Vote pelo Clima reúne 68 eleitos

A plataforma do Clima de Política teve 310 candidaturas validadas e 214 mil acessos; em 2022 foram 36 eleitos, mas o Observatório do Clima vê maioria contrária à agenda socioambiental no novo Congresso.
A plataforma Vote pelo Clima foi acessada 214.000 vezes por 48.000 eleitores para pesquisar candidaturas comprometidas com a agenda climática nas eleições de 2026. Iniciativa coordenada pelo Clima de Política, com o apoio de 105 organizações parceiras, reuniu 310 candidaturas inscritas e validadas, das quais 68 foram eleitas, com predominância de mulheres entre as pessoas que conquistaram mandatos. Houve um aumento expressivo em comparação com as últimas eleições gerais de 2022, que contaram com 198 candidaturas válidas na plataforma e 36 eleitas.
Os resultados da edição de 2026 foram alcançados em 53 dias de mobilização e demonstram o interesse da população por informações sobre propostas relacionadas ao enfrentamento das mudanças climáticas, assim como um aumento de candidaturas interessadas em destacar o compromisso com essa agenda nos seus mandatos. A plataforma foi criada para aproximar eleitores de candidaturas comprometidas com a agenda climática, e que oferecem informações sobre propostas e prioridades políticas relacionadas ao combate à crise climática, considerando como a pauta atravessa outros problemas sociais, como saúde, alimentação, economia e trabalho. Por meio da ferramenta, o eleitor conseguiu consultar candidaturas de diferentes estados e partidos, com filtros por cargo e áreas temáticas, facilitando o acesso à informação para a definição do voto.
Entre as candidaturas do Vote pelo Clima, 22% foram eleitas. O resultado representa a presença de candidaturas comprometidas com a pauta climática entre os representantes eleitos, em um cenário no qual temas como o combate às mudanças climáticas, a prevenção de desastres, o uso responsável das terras raras para uma transição energética justa, a proteção da Amazônia e de outras florestas e a transição econômica ganham importância no debate público.
A campanha teve ainda alcance nas redes sociais. Só no Instagram do Clima de Política, foram mais de 400 mil pessoas impactadas nas redes sociais com mensagens acerca da importância de votar pelo clima e mais de 1 milhão de visualizações nas mensagens, sem contar com as publicações nas contas das organizações parceiras. Houve ainda outras ações coordenadas de comunicação, como mais de 45 aparições na imprensa e newsletters e a construção de uma comunidade no WhatsApp com eleitores chamados de “Mobilizadores Vote pelo Clima”, com mais de 100 participantes que amplificaram a mensagem da importância de votar considerando a agenda climática, e apoiaram na divulgação da plataforma. Para Beatriz Pagy, diretora executiva do Clima de Política, os resultados evidenciam a importância de fortalecer a participação social e ampliar o espaço da agenda climática nas decisões políticas. “Mobilizar mais de 48 mil pessoas e mais de 300 candidaturas em tão pouco tempo mostra que existe um interesse concreto da sociedade em compreender como as decisões políticas impactam o clima e a vida concreta das pessoas. A eleição de 68 candidaturas que se comprometeram com o combate à crise climática é um resultado importante, mas nosso trabalho não termina nas urnas. Precisamos seguir acompanhando os mandatos, cobrando compromissos e fortalecendo a participação da sociedade para que a agenda climática se traduza em políticas públicas efetivas e garantirmos a nossa democracia”, afirma.
Segundo dados divulgados pelo Observatório do Clima, 68,9% dos deputados e 79% dos senadores da próxima legislatura são classificados como contrários à agenda socioambiental. O cenário reforça a necessidade de articulação entre organizações da sociedade civil, representantes políticos e cidadãos para assegurar espaço às políticas de enfrentamento da crise climática. E, acima de tudo, que a agenda climática entregue transformações concretas e positivas para a população. Para o Clima de Política, o encerramento das eleições não representa o fim da mobilização. A organização defende que a política se constrói no dia a dia e a participação cidadã deve continuar ao longo dos mandatos, por meio do acompanhamento das políticas públicas, da fiscalização das promessas eleitorais e da cobrança por medidas concretas de enfrentamento da crise climática. A próxima edição da iniciativa deve ocorrer nas eleições municipais de 2028. Enquanto isso, a plataforma permanece disponível para o público com os dados das candidaturas eleitas na plataforma.




