Publicidade
RIOS

Xingu tem qualidade da água positiva perto de Belo Monte

Xingu tem qualidade da água positiva perto de Belo Monte

O rio mantém a sua classificação como Classe 2. O resultado representa que a água do Médio Xingu, na área de influência da usina, permanece própria para múltiplos usos.

Segundo estudos realizados pela Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, após 14 anos de análises contínuas, que abrangem os períodos anterior, durante e posterior à formação dos reservatórios, o rio mantém a sua classificação como Classe 2. O resultado representa que a água do Médio Xingu, na área de influência da usina, permanece própria para múltiplos usos, como o abastecimento doméstico após tratamento convencional, proteção das comunidades aquáticas, recreações como natação e mergulho, irrigação de hortaliças e frutíferas, e a criação de espécies destinadas à alimentação humana. A classificação é realizada pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH), sob coordenação da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), e indica um ecossistema hídrico saudável e estabilizado. O resultado reforça que a operação da Usina Belo Monte ocorre em harmonia com a preservação ambiental da região.

“Não há muitos reservatórios no Brasil com 14 anos de monitoramento contínuo, com essa abrangência espacial, temporal e de parâmetros analisados. O que vemos no Médio Xingu é um exemplo de excelência científica e de compromisso com a preservação ambiental, com resultados consistentes que atestam a boa qualidade da água e a saúde do ecossistema”, disse José Galizia Tundisi, coordenador técnico do monitoramento e referência internacional na área. Ele explica que a extensão do programa realizado em Belo Monte é um dos diferenciais da empresa. Desde o início do programa até o momento, a Norte Energia realiza um amplo trabalho de coleta de dados, totalizando mais de 85.000 amostras de água superficial para análises físico-químicas e bacteriológicas. São 53 pontos monitorados de uma vasta área da região, que cobre desde a montante do Reservatório Xingu até a jusante de Belo Monte (na direção do fluxo do rio, após a usina), incluindo o Canal de Derivação, o Reservatório Intermediário, a Volta Grande do Xingu e a foz de afluentes importantes, como o rio Bacajá. “A qualidade da água reflete a forma como a bacia é gerida. Em Belo Monte, a preservação das matas no entorno dos reservatórios e o rigor científico do monitoramento mostram que, quando você preserva a bacia, você preserva a qualidade da água dos rios”, destaca o professor.

O trabalho faz parte das coletas em conjunto com representantes das comunidades locais, através do Plano de Monitoramento Participativo. Criado em 2020, o plano tem como objetivo possibilitar a interação entre o monitoramento da qualidade da água e as comunidades ribeirinhas da área de influência da Usina Belo Monte. Atualmente, sete comunidades localizadas ao longo da Volta Grande do Xingu — Ressaca, Ilha da Fazenda, Rio das Pedras, Maranhenses, Jericoá, Belo Monte e Gleba Itatá – estão envolvidas no projeto. Moradora da Comunidade Maranhense, Josimary Abreu Nunes participa das ações e se sente segura com os resultados do monitoramento. “Depois de ter visto os laudos, fico sim mais confiante. Como está tudo dentro da normalidade, então, dá uma certa segurança. Isso porque você também está vendo o que está acontecendo, como está sendo feito”, conta.

Para o gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia, Roberto Silva, os bons resultados refletem o rigor técnico do programa e a efetividade das ações ambientais implementadas. "O monitoramento contínuo é a base de uma gestão ambiental de qualidade dos recursos hídricos. O conjunto de dados, coletado ao longo de 14 anos, é a principal evidência do nosso compromisso com a região e com os requisitos do licenciamento, nos permitindo afirmar com base científica que, em geral, o ecossistema aquático da região da Usina se mantém saudável e que os reservatórios estão estabilizados. É um trabalho que garante a preservação ambiental e a segurança hídrica para as comunidades e para a biodiversidade local", destaca. O programa também se estende às águas subterrâneas. Foram realizadas mais de 10.600 medições dos níveis de água em 107 poços e cacimbas, além da coleta de mais de 2.500 amostras para monitoramento de sua qualidade. Este banco de dados tem sido fundamental para o acompanhamento das condições hidrológicas, permitindo a identificação de tendências e o cumprimento das metas ambientais, além de comprovar a manutenção da qualidade da água com a implantação da usina.

Artigos Relacionados

Manejo de água em propriedades rurais
BACIAS HIDROGRÁFICAS
Manejo de água em propriedades rurais

A Nexa concluiu, em abril deste ano, o ciclo de atividades do projeto ‘Gente Cuidando das Águas' previstas para o ano de 2020. Após readequação no calendário por causa da pandemia, a iniciativa teve a participação de nove proprietários rurais em ações voltadas a educação ambiental e práticas de aprimoramento das suas atividades em Morro Agudo, no município de Paracatu (MG). Com o objetivo de ampliar o conhecimento das bacias hidrográficas da região e apoiar as comunidades rurais, o projeto realizou 34 atividades de educação ambiental em 2020 para disseminar e ampliar informações sobre legislação ambiental, bacias hidrográficas, tecnologias ambientais de retenção e tratamento de água e informações sobre a localidade. Foram distribuídas cartilhas educativas sobre preservação e cuidado da água e o livro "O Carste" que traz mais informações para os participantes deste ambiente. O projeto também implementou técnicas ambientais a fim de melhorar a retenção de água de chuva, com métodos de bolsões e curva de nível nas propriedades. Além disso, foi feito o cercamento da área de preservação permanente do córrego do Batuque das nove propriedades rurais atendidas e que ficam no entorno da unidade. Ao todo, foram construídos 10 km de cercas a fim de conter a circulação de animas que podem pisotear a área e acarretar a compactação do solo, comprometendo o fluxo normal das águas. "O Gente Cuidando das Águas vem ao encontro do Plano de Desenvolvimento Local construído junto da própria comunidade em 2018, no qual eles trazem a preocupação com a disponibilidade da água. Por meio da ampliação de conhecimento e de técnicas ambientais, conseguimos iniciar um processo que vai gerar impactos positivos para as famílias que moram ali e para o meio ambiente", comenta Marina Noronha, coordenadora de gestão social da unidade.

8 de maio, 2021
Saneamento Ambiental Logo
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Nexa retoma ‘Gente Cuidando das Águas’

A Nexa retomou o programa Gente Cuidando das Águas em dez escolas municipais e estaduais de Vazante (MG). O projeto é focado na educação e conscientização ambiental de crianças e jovens da cidade. Criado em 2018, o projeto já recuperou 27 nascentes e construiu mais de 21.855 metros de cercas de proteção das nascentes do Rio Santa Catarina, principal curso d'água da cidade. Em 2021, por causa dos desafios impostos pela pandemia COVID-19, a Nexa reformulou o programa para acompanhar as atividades escolares, virtuais ou presenciais para dar ainda mais foco na educação e conscientização ambiental, de jovens do 6° e 8° ano do ensino fundamental. Fernando Gurgel, gerente geral da Nexa Vazante, disse que o programa, além de preservar o Rio Santa Catarina, promove um diálogo transparente e educativo na gestão conservação dos recursos hídricos da cidade. "O projeto surge do nosso compromisso de contribuir com a melhoria da Bacia Hidrográfica do Rio Santa Catarina. Com ele, será possível levar informações relevantes às comunidades do município sobre a importância de se adotar medidas de preservação e como a mobilização social em prol do meio ambiente pode melhorar o futuro da cidade", afirma. O projeto foi construído com o objetivo de promover a recuperação e proteção de nascentes a montante do Rio Santa Catarina através do cercamento e da conscientização das pessoas. Até o momento, o projeto beneficiou diretamente cerca de 35 produtores rurais e mais de 390 estudantes do 6º ano e 250 do 8º ano. "O Gente Cuidando das Águas acompanha a evolução das nascentes protegidas, com monitoramentos de qualidade e volume de água. Muitos dos produtores que participam do projeto receberam mentorias com foco na educação ambiental e conheceram tecnologias de baixo custo que podem melhorar a qualidade da água na sua propriedade", comenta Gurgel. Em 2021, o projeto tem como meta construir uma maquete da Bacia do Rio Santa Catarina em uma campanha de sensibilização promovida pelos próprios alunos. Todos os temas abordados estão em linha com a proposta do BNCC (Base Nacional Comum Curricular) do Ministério da Educação. O 'Gente Cuidando das Águas' é desenvolvido em parceria com o BNDES, a Secretaria de Educação de Vazante, EMATER (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais) e a ADVAZ (Agência para o desenvolvimento local, integrado, e sustentável de Vazante).

29 de março, 2021
Saneamento Ambiental Logo
RIOS
Qualidade das águas melhora

A Fundação SOS Mata Atlântica divulgou o relatório "Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica", onde apresenta um panorama sobre a qualidade da água de 130 pontos de monitoramento, distribuídos em 77 trechos de rios e corpos d'água brasileiros, em 64 municípios, nos 17 estados do bioma Mata Atlântica. No total, dos 130 pontos monitorados no ciclo de 2020 a 2021, 95 deles (73,1%) apresentaram qualidade da água regular, 22 (16,9%) ruim e 13 (10%) estão em boa condição. O levantamento não identificou corpos d'água com qualidade de água ótima ou péssima. Os especialistas da ONG conseguiram identificar uma tendência de melhoria na qualidade ambiental de rios e córregos urbanos ao longo de 2020, por conta de avanços nos índices de coleta e tratamento de esgoto e do isolamento social que resultou na redução de fontes difusas de poluição, como lixo e material particulado proveniente da fuligem de veículos automotivos. Entretanto, a melhoria verificada só poderá ser comemorada desde que acompanhada de investimentos contínuos em saneamento ambiental e proteção de matas nativas e áreas verdes. A equipe técnica da organização ainda destaca que a pressão sobre o uso doméstico da água, durante a pandemia, resultou no comprometimento da qualidade da água de rios em regiões impactadas, no mesmo período, por secas e diminuição das vazões. Considerados os 95 pontos fixos de monitoramento, em que é possível fazer um comparativo com o período anterior (2019-2020) aqueles que também foram analisados entre 2020 e 2021, os indicadores aferidos apontaram variações expressivas em 20 pontos. A condição da qualidade da água melhorou em 10 pontos e manteve estabilidade nos indicadores, mesmo com variações climáticas intensas nos períodos de seca e chuva, em 75 pontos que continuam com as mesmas condições do levantamento anterior, inclusive com destaque para quatro pontos bons. No comparativo, também não foram encontrados pontos com condição ótima ou péssima. "A gente já fala há muitos anos que a situação de um rio é o espelho do comportamento da sociedade. O processo de degradação de um corpo d'água, por lançamento de esgotos sem tratamento ou desmatamento de suas margens é rápido, mas a recuperação pode demandar muitos anos. Por isso, os indicadores e dados mudam pouco, mas os rios têm, em geral boa capacidade de se recuperar, desde que não fiquemos parados. É preciso agir agora, mudar a nossa forma de gestão e governança e como consumimos a água", afirma Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios da Fundação SOS Mata Atlântica. O estudo constatou que em alguns rios as altas temperaturas chegam a até 30ºC ou mais, o que gerou um alerta sobre os impactos das mudanças do clima sobre a qualidade da água, já que as altas temperaturas diminuem o oxigênio presente na água e, consequentemente, afetam a vida e a qualidade. Em condições normais, as médias consideradas adequadas para os rios deveriam ser de temperaturas na faixa de 18 a 23ºC. A existência de áreas verdes e matas nativas nas margens dos rios, fazendo sombreamento a ele, pode minimizar o aumento da temperatura. Os indicadores de qualidade da água reunidos no estudo foram obtidos graças ao trabalho voluntário de 3 mil pessoas que integram 256 grupos de monitoramento do projeto Observando os Rios, patrocinado pela Ypê e com apoio da Sompo Seguros. Os grupos de voluntários coletaram e analisaram a qualidade da água, mensalmente ao longo do ciclo de 12 meses, com acompanhamento e supervisão técnica da Fundação SOS Mata Atlântica. "É necessário atenção especial das autoridades e da sociedade para a qualidade da água e proteção dos grandes rios da Mata Atlântica, para segurança hídrica. Com ênfase para a necessidade urgente de ações voltadas às populações que vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica, principalmente, aqueles desprovidos de acesso ao saneamento básico e os que perderam moradia e passaram a viver nas ruas das cidades e em beira de rios ao longo da pandemia. Os indicadores levantados também reforçam que em áreas rurais há a necessidade de fiscalização e controle contra o uso intensivo de agrotóxicos e fertilizantes.", afirma Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. Dos dez pontos que alcançaram qualidade de água boa, cinco estão próximos de áreas protegidas, ou com mata nativa. Entre eles estão os rios Pratagy, em Alagoas, Biriricas, no Espírito Santo, o Córrego Bonito, na cidade de mesmo nome, no Mato Grosso do Sul. E pontos dos rios Tietê e Jundiaí, em São Paulo, que alcançaram o índice de qualidade boa. "O ponto do Tietê é na cidade de Salesópolis, onde fica sua nascente, e o rio Jundiaí, no município de Salto. Os outros pontos com melhoria foram encontrados nos estados de Pernambuco, Sergipe e outros três em São Paulo. Estes últimos saíram de ruim para regular", afirma Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios. No rio Tietê, os 14 pontos de monitoramento fixos apresentaram melhora, além de ter saído da condição ruim para regular nas cidades de Itu, Salto e Santana de Parnaíba. "O rio Tietê, sempre destacado em razão das altas cargas de poluição que recebe, apresentou apenas um ponto com piora no índice de qualidade da água, na média dos 12 meses de análises. Esse ponto localizado no município de Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo, vem sofrendo com o aumento acelerado de ocupações irregulares entre as cidades de Mogi das Cruzes e Suzano, em área de risco para as populações. Conseguir que um grande rio, como o Tietê, apresente esses indicadores, pode parecer pouco, mas reforça a importância de investir de forma contínua em saneamento básico, reforça Malu Ribeiro. Entre aqueles que pioraram de situação, destaque para oito pontos que passaram da condição regular para ruim, localizados nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco (dois pontos), Rio Grande do Sul (dois pontos) e São Paulo (dois pontos). O estudo completo pode ser conferido no https://www.sosma.org.br/sobre/relatorios-e-balancos/ .

29 de março, 2021
Saneamento Ambiental Logo
PARAOPEBA
Igam passa a cuidar do monitoramento

A Vale firmou Termo de Compromisso com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MP-MG) transferindo todas as ações de monitoramento de recursos hídricos e sedimentos ao longo da Bacia do Rio Paraopeba e no Rio São Francisco para o Instituto Mineiro de Gestão de Águas (Igam). Pelo acordo, a mineradora terá que contratar auditoria técnica independente que será responsável por monitorar o processo de transferência, previsto para durar 26 meses. Até o término do período de 26 meses, a auditoria deverá fiscalizar os monitoramentos feitos pela Vale. Todos os demais custos inerentes ao Termo de compromisso são de responsabilidade da Vale. Após esse período, por dez anos, a mineradora permanecerá custeando as atividades de monitoramento. De acordo com o Termo de Compromisso, a auditoria deverá atuar no acompanhamento do plano de monitoramento da qualidade das águas subterrâneas e do programa de distribuição de água potável para comunidades impactadas pelo rompimento da barragem B1, na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. O acordo foi firmado no final de novembro e inclui como intervenientes o Igam, Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado de Saúde, Ministério Público Federal e Aecom do Brasil, que é a empresa de auditoria indicada pelo MP-MG. A Vale monitora desde janeiro a qualidade da água do Paraopeba e atualmente existem 90 pontos de monitoramento de uma área de mais de 2,6 mil km de extensão, que inclui o ribeirão Ferro-Carvão, rio Paraopeba, dez de seus afluentes e o São Francisco até sua foz no oceano Atlântico. Além das 90 estações de monitoramento, a Vale mantém ainda 16 sondas paramétricas, instaladas em pontos do ribeirão Ferro-Carvão, rio Paraopeba e no reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias. O equipamento viabiliza, por meio de telemetria, a leitura remota de parâmetros físicos e químicos da água, de hora em hora, aumentando a eficiência das informações. A Vale já realizou aproximadamente quatro milhões de análises de água, solo e sedimentos em mais de 31 mil amostras. As análises avaliam a presença de metais na água, pH e turbidez. Os testes realizados durante o período de estiagem indicaram uma atenuação das concentrações dos elementos analisados, resultando em um maior enquadramento aos níveis permitidos pela legislação. Os estudos continuarão durante o período de chuvas. O trabalho é conduzido por dois laboratórios especializados independentes e envolve aproximadamente 250 profissionais. Também foram realizados ensaios de ecotoxidade ao longo do rio Paraopeba com o objetivo de entender as consequências do depósito de rejeitos no curso d'água. Os resultados obtidos até o momento não apontam efeitos tóxicos nas amostras de água devido à presença de rejeito no rio. A captação direta de água no rio Paraopeba ainda está proibida como medida de prevenção. Não há restrição para captação de água subterrânea para aqueles que estão a mais de 100 metros da margem do rio. O uso da água nos trechos que estão antes do município de Brumadinho e depois da Usina de Retiro Baixo está liberado para os mais diversos fins e não existe nenhuma restrição pelos órgãos públicos.

16 de dezembro, 2019
Saneamento Ambiental Logo
MATA ATLÂNTICA
Apenas 4% dos rios do bioma registram água de boa qualidade

Um estudo inédito realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica sobre a qualidade da água dos 230 rios, córregos e lagos do bioma, identificou que apenas 4,1% - 12dos 294 pontos de coleta avaliados -- possuem qualidade de água boa, enquanto 75,5% (222) estão em situação regular e 20,4% (60) com qualidade ruim ou péssima. Isso significa que em 96% dos pontos monitorados a qualidade da água não é boa. O levantamento aconteceu em 102 municípios dos 17 estados da M ata Atlântica, além do Distrito Federal, entre março de 2017 e fevereiro de 2018. Foram realizadas coletas e análises mensais da água por 3,5 mil voluntários do programa “Observando os Rios”, com supervisão técnica da Fundação SOS Mata Atlântica. O projeto tem patrocínio da Ypê e Coca-Cola Brasil e o estudo completo, com a lista dos rios avaliados, está disponível em http://bit.ly/2DmdBJH . “Os resultados apontam a fragilidade da condição ambiental dos principais rios da Mata Atlântica e a urgência de incluir a água na agenda estratégica do Brasil. Rios e águas contaminados são reflexo da ausência de saneamento ambiental, gestão e governança”, afirma Malu Ribeiro, coordenadora do estudo e especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica. Segundo ela, a qualidade da água doce superficial é muito suscetível às condições ambientais, às variações e impactos do clima, aos usos do solo e às atividades econômicas existentes na bacia hidrográfica. Sendo assim, a água está diretamente ligada à conservação da Mata Atlântica, à sustentabilidade dos ecossistemas, à saúde e atividades econômicas da população que vive no bioma. “Ao reconhecer os rios como espelhos da qualidade ambiental das cidades, regiões hidrográficas e países, conseguimos identificar rapidamente os valores da sua comunidade, a condição de saúde na bacia e de desenvolvimento“, completa Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica. O levantamento comparou os resultados do monitoramento de 188 pontos fixos de coletas em 11 estados - Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo –, além do Distrito Federal. O estudo considerou a média dos indicadores mensais do ciclo 2017 (março/2016 a fevereiro/2017) e do ciclo 2018 (março/2017 a fevereiro/2018). “A qualidade da água dos rios das bacias da Mata Atlântica permaneceu estável nesse ciclo de pouca chuva e não houve evolução significativa dos indicadores em relação ao ciclo anterior”, ressalta Malu Ribeiro. O ponto positivo foi a melhora da qualidade de água em cinco pontos de monitoramento. Já em 16 pontos de coleta sem proteção de mata nativa os dados demonstraram impacto significativo, com perda de qualidade da água. “Ainda estamos distantes do que a sociedade necessita para segurança, mas conseguimos diminuir de 7 pontos com qualidade péssima em 2015 para 1 neste ano. No entanto, para que os indicadores reunidos nesse estudo possam se traduzir em metas progressivas de qualidade da água nos milhares de rios e mananciais das nossas bacias hidrográficas, é fundamental que a Política Nacional de Recursos Hídricos seja implementada em todo território nacional, de forma descentralizada e participativa, e que a norma que trata do enquadramento dos corpos d’água seja aprimorada, excluindo os rios de classe 4 da legislação brasileira“, conclui. A classe 4 na prática permite a existência de rios mortos por ser extremamente permissiva em relação a poluentes e mantém muitos em condição de qualidade péssima ou ruim, indisponíveis para usos.

5 de abril, 2018
Saneamento Ambiental Logo
MEIO AMBIENTE
Bioindicadores avaliam água de represa

Coordenadas por Eliane Pintor de Arruda, docente do Departamento de Biologia (DBio) do Campus Sorocaba da UFSCar, as pesquisas realizadas pelo Laboratório de Estudos em Macroinvertebrados Bentônicos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desde 2013, alertam para os riscos de degradação ambiental no reservatório de Itupararanga, formado pelo represamento das águas do rio Sorocaba, Os estudos utilizam macroinvertebrados bentônicos como bioindicadores da qualidade da água, complementando assim análises mais convencionais de variáveis físico-químicas, insuficientes para a caracterização da integridade e da qualidade dos recursos hídricos. Os ecossistemas aquáticos são compostos por três comunidades de organismos, caracterizadas conforme seus hábitos de vida: a planctônica (composta por fitoplâncton, zooplâncton e bacterioplâncton); a nectônica (invertebrados, protozoários, peixes e mamíferos, dentre outros); e a bentônica, composta pelos organismos que vivem sobre ou no interior do substrato - leito dos rios, por exemplo -, como larvas de inseto, caramujos e minhocas de água doce. "O biomonitoramento analisa justamente as respostas dos organismos vivos a perturbações ambientais, geralmente causadas pelas atividades humanas. No caso dos macroinvertebrados bentônicos, a baixa diversidade e a grande abundância de poucas espécies desses animais - aquelas mais tolerantes a essas alterações - são, geralmente, características de ambientes em processo de degradação ou degradados. E foram estes os resultados que encontramos na represa de Itupararanga, associados a características físico-químicas da água e do sedimento, especialmente o elevado teor de matéria orgânica", relata Eliane. O uso de bioindicadores não é comum para avaliar a qualidade da água no Brasil, mas sua utilização já é grande por órgãos de avaliação ambiental em países europeus e norte-americanos. O reservatório de Itupararanga tem grande importância hídrica para a região onde está localizado, abastecendo as cidades de Votorantim, Ibiúna, São Roque e Sorocaba. A represa também é usada como área de lazer, para geração de energia elétrica, irrigação agrícola, pesca e controle de vazão do rio Sorocaba.

15 de maio, 2017
Saneamento Ambiental Logo
ÁGUA
Equipamentos monitoram qualidade no Rio

Quatro estações de monitoramento da qualidade da água acabam de ser instaladas nos municípios de Nova Friburgo (Rio Grande), São Fidélis (Rio Dois Rios) e Campos dos Goytacazes (Rio Muriaé e Rio Paraíba do Sul). Os equipamentos fazem parte de projeto-piloto do Intecral (Integração de Ecotecnologias e Serviços para o Desenvolvimento Rural Sustentável), parceria do Programa Rio Rural, da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, com o governo da Alemanha. Os equipamentos, de alta precisão, são os primeiros no estado a funcionar totalmente de forma automatizada, além de fornecer dados mais complexos e em tempo real sobre a qualidade da água e pontos críticos de poluição. Há três anos, pesquisadores estrangeiros resolveram identificar gargalos produtivos no interior do Rio e propor soluções que respeitem o meio ambiente. No caso da água, a opção foi pela instalação das estações. Os equipamentos, que representam investimento de quase R$ 500 mil, foram desenvolvidos por empresas alemãs e doados ao governo do estado. As sondas instaladas nas regiões Serrana e Norte fluminense trabalham de forma avançada. Além dos dados básicos da água, elas obtêm outros doze tipos de indicadores, como nível de turbidez (água barrenta), carga de amônia (indicador de bactérias) e clorofila (sinalizador de poluição). “Quanto melhor a qualidade da água, menos se gasta para tratá-la. Esses dados poderão ser utilizados pelos órgãos gestores dos recursos hídricos, como os comitês de bacias hidrográficas, as concessionárias de água e poder público”, explica Juan Ramírez, pesquisador de Gestão de Recursos Hídricos da Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia, na Alemanha. As estações funcionam através de sensores que realizam a medição dos indicadores e são encaixados em uma sonda, mergulhada na água. A sonda se liga a uma caixa receptora, em terra. Os fios da sonda são protegidos por uma tubulação de aço para evitar que sejam danificados. Os dados são atualizados de hora em hora e enviados, via Internet, até um software na Alemanha, que interpreta as informações e as transforma em relatórios que poderão ser acessados por qualquer interessado no assunto. “Isso é importante para o meio ambiente, porque teremos informações sempre em tempo real. Se houver poluição, temos que corrigí-la”, explica Peter Eichinger, engenheiro da empresa alemã responsável pela instalação dos equipamentos. Para o secretário estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, Christino Áureo, as estações de monitoramento representam um marco na gestão racional do uso da água. “Elas permitem que estejamos na vanguarda do monitoramento hídrico, fortalecendo as ações de sustentabilidade”, afirma. O monitoramento inicialmente será realizado na Europa e, futuramente, no Brasil. A fabricante alemã Seba Hydrometrie também mantém estações de monitoramento da qualidade da água em países como China, Zâmbia e Arábia Saudita.

27 de julho, 2016