Vale diz que Brasil alia transição energética e descarbonização

A Vale destaca que a combinação de transição energética, IA e digitalização posiciona o Brasil estrategicamente na economia global de minerais essenciais para a descarbonização e a economia digital.
O diretor global de serviços técnicos em mineração da Vale, Bruno Pelli, disse durante o Simexmin 2026 que o Brasil possui uma combinação entre transição energética, inteligência artificial, digitalização e descarbonização da indústria coloca o Brasil em posição estratégica na economia global dos minerais críticos. “O mundo digital não existe sem o mundo real. Não tem como construir um data center sem metais. Não tem como fazer uma fonte energética sem minerais”. O executivo da Vale comentou ainda que a eletrificação da economia e o avanço da inteligência artificial deve aumentar principalmente pela demanda por minerais como cobre, níquel, lítio e terras raras nas próximas décadas. Segundo ele, o crescimento da procura por lítio e terras raras deve ultrapassar 100% em um horizonte de dez anos. “O minério de ferro típico, australiano, ou de baixo valor, tem demanda estável ou decrescente. Já o minério de ferro de alto valor tem demanda crescente, porque a rota mais barata para descarbonizar o aço depende desse tipo de minério”, afirmou.
Apesar do cenário favorável para a mineração, Pelli afirmou que o setor ainda sofre forte desgaste de imagem perante a sociedade. “A atividade é vista de forma mais negativa do que outras cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais. Ser essencial não é suficiente e a mineração precisa se transformar para deixar de ser uma atividade indesejada e passar a ser uma mineração amada pela sociedade”. O executivo reconheceu que desastres ambientais contribuíram para deteriorar a percepção pública da atividade mineral, mas defendeu que a indústria precisa comunicar melhor seus impactos econômicos, sociais e ambientais positivos. “A mineração precisa comunicar melhor os seus impactos positivos”, diz Bruno Pelli.
Ao abordar a atuação mineral na Amazônia, Pelli citou o caso de Serra dos Carajás como exemplo de preservação ambiental associada à mineração. “A mineração foi o grande elo de preservação do sul do estado do Pará”, afirmou. “Os pontos da mineração são os pontos da preservação desse mosaico”. Segundo o executivo, a Vale preserva cerca de 800 mil hectares na Amazônia e ocupa aproximadamente 4% do mosaico florestal da região de Carajás. “O que teria acontecido no sul do Pará se a mineração não tivesse sido o elo de preservação? Com certeza a preservação teria sido menor”, declarou.
Durante a apresentação, Pelli explicou a estratégia da Vale para acelerar a chamada “mineração do futuro”, baseada em cinco pilares: operação inteligente, preservação ambiental, mineração circular, inclusão social e formação da força de trabalho do futuro. Entre as iniciativas citadas estão minas autônomas, centros integrados de controle operacional, digitalização da cadeia geológica e reaproveitamento de rejeitos e estéreis minerais. A Vale reaproveitou mais de 26 milhões de toneladas de rejeitos e estéreis em 2025, criando o que chamou de uma “mineração circular” dentro da própria companhia. “Abrimos praticamente uma nova empresa de mineração dentro da Vale, reaproveitando estéril e rejeito”, afirmou. Pelli também apresentou projetos de integração entre exploração mineral, modelagem geológica, planejamento de minas e monitoramento operacional. Segundo ele, a iniciativa já gerou economia superior a US$ 1 bilhão desde 2022. “Cada dólar investido na parte técnica retorna centenas de dólares”, disse.
Entre os projetos em andamento, o executivo destacou a meta da companhia de escanear 100% dos testemunhos de sondagem, utilizando mineralogia digital e inteligência de dados para aprimorar modelos geológicos e reduzir perdas operacionais. “O mundo mudou. A geologia precisa mudar também”, afirmou. O diretor da Vale afirmou ainda que a empresa assumiu o compromisso de retirar 500 mil pessoas da pobreza por meio de ações de capacitação e inclusão produtiva e a Vale já conseguiu atingir metade da meta. Pelli também destacou avanços na participação feminina e de pessoas negras em cargos de liderança da companhia. “Não fazemos isso apenas porque é positivo para a imagem. Fazemos porque acreditamos que é a coisa certa”, afirmou. “O mundo acordou para a mineração”. Ao encerrar a apresentação, o executivo afirmou que a sociedade global passou a reconhecer a centralidade da mineração na economia contemporânea, especialmente diante das transformações tecnológicas e energéticas. “O mundo demorou muito, mas acordou para a mineração”, declarou. “Agora precisamos transformar a forma como a mineração é percebida pela sociedade”.











