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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Tempestades de areia e poeira estão mais frequentes

Tempestades de areia e poeira estão mais frequentes

Estudo da OMM revela aumento na frequência de tempestades de areia e poeira, impulsionadas pela degradação ambiental e má gestão de recursos, com impactos econômicos e de saúde pública globais.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou estudo onde relata que as tempestades de areia e poeira estão cada vez mais frequentes e provocaram eventos regionais extremos com fortes impactos econômicos e na saúde pública em 2025. A pesquisa anual destaca que cerca de dois bilhões de toneladas de poeira entram na atmosfera, por conta da degradação ambiental, secas crônicas e má gestão da terra e da água. “Nenhum país está imune a ação desses fenômenos. No boletim anual da organização, são detalhadas as piores tempestades do último ano, principalmente na Ásia e América no Norte. A região fronteiriça entre Ciudad Juárez, no México, e El Paso, no Texas, Estados Unidos, registrou tempestades frequentes”, disse a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.

Ao total, a OMM contabilizou 50 dias com condições de poeira e 12 tempestades, o maior número desde 1935, em que ocorreu uma das maiores catástrofes ambientais e climáticas no México, chamada "Dust Bowl". O auge aconteceu no dia 18 de março, no qual Ciudad Juárez enfrentou mais de seis horas consecutivas de tempestade. O episódio resultou no fechamento de escolas e aeroportos, além de acidentes rodoviários fatais. Em abril, um ciclone na Mongólia empurrou uma imensa nuvem de poeira em direção ao território da China, que atingiu até mesmo regiões do sul do país, historicamente não afetadas. Segundo a pesquisa, em partes do Norte, a concentração de partículas inaláveis superou os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde, OMS. Ainda em abril uma frente fria cruzou o Iraque e gerou tempestades de poeira que fecharam aeroportos e levaram quase quatro mil pessoas à hospitais com problemas respiratórios.

A ciência aposta em modelos tecnológicos de Inteligência Artificial e o Machine Learning, que demonstraram capacidade de gerar previsões muito mais rapidamente que os modelos tradicionais de previsão, que enfrentam limitações devido à complexidade da dinâmica atmosférica e ao alto custo de processamento computacional. O relatório da OMM indica que, uma vez treinados, os sistemas de IA exigem menos recursos e oferecem alta precisão. Ainda assim, a agência alerta que não existe uma solução única: alguns modelos funcionam melhor para tempestades locais, enquanto outros são mais eficientes para prever eventos de grande escala.

Como os fenômenos climáticos não respeitam fronteiras, a OMM reforçou o apelo por maior cooperação internacional. Atualmente, a organização coordena o Sistema de Avaliação e Alerta Consultivo para Tempestades de Areia e Poeira, operando por meio de centros regionais na China, Espanha, Arábia Saudita e Barbados. A secretária-geral da organização afirma esses eventos afetam a saúde pública ao reduzir a produtividade agrícola, interferir no transporte e na aviação, e danificar ecossistemas. A Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período de 2025-2034 como a década do combate ao fenômeno. O objetivo é unir mais de 150 países afetados para reduzir os impactos socioeconômicos provocados pelas tempestades.

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