CONTAMINAÇÃO

Altos níveis de mercúrio no rio Madeira

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, em parceria com colegas da Queensland University of Technology, da Austrália, encontrou nível de mercúrio alto acumulado em sedimentos de lagos do rio Madeira. Os rejeitos foram gerados pela extração artesanal de ouro. O trabalho contou ainda com apoio da Fapesp no âmbito da modalidade São Paulo Researchers in International Collaboration (SPRINT) e foi publicado na revista Ecotoxicology and Environmental Safety. O estudo tem a participação de pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e da Shenzen University, na China.
 
Segundo Daniel Marcos Bonotto, professor da Unesp de Rio Claro e primeiro autor do estudo, o projeto é o segundo que ele realiza com apoio do SPRINT da Fapesp. O primeiro foi em 2016, quando ele se associou a Trevor Elliot, professor da Queen’s University Belfast, da Irlanda, em um estudo sobre traçadores ambientais para a gestão de recursos hídricos. “O SPRINT favorece a mobilidade e a identificação de projetos em colaboração com pesquisadores do exterior, mesmo que ainda não estejam formatados”, disse Bonotto.
 
A parceria de Bonotto com pesquisadores australianos, por exemplo, permitiu ampliar a investigação que o grupo dele na Unesp iniciou ainda na década de 1990, quando começaram a coletar sedimentos de diferentes profundidades e rochas circundantes de lagos do rio Madeira, em Porto Velho (RO), a fim de avaliar as concentrações e determinar as fontes de mercúrio. O metal tóxico pode provocar risco à saúde, caso ingerido por meio do consumo de peixes, pode contaminar as águas do Madeira naturalmente ao ser transportado do solo para cursos de água, ou pelas emissões atmosféricas de erupções vulcânicas dos Andes. Além disso, também pode ser gerado pelo garimpo de ouro de aluvião, explicou Bonotto. “Chegamos a presenciar, durante estudos em campo, o descarte direto de mercúrio por garimpeiros em lagos do Madeira”, disse.
 
Os pesquisadores australianos realizaram análise dos dados de sedimentos e de rochas de nove lagos, baseada em redes bayesianas. Esses modelos gráficos, que representam de forma simples as relações de causalidade das variáveis de um sistema, têm sido usados para entender redes ambientais complexas, como para a predição de abundância de espécies em função de características de hábitat. “Nossos colegas da Austrália, especialistas nessa abordagem estatística, acharam interessante tentar usá-la para avaliar a contribuição das diferentes fontes de emissão de mercúrio em lagos do rio Madeira com base nos dados de sedimentos que coletamos”, afirmou Bonotto.
Os resultados indicaram que o garimpo de ouro de aluvião tem uma grande parcela de contribuição na geração do metal encontrado nessa bacia.
 
Os sedimentos de fundo dos lagos apresentavam concentrações significativamente mais elevadas de mercúrio do que as rochas circundantes – o que afasta a hipótese dessas últimas serem a fonte de emissão do metal.
 
Agora, em colaboração com os colegas australianos da Queensland University of Technology, Bonotto pretende usar a mesma abordagem estatística para estimar as fontes de emissão de cromo pela indústria de calçados de Franca em rios da região. “Também queremos avaliar a influência de nitrato no transporte de urânio em águas subterrâneas do aquífero Guarani, no Estado de São Paulo”, disse Bonotto.

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