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ENERGIA RENOVÁVEL

Bancos destinam poucos recursos

Segundo o novo relatório lançado pelo Fair Finance Guide e pelo BankTrack, coalizão internacional da qual o Idec faz parte, com o projeto Guia dos Bancos Responsáveis, entre 2009 e 2014 os 25 maiores bancos privados mundiais destinaram pelo menos US$ 931 bilhões (90,5% do total) a companhias ou negócios em combustíveis fósseis. O estudo denominado “Minando Nosso Futuro” e publicado simultaneamente nos sete países da coalizão - Bélgica, Brasil, França, Holanda, Indonésia, Japão e Suécia - mostra que no mesmo período o financiamento voltado a energias renováveis totalizou US$ 98 milhões, ou 9,5% do total. O relatório “ Minando Nosso Futuro ” está sendo publicado a menos de um mêsda Conferência do Clima da ONU, em Paris, a COP 21. O estudo investigou 175 bancos e as operações desses com aproximadamente 178 empresas, além de pesquisar mais de 540 projetos de energia renovável. Embora os dados de investimentos sejam informações públicas, seu baixo nível de transparência deixa entrever que os valores reais devem ser ainda maiores que os apontados no estudo . O primeiro estudo internacional a comparar financiamentos de bancos a combustíveis fósseis e energia renovável identifica a prioridade que vem sendo dada a fontes de energia “sujas” em detrimento de fontes limpas desde 2009, ano da Conferência do Clima em Copenhague. Até o final de 2014, a cada US$ 1 destinado a energia renovável pelos bancos, foram fornecidos mais de US$ 9 a combustíveis fósseis. O estudo aponta ainda três bancos norte-americanos: Citi, JPMorgan Chase e Bank of America como os maiores financiadores de combustíveis fósseis. Entre 2009 e 2014, Citi e JPMorgan forneceram US$ 76 bilhões cada a empresas ativas em combustíveis fósseis e apenas US$ 6,5 bilhões e US$ 4,4 bilhões, respectivamente, à energia renovável. O Bank of America forneceu mais de US$ 62,7 bilhões a companhias de combustíveis fósseis e apenas US$ 5,4 bilhões à energia renovável. Nenhum dos demais bancos entre os dez maiores financiadores de combustíveis fósseis – conhecidas instituições francesas, alemães, inglesas e japonesas – destinaram mais de US$ 7,5 bilhões no período 2009-2014. Das instituições financeiras citadas no relatório, apenas o HSBC e Santander atuam no Brasil. O primeiro ocupa a 10ª posição no ranking e, nos últimos cinco anos, diminuiu em 6% seus investimentos em energia fóssil, ainda que esses representem 89% do total investido; já o Santander está na 22ª posição, tendo aumentado em 3% seus investimentos em energia fóssil, apesar desses já representarem 64% do total da instituição. Para Carlos Thadeu C. de Oliveira, Gerente técnico do Idec, “os bancos têm um papel crucial na economia e a responsabilidade de promover uma economia menos intensiva em carbono. O estudo mostra em números que as intenções ou declarações dos bancos não se traduzem em compromissos claros”. O levantamento mostra ainda que diversas instituições financeiras não têm definidas políticas de mitigação climática nem compromissos vigentes. Yann Louvel, coordenador de clima e energia do BankTrack, afirmou: “Precisamos de uma ação ambiciosa dos bancos agora. As ações do Crédit Agricole e do Natixis, na França, assim como do Bank of America e do Citi foram positivos movimentos nos últimos meses no sentido de reduzir seu apoio à indústria de carvão. Ainda assim, nenhum dos principais bancos em nível mundial aderiu ao Paris Pledge (Compromisso de Paris) e se comprometeu antes da COP-21 em Paris a zerar seus financiamentos em carvão. É esse tipo de compromisso prático que nós precisávamos ver, para que haja um fim no privilégio a combustíveis fósseis e na asfixia dos financiamentos a energias renováveis.” Governos precisam agir Para Alexandre Naulot, porta-voz do Fair Finance Guide International, “os governos precisam agir. Precisamos que eles adaptem as legislações para mobilizar o setor financeiro na direção de uma economia de baixo carbono e que encoragem bancos e outras instituições financeiras a eliminar o financiamento a combustíveis fósseis, começando pelo carvão”. A Fair Finance Guide International é uma iniciativa composta por coalizões de diversas organizações que trabalham com finanças responsáveis. A FFGI é apoiada financeiramente pela Sida, a Agência Sueca pelo Desenvolvimento Internacional. O BankTrack é uma organização global que monitora, realiza campanhas e apoia ONGs nos investimentos e operações de bancos comerciais internacionais. A pesquisa para este relatório foi conduzida pela Profundo, consultoria focada em analisar cadeias de commodities, instituições financeiras e questões de responsabilidade social corporativa. O Guia dos Bancos Responsáveis (GBR), projeto desenvolvido pela coalizão brasileira do Fair Finance Guide, é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), com apoio da Oxfam Novib e da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (Sida). A versão em português do resumo executivo do estudo “ Minando Nosso Futuro” pode ser encontrada no site do GBR: http://guiadosbancosresponsaveis.org.br

Segundo o novo relatório lançado pelo Fair Finance Guide e pelo BankTrack, coalizão internacional da qual o Idec faz parte, com o projeto Guia dos Bancos Responsáveis, entre 2009 e 2014 os 25 maiores bancos privados mundiais destinaram pelo menos US$ 931 bilhões (90,5% do total) a companhias ou negócios em combustíveis fósseis. O estudo denominado “Minando Nosso Futuro” e publicado simultaneamente nos sete países da coalizão - Bélgica, Brasil, França, Holanda, Indonésia, Japão e Suécia - mostra que no mesmo período o financiamento voltado a energias renováveis totalizou US$ 98 milhões, ou 9,5% do total. O relatório “Minando Nosso Futuroestá sendo publicado a menos de um mêsda Conferência do Clima da ONU, em Paris, a COP 21.

O estudo investigou 175 bancos e as operações desses com aproximadamente 178 empresas, além de pesquisar mais de 540 projetos de energia renovável. Embora os dados de investimentos sejam informações públicas, seu baixo nível de transparência deixa entrever que os valores reais devem ser ainda maiores que os apontados no estudo.

O primeiro estudo internacional a comparar financiamentos de bancos a combustíveis fósseis e energia renovável identifica a prioridade que vem sendo dada a fontes de energia “sujas” em detrimento de fontes limpas desde 2009, ano da Conferência do Clima em Copenhague. Até o final de 2014, a cada US$ 1 destinado a energia renovável pelos bancos, foram fornecidos mais de US$ 9 a combustíveis fósseis. O estudo aponta ainda três bancos norte-americanos: Citi, JPMorgan Chase e Bank of America como os maiores financiadores de combustíveis fósseis. Entre 2009 e 2014, Citi e JPMorgan forneceram US$ 76 bilhões cada a empresas ativas em combustíveis fósseis e apenas US$ 6,5 bilhões e US$ 4,4 bilhões, respectivamente, à energia renovável. O Bank of America forneceu mais de US$ 62,7 bilhões a companhias de combustíveis fósseis e apenas US$ 5,4 bilhões à energia renovável. Nenhum dos demais bancos entre os dez maiores financiadores de combustíveis fósseis – conhecidas instituições francesas, alemães, inglesas e japonesas – destinaram mais de US$ 7,5 bilhões no período 2009-2014.

Das instituições financeiras citadas no relatório, apenas o HSBC e Santander atuam no Brasil. O primeiro ocupa a 10ª posição no ranking e, nos últimos cinco anos, diminuiu em 6% seus investimentos em energia fóssil, ainda que esses representem 89% do total investido; já o Santander está na 22ª posição, tendo aumentado em 3% seus investimentos em energia fóssil, apesar desses já representarem 64% do total da instituição.

Para Carlos Thadeu C. de Oliveira, Gerente técnico do Idec, “os bancos têm um papel crucial na economia e a responsabilidade de promover uma economia menos intensiva em carbono. O estudo mostra em números que as intenções ou declarações dos bancos não se traduzem em compromissos claros”. O levantamento mostra ainda que diversas instituições financeiras não têm definidas políticas de mitigação climática nem compromissos vigentes.

Yann Louvel, coordenador de clima e energia do BankTrack, afirmou: “Precisamos de uma ação ambiciosa dos bancos agora. As ações do Crédit Agricole e do Natixis, na França, assim como do Bank of America e do Citi foram positivos movimentos nos últimos meses no sentido de reduzir seu apoio à indústria de carvão. Ainda assim, nenhum dos principais bancos em nível mundial aderiu ao Paris Pledge (Compromisso de Paris) e se comprometeu antes da COP-21 em Paris a zerar seus financiamentos em carvão. É esse tipo de compromisso prático que nós precisávamos ver, para que haja um fim no privilégio a combustíveis fósseis e na asfixia dos financiamentos a energias renováveis.”

Governos precisam agir

Para Alexandre Naulot, porta-voz do Fair Finance Guide International, “os governos precisam agir. Precisamos que eles adaptem as legislações para mobilizar o setor financeiro na direção de uma economia de baixo carbono e que encoragem bancos e outras instituições financeiras a eliminar o financiamento a combustíveis fósseis, começando pelo carvão”. A Fair Finance Guide International é uma iniciativa composta por coalizões de diversas organizações que trabalham com finanças responsáveis. A FFGI é apoiada financeiramente pela Sida, a Agência Sueca pelo Desenvolvimento Internacional. O BankTrack é uma organização global que monitora, realiza campanhas e apoia ONGs nos investimentos e operações de bancos comerciais internacionais. A pesquisa para este relatório foi conduzida pela Profundo, consultoria focada em analisar cadeias de commodities, instituições financeiras e questões de responsabilidade social corporativa.

O Guia dos Bancos Responsáveis (GBR), projeto desenvolvido pela coalizão brasileira do Fair Finance Guide, é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), com apoio da Oxfam Novib e da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (Sida). A versão em português do resumo executivo do estudo “Minando Nosso Futuro”pode ser encontrada no site do GBR: http://guiadosbancosresponsaveis.org.br

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FUNDOS CLIMÁTICOS
CNI lança guia para empresas

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou o documento “Financiamento para o Clima: Guia para Otimização de Acesso pela Indústria”, com o objetivo de auxiliar as empresas brasileiras a explorarem recursos financeiros voltados para a economia de baixo carbono, além de apresentar os principais critérios econômicos, ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), que devem ser seguidos para acessar os fundos de investimento. “Cada vez mais consolida-se o entendimento de que iniciativas que respondam aos desafios ambientais, sociais e de governança de forma mais efetiva dão mais retorno e são mais sustentáveis. E é nisso que investidores estão de olho”, afirma o gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo. Segundo a CNI, as iniciativas climáticas movimentaram aproximadamente US$ 612 bilhões em 2017 e US$ 546 bilhões em 2018. Deste total, apenas 4,5% foram para projetos localizados na América do Sul e Caribe, enquanto a Ásia – considerada em rápida expansão de negócios sustentáveis – recebeu 38% das verbas. O documento lista dados relevantes para buscar financiamentos em 16 fundos diferentes. Qualquer empresa, independente de seu porte, está apta a participar. São exigidas garantias econômicas de viabilidade e planejamento antecipados de impactos econômicos e ambientais no País. O download do documento pode ser feito no link https://www.portaldaindustria.com.br/publicacoes/2020/11/financiamento-para-o-clima-guia-para-otimizacao-de-acesso-pela-industria/ .

7 de dezembro, 2020
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COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
Projetos dificultam metas de Paris

Segundo o relatório “Production Gap Report”, que complementa o estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Emissions Gap Report, os projetos de energia por carvão, petróleo e gás natural aprovados recentemente por alguns governos podem inviabilizar as metas definidas no Acordo de Paris. Os projetos superam em 120% o limite necessário para viabilizar a meta de aquecimento em 1,5ºC até 2100. "Ao longo da última década, o debate sobre clima mudou. Houve um reconhecimento maior do papel que a expansão desenfreada da produção de combustíveis fósseis desempenha no enfraquecimento do progresso da ação climática", diz Michael Lazarus, um dos principais autores do relatório e diretor do U.S. Center do Stockholm Environment Institute. O relatório foi produzido por organizações, como o Stockholm Environment Institute (SEI), International Institute for Sustainable Development (IISD), Overseas Development Institute (ODI), CICERO Centre for International Climate and Environmental Research, Climate Analytics, e o PNUMA. Mais de 50 pesquisadores contribuíram para a análise e a revisão, de inúmeras universidades e centros de pesquisa. O diretor-executivo do Pnuma, Inger Andersen, afirma que os suprimentos de energia do mundo continuam dominados pelos combustíveis fósseis, o que impulsiona os níveis de emissões. “Para isso, este relatório apresenta a lacuna na produção de combustíveis fósseis, uma nova métrica que mostra claramente a lacuna entre o aumento da produção de combustíveis fósseis e o declínio necessário desse tipo de fonte energética para limitar o aquecimento global". Entre as principais conclusões do estudo, o relatório aponta que: o mundo está numa trajetória de produção de combustíveis fósseis em 2030 de 50% acima do que seria consistente com o limite do aquecimento em 2ºC e 120% acima do que seria consistente com o limite em 1,5ºC ; os países planejam produzir 150% mais carvão em 2030 do que o que seria consistente com uma meta de aquecimento de 1ºC, e 280% acima do que seria consistente com uma meta de 1,5ºC; a produção de petróleo e gás natural irá exceder seu “orçamento de carbono” com investimentos contínuos e infraestrutura sendo implementada para o uso desses combustíveis; os países planejam produzir entre 40% e 50% a mais de petróleo e gás até 2040 do que seria esperado no esforço de limitar o aquecimento em 2ºC. Outros pontos destacados são a continuidade de algumas produções, como 17% a mais de carvão e 5% a mais de petróleo em 2030. Segundo o estudo, os países possuem numerosas opções para fechar esse gap de produção, incluindo limitar a exploração e extração, remover subsídios, e alinhar planos de produção energética futura com as metas climáticas. Os autores também enfatizam a importância de uma transição justa para um cenário distante dos combustíveis fósseis. "Existe uma necessidade premente de assegurar que os afetados pela mudança social e econômica não fiquem para trás", afirmou Cleo Verkuijl, uma das autoras do relatório e pesquisadora do SEI. O Production Gap Report é publicado quando mais de 60 países já se comprometeram a atualizar suas NDC, que estabelecem seus novos planos de redução de emissões e compromissos climáticos no âmbito do Acordo de Paris em 2020. "Os países podem aproveitar essa oportunidade para integrar estratégias de gestão da produção de combustíveis fósseis nas suas NDCs - o que, por sua vez, os ajudará a alcançar as metas de redução de emissões", disse Niklas Hagelberg, coordenador de mudanças climáticas do PNUMA.

25 de novembro, 2019
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COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS
Banco Mundial financia mais projetos

Um estudo encomendado pela ONG alemã Urgewald mostrou que o financiamento do projeto de energia ativa do Grupo Banco Mundial é três vezes maior para os combustíveis fósseis do que para fontes de energia renováveis favoráveis ao clima - US$ 21 bilhões para carvão, petróleo e gás, enquanto US$ 7 bilhões para energia solar ou energia eólica. Nos últimos cinco anos o banco Mundial gastou US$ 12 bilhões em projetos associados a combustíveis fósseis. A autora do estudo é Heike Mainhardt, especialista norte-americana em projetos financeiros multilaterais e colaborador especializado do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática. Mainhardt analisou mais de 675 projetos do setor energético do Banco Mundial. É, portanto, a análise mais abrangente até hoje dos negócios de combustíveis fósseis do Banco Mundial. "É uma grande decepção descobrir que o Banco Mundial continua a fornecer grandes quantias de financiamento público para combustíveis fósseis. O Banco enfraquece completamente seus próprios esforços para fontes de energia renováveis, bem como os Objetivos Climáticos de Paris", disse Mainhardt. Ela pede ao Banco que reduza drasticamente seu financiamento público para combustíveis fósseis e ajude seus clientes a construir mais rapidamente sistemas de energia baseados em fontes de energia renováveis e limpas. A análise de Heiki incluiu empréstimos de projetos de energia para países e empresas beneficiários, bem como programas de base maior, serviços de consultoria e outras formas de assistência financeira a governos em países em desenvolvimento. Nos últimos anos, o Banco Mundial foi muito elogiado por vários anúncios sobre o clima. Em 2013, o Banco prometeu que, com algumas exceções, deixaria de conceder ajuda financeira a projetos de usinas de energia movidas a carvão. Embora o estudo mostre que o Banco Mundial não apoiou diretamente a construção de novas usinas a carvão desde 2013, isso demonstra que o Banco ainda oferece apoio de outras maneiras. Em março de 2016, a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), membro do Banco Mundial, aprovou uma garantia financeira de US$ 783 milhões para empréstimos do Deutsche Bank e do banco japonês Mizuho Bank. O montante destinava-se ao grupo de energia sul-africano Eskom para apoiar um "programa de expansão de capacidade". Entre outras coisas, esse dinheiro será usado para financiar linhas de transmissão que transportarão principalmente eletricidade das novas usinas a carvão da Eskom. "Nesses casos, o Banco Mundial está contornando sua promessa de usinas sem carvão. Ainda promove a infraestrutura associada necessária para a implantação de grandes usinas a carvão", criticou Heiki. O Banco atualmente detém ações de capital em pelo menos 12 projetos de exploração e produção de petróleo e gás no valor de pelo menos US$ 512 milhões. O estudo mostra que, desde 2014, o Banco tem apoiado operações em pelo menos dez países que subsidiam investimentos em petróleo, gás ou carvão, por exemplo. através de impostos mais baixos e outros incentivos.

15 de abril, 2019
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CARVÃO
China continua a financiar projetos

Segundo relatório do Instituto para Análise Econômica e Financeira em Energia (IEEFA, sigla em inglês), apesar de liderar projetos em energia renovável, a China continua a investir recursos em empreendimentos de energia fóssil, especialmente carvão, fora de suas fronteiras. O estudo aponta que mais de 1/4 dos projetos de geração de energia à base de carvão fora da China contam com financiamento de bancos e companhias do país. Em meados de 2018 instituições do país asiático tinham proposto ou investido cerca de US$ 35,9 bilhões em projetos desse tipo em 27 países - incluindo investimentos em minas de carvão para exportação, usinas a carvão, e infraestrutura ferroviária e portuária associada - , totalizando 102 GW, sendo que 75% dessa capacidade ainda se encontra em fase de pré-construção. Os principais países a receber projetos carboníferos são Bangladesh, Vietnã, África do Sul, Paquistão e Indonésia. O Brasil figura entre os países que possuem projetos energéticos de carvão com proposta de financiamento chinês. Segundo o relatório, quase US$ 1 bilhão estão propostos para projetos que deverão resultar na geração de 940 MW de energia a base de fonte suja. Segundo Melissa Brown, consultora do IEEFA e uma das co-autoras do relatório, "as projeções mais conservadoras da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam para o declínio do comércio global de carvão nos próximos anos, e isso tem um bom motivo: os preços internacionais da energia de carvão seguem instáveis, o que deixa os países produtores desse tipo de energia presos a uma infraestrutura custosa", explica Melissa. "Em contraste, as energias renováveis estão se beneficiando de grandes melhorias tecnológicas e têm um impacto deflacionário nos preços da energia". Para Christine Shearer, outra co-autora do relatório, os países que ainda não assinaram esses acordos com a China precisam entender as mudanças no mercado global de energia antes de tomar uma péssima decisão. "Está na hora da China formalmente limitar seus investimentos em usinas termelétricas a carvão no exterior e passar a promover a adoção de energia renovável mais barata e de tecnologias de grid", diz Christine Shearer, uma das autoras do relatório. "Isso vem sendo feito dentro da China. Será que os outros países não merecem ter a mesma oportunidade?"

29 de janeiro, 2019
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CARVÃO
Coreanos anunciam corte de verba

O fundo de Pensão dos Professores e o Sistema de Pensão dos Funcionários do Governo (GEPS) da Coreia anunciaram, pela primeira vez na história, o corte de financiamento em projetos de carvão. “Estamos agora em uma nova jornada rumo ao investimento sustentável para um futuro melhor. Acreditamos que reduzir gradualmente o carvão e promover as energias renováveis são o último avanço para um futuro sustentável. É também nossa responsabilidade contribuir com o esforço contínuo da humanidade para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ° C”, declararam as empresas. O anúncio aconteceu durante o encontro de delegações de governos e cientistas de todo o mundo, que estão reunidos na Cúpula do IPCC para aprovar um novo relatório científico sobre o aquecimento global. O Teachers' Pension, que investe em fundos renováveis desde 2015, planeja aumentar a parcela do investimento em sustentabilidade à medida que estabelece uma nova carteira de longo prazo. Até 2017 foram investidos US$ 90 milhões. Este é o primeiro anúncio desta natureza por parte de instituições financeiras coreanas, mas outros grandes players globais já se juntaram ao movimento de eliminação do financiamento a projetos de carvão. Recentemente o Standard Chartered publicou sua nova política energética e afirmou que não adotará novos projetos de usinas a carvão, incluindo expansões, em qualquer localização. Na Ásia, o movimento é liderado pelos japoneses, como a Marubeni, que deixará de desenvolver novas usinas a carvão. Entre as instituições financeiras japonesas, houve o anúncio este ano de que a Dai-Ichi Life Insurance Co. não vai mais fornecer financiamento para projetos de carvão no exterior, seguindo a Nippon Life Insurance Co., que planeja o fim dos novos empréstimos e investimentos em empreendimentos que contribuem para as alterações climáticas.

10 de outubro, 2018
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ECONOMIA VERDE
Financiamentos crescem 33%

Segundo estudo realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), de cada quatro reais emprestados a empresas pelos bancos brasileiros, mais de um real vai para atividades voltadas à redução da emissão de carbono, eficiência no uso de recursos naturais e inclusão social. De acordo com amostra dos quinze maiores bancos brasileiros, de R$ 1,722 bilhão da carteira de financiamentos do setor em 2017, o volume direcionado a chamada ‘economia verde’ atingiu R$ 412,27 bilhões, 27,6% de toda a carteira de empréstimos dos bancos para pessoa jurídica no último ano. O resultado representa um crescimento de 33,4% em 2017 na comparação com o ano anterior, quando foram destinados R$ 309,08 bilhões para esse tipo de empresa. O crescimento do volume de recursos em ‘economia verde’ mostra que o tema vem ganhando importância para os bancos, diz o diretor de Relações Institucionais da Febraban, Mario Sérgio Vasconcelos. “Isto se deve a dois fatores: maior compreensão da importância dos potenciais impactos das mudanças climáticas no gerenciamento de riscos dos portfólios de empréstimos e identificação das oportunidades de negócios proporcionadas pela ‘economia verde’“. O levantamento da Febraban acompanha também a alocação de recursos em setores potencialmente causadores de impacto ambiental classificados segundo a Resolução 237/97 do Conama, nos quais as instituições financeiras realizam diligências especiais e rigorosa análise dos riscos socioambientais, seja para minimizar impactos negativos ou potencializar impactos positivos. “O acompanhamento desses setores é essencial uma vez que permite às instituições financeiras prever potenciais riscos e trabalhar para evitar que se tornem problemas reais”, diz Vasconcelos. Neste caso, houve um aumento de 4,3% de 2016 para 2017, de R$ 605,86 bilhões para R$ 632,03 bilhões. A participação deste tipo de financiamento na carteira total de crédito também cresceu de 36,8% (2016) para 42,3% (2017).

9 de julho, 2018
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ENERGIAS LIMPAS
China investe US$ 32 bi no exterior em 2016

Segundo o relatório ‘Expansão Global de Energias Renováveis da China’, do Instituto de Economia e Análise Financeira da Energia (IEEFA), o país investiu montante recorde de US$ 32 bilhões no exterior em projetos de energias renováveis em 2016, o que representa um crescimento de 60% sobre o ano anterior. Com isto, o país asiático tornou-se líder mundial em energias renováveis e tecnologias relacionadas. O IEEFA avaliou todos os negócios do segmento de energia renovável, com valores superiores a US$ 1 bilhão. A escala e o crescimento do investimento realizado consolidam a liderança global da China em indústrias e em infraestruturas de energia limpa. Em 2015 empresas chinesas realizaram oito investimentos acima de US$ 1 bilhão cada, totalizando US$ 20 bilhões. O valor em 2016 foi 60% maior, alcançando a marca de US$ 32 bilhões em onze transações separadas conduzidas por empresas chinesas – duas delas, no Brasil. A State Grid Corp da China (SGCC), maior empresa de eletricidade do mundo, fez o maior acordo de distribuição de energia renovável e eletricidade de 2016, com um investimento de US$ 13 bilhões para uma participação no controle da CPFL Energia no Brasil SA. Outros US$ 1,2 bilhão foram investidos pela Three Gorges Corp no Brasil ao longo de 2016. De acordo com o World Energy Outlook 2016 da Agência Internacional de Energia, a China detém 3,5 milhões, dos 8,1 milhões de empregos em energia renovável no mundo. Nos Estados Unidos, são 769 mil empregos relacionados com energias renováveis. O relatório também mostra como o resultado da eleição norte-americana significa que os EUA provavelmente ficarão ainda mais atrás da liderança global da China no futuro. "Os Estados Unidos já estão bem atrás da China na corrida para garantir uma maior participação no florescente mercado de energia limpa. Com o presidente eleito Trump falando de carvão e de gás, as possíveis mudanças nas políticas domésticas não são um bom presságio", analisa Tim Buckley, diretor de Estudos de Finanças Energéticas da Australásia do IEEFA. "Se os EUA forem sérios sobre estimular o crescimento baseado em manufatura, este não é um setor para o qual se deva virar as costas. A China entende que as renováveis apresentam uma enorme oportunidade comercial. Ela está se preparando para ser incomparável na liderança de energia limpa hoje. Os EUA deverão lamentar nos próximos anos".

13 de janeiro, 2017
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ENERGIA RENOVÁVEL
Investimento recorde de US$ 357 bilhões em 2015

Segundo o estudo “A Year for the Record Books”, o mais recente relatório da série Tracking the Energy Revolution da Clean Energy Canada, a qual identifica tendências no mercado de energias limpas no Canadá e no mundo, os investimentos em energias renováveis atingiram novo recorde em 2015. Dos US$ 367 bilhões, a maior parte (US$ 160 bilhões) foi destinada a projetos de energia solar, seguido pelos US$ 110 bilhões investidos em energia eólica; As grandes hidrelétricas, por sua vez, quase empataram com a energia oriunda de biomassa e detritos (US$ 42 bilhões e US$ 41 bilhões). Segundo esse estudo, entre 2009 e 2015 o custo da energia eólica nos Estados Unidos caiu 61%, enquanto o custo da energia solar caiu 82%, respectivamente). O ano de 2015 também registrou pela primeira vez mais investimento em energia limpa nos países em desenvolvimento (US$ 167 bilhões) do que nos países desenvolvidos (US$ 162 bilhões). A China foi a que mais investiu, com US$ 110,5 bilhões, seguida pelos Estados Unidos, US$ 56 bilhões, e Japão, US$ 46 bilhões. Completam os cinco primeiros lugares o Reino Unido (US$ 23,4 bilhões) e a Índia (US$ 10,9 bilhões). "Um terço de um trilhão de dólares foram investidos em energias renováveis em 2015 – trata-se de um investimento de peso que estabelece um novo recorde para as energias limpas, mesmo diante da forte concorrência dos preços baratos dos combustíveis fósseis", sintetiza Merran Smith, Diretora-Executiva da Clean Energy Canada. "Elas estão decolando porque oferecem um valor imbatível - elas são locais, por isso oferecem segurança energética. As energias limpas também são uma solução climática e reduzem os problemas de saúde causados pela poluição atmosférica. São cada vez mais competitivas e há muitos investimentos a serem feitos ainda", destaca. "O custo da produção de energias limpas continua a cair, e seu combustível - sol, vento, água - é gratuito. Não é de admirar que as energias limpas estejam ganhando força em todo o mundo. Trata-se de um contraste gritante com os mercados de combustíveis fósseis, que agora vivem às voltas com altos e baixos", completa.

1 de março, 2016