35% das empresas consideram eventos climáticos um risco financeiro

Uma análise do CDP revela que 35% das empresas globais consideram eventos climáticos extremos um risco financeiro material, com perdas reportadas de quase US$ 3 bilhões no último ano devido a custos diretos e paralisações operacionais.
Uma nova análise do CDP indica que eventos climáticos extremos já provocam impactos financeiros materiais em toda a economia global, com probabilidade de serem intensificados rapidamente. Das 11.261 empresas que divulgaram dados ambientais completos por meio do CDP em 2025, apenas 35% constataram eventos climáticos extremos como um risco financeiro material. Ainda assim, as empresas reportaram que esses eventos causaram quase US$ 3 bilhões em perdas reais somente no último ano, principalmente devido ao aumento de custos diretos (US$ 309 milhões) e paralisações operacionais (US$ 266 milhões).
O principal fator apontado foram as chuvas intensas, que representaram US$ 1,5 bilhão entre as empresas respondentes. No futuro, as empresas projetam US$ 898 bilhões em impactos financeiros, principalmente devido a inundações (US$ 528 bilhões), ciclones (US$ 161 bilhões) e chuvas intensas (US$ 86 bilhões). Além disso, quase metade (48%) dos riscos relacionados a eventos climáticos extremos deve se materializar nos próximos dois anos, colocando esses riscos diretamente dentro dos horizontes atuais de planejamento empresarial e investimento.
As perdas financeiras esperadas devem ser alavancadas pela redução da capacidade produtiva (US$ 326 bilhões) e pela desvalorização ou desativação antecipada de ativos (US$ 218 bilhões). Esses impactos devem se espalhar por sistemas dos quais as empresas dependem, como infraestrutura, cadeias de suprimento, mercado de seguros e serviços públicos. Apesar do custo dos riscos ambientais ser muito elevado, o custo para mitigá-los é significativamente menor. O relatório Disclosure Dividend 2025 do CDP mostrou que o custo médio dos riscos por empresa foi de US$ 39,4 milhões, em comparação com apenas US$ 3,1 milhões para mitigá-los — quase 13 vezes menos.
Das 1.005 cidades, estados e regiões de 80 países que reportaram dados por meio do CDP-ICLEI Track e do questionário de Estados e Regiões do CDP em 2025, 62% afirmam já estar sendo significativamente impactados por eventos climáticos extremos e mais de 60% esperam que esses eventos — especialmente calor extremo, enchentes urbanas e secas — aumentem em intensidade, frequência ou ambos no futuro. Governos subnacionais reconhecem cada vez mais os eventos climáticos extremos como um risco financeiro e econômico, com quase um quarto (23%) destacando especificamente atividades financeiras e de seguros como altamente expostas à intensificação dos riscos climáticos. Em resposta, cidades ao redor do mundo estão avançando além de compromissos e promessas, desenvolvendo de forma contínua novos projetos de infraestrutura climática para proteger pessoas e empresas.
Mais de 60% possuem ao menos um projeto de adaptação que necessita de financiamento adicional, o que demonstra uma lacuna global de investimentos de pelo menos US$ 34 bilhões. Além disso, quase metade (46%) relata restrições orçamentárias que limitam sua capacidade de adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. No entanto, quando os riscos se tornam visíveis e ações são implementadas, todas as partes interessadas conseguem aproveitar os benefícios sociais e econômicos. “Eventos climáticos extremos já representam um risco financeiro. Eles provocam um perigoso efeito dominó, interrompendo operações, reduzindo a produção e gerando perdas hoje, com impactos ainda maiores no futuro. Trata-se de um desafio sistêmico que nenhum ator consegue administrar sozinho. Nosso relatório destaca que os esforços para enfrentar esse risco de forma coordenada ainda são insuficientes e que as lacunas de colaboração representam, por si só, um risco significativo. Ao alinhar investimentos, fortalecer sistemas compartilhados e ampliar a adaptação — usando a divulgação de dados como ferramenta para decisões mais qualificadas — empresas e governos podem não apenas reduzir riscos, mas também acelerar a transição para uma economia resiliente e positiva para o planeta”, afirma Amir Sokolowski, Diretor Global de Clima do CDP.
Empresas e instituições financeiras quando operam dentro de sistemas geridos coletivamente e apoiados por financiamento adequado ficam mais preparadas para absorver ou reduzir riscos ambientais. Entre medidas para proteção contra os efeitos de eventos climáticos extremos, o CDP defende que empresas tratem eventos climáticos extremos como um risco empresarial sistêmico, reconhecendo sua dependência de sistemas compartilhados, como infraestrutura, serviços públicos e redes logísticas, em vez de focar apenas na exposição de ativos individuais; Governos subnacionais esclareçam — por meio de divulgação pública — onde a exposição a riscos, os riscos à infraestrutura e as interrupções de serviços se cruzam, ajudando a reduzir incertezas e destravar investimentos privados; Governos nacionais alinhem políticas fiscais, de adaptação e de gestão de riscos em torno da exposição econômica compartilhada entre setores público e privado, reduzindo a vulnerabilidade da economia aos riscos físicos relacionados ao clima; e Reguladores e bancos centrais utilizem ferramentas de supervisão para enfrentar riscos financeiros sistêmicos, como riscos físicos não segurados. A análise em Disconnected Defenses: Extreme Weather Risk across Corporates, Cities and Financial Systems baseia-se em 11.261 empresas que reportaram por meio do questionário corporativo do CDP em 2025, incluindo 149 seguradoras, além de 1.005 cidades, estados e regiões que reportaram por meio do CDP-ICLEI Track e do questionário de estados e regiões do CDP.








