PNEUS

Aumenta 5,8% coleta e destino correto no Brasil

A Reciclanip, entidade que é parte do Sistema ANIP – Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos coletou e destinou de forma ambientalmente correta mais de 236,6 mil toneladas de pneus inservíveis no primeiro semestre de 2015, um aumento de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado (223 mil toneladas). Este incremento equivale a 47,3 milhões de pneus de passeio. Desde o início do programa, em 1999, até junho deste ano, foram retirados de circulação cerca de 670 milhões de pneus de passeio, com custo de R$ 748,4 milhões cobertos pelos fabricantes de pneus instalados no Brasil e reunidos na ANIP. “Este ano a entidade por meio de seus associados investirá cerca de R$ 105 milhões, valor superior ao investido no ano passado. Atualmente os custos são de responsabilidade exclusiva dos fabricantes, o que onera inclusive a parcela de pneus destinados à exportação e não envolve os outros participantes da cadeia. O nosso objetivo é um acordo setorial que distribua o custo do processo de destinação competitiva a todos os participantes da cadeia, desde fabricantes a revendedores e consumidores”, explica o Gerente geral da Reciclanip, Cesar Faccio. Dentro dos valores investidos estão inclusos a alta taxação sobre o setor de reciclagem de pneus.

Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a consultoria LCA, a incidência tributária sobre a coleta, triagem, transporte e reciclagem dos pneus custou R$ 9,3 milhões ao setor em 2013 e R$ 12,1 milhões no último ano. A ANIP explica que a desoneração dos resíduos sólidos, além de estimular seu uso como matéria-prima, contribui para baixar o custo gerado na logística reversa onerosa dos pneus, da mesma forma que o de outros produtos. Para Faccio, a desoneração total de impostos e taxas – inclusive ICMS pelo transporte de pneus inservíveis inteiros ou triturados – tornará a matéria-prima mais competitiva com o produto virgem na fabricação de artefatos, além de ter sua utilização ampliada nas ruas e estradas brasileiras por meio do asfalto borracha. “Nosso intuito é adotar um sistema similar ao da Europa, onde o custo é coberto por uma taxa paga pelo consumidor na hora da aquisição do pneu, o que divide a responsabilidade por toda a cadeia e também os importadores independentes, parte dos quais não realiza o recolhimento”, conta o gerente geral da entidade.

Atualmente, o modelo brasileiro segue a gestão europeia de alguns países com experiência na coleta e destinação de pneus inservíveis, em especial a Aliapur, na França, Signus, na Espanha, e ValorPneu, em Portugal. A principal diferença está no fato das empresas europeias serem remuneradas pelos vários agentes da cadeia produtiva para garantir a destinação de pneus em seus países. Estas empresas não são projetadas para lucrar, mas recebem recursos para cobrir as despesas operacionais. Na Reciclanip, ao contrário da Europa, os novos fabricantes arcam com todos os custos de coleta e destinação de pneus inservíveis, como transporte, trituração e destinação, que incide sobre toda a produção, inclusive a destinada ao exterior.

O Brasil conta com 834 pontos de coleta distribuídos em todos os estados e Distrito Federal, criados, a princípio, em parceria, com prefeituras de municípios com mais de 100 mil habitantes ou um consórcio de municípios que possibilite atingir esse número mínimo. As prefeituras cedem os terrenos dentro das normas específicas de segurança e higiene para receber os pneus inservíveis vindos de origens diversas. O responsável pelo Ponto de Coleta comunica à Reciclanip sobre a necessidade de retirada do material quando atinge a quantidade de 2 mil pneus de passeio ou 300 pneus de caminhões. A partir daí, a Reciclanip programa a retirada do material com os transportadores conveniados. Para saber onde levar pneus inservíveis é só consultar a lista com todos os pontos de coleta que está no site www.reciclanip.org.br.

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