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Aplicações do Alumínio: como o metal corrobora para o desenvolvimento sustentável do setor elétrico

Aplicações do Alumínio: como o metal corrobora para o desenvolvimento sustentável do setor elétrico

Artigo especial por Ricardo de Luca, Gerente de Engenharia de Processos e Produtos da Termomecânica

Para se manter em relevância no mercado, as empresas têm buscado ampliar os investimentos em ações que as coloquem em sinergia com as principais tendências de ESG (Environmental, Social and Governance). No setor elétrico, importante segmento para a economia do Brasil e do mundo, essa realidade não é diferente. E, para corroborar com esta agenda nesta vertical, outras indústrias exercem papel fundamental, como a metalurgia, que através das aplicações do Alumínio oferece ganhos significativos ao setor de energia.
Para se ter uma ideia da força da sustentabilidade neste contexto, estima-se que dos US$ 2,8 trilhões destinados para investimentos em energia global, U$ 1,7 trilhão será voltado para tecnologias de energias limpas, incluindo veículos elétricos, redes de armazenamento, combustíveis de baixa emissão, melhorias de eficiência e bombas de calor, conforme indica relatório da Associação Internacional de Energia (AIE). Enquanto o restante valor, de US$1,1 trilhão, vai para carvão, gás e petróleo.

Atrelada a esta tendência, o uso do Alumínio, para a condução e distruição de energia, tem grande destaque. O material apresenta mais leveza, resistência mecânica, boa condutividade elétrica, além de ser infinitamente reciclável, fator crucial para a preservação ambiental.


Vantagens sustentáveis das aplicações do Alumínio


O mercado de Alumínio tem demonstrado um significativo potencial de crescimento para os próximos anos. De acordo com levantamento divulgado pelo International Aluminium Institute (IAI), em 2022, a demanda por Alumínio primário deve crescer 40% até o final de 2030. Ainda segundo o estudo, entre os quatro principais consumidores do material está o setor elétrico, que juntamente com os setores de transportes, embalagens e construção civil corresponderão a 75% do aumento.

Diante do protagonismo do metal na área de eletricidade, os benefícios sustentáveis podem se estender para projetos de linhas de transmissão, e, por ser mais leve, quando utilizado nas estruturas, exige menos dos veículos de transporte, gerando menor consumo de combustível.
Outro aspecto fundamental para as aplicações do Alumínio, é o alto poder de reaproveitamento do insumo, que ajuda a poupar o planeta da extração de mais minério. Além disso, quando reciclado, o metal consome 19 vezes menos energia do que o insumo obtido a partir do minério.

Alumínio como aliado de energia renovável


No segmento de energia solar, os perfis de Alumínio são empregados especialmente nos painéis solares, em forma de esquadrias ou perfis tubulares. Neste sentido, é importante salientar que o mercado fotovoltaico é dividido em duas vertentes primordiais: de energia centralizada, que engloba grandes usinas ou fazendas solares, e de energia distribuída, referente aos sistemas residenciais e de pequenas e médias empresas, que contam com placas solares nos telhados.

O Alumínio também apresenta um efeito decorativo nos perfis, além de contar com boa condutividade elétrica, fundamentais para redes de transmissão e distribuição de energia.
Desta forma, o cuidado com o planeta é a chave para o desenvolvimento de qualquer indústria. Tendo em vista os inúmeros aspectos positivos do Alumínio com relação à preservação ambiental, o metal torna-se uma escolha praticamente inevitável para o setor elétrico. Portanto, é preciso que ambos os mercados sigam em sinergia, para que, assim, possam crescer em conjunto de modo sustentável, competitivo e atualizado com relação às principais tendências.

(*) Gerente de Engenharia de Processos e Produtos da Termomecanica.

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ANÁLISE
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Artigo especial por Fernando A. F. Lins O mundo busca soluções para o aquecimento global e a crise climática. Nesse cenário, a indústria de mineração assume um papel fundamental na transição energética para um futuro de energia mais limpa e uma economia com menor intensidade de carbono — além de ser fornecedora de matérias-primas essenciais para o desenvolvimento econômico e social das nações. O Brasil está bem-posicionado com respeito à oferta de energia. No ano de 2023, de acordo com o Balança Energético Nacional (BEN), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a oferta interna de energia no país atingiu 314 Mtep, com 49% de fontes renováveis (65% na indústria), muito acima dos 15% da matriz energética mundial e dos 13% da OCDE registrados em 2021. O país, com essa matriz energética majoritariamente renovável e um rico potencial mineral, se destaca nesse novo paradigma. Este texto explora as vantagens competitivas do Brasil na produção de minerais e metais para descarbonizar a geração de eletricidade. São materiais como terras raras, lítio, níquel, grafita e manganês, entre outros, e urânio, os quais têm sido objeto de crescente interesse de prospecção e pesquisa mineral no Brasil e em outros países, com a participação de muitas empresas juniors . A mineração mundial responde por 1-2% do consumo global de energia. Segundo o BEN/EPE, a mineração participa com cerca de 1% no consumo final de energia no Brasil. No entanto, são as etapas seguintes, da primeira transformação mineral, que consomem mais energia, alcançando aproximadamente 12% do consumo final do país. A transformação mineral é formada pelas atividades econômicas metalurgia e fabricação de produtos minerais não metálicos, com participação de cerca de 9% e 3 %, respectivamente. Quanto à energia elétrica, a mineração representa cerca de 2% no consumo do país. Em termos de consumo específico de energia elétrica, há uma grande variação, a exemplo do que ocorre na produção de pedra de brita, com 2 a 3 kWh/t, e na produção de concentrado de minério de ferro, da ordem de 20 kWh/t. No entanto, são nas etapas de transformação de minerais que ocorrem consumos específicos muito maiores: aço de siderúrgica integrada, com 500 kWh/t; alumínio, 15.000 kWh/t; cimento, 109 kWh/t; e a fabricação do vidro, 550 kWh/t — e em decorrência há maior emissão de CO2 equivalente nessas etapas. Alguns países se destacam positivamente, chegando a gerar quase toda a sua energia elétrica sem depender de combustíveis fósseis. São países que têm um alto percentual de sua eletricidade derivada de fontes de baixo carbono — hidroelétrica, solar, eólica ou de energia nuclear. O Brasil nesse ponto está em forte vantagem. Em 2023, segundo o BEN/EPE, a oferta interna de energia elétrica alcançou 708 TWh, com 89% se originando de fontes renováveis, superando a matriz elétrica mundial com apenas 27% de renováveis e da OCDE, com 31%, no ano de 2021. Levando em conta a energia elétrica de origem nuclear, 39% da matriz mundial vem de fontes de baixo carbono (ver Our World in Data ); como no Brasil há uma pequena contribuição da energia nuclear (cerca de 2%), temos 91% da oferta de energia elétrica a partir de fontes de baixo carbono. Para efeito de comparação do Brasil com outros países, apresenta-se na figura a seguir o percentual de geração de energia elétrica de fontes de baixo carbono e a correspondente geração de CO2e por unidade de energia elétrica gerada (g CO2e/kWh), para o ano de 2021. Os 10 principais países que recebem investimentos em pesquisa mineral, todos os países do G7 e dos BRICs originais e quase todos do G20 constam da figura. A China é um caso especial por ser um importante produtor, importador, refinador, consumidor e exportador de minerais e metais para a transição energética. Obviamente, a emissão de CO2e varia no sentido contrário do percentual de energia de fontes de baixo carbono. Nesse ponto, a situação vantajosa do Brasil em relação aos demais países é evidente. Entre os países importantes na mineração apenas o Canadá se aproxima do Brasil. Assim como a França, o Canadá tem uma alta contribuição da energia nuclear na sua matriz elétrica. Interessante verificar que um bem mineral ou metal produzido no Brasil emite muito menos CO2e pelo uso de energia elétrica do que a produção realizada em outros países -- considerando tecnologias, eficiência operacional e eficiência enegética similares. Por exemplo, no Brasil a emissão de CO2e por unidade de produção é 58% da emissão no Canadá, 27% dos EUA, 18% da China e 17% da Austrália. Todavia, esta vantagem ainda não repercute na valorização dos nossos produtos no mercado internacional. Algumas estratégias têm surgido neste novo cenário de globalização para aproveitar as oportunidades criadas pelo processo de realocação das cadeias produtivas globais, a partir da consideração das questões geográficas, geopolíticas e geológicas, que passam a influenciar a decisão dos governos dos países sobre incentivos e das empresas sobre investimentos (não se restringindo apenas aos custos de produção): reshoring (trazer a manufatura de volta ao país); nearshoring (parceria com vizinhos); friendshoring (parceria com aliados); greenshoring (parceria com empresas que adotam práticas ESG ) e powershoring (investimentos em um país com matriz energética mais limpa para a implantação de plantas industriais intensivas em energia, como metalurgia e fertilizantes ou datacenters de inteligência artificial). O powershoring tende a promover o aumento dos investimentos, das exportações do país anfitrião e da fabricação de produtos mais verdes, com menos emissão específica de gases de efeito estufa (GEE). As empresas investidoras, por seu lado, precisam mitigar suas emissões globais de GEE, de segurança energética e de redução de custos. O atual panorama geopolítico oferece oportunidades de parcerias que podem trazer para o Brasil a fabricação de produtos intermediários ou mais avançados na cadeia de produção, de maior valor agregado, a partir de nossos recursos minerais, em linha com a política Nova Indústria Brasil (NIB) lançada no início deste ano, e assim atendendo a demanda de países parceiros e a demanda interna. Isso ainda possibilita o desenvolvimento ou a adaptação no país de tecnologias, além de gerar empregos especializados, aumentando a inserção da indústria brasileira nas cadeias globais de valor. A figura também apresenta o preço de energia elétrica comercializada para a indústria em cada país no ano de 2023. Não há uma relação clara entre a percentagem de energia elétrica de baixo carbono e o preço. O Brasil tem o preço mais barato do que o praticado em 11 dos 18 países. Vários fatores, como políticas governamentais, infraestrutura, mix de fontes energéticas e subsídios, influenciam o preço. Os países desenvolvidos enfrentam desafios em manter preços de energia competitivos enquanto aumentam a participação de energias renováveis. Em geral, os países em desenvolvimento lidam com a necessidade de infraestrutura e diversificação da matriz energética. O Brasil, com a matriz energética predominantemente limpa e o grande potencial mineral, está muito bem-posicionado para liderar a transição global para uma economia de baixo carbono. O aproveitamento estratégico desses recursos, por meio de políticas inovadoras e colaborações internacionais focadas em sustentabilidade e tecnologia avançada, pode fortalecer a sua posição geopolítica, reafirmando seu papel como protagonista em sustentabilidade no cenário mundial. Fontes da Figura: Our World in Data ( https://www.ourworldindata.org/) e Global PetrolPrices ( https://www.globalpetrolprices.com/map/electricity_industrial/ ). Elaboração: F.Lins. Obs: o BEN/EPE informa a emissão no Brasil de 55 g de COe por kWh em 2023. (*) Engenheiro Metalurgista, MSc. e DSc. Trabalhou na CPRM e na Samarco Mineração. Pesquisador Titular do CETEM/MCTI. Foi Diretor do CETEM e Diretor de Transformação e Tecnologia Mineral do MME. Foi Conselheiro Científico do ON/MCTI e do CBPF/MCTI e Conselheiro do CA da CPRM. Faz parte do Conselho Consultivo da Brasil Mineral.

15 de julho, 2024
Aplicações do Alumínio alavancam o mercado de energia solar
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Aplicações do Alumínio alavancam o mercado de energia solar

Artigo por Luiz Henrique Caveagna Alternativas que corroboram para um consumo mais consciente de energia e redução de impactos ambientais têm conquistado cada vez mais espaço, globalmente. Diante disso, o mercado de energia solar vem ganhando novos adeptos, por tratar-se de uma fonte limpa e renovável. Neste contexto, outras indústrias têm apoiado o desenvolvimento do setor, como é o caso da metalurgia. E, com as diversas aplicações do Alumínio, é possível oferecer benefícios estratégicos a este mercado. Atualmente, o Brasil ocupa a 4ª posição entre os países que mais cresceram em 2021 na capacidade em energia fotovoltaica, com novos 5,7 GW (Gigawatt) no último ano, de acordo com apuração realizada pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a partir de dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA). Segundo a ABSOLAR, hoje o Brasil conta com 15 GW na fonte solar, R$ 78,5 bilhões de investimentos acumulados e mais de 450 mil empregos gerados desde 2012. Tais números ajudaram a evitar a emissão de 20,8 milhões de toneladas de CO2 na produção de eletricidade. Aplicações de Alumínio na energia solar O segmento de energia fotovoltaica engloba dois meios principais: o de energia centralizada, que agrega as grandes usinas e/ou fazendas solares e a energia distribuída, que se refere aos sistemas residenciais e de pequenas e médias empresas, que contam com placas solares nos telhados. Nessas instalações, o Alumínio aparece na fabricação dos perfis empregados nos painéis solares, em forma de esquadrias ou perfis tubulares. Vale destacar que, com o crescimento de novos projetos voltados para o setor, surge a necessidade de uma constante modernização e revitalização nas linhas de transmissão e distribuição de energia. Para ajudar tal sistema funcionar, essas linhas são, em sua grande maioria, constituídas por cabos de Alumínio, que representam um volume considerável do consumo. As vantagens já conhecidas do metal, como menor custo, leveza, boa adaptabilidade térmica e resistência mecânica, também são fundamentais nos sistemas de energia proveniente do Sol. Além disso, o Alumínio apresenta um efeito decorativo nos perfis e ainda contém uma excelente condutividade elétrica, no caso das redes de transmissão e distribuição. Impactos sustentáveis das aplicações de Alumínio no setor O investimento em energias renováveis, como a solar, é uma pauta cada vez mais emergente no que diz respeito às agendas sustentáveis e de proteção ao meio ambiente. Além da luz solar, há outras fontes naturais com imensa disponibilidade, como a eólica, por meio dos ventos, e a offshore, através das marés. Neste cenário, o Alumínio soma-se a essas alternativas, principalmente, quando se é produzido nacionalmente, que é obtido com um grau considerável de energia limpa, por meio do uso das hidrelétricas. O metal conta ainda com alto índice de reciclagem, o que beneficia os aspectos sustentáveis das duas indústrias. O fato é que o mercado de energia fotovoltaica tem um espaço promissor no Brasil. O país tem apostado no uso mais intensivo de tecnologias para este meio e tem fácil acesso a, praticamente, todas as fontes de energia renováveis. Desta forma, é preciso seguir investindo na instalação deste serviço, para garantir mais ganhos sustentáveis e a diminuição no consumo energético. E, neste aspecto, o Alumínio pode ser um grande aliado por apresentar um preço mais acessível se comparado a outros metais e ser infinitamente reciclável, o que resultaria em maior economia e forte crescimento para ambos os segmentos. * Diretor Geral da Termomecanica, empresa do setor de transformação de cobre e suas ligas.

9 de maio, 2022
Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis
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Empresas de energia têm obrigação de ser sustentáveis

Por Leandro Bertoni * Sabemos que as empresas do setor de energia elétrica já vêm implementando diversas estratégias com foco na redução da emissão de gás carbônico (CO2). Porém, é fundamental que essas empresas também dediquem seus esforços para serem sustentáveis do ponto de vista ambiental, gerando uma eletricidade “limpa” que ajude a evitar o avanço do aquecimento global acima de 1,5º C. Prevê-se que a procura mundial de eletricidade aumente em 60% até 2040. Por outro lado, a boa notícia é que durante o mesmo período se espera que a porcentagem de eletricidade solar e eólica no mundo triplique. Essa possível mudança nas fontes de abastecimento representa um novo nível de desafios e oportunidades para a oferta e procura da energia. Por isso, um futuro sustentável e baseado em energias renováveis exigirá o apoio e a inovação de todos os agentes do setor. Do lado da procura, a complexidade vem da interação com os mercados energéticos, uma vez que os “novos clientes” não são apenas consumidores de energia (como acontecia antigamente). Tornaram-se gestores, tanto em termos de consumo como da própria produção da energia. Do lado da oferta, a complexidade é maior, pois envolve operação, planejamento, investimento e estratégia para o consumo de energia. E, tanto para procura quanto para oferta, existem soluções de medição graças à tecnologia digital, as quais são suficientemente flexíveis para suportar os desafios atuais e permitir a preparação para o futuro. Mesmo assim, é importante destacar que a digitalização deve ser acompanhada de outras iniciativas para que as empresas de energia atinjam os objetivos de sustentabilidade e permaneçam competitivas. Alguns exemplos dessas iniciativas: Integrar mais energias renováveis em todos os níveis da rede para substituir os combustíveis fósseis. Utilizar equipamentos modernos, como um quadro de média tensão sem gás de efeito estufa hexafluoreto de enxofre (SF6) que utiliza apenas ar e vácuo. Focar no aumento da eficiência não só da rede mas também da força de trabalho, reduzindo a sua movimentação por meio de maior utilização de dados e troca das frotas atuais por veículos elétricos. Aumentar a utilização de energias renováveis descentralizadas é, portanto, essencial para as empresas de eletricidade terem a sustentabilidade em todos os aspectos do seu negócio e, consequentemente, ajudarem no alcance dos objetivos climáticos. Como benefício desse novo “comportamento sustentável”, haverá mais confiabilidade e disponibilidade no sistema energético utilizado em todo o planeta. * Leandro Bertoni é Vice-presidente da unidade de Power Systems da Schneider Electric para a América do Sul.

17 de julho, 2021
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ALUMÍNIO
Índice de latinhas recicladas é de 97,6%

Divulgado anualmente pela Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas), o índice de reciclagem de latas de alumínio para bebidas atingiu 97,6% em 2019, o que representa uma redução de 70% nas emissões de gases de efeito estufa do ciclo de vida da embalagem. Com o resultado, o Brasil permanece entre os líderes do ranking mundial, posição ocupada há mais de dez anos. O Brasil comercializou 375,7 mil toneladas de latas para bebidas no último ano, das quais 366,8 mil toneladas foram coletadas e reaproveitadas. "Na comparação com 2018, o consumo em 2019 cresceu 13,7%. A reciclagem não só acompanhou essa expansão, como ficou ligeiramente acima dela, com uma alta de 14,7%", diz Milton Rego, presidente-executivo da ABAL. "O resultado é fruto do compromisso do setor com a reciclagem e mostra uma operação de logística reversa madura e consolidada", completou. O Brasil é exemplo mundial no reaproveitamento da latinha e do alumínio em si. Mais da metade do metal consumido no País (56%) vem da reciclagem, o que o coloca bem acima da média mundial (25,9%) - índices de 2018. O alumínio secundário, obtido por meio do processo de reciclagem da sucata, economiza 95% da energia necessária para a produção do alumínio primário, gerado pela transformação da bauxita. Além disso, em razão da matriz energética limpa e renovável, o alumínio brasileiro tem baixa pegada de carbono.

23 de novembro, 2020
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O impacto da falta de eficiência energética no Brasil

Por Rodrigo Pereira * Menos é mais. Esse é o conceito básico de eficiência energética: dosar a quantidade de energia utilizada para determinada ação a fim de obter um resultado tão bom quanto outro que foi realizado com uma quantidade maior de energia. Mas será que o Brasil é um país preparado para considerar a eficiência energética no seu dia a dia? Um estudo realizado pelo Instituto E+, centro que aborda temas relacionados à energia, aponta a falta de eficiência energética no país. Segundo a pesquisa, o investimento nacional não chega a 50% do investimento feito por países europeus e estima-se que para chegar ao mesmo nível da União Europeia, por exemplo, nosso país ainda precise de 20 anos de caminhada. O fato é que o Brasil tem uma carência de investimentos no mercado local para a fabricação de produtos voltados à energia, não possibilitando ao consumidor e às empresas ter à sua disposição uma gama de produtos eficientes e com mais opções de escolha. Além disso, a pouca oferta de incentivos fiscais por parte do próprio governo brasileiro a fim de ajudar desde o fabricante ao consumidor final, torna a energia renovável inviável do ponto de vista financeiro. Ainda de acordo com o relatório do Instituto E+, atualmente o consumo de energia no Brasil é distribuído nos seguintes segmentos: transportes (34,8%), industrial (33,8%), energético (11,2%), residencial (10,6%), comercial e público (5,2%) e agropecuário (4,4%). Observa-se que os setores de transportes e indústria são os que mais consomem energia, fator difícil de reverter por se tratar de áreas que demandam muito mais energia se comparadas às outras. No entanto, é possível diminuir esse consumo, principalmente por meio de campanhas, sejam de iniciativa pública ou privada, que divulguem os benefícios do investimento em energia renovável. Por meio do fortalecimento do conhecimento na gestão da energia de cada um dos segmentos, deixando claro onde está o desperdício e onde se pode economizar sem perder a produtividade, existe grande chance de trazer uma eficiência energética para as grandes empresas de transporte e do setor industrial do país. Energia x Gastos Segundo a ABESCO– Associação Brasileira das Empresas Brasileiras de Conservação de Energia, em um período de três anos (2014-2016) o desperdício de energia no Brasil custou R$ 61,7 bilhões para o país. Este dado deixa clara a necessidade de ações voltadas ao mercado de eficiência energética para auxiliar na redução desses gastos nas empresas e, consequentemente, na economia nacional. Apesar da necessidade de investimentos em eficiência energética para minimizar o desperdício de energia, ainda estamos defasados neste sentido. Conhecimento e informação sobre esta questão são fundamentais para as boas práticas de eficiência energética não apenas nas empresas, mas em todos os lugares. Com um consumo energético mais eficiente, o mercado local torna-se mais competitivo, as empresas reduzem os custos relacionados à energia, mantendo ou até melhorando sua produtividade e, como resultado, a população em geral é beneficiada com a redução do preço dos produtos e serviços. Não é segredo que todo setor que possui gastos elevados com energia são os mais impactados economicamente. Portanto, são estes também os que mais devem se preocupar com a eficiência energética e como aplicá-la em seu ambiente. Apenas dessa maneira será possível aumentar o investimento em energia renovável no Brasil para fomentar a competitividade internacional e aumentar a demanda local. É importante ter consciência que o desperdício de energia está ligado a diversos fatores, como um compressor de ar comprimido que teve um consumo maior de energia nos últimos meses devido a vazamentos de ar na tubulação e que aumentaram seu período de funcionamento, por exemplo. Portanto, todo projeto de eficiência energética começa com um estudo da qualidade da energia utilizada, e para isso, existem equipamentos e tecnologias capazes de realizar uma medição para identificar os gargalos e então aplicar as correções necessárias. Perspectivas para o mercado de eficiência energética Apesar de tantos desafios e de ainda estarmos muito atrás no que diz respeito aos investimentos em energia, a perspectiva é de crescimento para o mercado brasileiro, uma vez que a questão energética tem estado mais em pauta justamente pela vantagem comercial e produtiva. Além disso, as empresas a cada dia estão investindo mais em sustentabilidade, o que inclui o uso de energias renováveis, buscando economia e minimizando os impactos ambientais. Atualmente já existem modelos variados de instrumentos para a medição de qualidade de energia. As empresas brasileiras estão atentas aos novos desafios do mercado e, por isso, têm desenvolvido equipamentos cada vez mais sofisticados para realizar medições complexas de forma rápida, precisa e segura. Além de equipamentos, a cada dia são disponibilizados também conjuntos de acessórios e softwares para auxiliar no trabalho com os próprios equipamentos, facilitando assim o uso dos produtos em qualquer situação de medição de qualidade de energia. Somente entendendo a origem do desperdício de energia é possível tomar decisões inteligentes sobre maneiras eficientes de reduzir o consumo e, consequentemente, os custos. No fim das contas, a melhor maneira de utilizar a energia de maneira eficaz, com base no conceito "menos é mais", e projetando um crescimento de mercado no país, é por meio da conscientização, investindo no conhecimento e na divulgação dos benefícios da aplicação da energia renovável. * Rodrigo Pereira é Gerente de Contas da Fluke do Brasil do segmento de energia, companhia líder mundial em ferramentas de teste eletrônico compactas e profissionais.

23 de outubro, 2020