DESMATAMENTO

Amazônia perde uma Belo Horizonte em um ano

Amazônia perde uma Belo Horizonte em um ano

O Greenpeace Brasil lembra que a expansão da agropecuária na Amazônia tem sido o motor principal do desmatamento no bioma há décadas, e que a pastagem é responsável por mais de 90% do desmatamento.

Segundo números do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os alertas de desmatamento na Amazônia saltaram de 174 km² em abril de 2024 para 270 km² em abril de 2025, um aumento de mais de 55% nos alertas de abril deste ano, em comparação com o mesmo período de 2024. “Os dados do Deter de abril mostram que as políticas de comando e controle de desmatamento são eficazes, porém, sozinhas, não garantirão que alcancemos a meta do desmatamento zero, meta esta que deve ser alcançada muito antes de 2030. É importante que outras ações com efeitos perenes avancem mais rapidamente para coibir o desmatamento”, afirma a porta-voz do Greenpeace Brasil, Thais Bannwart. A área desmatada no período corresponde ao tamanho de capitais como Belo Horizonte ou Curitiba.

O Greenpeace Brasil lembra que a expansão da agropecuária na Amazônia tem sido o motor principal do desmatamento no bioma há décadas, e que a pastagem é responsável por mais de 90% do desmatamento na Amazônia brasileira nos últimos 39 anos (de 1985 a 2023), segundo dados do Mapbiomas. A organização defende que seja adotado o monitoramento para toda a cadeia produtiva da agropecuária no Brasil, seja nos financiamentos ou nas cadeias produtivas dos frigoríficos. “Enquanto houver acesso ao crédito rural e investimentos sem critérios socioambientais robustos, bem como empresas que compram e comercializam gado com rastro de desmatamento, essa realidade de desmatamento e devastação das florestas não vai mudar”, diz Thais.

A porta-voz do Greenpeace Brasil lembra ainda que o desmatamento é promovido pelo avanço do agronegócio sobre ambientes naturais e cuja atividade, por si só, também contribui com um grande volume de emissões. “Em ano de COP30 na Amazônia, é hora de darmos nome ao grande vilão do clima, para além dos combustíveis fósseis: o agronegócio. Se quisermos frear as mudanças climáticas, precisamos zerar o desmatamento e, para isso, as grandes empresas do agronegócio precisam ser contidas e reduzir drasticamente as emissões associadas à agropecuária. Proteger a Amazônia é urgente e requer maior ambição, chega de boi comendo a floresta”, diz Thais.

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