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MEIO AMBIENTE

Produzir sem destruir

Produzir sem destruir

Artigo por Leo Cesar Melo Por Leo Cesar Melo * Tudo o que se produz causa algum impacto. Alimentos, roupas, eletrodomésticos, tudo, do essencial ao supérfluo, demanda exploração de recursos naturais como água, energia e solo. Caso não adotem soluções ambientais sustentáveis, algumas indústrias podem se tornar enormes poluidoras. A começar pela indústria petrolífera, que tem um alto potencial para acidentes ambientais de larga escala, se não houver o cuidado adequado. Além dos acidentes, há o impacto das operações, que acabam reverberando sobre ecossistemas marinhos e terrestres. Nesse setor, contar com projetos estruturados de tratamento de resíduos é fundamental para garantir a adequação à legislação e evitar emergências ambientais. Outro segmento que demanda cuidados e para o qual poucos atentam, é a indústria têxtil, ou a indústria da moda. Segundo a BBC, tecidos como malha e poliéster, que são os mais utilizados nesta indústria, além de demorar mais de 200 anos para se decompor, demandam 70 milhões de barris de petróleo todos os anos. E não pára por aí. Para o cultivo do algodão são necessárias substâncias que podem causar impacto no solo e na água. Dessa forma, a gestão hídrica e o uso racional de matéria-prima são fatores-chave para trazer sustentabilidade para esse mercado. Até mesmo a produção de alimentos pode ocasionar grandes impactos ambientais. As empresas de carnes e laticínios possuem alta emissão de gases do efeito estufa e, além disso, a criação de gado normalmente exige locais vastos e abertos, que acabam resultando em retirada da vegetação nativa. O consumo de água nessa indústria também é alto, o que traz para este mercado a necessidade de um enorme cuidado nas questões ambientais e de gerenciamento de água, efluentes e resíduos. Sem soluções ambientais responsáveis, essas indústrias podem causar impactos de muita relevância. A única maneira de mudar é inovando e investindo em sustentabilidade. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

Por Leo Cesar Melo *

Tudo o que se produz causa algum impacto. Alimentos, roupas, eletrodomésticos, tudo, do essencial ao supérfluo, demanda exploração de recursos naturais como água, energia e solo. Caso não adotem soluções ambientais sustentáveis, algumas indústrias podem se tornar enormes poluidoras.

A começar pela indústria petrolífera, que tem um alto potencial para acidentes ambientais de larga escala, se não houver o cuidado adequado. Além dos acidentes, há o impacto das operações, que acabam reverberando sobre ecossistemas marinhos e terrestres. Nesse setor, contar com projetos estruturados de tratamento de resíduos é fundamental para garantir a adequação à legislação e evitar emergências ambientais.

Outro segmento que demanda cuidados e para o qual poucos atentam, é a indústria têxtil, ou a indústria da moda. Segundo a BBC, tecidos como malha e poliéster, que são os mais utilizados nesta indústria, além de demorar mais de 200 anos para se decompor, demandam 70 milhões de barris de petróleo todos os anos. E não pára por aí. Para o cultivo do algodão são necessárias substâncias que podem causar impacto no solo e na água.

Dessa forma, a gestão hídrica e o uso racional de matéria-prima são fatores-chave para trazer sustentabilidade para esse mercado.

Até mesmo a produção de alimentos pode ocasionar grandes impactos ambientais. As empresas de carnes e laticínios possuem alta emissão de gases do efeito estufa e, além disso, a criação de gado normalmente exige locais vastos e abertos, que acabam resultando em retirada da vegetação nativa. O consumo de água nessa indústria também é alto, o que traz para este mercado a necessidade de um enorme cuidado nas questões ambientais e de gerenciamento de água, efluentes e resíduos.

Sem soluções ambientais responsáveis, essas indústrias podem causar impactos de muita relevância. A única maneira de mudar é inovando e investindo em sustentabilidade.


* Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

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Artigo por Alysson Nunes Diógenes Por Alysson Nunes Diógenes * Recentemente, a imprensa repercutiu a notícia de que o Brasil perdeu 15% dos seus recursos hídricos em 30 anos, uma perda de quase o dobro da superfície de água de todo o Nordeste, de acordo com estudo inédito do MapBiomas – grupo de pesquisadores com muita credibilidade e correto em seus dados e conclusões. Por outro lado, faltou apresentar algumas informações históricas, sem as quais esse dado sobre a perda dos recursos hídricos fica descaracterizado, como o do crescimento populacional. Desde a década de 1990, a população brasileira saltou de 150 milhões de habitantes para 211 milhões, um aumento de 40%. População que tem muitas necessidades no dia a dia: comida, bebida, deslocamento, habitação e lazer. Coisas simples, mas que necessitam de recursos. É, no mínimo, simplista apresentar esse dado e ignorar nosso histórico. Há alguns anos vivemos crises energéticas. No governo Fernando Henrique Cardoso, em 2001, por exemplo, houve uma delas. No governo Dilma, mais uma crise, dessa vez, por causas diferentes. A população e, em especial, a indústria precisam de energia. Muito se critica as recentes obras para geração de energia no rio Madeira e no rio Xingu, mas é mais desejável construir hidrelétricas do que acionar as geradoras termelétricas. Mas, alguém há de questionar. E as energias alternativas? Solar e eólica, as mais difundidas. Elas não são opções viáveis, por acaso? A resposta é que ambas têm um custo de operação muito maior do que as fontes citadas, as hidrelétricas. No entanto, o mesmo brasileiro que deseja o meio ambiente preservado, não se dispõe a pagar mais na conta de energia. Outro dado relevante é que na década de 1990 as fronteiras do Brasil eram fechadas para o comércio exterior. Mas o governo Collor participou do movimento mundial que ficou conhecido como globalização, trazendo grande desenvolvimento à nossa agricultura e pecuária. Parece outro mundo, mas foi apenas 30 anos atrás. E, é claro, isso teve consequências. Cerca de 70% da água que é consumida no país é para irrigação e outros 10% para consumo animal. Mais do que alimentar a população brasileira, somos grandes exportadores de soja e milho, além de carnes de frango, suína e bovina. Com esses dados, nota-se um conflito que, esse sim, deve ser abordado. A presença humana é prejudicial ao meio ambiente. E o que é possível fazer? Alguns exemplos: o governo federal, por meio do IBAMA, pode aumentar a fiscalização e multar os infratores da legislação ambiental, incentivando-os a respeitar as leis. O Judiciário, em todas as suas instâncias, não deve anular essas multas por qualquer motivo. O produtor que respeita as leis deve ser premiado por sua boa conduta. Prefeituras e estados devem fazer cumprir seus marcos de saneamento e parar de poluir os rios com esgotos e de autorizar construções em áreas de preservação. Na outra ponta, o cidadão que pode e deve adotar práticas sustentáveis de vida, que sabemos, são mais caras, mas garantem um futuro melhor para as próximas gerações. Entre as mudanças de comportamento, está o consumo de produtos com selos de sustentabilidade, como o da Rainforest Alliance, que certifica a prática de agricultura foi sustentável. Nem falarei em usar transporte público, e modais alternativos, como a bicicleta. Se apenas reduzirmos o desperdício de água e de energia elétrica, já será bastante significativo. Há muito trabalho a ser feito, mas, certamente, as ações renderão frutos – entre eles, inclusive, retorno financeiro. Mas, uma coisa é certa: com ações como as citadas, um futuro mais sustentável estará garantido para as próximas gerações. * Alysson Nunes Diógenes é Engenheiro eletricista, doutor em Engenharia Mecânica (UFSC), é professor do Mestrado e Doutorado em Gestão Ambiental da Universidade Positivo (UP).

20 de setembro, 2021
Estiagem é sinal de alerta
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Estiagem é sinal de alerta

Por Leo Cesar Melo * A pior seca em 91 anos enfrentada por cinco estados brasileiros, entre eles São Paulo, de acordo com um comitê de órgãos do governo federal, fez com que fosse anunciado o alerta de emergência hídrica no país. Mas, além da falta de água nas torneiras de casa, do apontamento da estiagem como responsável pelo aumento da conta de luz e de colocar o país sob risco de apagão, acima de tudo é importante refletir sobre o mau uso que se faz da água. Há uma demanda crescente por esse bem natural e, com isso, uma degradação cada vez maior dos nossos recursos hídricos. Portanto, é indispensável que ações e novas técnicas de preservação ambiental, que possam reduzir ao máximo esses impactos, sejam tomadas urgentemente. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), até 2030 o planeta deve enfrentar um déficit de água de 40%. Uma das alternativas para reverter esse quadro é a captação e tratamento da água da chuva. Além de uma economia que pode chegar até 50% do consumo de água, tanto de uma residência como de uma indústria, a medida gera impactos positivos ao meio ambiente. Hoje, a engenharia oferece soluções para isso. Em um terminal portuário no Espírito Santo, por exemplo, projetamos e construímos uma Estação de Tratamento de Águas Pluviais (ETAP) em uma área de 110 hectares que já está operando com capacidade de 4 mil m³/h de tratamento. Isso equivale a quase duas piscinas olímpicas por hora. Projeto que pode ser adequado, de acordo com a necessidade de cada indústria, além de outros fatores. Cuidar da água está intimamente ligado à sustentabilidade, já que não há futuro sustentável se tivermos desabastecimento. Portanto, a afirmação "água é vida" resume bem o tom de conscientização que todos nós devemos ter. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis.

2 de julho, 2021
"Semana do Meio Ambiente", um convite à reflexão
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"Semana do Meio Ambiente", um convite à reflexão

Por Leo Cesar Melo * Criada pela Organização das Nações Unidas em 1972, a "Semana do Meio Ambiente" entrou no nosso calendário oficial somente a partir de 1981. O objetivo da celebração, sempre na primeira semana de junho, é incluir a sociedade na discussão de pautas que tratem da preservação do patrimônio natural. Este ano, o tema escolhido pela ONU é "Recuperação dos Ecossistemas". O tema nos leva a refletir sobre o modo como exploramos os recursos naturais e como a indústria, em todos os seus segmentos, trata a degradação ambiental. Entender como a natureza funciona e adotar processos que estejam em equilíbrio com o meio ambiente é uma medida urgente. Ou seja, é preciso rever o quanto antes os processos produtivos e traçar um novo plano estratégico que seja sustentável. O uso consciente de recursos deve estar no centro da mudança, dessa necessária transformação. Da forma como ainda se produz, os impactos ambientais são óbvios e amplamente reverberados, mas muitas companhias demonstram ainda ignorar as graves consequências do atual modelo de consumo, que consiste em extrair, produzir e descartar. O foco deve ser gerar cada vez menos resíduos, implantando soluções de reaproveitamento do que antes era considerado lixo ou descartável, a chamada "Economia Circular". Neste novo modelo, todos os elementos da cadeia produtiva são reutilizados, seja voltando à mesma linha de produção, seja na fabricação de novos produtos, tornando-se nutriente para um novo ciclo. De acordo com um estudo recente da Accenture, empresa multinacional de consultoria de gestão, tecnologia da informação e outsourcing, a transição para uma economia circular poderia gerar até 4,5 trilhões de dólares para a economia mundial nos próximos 10 anos. Ao adotar essa estratégia, além de um alto potencial para promover novas oportunidades de negócio, as organizações também se enquadrariam em um novo aspecto de impacto ambiental e social. Essa mudança para uma forma sustentável de fazer negócios, no entanto, exige das organizações esforço para redesenhar o modelo atual. Refletir e compreender a necessidade de adotar medidas mais eficazes e menos nocivas para o meio ambiente e, consequentemente, para os humanos, é fundamental. Somos parte de ecossistemas e temos por obrigação, pessoal e institucional, também cuidar deles. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com atuação em soluções sustentáveis

5 de junho, 2021
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Quanto custa a falta de água?

Por Leo Cesar Melo * A água é um recurso natural muito valioso, não só para economia mundial como também para toda a sociedade civil. Cuidar da água está intimamente ligado à sustentabilidade, já que não há futuro sustentável se tivermos desabastecimento. A presença ou falta dela têm impactos sociais, ambientais e econômicos imensuráveis, por isso a necessidade urgente de medidas de preservação. Vivemos em um país em que 35 milhões de pessoas não possuem acesso à água potável e outros 100 milhões (quase metade da população) não têm o seu esgoto tratado. Isso tem um impacto gigantesco na qualidade de nossos rios e reservatórios e na oferta de água limpa, o que causa mais custos no tratamento e disponibilização para a população. Segundo cálculos do Ministério da Economia, até 2033 cerca de R$ 700 bilhões devem ser investidos para mudar esse panorama, graças ao novo marco legal do saneamento. A meta é nos próximos 12 anos universalizar o abastecimento de água e atender 90% dos brasileiros com esgotamento sanitário. Mas ampliar o acesso não pode ser a única frente de trabalho nessa jornada. Educar pessoas e empresas a transformar a sua relação com a água é outra demanda urgente. Por meio da redução do desperdício, o fim do descarte incorreto e uso racional, podemos criar uma nova era pautada pela sustentabilidade, que vai nos ajudar a garantir o futuro equilibrado de todas as nossas atividades. Afinal, não podemos nem sequer imaginar o quanto custaria a todos nós não ter mais acesso à água. Portanto, a afirmação "água é vida" resume bem o tom de conscientização que todos nós devemos ter. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com atuação em soluções sustentáveis

19 de abril, 2021
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Automação industrial e sustentabilidade

Por Pedro Okuhara * O crescimento populacional e o ritmo acelerado em que o mundo está, vem aumentando o consumo dos recursos naturais e poderá ser uma catástrofe para as gerações futuras. A preservação da biodiversidade é ponto fundamental para que empresas possam evoluir sustentavelmente, evitando possíveis desequilíbrios no meio ambiente, que poderiam proliferar pragas, vírus e doenças. Cada vez mais, o crescimento sustentável de uma empresa não depende apenas do pilar econômico. Suas ações no âmbito social e ambiental podem impactar no seu resultado final, caso não haja equilíbrio entre eles. Dessa forma, o investimento em automação industrial e Indústria 4.0 podem ser caminhos para equilibrar esses pilares, aplicando assim diversas novas tecnologias para facilitar o desenvolvimento sustentável do negócio, trazendo benefícios como eficiência energética, redução do desperdício de água, redução de emissão de poluentes, entre outros. Antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, o mundo vinha sofrendo um impacto muito grande com o crescimento desenfreado de consumo dos recursos naturais, porém no início da pandemia, mais precisamente no final de abril de 2020, segundo um artigo publicado em maio de 2020 pela Nature Climate Research, tivemos uma redução mundial de 17% nas emissões de carbono em relação ao ano passado. Esse mesmo estudo mostra que, no Brasil, a redução atingiu 25%, fortemente impactada pelos setores de transporte e indústria, que passaram por um período muito atípico e foram obrigados a reduzir o ritmo, enquanto vivíamos em meio às diversas incertezas na luta contra a Covid-19. Em paralelo, foi possível observar a natureza se revigorar: o maior buraco na camada de ozônio se fechou no início de maio; os dois países com maior densidade populacional do mundo tiveram seus níveis de poluição reduzidos e, consequentemente, a sua emissão de CO2. Em Veneza, as águas dos canais ficaram claras e nítidas; animais silvestres em extinção voltaram a acasalar, devido à ausência de pessoas nos zoológicos; entre diversos outros exemplos de como o planeta voltou a "respirar" novamente. A transformação digital abordada pela Indústria 4.0 é muito enfática sobre como a automação, a robótica e a inteligência artificial irão aumentar a escala de produção, fazendo produtos complexos e personalizados de forma mais rápida e perfeita. Porém, muitas vezes ela deixa de destacar todo o ganho em eficiência no processo que faz a indústria economizar em matéria-prima, seja com água ou outro insumo, desperdiçando menos recursos naturais e reduzindo o impacto no meio ambiente. Além disso, os profissionais do chão de fábrica terão vidas mais saudáveis, deixando de trabalhar em processos repetitivos exaustivos durante várias horas diárias, para desempenhar rotinas administrativas de controle. A inteligência artificial poderá fazer análises em tempo real, mostrando soluções otimizadas de processo ou alternativas de materiais com menor impacto ambiental, atingindo o mesmo resultado no produto final. O consumo consciente é um tema novo, mas que já nasce com os jovens da geração Millennials (nascidos após os anos 2000), que desde o início de sua educação já aprendem a se preocupar com os impactos que o consumo de um produto pode ter no meio ambiente, assim como a empresa que desenvolve e comercializa essa mercadoria faz para minimizar os impactos gerados, seja através de investimentos em novos materiais, biodegradáveis ou recicláveis, em ações de reflorestamento, utilização de energia e processos limpos, ou até mesmo em projetos sociais para a comunidade. Apesar das grandes companhias já estarem engajadas quando o tema é Sustentabilidade, é possível notar um movimento muito forte de pequenas e médias empresas em levar este assunto cada vez mais a sério. O crescimento de nichos de mercado, onde a preocupação com o meio ambiente é ponto crucial, também estimula as empresas a se preocupar com suas ações, independentemente do seu porte. A automação e a Indústria 4.0 terão papéis fundamentais no avanço da manufatura de forma sustentável, e suas tecnologias farão os impactos reduzirem, contribuindo para a manutenção de todo ecossistema. No Japão, a cultura da sustentabilidade já nasce tanto nas empresas quanto na sociedade, e esperamos que o Brasil possa se espelhar nas ações de diversos países que estão à nossa frente, aplicando tecnologias que possam auxiliar na eficiência produtiva e ambiental. * Pedro Okuhara é Especialista de produtos da Mitsubishi Electric do Brasil

18 de dezembro, 2020
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Desenvolvimento sustentável e bem-estar dos colaboradores

Por Leo Cesar Melo * A sustentabilidade busca o equilíbrio entre a realização de atividades econômicas, a preservação do meio ambiente e o bem-estar social. Ou seja, sem deixar de atender as necessidades da sociedade, devemos pensar o crescimento da nossa economia de maneira que os recursos naturais sejam utilizados com racionalidade. Esse trabalho só é possível se adotarmos novos comportamentos, que valem para a vida na esfera íntima e familiar e também para o convívio em sociedade, na rua e no trabalho. No ambiente corporativo, o desenvolvimento sustentável deve estar diretamente ligado às questões que envolvem o bem-estar dos colaboradores. Já que os pilares da sustentabilidade envolvem aspectos financeiros, sociais e ambientais. A adoção de uma gestão sustentável requer o investimento e a valorização do capital humano. Para isso, gestores devem reconhecer a necessidade de promover ações que incentivem o crescimento profissional, a busca por conhecimento e a coletividade no ambiente de trabalho. Quando as pessoas percebem que sua experiência e sugestões são consideradas, elas se sentem parte e isso pode contribuir para a melhoria nos processos e para que novas visões estratégicas sejam apresentadas, ampliando as chances de sucesso. Isso faz parte de criar um ambiente colaborativo e sustentável, tendo o funcionário como aliado nas estratégias de consolidação da sua empresa. Assim como o comportamento do consumidor mudou com a Era da Experiência, o modo como os novos profissionais enxergam a postura das empresas onde querem trabalhar também foi modificado. Eles exigem viver melhores experiências profissionais, analisam a coerência entre discurso e prática nas organizações e buscam oportunidades de crescimento ligadas às questões sociais mais urgentes. Sustentabilidade é uma delas. Essa é uma tendência de crescimento que não pode ser ignorada e que tem definido o futuro das organizações e os resultados positivos das organizações. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

23 de novembro, 2020
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Engenharia e Sustentabilidade

Por Leo Cesar Melo * Criar soluções de engenharia por si só já é um grande desafio. Porém, o desafio se torna ainda maior quando se busca ter a sustentabilidade sempre como protagonista no desenvolvimento de soluções. Nesse sentido, as ações elaboradas pelas empresas de engenharia devem visar não apenas o seu fortalecimento, mas também da comunidade ao redor, além da preservação dos recursos naturais e a adoção da ética como guia para todas as ações e decisões. Ou seja, é preciso colocar a sustentabilidade na base da criação de seus projetos, visando o crescimento econômico aliado à preservação do meio ambiente e bem-estar da comunidade envolvida. Para isso, cada vez mais as novas tecnologias e processos aplicados pela engenharia devem caminhar nesse sentido, trazendo mais segurança para as pessoas, prevenindo riscos para os ecossistemas e otimizando custos, produtividade e necessidade de matéria-prima. É fato que não se pode mais ignorar a necessidade de, por exemplo, haver uma gestão eficiente dos resíduos e da água em toda a cadeia produtiva para minimizar os impactos ambientais. Essa compreensão tem levado a um processo de transição para um modelo de gestão permeado pela economia circular, que no Brasil vem evoluindo muito, ganhando mais adeptos. Como se percebe, o número de pessoas preocupadas em proteger a natureza não para de crescer, assim como a demanda por serviços e produtos com menor impacto ambiental. É nesse momento que as empresas guiadas por esse propósito se destacam e é justamente por isso que temos executado uma série de projetos para indústrias e setores de infraestrutura em que, mais do que ser economicamente viável, colocam a saúde do meio ambiente e das pessoas no cerne da engenharia. Que a sustentabilidade é pauta do mercado financeiro, sendo em muitos casos premissa para investidores, nós já sabemos. Mas, junto e melhor que isso, cresce de forma significativa o entendimento de que, para alcançar a sustentabilidade ambiental e a equidade social, não é necessário sacrificar a viabilidade econômica de um projeto. Sim, é possível adotar práticas responsáveis e levar em consideração a ética ambiental da comunidade onde a obra será desenvolvida. Isso não implica em abrir mão da lucratividade, reduzir danos aos bens naturais e os impactos ambientais que a atividade pode oferecer pode até mesmo ampliar margens e faturamento. O desenvolvimento econômico associado à preservação pode evitar prejuízos incalculáveis para o presente e para nossas próximas gerações. Somente com uma engenharia feita dessa forma é que poderemos construir um mundo melhor. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda

9 de novembro, 2020
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ARTIGO
Precisamos (e podemos) reduzir nossa produção de lixo

Por Leo Cesar Melo * Diariamente produzimos no Brasil, aproximadamente, 215 mil toneladas de lixo, um pouco mais de 1,0 quilo por pessoa. Em um mês são quase 6,5 milhões de toneladas e, ao final do ano, 78,4 milhões de resíduos são colocados nas portas das casas. Esses são dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, feito em 2017, que também ressalta que 91% da produção é coletada, mas somente 56% desse total tem a destinação correta. Levando em consideração ainda os 9% que sequer são coletados, podemos concluir que, para cada tonelada gerada, 460 quilos são descartados de maneira irregular, o que demonstra um potencial de prejuízo ao meio ambiente. A primeira coisa a fazer parece um pouco óbvia, que é reduzir a produção de lixo. Será que tudo o que é colocado para destinação final realmente precisa estar ali? No entanto, tenho visto com preocupação o cenário deste mercado de resíduos sólidos no Brasil. Uma pesquisa que realizamos recentemente sobre gestão de resíduos, com empresas de diferentes setores (mineração, farmacêutico, automotivo, agronegócio, entre outros), revela que para 60% delas o "Aterro Zero", que tem por objetivo dar uma destinação mais nobre do que aterros e incineradores a pelo menos 90% dos resíduos gerados durante o seu processo produtivo, ainda não é uma meta. No entanto, os prejuízos vão para além do aspecto ambiental. A pesquisa também mostra que 56% das empresas reconhecem que o desperdício de matéria-prima, água e energia é a principal perda econômica nesse processo. Ou seja, cada vez que sai um caminhão de uma indústria carregado de resíduos, ele leva consigo muito dinheiro. Serve como um bom exemplo os efluentes industriais de uma indústria alimentícia. Este material, normalmente rico em matéria orgânica, pode passar por tratamento para se tornar água de reuso (impactando os custos com água) e também uma biomassa, que pode ser aproveitada como fertilizante ou ser queimada para gerar energia a partir de um biogás (contribuindo na redução de custos com energia, ou gerando um novo produto para venda). Mas há outras inúmeras alternativas. Portanto, que tal olhar de maneira diferente para o que se descarta diariamente? Os orgânicos podem ir para uma composteira e se tornar adubo. Plásticos, vidros, papéis e outros materiais recicláveis podem ser destinados a locais que dão o devido tratamento a eles. Com uma simples mudança de perspectiva, podemos levar cada vez mais aquela tonelada diária que geramos para perto do zero. * Leo Cesar Melo é CEO da Allonda, empresa de engenharia com foco em soluções sustentáveis

17 de agosto, 2020
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ARTIGO
Contraprova do plástico

Por Yuri Kabe * Em tempos de banimento de itens de plástico, como acontece no Reino Unido, em países da União Europeia, como França, e em cidades brasileiras como Rio de Janeiro e São Paulo, é fundamental analisar de forma mais crítica e sensata se encarar o produto como vilão do meio ambiente é a melhor solução para problemas ambientais que precisamos solucionar. É preciso considerar que os plásticos podem ser úteis para auxiliar a sociedade e as empresas em soluções para as mudanças climáticas, por exemplo, que são consideradas pela Organização das Nações Unidas (ONU) a principal ameaça para a vida marinha e terrestre. Nesse sentido, a luta contra a poluição plástica não pode se tornar uma guerra conta os plásticos em si. Na construção civil, a invenção do cimento e do concreto revolucionou a forma como construímos nossas edificações. Sua resistência é indispensável para o mundo moderno, tendo se tornado a segunda substância mais consumida, atrás apenas da água. Entretanto, as tecnologias atuais de produção de cimento são grandes emissoras de gases do efeito estufa e a substituição do concreto por outros materiais, principalmente o plástico, nas áreas não estruturais, além de reduzir custos, podem reduzir o impacto ambiental das edificações. No setor automobilístico, o uso do plástico deixa o automóvel mais leve, reduzindo o uso de combustível e diminuindo a queima de gases. No segmento de embalagens, vimos uma revolução com a chegada dos plásticos, que diminuíram o desperdício de alimentos e a relação entre volume de produto e de embalagem de 70% x 30% para 97% x 3%, respectivamente. Outra vantagem são os benefícios para a área da saúde. A matéria-prima tem sido fundamental para evitar contaminação, sendo utilizada na fabricação de bolsas de sangue e das máscaras recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar a transmissão de doenças. Mas, como garantir um futuro com plástico e o equilíbrio ambiental? A desinformação é um grande problema. As famosas "ilhas de plástico no meio do Oceano Pacífico ou no mar do Caribe", por exemplo, sempre apresentadas como ilustração do que é despejado diariamente nos mares, são, na sua maior parte, resultados de grandes fenômenos naturais que arrastaram lixo para os mares, como o furacão Katrina, que varreu o litoral sul dos Estados Unidos em 2005 e os tsunamis que atingiram o sudeste asiático em 2004 e a costa leste do Japão em 2011. Obviamente a presença de resíduos plásticos no meio ambiente é reflexo de uma ineficiência na gestão de resíduos, um dos principais desafios da atualidade, mas a origem do problema é muito mais complexa, com particularidades em cada um dos quatro cantos do mundo. O Haiti é um país com quase nenhuma infraestrutura de coleta de lixo e localizado na rota de furacões que, junto com a chuva, levam resíduos para o oceano. Lagos, a maior cidade da Nigéria, tem mais de 20 milhões de habitantes e não conta com água encanada e, por esse motivo, o consumo de água em garrafa PET é exorbitante. A Indonésia, um país formado por quase 20 mil ilhas, tem o desafio de pensar em gestão de resíduos para regiões geográficas muito distintas. O Chile vive o problema durante o degelo, acentuado pelas mudanças climáticas, que arrasta os resíduos para o Oceano Pacífico. Na Europa, a indústria turística é um dos setores que mais geram resíduos plásticos. Em terra firme, vemos necessidade de investir mais em pesquisa e criar ciência em torno destas informações para um diagnóstico mais preciso, sem discrepância de dados. Precisamos saber o tamanho real do nosso desafio, assim como a eficácia das medidas mitigatórias para que seja possível pensar em políticas públicas e não endossar uma luta contra o que nos é favorável. Esse processo pode levar um tempo, assim como levamos décadas para chegar à conclusão de que o aumento da concentração de CO2 na atmosfera tem potencial para causar o aumento da temperatura média do planeta. Ainda assim, não é preciso esperar que isso aconteça. Além de adotar práticas de economia circular, a indústria mundial do plástico está se movimentando para gerar estatísticas, relatórios e guias para criadores de políticas públicas. A adesão ao Operation Clean Sweep, uma iniciativa internacional para reduzir a perda de partículas de plástico (pellets) para o meio ambiente, tem contribuído para minimizar impactos ambientais. O Plastic Leak Project, capitaneado pela Quantis, uma consultoria ambiental europeia focada na gestão do ciclo de vida do plástico, é uma das iniciativas mais recentes, com o objetivo de reunir um grupo de multistakeholders para criação de uma metodologia de quantificação que possa ser utilizada em níveis municipal e nacional por setores privado e público. A intenção é identificar a perda de plástico em setores da indústria e desenvolver ações mitigatórias. A ação já analisa dados dos setores de embalagem, têxtil e de fabricação de pneus. Como estudo de caso, uma empresa europeia com atuação no segmento de laticínios identificou que a venda de leite em pó para a Nigéria, China e Bangladesh é responsável pela perda de 4% do volume total de plásticos utilizados e está definindo um novo tipo de embalagem. Definir ações como esta só é possível a partir de uma metodologia consensual. Nem sempre o plástico será a melhor alternativa, mas precisamos reconhecer que para muitos casos o plástico é a solução mais viável do ponto de vista ambiental. Não é possível pensar em um futuro sustentável sem o plástico. * Yuri Kabe é Especialista em Avaliação de Ciclo de Vida na Braskem

27 de julho, 2020
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ÁGUA
A indústria como parte da solução

Por Jorge Soto* De acordo com o Fórum Econômico Mundial, a crise hídrica é o risco mais impactante que o mundo enfrenta. Enquanto alguns lugares, como a Somália, sofrem com longos períodos de seca, em outros, como no Sul no Brasil, o excesso de chuva causa estragos de grandes proporções. Essas grandes variações acontecem até dentro do mesmo país e em todos os casos há consequências importantes no desenvolvimento socioeconômico. E as mudanças climáticas já estão agravando essa situação. Nós estamos preparados para cenários cada vez mais imprevisíveis e extremos? Há anos a gestão da água é um assunto prioritário para a ONU (Organização das Nações Unidas), mas hoje o tema também está nas agendas de discussões de um número significativo de companhias em todo mundo. Isso porque está claro que sociedade, governo e empresas devem atuar em conjunto para desenvolver políticas que melhorem, em todas as esferas, a eficiência e a produtividade desse recurso natural insubstituível. Se tradicionalmente a gestão da água industrial estava focada apenas em reduzir custos e melhorar a eficiência – cerca de dois terços das maiores companhias globais reportaram estar sujeitas a riscos relacionados ao recurso –, atualmente empresas ambientalmente responsáveis já perceberam que tal estratégia é um componente crítico para o desenvolvimento sustentável. Não querem e não podem competir com a comunidade. Pelo contrário, têm que se engajar na solução do problema. Da porta para dentro das indústrias, além de entender como a água é utilizada e o destino dado aos efluentes, a gestão hídrica deve analisar e otimizar todos os recursos de uma unidade produtiva e levar em conta fatores externos, como as mudanças climáticas. Ou seja, é uma questão estratégica e deve ser incorporada à estratégia de negócios. As empresas precisam identificar riscos e oportunidades associados ao uso desse recurso olhando para o curto, médio e longo prazo. Crescimento da população nas cidades, excesso ou falta de chuva, a integração regional olhando a situação das bacias, mudanças de padrão de uso de solo, são questões que estão em crescimento e devem motivar as empresas a fortalecer o assunto. Por outro lado, onde há um grande desafio há também uma vastidão de oportunidades. Muitas iniciativas interessantes e possíveis de replicar já são realidade e muitas outras podem ser desenvolvidas por meio da inovação. No ABC Paulista, por exemplo, o Projeto Aquapolo é o resultado de uma parceria público-privada que pode fornecer até mil litros por segundo de água de reúso, a partir do tratamento de esgoto doméstico, para outras empresas do Polo Petroquímico de Mauá. Os benefícios vão além da economia de água potável, uma vez que ao tratar esgoto vários problemas ambientais e de saúde pública são minimizados. Há um ganho social claro. Mas também as indústrias da região ganharam, por reduzir o risco de desabastecimento. Outra demonstração dos esforços empreendidos por companhias é o engajamento, ao lado das comunidades, na busca de solução de problemas. No Brasil, o Movimento pela Redução de Perdas de Água na Distribuição – uma iniciativa da Rede Brasileira do Pacto Global da ONU e liderado pela Braskem e pela Sanasa – tem como objetivo debater amplamente a respeito das perdas de água nos sistemas de distribuição, com a participação de governos, sociedade civil e setor privado. Além disso, há iniciativas como o CEO Water Mandate, da ONU, que mobiliza líderes empresariais de todo mundo em busca de avanços no gerenciamento da água e do saneamento; a Comissão Técnica para Água, do Cebds (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável); e o Instituto Trata Brasil. As soluções para os problemas socioambientais continuarão sendo discutidas ao redor do mundo. A ONU acabou de propor a nova agenda para 2030, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Não há dúvidas de que as indústrias têm um papel fundamental na entrega de soluções para esse desenvolvimento que tanto almejamos. Para tal devemos continuar a fazer nosso dever de casa, minimizando os eventuais impactos negativos e potencializando os impactos positivos nas três dimensões da sustentabilidade: econômica, social e ambiental. * Jorge Soto é Diretor de Desenvolvimento Sustentável da Braskem

22 de março, 2016