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CERRADO

Projeto vai mitigar emissões no bioma

Projeto vai mitigar emissões no bioma

objetivo é contribuir com o desenvolvimento rural sustentável no Cerrado, e, desta forma, aumentar a eficiência do uso da terra.

O Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) e a Embrapa iniciaram, em abril de 2021, o projeto PRS II - Cerrado (pesquisas direcionadas à Embrapa) com duração prevista de 24 meses. O projeto envolve mais de 140 empregados e 17 centros de pesquisa da Embrapa, com orçamento de R$ 8.918.921,65, sob liderança do pesquisador Ademir Fontana, da Embrapa Solos (Rio de Janeiro – RJ). “O projeto tem como principais objetivos mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e aumentar a renda de pequenos e médios produtores no bioma Cerrado, por meio da promoção da adoção de tecnologias de baixa emissão de carbono”, conta o pesquisador.

As atividades do projeto focam na implementação de sistemas integrados de Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e na Recuperação de Pastagens Degradadas, com o objetivo de contribuir com o desenvolvimento rural sustentável no Cerrado, e, desta forma, aumentar a eficiência do uso da terra, a produtividade e o incremento na geração de renda entre os produtores, mitigando as emissões de GEE e reduzindo a pressão em desmatar a floresta nativa para a produção agrícola.

O projeto acontecerá nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, em municípios que possuem um percentual significativo de pastagens degradadas, elevadas taxas de desmatamento e aptidão para introdução de sistemas integrados de produção. Serão contempladas linhas de pesquisas que envolvem arranjos e manejo de sistemas integrados em tecnologias de emissão de baixo carbono; Emissões de CO2 evitados, pela recuperação de terras degradadas e pelo desmatamento também evitado; Índices econômicos e avaliação da sustentabilidade; Estimativa do desmatamento evitado e serviços ecossistêmicos e Impactos e soluções de IoT.

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BIOMAS
Cerrado perdeu 28 milhões de hectares

Segundo dados da Coleção 5 do MapBiomas, o Cerrado perdeu uma área de 28 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2019, o que equivale ao estado do Rio Grande do Sul. O total foi 1/3 do que o Brasil perdeu no período. Essa área representa, em 35 anos, uma redução líquida de 21%, que é a diferença entre perda da vegetação original e ganho da vegetação recuperada. Atualmente, o Cerrado é o segundo maior bioma do país e tem 53,2% de cobertura de vegetação nativa, ou 19% do que existe nesta categoria em todo o Brasil. A Coleção 5 do MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, e foram recém-divulgados em um evento para pesquisadores e público em geral no Dia do Cerrado (11 de setembro). O MapBiomas mostra que hoje a área do Cerrado é ocupada em 44% por atividades agropecuárias, com um incremento de 25 milhões de hectares em 35 anos: 72% desse aumento foi para a agricultura, especialmente de grãos. "É possível perceber visualmente a mudança, em áreas no sul do Cerrado e no Matopiba (área de Cerrado que engloba os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)", disse a diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar. Nesta conversão de vegetação nativa para outros usos, as formações florestais sofreram mais, por estarem em áreas com solos mais férteis, enquanto as formações savânicas têm visto o desmatamento aumentar, por causa da topografia. O professor da Universidade de Brasília, Ricardo Machado, especialista em Cerrado, afirma que o conhecimento hoje produzido sobre a conversão de outros tipos de vegetação nativa além das florestais é suficiente para que se amplie também a proteção do Cerrado. Na mesma direção, o coordenador de monitoramento da TNC Brasil, Mario Barroso, destaca a importância do MapBiomas na busca por soluções. "Antigamente, porque os dados oficiais olhavam somente para as formações florestais, parecia que o desmatamento só acontecia neste tipo de vegetação. O MapBiomas mudou essa percepção. O que importa é o que está acontecendo no campo de forma explícita", afirma Barroso. "Para problemas complexos, as soluções também são complexas. Há de se discutir o papel das empresas, mas também a questão da grilagem e da titulação de terra, por exemplo”. Os dados do MapBiomas estão disponíveis e podem ser baixados gratuitamente na plataforma mapbiomas.org .

22 de setembro, 2020
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CERRADO
Expansão da soja sem desmatamento

A The Nature Conservancy (TNC) divulgou estudo que é possível aumentar a produção de soja no Cerrado sem desmatar a vegetação nativa, ao utilizar áreas de pastagem subutilizadas e com aptidão agrícola. Em parceria com a consultoria Agroicone, o levantamento mostrou que há 18,5 milhões de hectares de pastagens no Cerrado adequadas à produção de soja, número que corresponde a mais do que o dobro dos 7,3 milhões de hectares que serão necessários, nas condições atuais de mercado, para garantir a expansão por pelo menos dez anos. O relatório indica ainda um conjunto de ações para apoiar a intensificação da pecuária, liberando áreas de pastagens de baixa produtividade, estimulando a conversão dessas áreas subutilizadas na produção de grãos. As informações são uma alternativa ao problema do desmatamento, já que 38% da produção (cerca de 3,65 milhões de hectares) de soja colhida no Cerrado no ciclo 2016/2017 estava em terras cobertas por vegetação nativa em 1999, enquanto a área de produção do grão aumentou no total 9,6 milhões hectares - ou 128% - entre 2000 e 2017. “Estamos comprometidos em construir caminhos e soluções para tornar a agricultura brasileira uma potência global na produção sem desmatamento, atendendo ao aumento esperado da demanda por alimentos de forma sustentável”, aponta José Otavio Passos, especialista em negócios e investimentos na TNC Brasil, que conduziu o estudo. O estudo do TNC conclui que a ampliação da soja em terras de pasto já existentes tem menor custo de implantação e maior produtividade do que a conversão de áreas de vegetação nativa em cultivo - já que é três vezes mais rápido atingir rendimentos máximos de colheitas em terras de pastagens já convertidas. A área do Cerrado é maior do que a soma dos territórios da Alemanha, Espanha, Itália, França e Reino Unido, ou quase cinco vezes o tamanho da Califórnia, além de ser uma das principais regiões agrícolas do mundo, considerada o centro da produção de alimentos nas últimas décadas. Entretanto, a expansão da pecuária e agricultura mudou metade da vegetação nativa do bioma, o que significa um aumento nas emissões de carbono e ameaça à biodiversidade da região. O Cerrado engloba parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e mais de 80% da expansão da soja nas últimas duas décadas ocorreu sobre a vegetação nativa. O estudo mostra ainda que a região é a que abriga os remanescentes mais significativos do Cerrado nativo em terras privadas adequadas para a produção de soja, reunindo 45% da reserva legal excedente do Cerrado, o que representa 4,5 milhões de hectares.

6 de abril, 2020
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CERRADO
Paisagens Rurais receberão US$ 21 milhões

A ministra de Agricultura, Teresa Cristina, e o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, assinaram acordo de cooperação técnica para o projeto Paisagens Rurais. Estão previstos investimento de US$ 21 milhões entre 2018 e 2023 para recuperação ambiental e incentiva à produção agropecuária sustentável no Cerrado. Durante pelo menos dois anos, cerca de quatro mil propriedades rurais receberão capacitação e assistência técnica e gerencial sobre estratégias de manejo desenvolvidas pela Embrapa que proporcionam condições para a recomposição das áreas de preservação permanente (APP), de reserva legal (ARL) e de uso restrito (AUR) das propriedades rurais, previstas na legislação, e a tecnologias que visam principalmente à redução da emissão de carbono nas atividades rurais. As propriedades estão localizadas em dez bacias hidrográficas em oito estados brasileiros – Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Piauí, São Paulo, Tocantins – e o Distrito Federal. A iniciativa é uma ação conjunta desenvolvida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa); Embrapa; Serviço Florestal Brasileiro (SFB); Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ); Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); com apoio do Banco Mundial. A Embrapa Cerrados (Planaltina, DF) coordenará a definição das tecnologias que serão levadas às propriedades e, juntamente com o Senar, pela capacitação dos extensionistas rurais que atuarão no projeto. A Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) participará do monitoramento das áreas atendidas junto com o Inpe. “Temos uma expectativa muito grande com esse projeto. Queremos mudar o perfil dos produtores do Brasil. Queremos que os pequenos se transformem em médios produtores”, explica o presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins. Além disso, destaca que o projeto proporcionará mudanças positivas para a conservação da paisagem natural das bacias hidrográficas do Cerrado. Para o embaixador da Alemanha, trata-se de um projeto que representa importante passo para o desenvolvimento do Cerrado: “A cooperação técnica com o Brasil avança para a recuperação de áreas degradadas, ação importante para que o País cumpra a meta acordada em Paris, em 2015, e seja atuante no combate às mudanças climáticas”. No evento, a ministra da Agricultura lembrou que o produtor rural sempre preservou o meio ambiente, mas agora poderá preservar mais, com base em informações e conhecimentos. “O Cerrado é o bioma mais produtivo do Brasil, de onde vem grande parte da riqueza e dos alimentos que ofertamos ao mundo, além de ser um grande reservatório mundial de água. Cuidar da nossa água, do nosso solo e dar condições para que o produtor rural faça isso é fundamental”, explica Teresa Cristina sobre a escolha do bioma para iniciar o projeto. Segundo o diretor da GIZ, a experiência adquirida no Cerrado pode ampliar a iniciativa para os outros biomas do País.

15 de abril, 2019
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CERRADO
SENAR abre matrículas para cursos EaD

O programa de capacitação tecnológica Bioma Cerrado, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), está com matrículas abertas para três cursos de Educação à Distância (EaD). Os três cursos oferecidos são: Elementos de paisagem e processos ecológicos , com uma carga horária de 40 horas; Coleta e beneficiamento de sementes e produção de mudas , com carga horária de 20 horas; e Inserção da árvore na propriedade rural , com 30 horas-aula . Eles abordam desde aspectos geográficos e geológicos do bioma ao uso de novas tecnologias, passando também por questões legais. Conhecimentos fundamentais para quem busca harmonizar os sistemas de produção e preservação, otimizando recursos, avalia Cláudia Rabello, coordenadora executiva do projeto. O programa tem como objetivo ensinar o produtor rural a como cultivar árvores no bioma e ter retorno financeiro e ambiental. As inscrições podem ser feitas pelo endereço eletrônico http://ead.senar.org.br/ . “Queremos repassar ao profissional do campo as informações levantadas pelo Projeto Biomas, desenvolvido há seis anos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)”, explica Cláudia Rabello. Há seis anos em andamento, o projeto vem pesquisando as melhores tecnologias de cultivo da árvore, para que o produtor possa cumprir a exigência da regularização da reserva legal, prevista no novo Código Florestal, e ao mesmo tempo lucrar com o investimento. O projeto atua nos seis biomas brasileiros (Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampa, Amazônia e Caatinga), envolvendo mais de 300 pesquisadores. Em estágio mais avançado, as pesquisas em áreas experimentais do Cerrado já resultaram em 21 projetos implantados e os resultados desse trabalho é que serão agora repassados por meio do programa de capacitação tecnológica Bioma Cerrado da EaD SENAR. “Não resolve só pesquisar – observa Cláudia – temos que repassar as informações, diminuir a distância entre a ciência e a produção, tirar a ciência da prateleira e levar para o campo”.

6 de setembro, 2016
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CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
Embrapa recebe R$ 33,7 milhões para Amazônia

O Fundo Amazônia destinará R$ 33,7 milhões à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para projetos de pesquisa para recuperação, conservação e uso sustentável no bioma. Os recursos virão da Noruega, principal doador do Fundo Amazônia. O acordo de cooperação técnica foi assinado entre a Embrapa, a Fundação Eliseu Alves (FEA) e o BNDES, gestor do Fundo Amazônia, com a presença das ministras Izabella Teixeira (Meio Ambiente) eKátia Abreu (Agricultura). A parceria integra o Projeto Integrado da Amazônia e terá duração de 36 meses. “Temos números que mostram que proteção e preservação total devem andar juntos”, enfatizou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A ministra Kátia Abreu lembrou que a contribuição do governo da Noruega, ao aderir ao Fundo Amazônia, há dez anos, “foi de importância vital para a preservação da Amazônia”. Segundo Kátia Abreu, “este acordo é um fato histórico, que confirma a conexão de esforços da Agricultura, do Meio Ambiente, do sistema financeiro que se preocupa com a questão ambiental, e da nossa instituição de pesquisa”. O acordo apoiará a execução de projetos das unidades descentralizadas da Embrapa. Serão beneficiados os pequenos agricultores, comunidades tradicionais, ribeirinhos, pescadores artesanais e extrativistas, entre outros. Receberão apoio projetos de pesquisa e de transferência de tecnologia voltados ao monitoramento do desmatamento e da degradação florestal e serviços ecossistêmicos; restauração, manejo florestal e extrativismo; uso de tecnologias sustentáveis para a Amazônia; e aquicultura e pesca. O Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que o acordo “tem potencial imenso como fonte geradora de renda e de emprego, oferecendo condições de ocupação econômica e competindo com as atividades predatórias, como ocorre com o desmatamento, sendo que a inteligência de combate a esse problema começa pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR)”. Os recursos também serão destinados à realização de oficinas de planejamento, de gestão de rede de pesquisa, de acompanhamento dos projetos individuais apoiados e de articulação com instituições parceiras. Estão incluídos aí, entre outras propostas, o desenvolvimento de um sistema de informática próprio da Embrapa, com o objetivo de aprimorar os indicadores de monitoramento dos projetos apoiados.

13 de abril, 2016
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MEIO AMBIENTE
Plataforma MapBiomas é lançada dia 26

Uma rede de ONGs, universidades e empresas lança, no próximo dia 26 de novembro, a plataforma online MapBiomas, que produzirá mapas e relatórios anuais da cobertura e uso da terra no Brasil. O projeto visa identificar as transformações do uso da terra em áreas com floresta, pecuária, agricultura, diferentes culturas, reflorestamento, áreas urbanas em todo o território nacional, utilizando a ferramenta aberta do Google Earth Engine. Serão analisados todos os biomas terrestres (Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Pampa e Mata Atlântica) e três áreas transversais - agricultura, pecuária e zona costeira. O MapBiomas foi desenvolvido para fornecer dados mais atualizados sobre o uso da terra no Brasil, além de informações sobre emissões de gases de efeito estufa, além de subsidiar políticas públicas no setor de uso da terra e agropecuária. Ana Cristina Barros, Secretária da Secretaria de Biodiversidade e Florestas (Ministério do Meio Ambiente), Eduardo Assad, Coordenador do Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil (Embrapa) e Joberto Veloso, Diretor do Serviço Florestal Brasileiro, Coordenador do Inventário Florestal Brasileiro, irão debater as funcionalidades e metodologia da plataforma. O evento ainda contará com a presença de representantes da embaixada da Noruega e terá a apresentação dos desenvolvedores da plataforma com os parceiros de tecnologia, como o Google. O lançamento acontece no Museu do Objeto brasileiro A casa, localizado na Av. Pedroso de Morais, 1.216, São Paulo, das 10 às 12h30.

24 de novembro, 2015
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BIOMAS
Embrapa e PNUD firmam parceria em conservação

No dia 28 de setembro foi oficialmente lançado o projeto "Integração da conservação da biodiversidade e uso sustentável nas práticas de produção de produtos florestais não madeireiros e sistemas agroflorestais em paisagens florestais de usos múltiplos de alto valor para a conservação”. O projeto é uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). O lançamento do projeto aconteceu na sede da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade de pesquisa da Embrapa em Brasília, e teve a participação do Diretor-executivo de TT da Embrapa, Waldyr Stumpf; do coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas e representante do PNUD no Brasil, Jorge Chediek; do representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) no Brasil, Alan Bojanic; da Secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ana Cristina Barros; e do Presidente da Anater, Paulo Cabral, entre outras autoridades. Segundo o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e coordenador do projeto, Aldicir Scariot, o cenário atual, que levou à necessidade de execução dessa iniciativa, é marcado por mudanças rápidas no uso da terra, perda de biodiversidade, exclusão social e ameaças ao modo de vida das comunidades que moram no campo. “É preciso que as pessoas entendam que conservar a biodiversidade e gerar renda não são atividades excludentes. Muito pelo contrário, são complementares. E é exatamente isso o que esse projeto pretende estimular e fortalecer”, enfatizou Aldicir. Com apoio dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), Desenvolvimento Social (MDS), Desenvolvimento Agrário (MDA) e Agricultura (Mapa), além da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e organismos da sociedade civil, o projeto vida promover “uma associação íntima entre agroextrativismo e biodiversidade. Os objetivos principais são ampliar a participação dos agroextrativistas, reduzir as desigualdades sociais, manter as famílias no campo, assegurar o modo de vida das comunidades locais, reconhecer e fortalecer sua cultura e investir em tecnologias simples e de baixo custo. Abrangência de três biomas O projeto irá atuar em seis Territórios da Cidadania – Alto Acre e Capixaba, Alto Rio Pardo, Marajó, Sobral e Sertão do São Francisco – o que abrange três biomas : Cerrado, Caatinga e Amazônia. De acordo com Aldicir, esses biomas foram definidos em conjunto entre as instituições parceiras com base nos seguintes dados: alto impacto para a biodiversidade, baixo IDH, populações tradicionais e agricultura familiar. O projeto será desenvolvido a partir de planos de trabalho anuais para cada Território da Cidadania envolvido, com base em sinergias com políticas e programas públicos, que valorizem os seguintes pilares: tecnologia, socioeconomia, capacitação de multiplicadores e disseminação de conhecimento, crédito/financiamento e conservação da biodiversidade. Além da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e do Departamento de Transferência de Tecnologia (DTT), que são os mentores e articuladores do projeto, participam outras 11 unidades de pesquisa da Embrapa, atuantes nos três biomas que fazem parte da iniciativa. O coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas e representante do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, afirmou que esse projeto é muito especial para o PNUD e tem “DNA brasileiro”. “Esse projeto nasceu na Rio 92 e se consolidou na Rio+20. O ponto forte é o fato de enxergar a sustentabilidade no sentido amplo, não apenas do ponto de vista ecológico, mas também do social e do econômico”, enfatizou. Para Ana Cristina Barros, secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, a principal importância de “romper a dicotomia da visão da conservação”. Segundo ela, é preciso transcender essa visão radical de floresta protegida e não protegida e enxergar a importância do homem nesse processo. “É fundamental considerar a floresta e o ser humano como aliados e não como antagonistas. O uso adequado da biodiversidade depende de tecnologia e, principalmente, da sua transferência para as comunidades”, complementou a Secretária. Para o representante da FAO no Brasil, Alan Bojanic, um dos pontos mais importantes do projeto é valorizar a exploração sustentável de produtos florestais não madeiráveis. “Precisamos fazer com que esse projeto seja lembrado pela sua grandeza e não me refiro apenas ao plano ideológico, mas territorial”, constatou ele, lembrando que o fato de o projeto abranger três biomas é desafiador, mas muito importante para o desenvolvimento do País.

30 de setembro, 2015