INOVAÇÃO

7ª edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia anuncia vencedores

7ª edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia anuncia vencedores

Na categoria Ciência, o vencedor foi Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável.

A CBMM anunciou os vencedores da 7ª edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia, criado em 2019 com o objetivo de ser uma vitrine para profissionais que aliam inovação, pesquisa de ponta e contribuição efetiva para o desenvolvimento do Brasil. Na categoria Ciência, o vencedor foi Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável e uma referência mundial em pesquisas sobre mudanças climáticas e física aplicada ao meio ambiente. “Eu trabalho para ajudar a encontrar soluções para os grandes desafios do nosso país. O Prêmio CBMM tem uma importância enorme neste sentido, incentivando a ciência nacional e reforçando que ela é um esforço coletivo, nunca individual. Se quisermos ter um futuro como nação, precisamos investir continuamente em ciência e tecnologia. Não existe desenvolvimento econômico sem fortes incentivos à ciência. Temos que ter resiliência: continuar acreditando que ciência é o caminho para um Brasil mais justo e próspero. Formar novos talentos de modo inclusivo é fundamental para o desenvolvimento brasileiro”, afirma Artaxo.

Paulo Artaxo integra ainda o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU, da Academia Brasileira de Ciências e da World Academy of Sciences, sendo um dos cientistas brasileiros mais citados no mundo nos últimos dez anos. Embora tenha iniciado seus estudos no campo da física nuclear, direcionou a carreira para investigar a Amazônia e o impacto das mudanças climáticas, tornando-se um dos pioneiros a abordar o tema, quando ainda era pouco discutido. Suas pesquisas começaram com a análise dos problemas ambientais causados pelos aerossóis atmosféricos e, ao longo do tempo, se expandiram para áreas como adaptação climática, descarbonização e estratégias para a mitigação de gases estufa. Hoje, dedica-se a desenvolver estudos para compreender de forma mais ampla os efeitos das mudanças climáticas sobre o meio ambiente e o futuro do planeta. “É imprescindível que todos percebam que quem vai ser diretamente impactado pela crise ambiental são as crianças e adolescentes de hoje. Que direito temos de comprometer o futuro de quem acabou de nascer ou ainda nem nasceu pelas emissões que fazemos agora? Por isso, precisamos engajar o setor privado e a sociedade como um todo em mudanças concretas, desde escolhas de consumo até o voto consciente. Sem essa participação coletiva, será muito difícil encontrar uma saída para a crise climática”.

Na categoria Tecnologia, o vencedor foi Jarbas Caiado, professor do Instituto de Física de São Carlos (USP), onde fundou o Grupo de Óptica e a Oficina de Óptica de Precisão, a única no país e berço de soluções inovadoras que conectam ciência, empreendedorismo e impacto social. Com doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), Jarbas retornou ao Brasil e criou a Oficina de Óptica dentro da USP. A iniciativa deu origem a uma verdadeira revolução na área e, posteriormente, a empresas de base tecnológica que se tornaram referência, como a Opto Eletrônica. Trabalhou da criação de 15 empresas e desenvolveu soluções que vão da preservação da visão de milhões de pessoas ao avanço do programa espacial brasileiro, com destaque para a câmera MUX do satélite CBERS. Hoje, segue atuando em projetos de fronteira, com aplicações que vão desde a oftalmologia até a agricultura de precisão com uso de inteligência artificial. “Sempre tive como objetivo transformar ciência em tecnologia útil, capaz de gerar impacto real na vida das pessoas. O Prêmio CBMM é um incentivo para continuarmos inovando no país, mostrando que é possível fazer ciência de ponta no Brasil. Nada é fácil: é preciso dedicação para não ser mediano, coragem para buscar sempre o topo e disposição para enfrentar um mundo altamente competitivo, onde não há espaço para medo do trabalho. Com criatividade e perseverança, é possível transformar conhecimento em inovação e impacto”, completa Jarbas.

A edição de 2025 do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia registrou 2.115 inscritos. Para Ricardo Lima, CEO da CBMM, isso é motivo de comemoração. “A cada ano, vemos um crescimento no interesse pela premiação, o que confirma que a ciência e a tecnologia brasileiras têm muito a oferecer ao mundo. Nosso objetivo é reconhecer e incentivar esses talentos que dedicam suas vidas a transformar conhecimento em avanços para toda a sociedade”, ressalta. A apuração do vencedor de cada categoria foi realizada por uma comissão julgadora independente, composta por sete membros de notório saber nas áreas do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia. Os dois critérios de avaliação foram “criatividade e originalidade” e “contribuição e impacto para ciência ou desenvolvimento e inovação”.

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