El Niño pode impactar severamente Brasil no segundo semestre

O Brasil pode enfrentar severos impactos climáticos no segundo semestre de 2026 devido à iminente chegada de um novo evento de El Niño, conforme indicam análises meteorológicas.
Segundo análises da consultoria especializada em Meteorologia e Oceanografia AtmosMarine, o monitoramento mais recente das condições oceânicas e atmosféricas no Pacífico Equatorial acende um sinal de alerta para o Brasil, pois um novo evento de El Niño ao longo do segundo semestre de 2026. Os dados mais recentes indicam o índice Niño-3.4 em -0,2°C, enquanto as regiões Niño-4 e Niño-1+2 registram +0,3°C e +0,6°C, respectivamente, valores próximos da média histórica. Apesar disso, sinais importantes já aparecem em subsuperfície. O Pacífico Equatorial vem apresentando aquecimento contínuo há cinco meses consecutivos, acompanhado por anomalias de vento de oeste em baixos níveis da atmosfera, um padrão que costuma anteceder a formação de eventos de El Niño.
As projeções da NOAA reforçam essa tendência e a probabilidade de manutenção da neutralidade climática é de cerca de 80% até o trimestre abril-junho. No entanto, a partir do período maio-julho, a chance de desenvolvimento do El Niño sobe para 61%, com possibilidade de persistência até o fim do ano. Caso o fenômeno se confirme, os impactos no Brasil tendem a ser significativos e regionalizados. Durante o inverno, um El Niño em formação favorece aumento das chuvas na região Sul, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar temperaturas acima da média e redução das precipitações. Já no verão, com o fenômeno mais consolidado, o padrão climático tende a se intensificar. A expectativa é de chuvas acima da média histórica no Sul, enquanto Norte e Nordeste podem registrar períodos de seca mais severa. No Sudeste e no Centro-Oeste, o principal efeito associado é a elevação das temperaturas acima da normalidade climatológica.
A meteorologista Gabryele de Carvalho explica que o momento exige atenção ao comportamento dos próximos meses. “Embora ainda estejamos em uma condição de neutralidade, os sinais observados na subsuperfície do oceano e na circulação atmosférica indicam uma possível transição para El Niño. Esse tipo de configuração costuma intensificar extremos climáticos no Brasil, com impactos relevantes em setores como energia, agricultura e gestão de recursos hídricos. Por isso, o acompanhamento contínuo é fundamental para antecipar riscos e apoiar a tomada de decisão”, afirma. A meteorologista destaca que, diante do cenário de mudanças graduais no sistema oceano-atmosfera, o monitoramento técnico e a atualização constante das projeções serão determinantes para entender a evolução do fenômeno e seus impactos ao longo de 2026.










