Sistema Cantareira entra estação seca com nível mais baixo em 10 anos

O Sistema Cantareira encerrar o verão no nível mais baixo em uma década não é um evento isolado, mas é mais um sinal consistente de um padrão que já se desenha há anos.
A pergunta não é mais “se” teremos novas crises hídricas. É o quanto estamos preparados para elas e, honestamente, ainda estamos longe do ideal para garantir segurança hídrica para as pessoas. O Sistema Cantareira encerrar o verão no nível mais baixo em uma década não é um evento isolado, mas é mais um sinal consistente de um padrão que já se desenha há anos. Com a entrada da estação menos chuvosa, o desafio está no começo de um novo ciclo de pressão sobre o sistema.
Importante considerar pelo menos três pontos nessa discussão: Clima: a irregularidade das chuvas, com eventos mais extremos e períodos secos mais prolongados, já é amplamente documentada. O problema não é somente chover menos, mas chover de forma concentrada e menos eficiente para recarga dos reservatórios; Estrutura: seguimos operando sistemas de abastecimento pensados para um regime climático que já não existe mais. A dependência de grandes reservatórios, sem uma diversificação robusta de fontes e estratégias (reúso, descentralização, soluções baseadas na natureza), aumenta a vulnerabilidade. Quando o sistema oscila, toda a população sente e Governança e a cultura do uso da água: historicamente, reagimos à escassez em modo de crise, com medidas emergenciais, mas avançamos pouco em mudanças estruturais e permanentes. Falta integrar planejamento urbano, gestão hídrica e educação ambiental de forma consistente.
A criação de uma nova cultura da água passa por mudanças de comportamentos insustentáveis no dia a dia, bem como a construção de uma visão mais ampla sobre as responsabilidades pelo uso e conservação desse recurso essencial para todos nós. Para isso, educação ambiental é chave na construção de um presente e um futuro mais sustentável, considerando o acesso à água de qualidade de forma mais justa e equitativa e a compreensão dos deveres e direitos dos diferentes atores sociais no que diz respeito a uma cultura de abundância ou escassez.
*Por: Edson Grandisoli - referência brasileira em Educação e Meio Ambiente, um dos criadores do Movimento Escolas pelo Clima. Biólogo, mestre em Ecologia, doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pelo Instituto de Estudos Avançados da USP.








