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MATA ATLÂNTICA

São Paulo perde 1,2 milhão de árvores

Segundo o dossiê "A Devastação da Mata Atlântica no Município de São Paulo" (2ª Edição, 454 páginas), o município de São Paulo registrou a morte de 1,2 milhão de árvores nos últimos seis anos. Sem a cobertura vegetal nas áreas mais afastadas da Zona Sul, Leste e Norte da capital paulista, nascentes são aterradas, cursos de água e córregos deixam de existir, o que compromete os mananciais de água que abastecem principalmente as Represas da Guarapiranga e Billings, responsáveis pelo fornecimento de água a grande parte da população da Região Metropolitana de São Paulo. O documento foi elaborado pelo vereador Gilberto Natalini (PV-SP) e traz informações sobre 160 áreas desmatadas. Ao todo, 7,2 milhões de m2 de florestas paulistanas já foram ao chão. O dossiê apresenta quase 700 fotografias de satélite mostrando o "antes" e o "depois" da destruição da Mata Atlântica, além de imagens de drone e fotos obtidas nos próprios locais. Natalini pediu a instalação de uma CPI para investigar a devastação sistemática da Mata Atlântica na Cidade, mas não foi atendido. O dossiê traz depoimentos de 52 testemunhas sigilosas – a maioria moradora das regiões devastadas no extremo da Zona Sul. Essas pessoas citaram, direta ou indiretamente, 75 suspeitos de cometer crimes ambientais e outras ilegalidades, como crimes de corrupção. As testemunhas não terão suas identidades reveladas, por segurança. O vereador espera que o Ministério Público conduza as investigações necessárias para acabar de vez com a derrubada de árvores da Mata Atlântica e, assim, interromper a destruição do meio ambiente que está em curso na cidade de São Paulo.

Segundo o dossiê "A Devastação da Mata Atlântica no Município de São Paulo" (2ª Edição, 454 páginas), o município de São Paulo registrou a morte de 1,2 milhão de árvores nos últimos seis anos. Sem a cobertura vegetal nas áreas mais afastadas da Zona Sul, Leste e Norte da capital paulista, nascentes são aterradas, cursos de água e córregos deixam de existir, o que compromete os mananciais de água que abastecem principalmente as Represas da Guarapiranga e Billings, responsáveis pelo fornecimento de água a grande parte da população da Região Metropolitana de São Paulo. 

O documento foi elaborado pelo vereador Gilberto Natalini (PV-SP) e traz informações sobre 160 áreas desmatadas. Ao todo, 7,2 milhões de m2 de florestas paulistanas já foram ao chão. O dossiê apresenta quase 700 fotografias de satélite mostrando o "antes" e o "depois" da destruição da Mata Atlântica, além de imagens de drone e fotos obtidas nos próprios locais. 

Natalini pediu a instalação de uma CPI para investigar a devastação sistemática da Mata Atlântica na Cidade, mas não foi atendido. O dossiê traz depoimentos de 52 testemunhas sigilosas – a maioria moradora das regiões devastadas no extremo da Zona Sul. Essas pessoas citaram, direta ou indiretamente, 75 suspeitos de cometer crimes ambientais e outras ilegalidades, como crimes de corrupção. As testemunhas não terão suas identidades reveladas, por segurança. 

O vereador espera que o Ministério Público conduza as investigações necessárias para acabar de vez com a derrubada de árvores da Mata Atlântica e, assim, interromper a destruição do meio ambiente que está em curso na cidade de São Paulo.

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MATA ATLÂNTICA
Desmatamento nas bacias hidrográficas

Segundo monitoramento inédito da Fundação SOS Mata Atlântica, o desmatamento nas Bacias Hidrográficas do bioma somou, em 2018 e 2019, 1.857 hectares de Mata Atlântica. As informações são do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa que conta com a parceria do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O Atlas traz informações de todos os remanescentes de vegetação nativa do bioma acima de três hectares. O desmatamento ocorreu em seis sub-bacias, sendo a do rio Suaçuí Grande (MG) a com maior índice (969 hectares). Essa bacia abrange 48 municípios, com uma população de aproximadamente 500 mil pessoas e tem como um dos principais municípios Governador Valadares (MG). A sub-bacia do Suaçuí Grande é uma das mais problemáticas da Bacia do Rio Doce em termos de erosão do solo, por falta de cobertura florestal da Mata Atlântica, o que acarreta impacto direto à qualidade da água, por carreamento de sedimentos e poluentes. O desmatamento também aconteceu nas áreas de drenagem dos rios: Santo Antônio (343 hectares), Piracicaba (206 hectares), Piranga (146 hectares), Manhuaçu (138 hectares) e Caratinga (55 hectares), tributários importantes da bacia do rio Doce. "A sociedade precisa olhar para um rio pensando em sua bacia, pois tudo que acontece no entorno dele impacta a qualidade de vida da população, dos ecossistemas e todas as atividades humanas. A bacia do rio Doce ainda está lutando por sua recuperação. Se o desmatamento continuar na região, pode ser que os esforços para sua recuperação não sejam eficazes. É urgente coibir essas ações" diz Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica. Os especialistas da SOS Mata Atlântica destacam ainda a ocorrência de desmatamento entre 2018 e 2019 nas regiões do Sul e Sudeste do país que vêm sofrendo com crise hídrica. A Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, tem enfrentado escassez e racionamento de água. A bacia do rio Iguaçu teve mais de 1.000 hectares de Mata Atlântica desmatados nesse período de monitoramento dos remanescentes florestais, com destaque para a região do Baixo Iguaçu, na sub-bacia Iguaçu 6, entre os municípios de Cascavel e Guarapuava, a quarta bacia hidrográfica que mais desmatou o bioma no último período analisado. O estudo revela que o Paraná está entre os estados que mais desmatam a Mata Atlântica, revezando as primeiras colocações com Minas Gerais e Bahia. Entre 2018 e 2019, por exemplo, o estado foi o terceiro que mais desmatou o bioma, com 2.767 hectares. Malu Ribeiro comenta que o desmatamento impacta a qualidade das águas, além da floresta também influenciar para a quantidade de água disponível para a população. "As florestas são reguladoras do clima nas suas regiões e funcionam como esponjas. Ou seja, quando chove, elas armazenam água no solo para, aos poucos, abastecerem os aquíferos, as nascentes e os rios. Se falta floresta, falta água", destaca ela.

9 de novembro, 2020
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MATA ATLÂNTICA
Desmatamento cresceu 71% entre 2018 e 2019

O Atlas dos Municípios da Mata Atlântica mostrou que o desmatamento cresceu 71% entre 2018 e 2019 em menos de 3% dos 3.429 municípios do bioma. No total, cerca de 400 cidades desmataram mata nativa no período, o que corresponde a pouco mais de 10% dos municípios da Mata Atlântica. As informações são compiladas desde 2000, uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O documento contém dados de todos os remanescentes de vegetação nativa e áreas naturais do bioma acima de três hectares. Para as cidades do Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo é possível obter dados acima de um hectare. "A situação nos municípios comprova o que temos alertado há anos, mas infelizmente o cenário não muda. É de conhecimento das autoridades onde ocorre o desmatamento da Mata Atlântica ano a ano. São poucas regiões, porém com altas taxas de desmatamento e impacto ao meio ambiente. Zerar o desmatamento no bioma passa por priorização do poder público e atuações estratégicas nestes locais", afirma Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica e coordenadora do estudo. Em maio, o Atlas da mata Atlântica – que traz informações gerais nacionais e por estado – mostrou que foram desmatados 14.502 hectares, um crescimento de 27,2%, após dois períodos consecutivos de queda - comparado com o período anterior (2017-2018), que foi de 11.399 hectares. O município campeão de desmatamento entre 2018 e 2019 foi Manoel Emídio (PI), com 879 hectares suprimidos, seguido de Gameleiras (MG) e Canto do Buriti (PI), com 434 e 404 hectares de floresta nativa derrubada, respectivamente. Nos últimos dez anos, os municípios piauienses de Alvorada do Gurguéia e de Manoel Emídio estiveram entre os que mais desmataram Mata Atlântica. O primeiro era líder no último levantamento e, desta vez, desmatou 22 hectares. Já Manoel Emídio passou a liderar o ranking do desmatamento do bioma. Do terceiro ao quinto lugar na última década estão os municípios mineiros de Jequitinhonha, Ponto dos Volantes e Águas Vermelhas. Jequitinhonha e Águas Vermelhas viram o desmatamento cair 20% e 64%, com 191 e 137 hectares, respectivamente, e saíram do topo da lista em 2018-2019, ficando em 9º e 21º lugares em 2018 e 2019, respectivamente. Já Ponto dos Volantes viu aumento de 40% (51 hectares desmatados no período atual) em relação ao período anterior (36 hectares), mas também não figurou na lista. Estes municípios fazem parte, desde 2012, do chamado Triângulo do Desmatamento da Mata Atlântica. Trata-se da região mais crítica das matas secas no noroeste mineiro. Na região, as florestas nativas foram transformadas em carvão e depois substituídas por eucalipto. Dos 100 municípios que mais desmataram, 40 estão em Minas Gerais, 23 na Bahia, 22 no Paraná e 15 em outros estados. "Vale destacar que o histórico do ranking estadual também se repete. Estados como Bahia, Minas Gerais, Paraná e também o Piauí estão no topo da lista dos maiores desmatadores há algumas edições do Atlas com variação de colocação entre eles", afirma Cláudio Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas do Inpe. Um destaque negativo é o município de Porto seguro (BA) ocupar a sexta posição entre os que mais desmatam a Mata Atlântica. Do lado positivo, um dos dez municípios que mais possuem Mata Atlântica está no Mato Grosso do Sul - é a cidade de Porto Murtinho, em parte dentro dos limites do Parque Nacional da Serra da Bodoquena. Os demais municípios estão no Paraná, no Piauí e em São Paulo. O Atlas aponta que em anos de eleições municipais cresce o número de municípios desmatadores, sendo cerca de 500 em 2012 e 550 em 2016, os maiores índices da década. "As autoridades não podem se esconder no argumento de que os desmatamentos vêm de um histórico de outras gestões. É isso que dá, ano após ano, a sensação de impunidade e liberdade para os desmatadores avançarem sobre o bioma. Estamos novamente em um ano eleitoral e é importante evitar este padrão. Ferramentas e tecnologia para isso existem e nossos dados estão sendo disponibilizados para as autoridades e para a sociedade", afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

24 de agosto, 2020
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DESMATAMENTO
Brasil perde mais de 12 mil km² em 2019

Segundo o primeiro Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, o desmatamento de vegetação nativa em todos os biomas em 2019 somou 12.187 km², uma área equivalente a oito vezes o município de São Paulo. O estudo aponta ainda que mais de 60% da área desmatada está na Amazônia, com 770 mil hectares devastados, seguida pelo Cerrado, com 408,6 mil hectares. Bem atrás estão: Pantanal (16,5 mil ha), Caatinga (12,1 mil ha) e Mata Atlântica (10,6 mil ha). Os biomas Amazônia e Cerrado são os mais bem monitorados por meio de sistemas de acompanhamento contínuos, adaptados para as respectivas regiões. Os outros biomas utilizam dados de um sistema global, sem adaptações para condições específicas (tipos de vegetação, sazonalidades do clima e da paisagem, por exemplo), os valores apurados são considerados conservadores, ou seja, podem estar subdimensionados. O MapBiomas Alerta é um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa, com imagens de alta resolução, lançado em junho de 2019. A análise começa com os alertas gerados pelos sistemas Deter (Inpe), SAD (Imazon) e Glad (Universidade de Maryland). Os dados são validados e refinados com o suporte de imagens de satélite de alta resolução (três metros), os quais permitem identificar com grande precisão as áreas desmatadas. "A partir dessa metodologia, foi desenvolvido o primeiro Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, que detalha no tempo e no espaço onde está se desmatando no País. A análise de cada alerta gera um laudo, que pode ser utilizado por todos os órgãos — públicos e privados", afirma o coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo. Os laudos dos alertas estão disponíveis na internet em: alerta.mapbiomas.org. A metodologia do MapBiomas permite mensurar a velocidade do desmatamento em uma dimensão inédita. Com isto, foi possível verificar que a área desmatada mais rapidamente em 2019 fica no município de Jaborandi (BA), com 1.148 hectares, entre 8 e 27 de maio, alcançando uma média de 60 hectares por dia. Em termos de tamanho do desmatamento, a maior área detectada fica em Altamira (PA): em um único evento, foram derrubados 4.551 hectares de floresta amazônica. Os estados com mais eventos foram: Pará (18,5 mil), Acre (9,3 mil), Amazonas (7 mil), Rondônia (5,3 mil) e Mato Grosso (4,7 mil). Em área desmatada, o topo da lista é ocupado por: Pará (299 mil ha), Mato Grosso (202 mil ha) e Amazonas (126 mil ha). Dentre os dez municípios que mais desmataram em 2019, quatro são do Pará, três do Amazonas, um da Bahia, um de Mato Grosso e um de Rondônia. No total, 1.734 municípios tiveram áreas de desmatamento detectadas em 2019. Outro aspecto importante são os cruzamentos com camadas territoriais, como Unidades de Conservação, Terras Indígenas e imóveis rurais, realizado a partir do Cadastro Ambiental Rural (CAR), dados de autorizações de supressão da vegetação e plano de manejo florestal. Mais de 3/4 dos alertas têm sobreposição com pelo menos um imóvel cadastrado no CAR. Ao todo foram 42,6 mil imóveis rurais com alertas registrados, o que representa 0,7% dos mais de 5,6 milhões de imóveis cadastrados no CAR. Pouco mais de um terço dos alertas (38%) sobrepõe total ou parcialmente áreas de reserva legal, áreas de preservação permanente ou nascente e menos de 1% tem registrada a autorização de supressão da vegetação. "O relatório indica que o índice de ilegalidade no desmatamento é extremamente alto, a ponto de os desmatamentos legais representarem mais exceção do que regra", finaliza Azevedo.

2 de junho, 2020
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MATA ATLÂNTICA
Desmatamento cresce 27% em 2018/2019

Segundo dados do Atlas da Mata Atlântica, iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o desmatamento no bioma somou 14.502 hectares no período 2018/2019, um crescimento de 27,2% quando comparado com o período anterior (2017/2018), quando foram desmatados 11.399 hectares. O estudo teve execução técnica da Arcplan e patrocínio de Bradesco Cartões. Minas Gerais segue como estado com maior perda de floresta nativa, com cinco mil hectares, seguido pela Bahia, com 3.532 hectares e Paraná, com 2.767 hectares. Os três líderes do ranking tiveram aumento de desflorestamento de 47%, 78% e 35% respectivamente, ao comparar com o período anterior. Já o quarto e quinto lugares da lista, Piauí e Santa Catarina, tiveram redução do desflorestamento em relação ao período 2017/1018 de 26% e 22%. Piauí somou 1.558 hectares desmatados e Santa Catarina 710 hectares. "A ampliação do desmatamento da Mata Atlântica observada mostra que a destruição do meio ambiente não tem ocorrido apenas na Amazônia. E o fato é preocupante, já que restam apenas 12,4% da Mata Atlântica - o bioma é o que mais perdeu floresta no País até hoje", afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica. Os estados com desmatamento zero são Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e São Paulo. "Pela primeira vez dois estados conseguiram zerar os desmatamentos acima de três hectares: Alagoas e Rio Grande do Norte. Entre 2017/2018, Alagoas havia registrado oito hectares de desmatamento, enquanto o Rio Grande do Norte teve 13 hectares", afirma Marcia Hirota, diretora executiva da SOS Mata Atlântica e coordenadora geral do Atlas. "Em muitos estados que chegaram ao nível do desmatamento zero pode ocorrer o chamado efeito formiga, os desmatamentos pequenos que continuam acontecendo em várias regiões e o satélite não enxerga. É a floresta nativa sendo derrubada aos poucos, principalmente pelo avanço de moradias e expansão urbana", diz ela.

2 de junho, 2020
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BIOMAS
Mata Atlântica pode perder 110 mil km2

A SOS Mata Atlântica alerta, no manifesto "Continuam Tirando o Verde da Nossa Terra", que uma minuta de decreto que está na Casa Civil da Presidência da República pode acabar reduzindo o bioma e os patrimônios ambientais brasileiros. Segundo a ONG, a minuta muda os limites do domínio da Mata Atlântica, reduzindo seu tamanho e abrangência em mais de 10% do seu território. Isto significa a perda de 110 mil km2 do bioma. "É inacreditável, não há outra palavra. Este desgoverno precisa ser freado em suas intenções e agressões contra o meio ambiente e a Constituição Federal, que declara a Mata Atlântica como Patrimônio Nacional. Voltamos à década de 1960, quando os governantes estavam a serviço de um modelo insustentável de crescimento", afirma Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas, da Fundação SOS Mata Atlântica. A Lei da Mata Atlântica tem 14 anos e envolveu a comunidade científica, ONGs, setores produtivos e os entes federados - União, Estados e Municípios. "O mapa da aplicação da Lei, regulamentado no Decreto 6.660/08, em vigor até este momento, é resultado de bases científicas e não da pressão setorial e política", reforça Mantovani. Além disso, Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e atos de todos os 17 estados do bioma também regulamentam a implementação da Lei da Mata Atlântica. Neste novo decreto, que regulamenta a Lei da Mata Atlântica, o governo pretende excluir alguns tipos de vegetação do bioma, como áreas de estepe, savana e savana-estépica, vegetação nativa das ilhas costeiras e oceânica e áreas de transição entre essas formações, além de outras (campos salinos, áreas aluviais, refúgios vegetacionais). Com essas supressões no bioma, o Governo dá aval para o avanço de novos empreendimentos. As mudanças na minuta facilitam o setor imobiliário, uma vez que, na atual versão, a Lei da Mata Atlântica autoriza o desmatamento apenas em obras de interesse público - que em alguns casos conseguem se enquadrar. Caso confirmado, o projeto dispensaria autorização prévia do Ibama para desmatamentos de áreas maiores do que o limite atual, passando a autorização apenas para órgãos ambientais locais. O limite de 50 hectares por empreendimento poderia ser ampliado para 150 hectares. Em áreas urbanas, o limite de três hectares passaria a ser de 30 hectares. "Essa barbárie contra a floresta de maior biodiversidade do Planeta não pode imperar. É um SOS não apenas à Mata Atlântica, mas até mesmo para os próprios setores que têm a falsa ideia que degradar o meio ambiente pode trazer benefícios a eles. Pelo contrário, o mundo tem mostrado que a sustentabilidade baseada no investimento na economia verde é o que salvará as atividades humanas", finaliza Mantovani.

4 de maio, 2020
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BIOMAS
Desmatamento cresce 57,7% na Mata Atlântica

Os novos números do Atlas da Mata Atlântica, referentes ao período de 2015 a 2016, apontam que o desmatamento nos 17 estados que compreendem o bioma cresceu 57,7% em relação ao período anterior (2014-2015), de 18.433 ha para 29.075 hectares (ha), ou 290 Km2. O levantamento é realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e tem patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan. A íntegra do estudo pode ser acessada no https://www.sosma.org.br/downloads/index.php.&nbsp ; “O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005”, disse Marcia Hirota, diretora-executiva da SOS Mata Atlântica. Ela não verificava crescimento nessas proporções há dez anos. No período de 2005 a 2008, a destruição foi de 102.938 ha, ou seja, média anual de 34.313 ha. O estado com maior índice de desmatamento foi a Bahia - 12.288 ha (+207%) em relação ao ano anterior, quando foram destruídos 3.997 ha. Dois municípios baianos – Santa Cruz Cabrália e Belmonte – lideram o ranking dos maiores desmatadores, com supressão de 3.058 ha e 2.119 ha, respectivamente. “Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Nós estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado”, complementa Marcia. Logo depois vem o estado de Minas Gerais, 7.410 ha desmatados, seguido por Paraná (3.453 ha) e Piauí (3.125 ha). Para Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, a situação é gravíssima e indica uma reversão na tendência de queda do desmatamento registrada nos últimos anos. “O setor produtivo voltou a avançar sobre nossas florestas, não só na Mata Atlântica mas em todos os biomas, após as alterações realizadas no Código Florestal e o subsequente desmonte da legislação ambiental brasileira. Pode ser o início de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que não podemos aceitar”, destaca. No período de 2015 a 2016 foi identificada supressão da vegetação de restinga em nove dos 17 estados do bioma: Ceará (788 ha), Piauí (244 ha), Santa Catarina (199 ha), Bahia (64 ha), Sergipe (50 ha), São Paulo (32 ha), Rio de Janeiro (29 ha), Paraná (14 ha) e Rio Grande do Norte (6 ha). Já o desmatamento em mangues aconteceu apenas na Bahia, em uma área de 68 ha.

7 de junho, 2017
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MATA ATLÂNTICA
Divulgado Atlas dos Municípios do bioma

A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram o Atlas dos Municípios da mata Atlântica, estudo minucioso dos remanescentes florestais e seus ecossistemas associados nos 3.429 municípios abrangidos pelo mapa de aplicação da Lei da Mata Atlântica. O levantamento mostra que estados como Piauí, Santa Catarina e Minas Gerais reúnem os municípios mais conservados, como Tamboril do Piauí e Guaribas, ambos no Piauí, no topo da lista, com quase 96% do total natural preservado. Outro município piauiense, no entanto, lidera o ranking de desmatamento entre 2014 e 2015: Alvorada do Gurguéia perdeu 1.972 de hectares de Mata Atlântica no período. Segundo o Atlas, seis dos dez municípios que mais desmataram no último ano são de Minas Gerais, onde as perdas estão ligadas à atividade de mineração, em especial nas cidades de Curral de Dentro, Jequitinhonha e Águas Vermelhas, que estão localizadas na região conhecida como triângulo do desmatamento. Os municípios baianos de Cotegipe, Brejolândia e Baianópolis, localizados nos limites do Cerrado, sofrem com a expansão da fronteira agrícola, sobretudo soja e milho, além de pecuária. O Atlas traz ainda dados dos últimos 30 anos e revela que cidades paranaenses registraram maior perda vegetal entre os municípios monitorados desde 1985. Entre as 10 primeiras colocadas no ranking histórico de desmatamento aparecem cinco cidades paranaenses: apenas em Rio Bonito do Iguaçu houve a perda de uma área equivalente a quase 25 mil campos de futebol. “Em comemoração aos 30 anos da SOS Mata Atlântica, o estudo traz uma análise inédita do desmatamento durante este período e nos permite analisar quais municípios não contribuíram para a preservação. Esses resultados mostram que é preciso reforçar as políticas de proteção do bioma para evitar retrocessos na conservação dos 12,5% de Mata Atlântica que ainda restam no país”, afirma a diretora executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota. O estudo identifica áreas de vegetação natural – que inclui, além das florestas nativas, os refúgios, várzeas, campos de altitude, mangues, restingas e dunas. Com patrocínio da Bradesco Cartões e execução técnica da empresa de geotecnologia Arcplan, o Atlas da Mata Atlântica, que monitora o bioma há 30 anos, utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e de geoprocessamento para avaliar os remanescentes florestais acima de 3 hectares (ha). A contribuição dos municípios para proteção e preservação da Mata Atlânticaé o Plano Municipal da Mata Atlântica (PMMA), que reúne e normatiza os elementos necessários à proteção, à conservação, à recuperação e ao uso sustentável da Mata Atlântica. Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, reforça que o plano traz benefícios para a gestão ambiental e o planejamento do município. “O PMMA é extremamente importante, pois é um plano que depende diretamente da ação da comunidade local em parceria com a sociedade para ser aplicado. A aplicação do plano permite o desenvolvimento de políticas locais de meio ambiente”, afirma. É possível acompanhar a situação dos remanescentes florestais em 3.429 municípios abrangidos pela Lei da Mata Atlântica no ‘Aqui tem Mata?’, hotsite que disponibiliza, por meio de mapas interativos e gráficos, informações sobre o estado de conservação de florestas, mangues, restingas e outros ambientes do bioma. Basta inserir o nome de um munícipio para descobrir o que resta de vegetação, as bacias hidrográficas presentes na cidade, o ranking municipal de desmatamento e se existe alguma área preservada de Mata Atlântica no bairro ou em regiões próximas, como parques, reservas federais, estaduais e municipais, entre outras informações. ( www.aquitemmata.org.br ).

6 de dezembro, 2016