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ÁGUA

Águas subterrâneas mostram resistência à seca na Bacia do Paranapanema

Águas subterrâneas mostram resistência à seca na Bacia do Paranapanema

Estudo da Unesp revela estabilidade dos aquíferos mesmo em períodos críticos de estiagem e propõe estratégias para gestão integrada dos recursos hídricos.

Uma pesquisa da Unesp, realizada por equipes dos campus de Ourinhos e Presidente Prudente, revela que as reservas de águas subterrâneas na Bacia do Paranapanema mantêm níveis estáveis mesmo durante períodos prolongados de estiagem. O estudo adotou uma metodologia, que integra dados de satélite com medições de campo, evidenciando que os pontos de maior armazenamento subterrâneo não sofrem variações significativas mesmo em cenários de seca severa.

O fenômeno das mudanças climáticas e o consequente deslocamento nos padrões de chuva têm destacado a importância estratégica desses estoques subterrâneos. Segundo a pesquisa, diante de chuvas escassas — como foi o caso de grandes crises hídricas em 2014 e 2024 — os mananciais superficiais como rios, represas e reservatórios sofrem perdas acentuadas. Já os aquíferos da bacia demonstram capacidade de sustentação, fornecendo estabilidade ao sistema hídrico regional.

Especialistas da Unesp e do Comitê da Bacia do Paranapanema defendem agora uma gestão hídrica integrada e estratégica, que combine informações sobre águas subterrâneas e superficiais. Entre as ações recomendadas estão a ampliação da rede de monitoramento piezométrico, o fortalecimento da governança por meio de entes como a ANA e os comitês estaduais, e a implantação de regras operativas para reservatórios que levem em conta o apoio oferecido pelos aquíferos.

A adoção dessas medidas pode aumentar a segurança hídrica, especialmente em regiões onde a agricultura, o abastecimento urbano e a geração de energia dependem tanto dos rios quanto dos aquíferos. A pesquisa ressalta que, diante de eventos climáticos extremos, o uso inteligente das reservas subterrâneas — alinhado à conservação de áreas de recarga — pode ser um recurso essencial para mitigar os impactos da seca na Bacia do Paranapanema.

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A água subterrânea atende de fato a 28% do consumo”, Já o estudo sobre São Paulo foi publicado por Hirata e colaboradores na Revista DAE, mantida pela Sabesp. “Água subterrânea para abastecimento público na Região Metropolitana de São Paulo: é possível utilizá-la em larga escala?” mostra que aquíferos da RMSP poderiam, com baixo investimento e prazo relativamente curto, proporcionar um aporte adicional de 1 metro cúbico de água boa por segundo, mas encontram-se subutilizados. Para Hirata, em Recife diversos poços foram perfurados sem critérios técnicos e sem controle por parte da administração pública. “Em consequência disso, os aquíferos encontram-se agora seriamente ameaçados, com intrusão de água do mar e início de salinização. Se persistir o ritmo atual de bombeamento, os aquíferos poderão estar irremediavelmente perdidos por volta de 2035”, prosseguiu o pesquisador. 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Já na Região metropolitana de São Paulo há dois estoques de águas subterrâneas: o aquífero sedimentar, localizado em áreas em que o relevo é mais suave; e o aquífero cristalino, que se estende abaixo do aquífero sedimentar e aflora em locais onde o relevo é mais acidentado. “É essa água subterrânea que também dilui os esgotos lançados nos rios, sustenta a vida aquática e recarrega os reservatórios superficiais de abastecimento público em épocas de estiagem”, informou Hirata. Nas áreas de baixa ocupação urbana a recarga natural acontece com as chuvas, enquanto nas áreas mais impermeabilizadas e de forte urbanização as fugas das redes públicas de distribuição, da coletora de esgotos e das galerias pluviais podem representar mais de 50% da recarga dos aquíferos, segundo o estudo realizado. O volume de água de recarga que se infiltra anualmente nos aquíferos da Bacia do Alto Tietê é estimado em 53 m3/s. 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16 de março, 2016