades para os parceiros, principalmente porque “as empresas menores não têm o mesmo fôlego para segurar uma crise tão forte. Esses serão bastante impactados”. Karin Formigoni destacou o papel importante do ESG (Environmental, Social & Governance) com foco na responsabilidade socioambiental. Nesse sentido, desenvolveram diversas ações no setor econômico, como a suspensão do pagamento de dividendos para acionistas, mais flexibilidade com os fornecedores e manutenção dos empregos. André Rebouças pontuou que a segurança e manutenção de empregos é fundamental. Ele também pontuou a necessidade de sobrevivência da cadeia de fornecedores, que vão sentir fortemente. Por fim, Marco Fabiani também destacou a parceria com os fornecedores, mantendo a cadeia de suprimentos em funcionamento. Ele ainda destacou a importância do RH no processo para manter a equipe engajada, atuando focada, sem criar o pânico. O que a crise nos ensinou? Com relação aos ensinamentos da crise, Eduardo Yassuda pontuou o fortalecimento das relações humanas, com uma maior participação na vida dos colaboradores. Para os clientes, a crise mostrou fragilidade e transparência para conversar e ajustas às demandas. Para ele, as relações estão fortalecidas. Gustavo Mello também concordou, destacando a mudança nas relações, aprendendo-se a lidar melhor com clientes e funcionários, além de mostrar a força das a

4 de maio, 2020