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CARVÃO

Coreanos anunciam corte de verba

O fundo de Pensão dos Professores e o Sistema de Pensão dos Funcionários do Governo (GEPS) da Coreia anunciaram, pela primeira vez na história, o corte de financiamento em projetos de carvão. “Estamos agora em uma nova jornada rumo ao investimento sustentável para um futuro melhor. Acreditamos que reduzir gradualmente o carvão e promover as energias renováveis são o último avanço para um futuro sustentável. É também nossa responsabilidade contribuir com o esforço contínuo da humanidade para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ° C”, declararam as empresas. O anúncio aconteceu durante o encontro de delegações de governos e cientistas de todo o mundo, que estão reunidos na Cúpula do IPCC para aprovar um novo relatório científico sobre o aquecimento global. O Teachers' Pension, que investe em fundos renováveis desde 2015, planeja aumentar a parcela do investimento em sustentabilidade à medida que estabelece uma nova carteira de longo prazo. Até 2017 foram investidos US$ 90 milhões. Este é o primeiro anúncio desta natureza por parte de instituições financeiras coreanas, mas outros grandes players globais já se juntaram ao movimento de eliminação do financiamento a projetos de carvão. Recentemente o Standard Chartered publicou sua nova política energética e afirmou que não adotará novos projetos de usinas a carvão, incluindo expansões, em qualquer localização. Na Ásia, o movimento é liderado pelos japoneses, como a Marubeni, que deixará de desenvolver novas usinas a carvão. Entre as instituições financeiras japonesas, houve o anúncio este ano de que a Dai-Ichi Life Insurance Co. não vai mais fornecer financiamento para projetos de carvão no exterior, seguindo a Nippon Life Insurance Co., que planeja o fim dos novos empréstimos e investimentos em empreendimentos que contribuem para as alterações climáticas.

O fundo de Pensão dos Professores e o Sistema de Pensão dos Funcionários do Governo (GEPS) da Coreia anunciaram, pela primeira vez na história, o corte de financiamento em projetos de carvão. “Estamos agora em uma nova jornada rumo ao investimento sustentável para um futuro melhor. Acreditamos que reduzir gradualmente o carvão e promover as energias renováveis são o último avanço para um futuro sustentável. É também nossa responsabilidade contribuir com o esforço contínuo da humanidade para manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ° C”, declararam as empresas. O anúncio aconteceu durante o encontro de delegações de governos e cientistas de todo o mundo, que estão reunidos na Cúpula do IPCC para aprovar um novo relatório científico sobre o aquecimento global. 
 
O Teachers' Pension, que investe em fundos renováveis desde 2015, planeja aumentar a parcela do investimento em sustentabilidade à medida que estabelece uma nova carteira de longo prazo. Até 2017 foram investidos US$ 90 milhões. 
 
Este é o primeiro anúncio desta natureza por parte de instituições financeiras coreanas, mas outros grandes players globais já se juntaram ao movimento de eliminação do financiamento a projetos de carvão. Recentemente o Standard Chartered publicou sua nova política energética e afirmou que não adotará novos projetos de usinas a carvão, incluindo expansões, em qualquer localização. 
 
Na Ásia, o movimento é liderado pelos japoneses, como a Marubeni, que deixará de desenvolver novas usinas a carvão. Entre as instituições financeiras japonesas, houve o anúncio este ano de que a Dai-Ichi Life Insurance Co. não vai mais fornecer financiamento para projetos de carvão no exterior, seguindo a Nippon Life Insurance Co., que planeja o fim dos novos empréstimos e investimentos em empreendimentos que contribuem para as alterações climáticas.

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China promete abandonar a queima de carvão
ARTIGO
China promete abandonar a queima de carvão

Artigo por Vivaldo José Breternitz Por Vivaldo José Breternitz * O presidente chinês Xi Jinping anunciou em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas um passo importante para controlar as emissões de gases geradores do efeito estufa. Depois de reiterar promessas acerca de providências a serem tomadas em seu próprio país, Xi disse que a China vai começar a ajudar outros países a controlar essas emissões, apoiando projetos de energia renovável que substituirão usinas que queimam carvão. A China financia muitos projetos de infraestrutura em economias em desenvolvimento, como parte de seus esforços na política externa; isso geralmente lhe traz vantagens colaterais, como envolver profissionais e empresas chinesas. Quando esses projetos são voltados à produção de eletricidade, geralmente envolvem a fonte mais usada da China, o carvão. Assim sendo, o número de usinas a carvão construídas nos países parceiros da China é grande e levanta dúvidas legítimas sobre a possibilidade de que sejam cumpridas metas globais de emissões de carbono. A China já havia se comprometido a atingir a neutralidade de carbono até 2060, apesar de prever que suas emissões crescerão até o final dessa década. No entanto, seus bancos de desenvolvimento continuaram a financiar usinas a carvão e suas empresas, a construí-las. No entanto, XI foi enfático em seu discurso, afirmando explicitamente que a China não desenvolverá novos projetos de geração de eletricidade a partir da queima de carvão no exterior. A mudança faz sentido para todos os envolvidos. A energia renovável é agora a opção mais barata em quase todos os lugares do planeta e a China fabrica todo o equipamento necessário à geração de energia solar e eólica, podendo vendê-los para seus projetos no exterior e continuar lucrando com isso. O Japão e a Coréia do Sul já haviam tomado a mesma decisão, o que é bom para todo o planeta. Prejudicados deverão ser apenas os que estão no negócio de produção de carvão. * Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

4 de outubro, 2021
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DANOS AMBIENTAIS
Vale e Eletrobras excluídas de fundo

O fundo soberano da Noruega excluiu a Vale, a Eletrobras e a egípcia ElSewedy Electric de sua carteira de clientes, alegando que as companhias provocam danos ambientais. O fundo administra mais de US$ 1 trilhão e decidiu banir também algumas das maiores empresas de commodities do mundo, incluindo Glencore e Anglo American, devido à sua produção e uso de carvão. O fundo também vetou aportes na elétrica alemã RWE, na petroquímica sul-africana Sasol e na firma holandesa de energia AGL Energy, devido ao uso de carvão. Os noruegueses mostram-se cada vez mais atentos ao que as empresas fazem em prol do clima mundial. O fundo sempre vende participações antes de anunciar exclusões, para evitar movimentos excessivos nos mercados. Outras companhias estão em observação caso não tratem a questão do uso do carvão. Entre elas, BHP, Uniper, Enel e Vistra Energy. Criado em 1996, o fundo visa poupar para gerações futuras as receitas da Noruega com a produção de petróleo e gás. Ele está entre os maiores investidores do mundo e possui cerca de 1,5% de todas ações listadas globalmente. O fundo opera sob diretrizes éticas definidas pelo parlamento e exclui da carteira empresas que não as respeitam. O fundo norueguês informou que levou tempo para vender as ações de diversas das empresas excluídas devido à situação do mercado, incluindo a liquidez em algumas ações. O conselho de Ética do fundo recomenda a exclusão de empresas que não respeitem suas diretrizes quanto à ética. O conselho do banco central da Noruega então decide quando agir.

18 de maio, 2020
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CARVÃO
China continua a financiar projetos

Segundo relatório do Instituto para Análise Econômica e Financeira em Energia (IEEFA, sigla em inglês), apesar de liderar projetos em energia renovável, a China continua a investir recursos em empreendimentos de energia fóssil, especialmente carvão, fora de suas fronteiras. O estudo aponta que mais de 1/4 dos projetos de geração de energia à base de carvão fora da China contam com financiamento de bancos e companhias do país. Em meados de 2018 instituições do país asiático tinham proposto ou investido cerca de US$ 35,9 bilhões em projetos desse tipo em 27 países - incluindo investimentos em minas de carvão para exportação, usinas a carvão, e infraestrutura ferroviária e portuária associada - , totalizando 102 GW, sendo que 75% dessa capacidade ainda se encontra em fase de pré-construção. Os principais países a receber projetos carboníferos são Bangladesh, Vietnã, África do Sul, Paquistão e Indonésia. O Brasil figura entre os países que possuem projetos energéticos de carvão com proposta de financiamento chinês. Segundo o relatório, quase US$ 1 bilhão estão propostos para projetos que deverão resultar na geração de 940 MW de energia a base de fonte suja. Segundo Melissa Brown, consultora do IEEFA e uma das co-autoras do relatório, "as projeções mais conservadoras da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam para o declínio do comércio global de carvão nos próximos anos, e isso tem um bom motivo: os preços internacionais da energia de carvão seguem instáveis, o que deixa os países produtores desse tipo de energia presos a uma infraestrutura custosa", explica Melissa. "Em contraste, as energias renováveis estão se beneficiando de grandes melhorias tecnológicas e têm um impacto deflacionário nos preços da energia". Para Christine Shearer, outra co-autora do relatório, os países que ainda não assinaram esses acordos com a China precisam entender as mudanças no mercado global de energia antes de tomar uma péssima decisão. "Está na hora da China formalmente limitar seus investimentos em usinas termelétricas a carvão no exterior e passar a promover a adoção de energia renovável mais barata e de tecnologias de grid", diz Christine Shearer, uma das autoras do relatório. "Isso vem sendo feito dentro da China. Será que os outros países não merecem ter a mesma oportunidade?"

29 de janeiro, 2019
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CARVÃO
Fundo norueguês desinveste em empresas

O fundo de previdência privada norueguês Storebrand Asset Management atualizou seus critérios de desinvestimento para empresas carboníferas. Com a medida, mais de dez empresas foram excluídas de sua carteira. O Storebrand definiu em 2013 seus primeiros critérios de ranqueamento e desinvestimento para empresas carboníferas. Com mais de US$ 80 bilhões de ativos sob gestão, o Storebrand Asset Management definiu que combustível fóssil é incompatível com os objetivos climáticos anunciados no Acordo de Paris da ONU. “Dois anos depois do Acordo de Paris, o Storebrand considera como nosso dever desafiar as empresas envolvidas com o carvão, considerando que as usinas de carvão são a maior fonte de emissão de dióxido de carbono”. "Hoje estamos desafiando o setor financeiro, inclusive o Fundo de Petróleo da Noruega, que gere um trilhão de dólares, a também desafiar mais empresas ligadas ao setor carbonífero, incluindo empresas gigantes de energia que operam na Alemanha. Isso também é um aviso para todos os que projetam e constroem termelétricas a carvão. Se vocês colocarem novas pedras fundamentais no chão, não estaremos com vocês”, disse Jan Erik Saugestad, CEO da Storebrand Asset Management. O CEO do Fundo norueguês exige ainda que os produtores de energia limpem suas fontes ou perderão clientes e investidores. “Desde 2010, o capital que está abandonando usinas de energia a carvão equivale a US$ 432 bilhões e essa tendência de êxodo do investidor deve se aprofundar à medida que a indústria enfrenta declínio estrutural", disse o executivo. Os 14.300 MW em construção pelas empresas excluídas excedem toda a capacidade instalada no Reino Unido e na Irlanda, ou mais do que toda a capacidade instalada de geração por meio do carvão existente na Grécia, Holanda e França. Os critérios aprimorados levam a desinvestimentos consideráveis em empresas que desenvolvem novas termelétricas a carvão. Para a Storebrand, há um limite absoluto de um Gigawatt em construção. Além disso, os critérios melhoram os métodos existentes, incluindo uma avaliação adicional de empresas com altos níveis de carvão em seu atual mix de geração e de receita significativa de distribuição. Simultaneamente, o Fundo norueguês expandiu seu fundo livre de combustíveis fósseis de US$ 1,8 bilhão. Duas empresas norte-americanas entraram neste fundo, sendo uma que investe em cabos de alta tensão a corrente contínua e outra em eficiência energética de edifícios, além das oito empresas de energia solar e de duas empresas de energia eólica dos EUA já presentes no fundo.

16 de novembro, 2017
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ENERGIAS RENOVÁVEIS
Carvão perde espaço para energias limpas na China

Segundo o Comunicado Estatístico de 2016 sobre Desenvolvimento Econômico e Social do Escritório Nacional de Estatísticas da China, o país asiático alcançou recorde mundial de 33,2 GW instalados em 2016, o dobro do recorde anterior (15 GW), de 2015. A energia solar no grid cresceu 34% ano sobre ano para 39TWh em 2016. Até 2020, a China planeja investir US$ 360 bilhões para ampliar a participação das renováveis na sua matriz energética, impulsionando novos empregos e o desenvolvimento tecnológico. "A transformação no setor elétrico da China continua. A demanda por energia se dissociou da atividade econômica e, quando isso é combinado com o recorde de instalações de energia renovável, o resultado é que a China continua a se afastar do carvão mais rapidamente do que se esperava", analisa Tim Buckley, diretor de Estudos de Finanças Energéticas do Institute for Energy Economics and Financial Analysis (IEEFA). "O carvão é o maior perdedor no mercado de energia chinês. Pelo terceiro ano consecutivo, a produção e o consumo caíram, enquanto a taxa de utilização dos geradores a carvão baixou para 47,5%, o mais baixo de todos os tempos", completa. A China instalou 17,3GW de energia solar no último ano, abaixo dos 29GW alcançados em 2015. A geração eólica cresceu 19%, para 211TWh. Em termos de geração de energia eólica offshore, a análise coloca o Shanghai Electric Wind Power Equipment (Sewind) da China como o maior desenvolvedor de 2016 globalmente, comissionando 489MW de nova capacidade. Quando solar e eólica são combinadas com 18GW por ano de novas capacidades em energia hidrelétrica e 5GW por ano de capacidade nuclear instalada em toda a China nos últimos quatro anos, a geração de eletricidade de emissão zero atendeu 70% do crescimento na demanda por eletricidade na China após 2013. A produção de carvão da China teve um recuo recorde de 9%, para 3,410 milhões de toneladas (Mt) em 2016. Isso reduziu a média de três anos para 4,9% ao ano; um declínio de 564Mt no total. Os resultados fizeram a Agência Internacional de Energia (AIE) a concluir que o consumo de carvão da China provavelmente atingiu seu pico em 2013. O consumo de carvão da China caiu 4,7% no ano passado na comparação com 2015. Com o crescimento no consumo de gás natural de 8% face ao ano anterior, estes dois números sugerem uma redução dramática na queima direta de carvão em usos residenciais e industriais de auto-uso. Entre 2013 e 2016 a China adicionou um total de 200GW de geração de eletricidade a carvão que hoje estão parcialmente ociosos. A conseqüência foi um colapso para uma taxa recorde de 47,5% de utilização da capacidade de carvão para o setor de energia a carvão em 2016, abaixo de um pico de curto prazo de 79% da utilização da capacidade em 2011.

7 de março, 2017
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CARVÃO
Reino Unido quer extinguir produção até 2025

O governo do Reino Unido anunciou que pretende acabar com a produção de carvão até 2025. A medida está dentro do pacote de iniciativas lançado pelo Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial que inclui novos investimentos em energias renováveis. O compromisso de eliminação do carvão é um reconhecimento positivo da necessidade de investimento na produção nova e limpa de eletricidade. O governo britânico está tentando dar uma forma ordenada a uma transição que pode encorajar novos investimentos no setor energético do Reino Unido, permitindo simultaneamente o encerramento progressivo das centrais de carvão restantes. Segundo Chris Littlecott, diretor do Programa de Transição de Combustíveis Fósseis da E3G,"O Reino Unido foi o primeiro país a anunciar um objetivo de eliminação de carvão, mas está longe de ser o único a enfrentar o desafio de acabar com o uso do carvão e aumentar o investimento em fontes limpas de energia. Já está em curso uma mudança estrutural do carvão na maioria dos países membros do G7 e da OCDE, ajustada para se acelerar quando as usinas de energia a carvão se aproximarem da idade da aposentadoria”. Littlecott disse que usinas de carvão são cada vez mais antieconômicas, particularmente quando incorporam os custos do controle de poluição. Segundo o executivo, os governos nacionais e regionais procuram cada vez mais desenvolver políticas semelhantes de eliminação do carvão como forma de proporcionar uma transição gerida que garanta a segurança energética e um caminho positivo para os trabalhadores e as comunidades. “O compromisso do Reino Unido é um exemplo positivo para os outros”. Seis dos países do G7 pararam o desenvolvimento de novas usinas de carvão e estão avançando com a aposentadoria da geração de carvão existente, embora em velocidades diferentes. Somente o Japão está atualmente buscando construir novas usinas de carvão. O Canadá está posicionado para implementar uma abordagem de eliminação de carvão nacional, enquanto os Estados Unidos já programou eliminar mais de 109GW de capacidade de geração de energia a carvão. Os fechamentos de usinas de carvão foram impulsionados por forças de mercado e padrões de controle de poluição que impactam uma leva de usinas de carvão envelhecida e anti-econômica. Na Europa, França e Itália ainda não introduziram políticas nacionais a respeito do assunto, enquanto na Alemanha o debate é mais intenso, onde uma política mais substancial será necessária para complementar o programa de aposentadoria existente para as usinas de lignite mais antigas. Um número crescente de países da OCDE poderia concluir a eliminação do carvão nos próximos anos. A Bélgica tornou-se livre do carvão em 2016. Áustria, Irlanda, Israel, Nova Zelândia, Portugal e Suécia têm apenas uma ou duas usinas de carvão em operação. A Finlândia anunciou que terminará o uso do carvão até 2030, assim como a Dinamarca. A Holanda e a Espanha estão fechando algumas usinas de carvão mais antigas, mas ainda não estabeleceram um plano de aposentadoria abrangente. Na Austrália, sindicatos e grupos da sociedade civil estão pedindo uma transição justa para os trabalhadores e um quadro para o fechamento de usinas de carvão.

23 de novembro, 2016
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TERMELÉTRICAS
Organizações contra MP aprovada na Câmara

A Câmara aprovou, dia 11 de outubro, programa de incentivo a usinas termelétricas a carvão. A medida está em uma das mais de trinta emendas da MP 735. O texto caminha para votação no Senado e deveria ser votado até 18 de outubro. De acordo com Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace Brasil, a inserção desta emenda tem como objetivo deixar desapercebida uma medida que vai claramente contra os objetivos do País no combate às mudanças climáticas e ao que se comprometeu na ratificação do acordo para o clima de Paris. As usinas a carvão respondem por 46% dos gases de efeito estufa emitidos por uso de energia no planeta. A China, que tem cerca de 70% de sua energia oriunda de termelétricas a carvão, anunciou investimentos em energias alternativas renováveis e pelo segundo ano consecutivo apresenta queda nas emissões por queima do mineral. No caso do Brasil, as emissões de gases de efeito estufa no setor elétrico aumentaram nove vezes entre 1990 e 2014. Somente entre 2011 e 2014 as emissões passaram de 30,2 milhões para 82 milhões de toneladas de CO 2 . Só as térmicas a carvão contribuíram com 22% das emissões do setor elétrico doméstico em 2014. De acordo com o Artigo 20 da MP aprovada, as novas usinas térmicas devem entrar em operação entre 2023 e 2027 e o programa de incentivo será responsável por garantir o nível de produção de carvão mineral para atender a 100% da demanda das termelétricas.“Além da questão ambiental, o texto traz outras complicações. Ao garantir o abastecimento das térmicas inteiramente com produção nacional, cria-se um programa relacionado ao setor elétrico, mas que busca controlar a política mineral”, comenta André Nahur, coordenador do programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. Como medida para compensar o meio ambiente, o texto afirma a necessidade das novas usinas reduzirem em no mínimo 10% o dióxido de carbono produzido durante a queima do carvão em relação aos níveis atuais. “Para contribuir com a parte que lhe cabe no acordo climático global, o Brasil precisa congelar a expansão das térmicas a carvão e a óleo combustível imediatamente e iniciar uma transição para atingir uma matriz energética 100% renovável em 2050. Construir novas usinas a carvão, mesmo com promessa de redução de 10% nas emissões, vai no sentido oposto do Acordo de Paris, que será lei no Brasil a partir do próximo dia 04 de novembro”, finaliza o representante do WWF-Brasil. Preocupados com esta MP, organizações da sociedade civil, como WWF-Brasil, Greenpeace e IEMA, entregaram uma carta aos senadores pedindo a supressão do artigo 20 da Medida Provisória. Além dos argumentos citados, está o fato de que no início deste mês o BNDES anunciou um pacote de medidas de financiamento para energia em que exclui a fonte térmica a carvão e óleo de sua carteira.

24 de outubro, 2016
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FONTES LIMPAS
Combustíveis fósseis perdem espaço no Japão

Um novo relatório do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA), lançado durante a Conferência da Fundação de Energias Renováveis do Japão (JREF), mostrou que os combustíveis fósseis serão os principais perdedores no setor de energia no país asiático. "Com quase US$ 20 bilhões investidos anualmente em novos desenvolvimentos solares que estão trazendo 8 GW ao ano de eletricidade alimentada por energia solar, o Japão é um dos três maiores mercados globais de instalações solares atualmente. O país está fazendo jus ao seu epíteto de Terra do Sol Nascente ", resumiu o autor Tim Buckley, Diretor de Estudos em Finanças e Energia do IEEFA. O Japão fica atrás da China, com 15 GW de instalações. Os Estados Unidos apresentaram 7,5GW de instalações solares. Desta forma, o total de instalações solares japonesas podem ter atingido cerca de 30 GW no final de 2015 e estão a caminho de exceder os 50 GW até 2020. A Associação de Energia Fotovoltaica do Japão publicou, em abril passado, um documento de estratégia que define como o país pode chegar a 100 GW de capacidade de geração fotovoltaica instalada em 2030. Isto implicaria na geração anual de mais de 110TWh de produção de energia solar, o que equivale a 15% da demanda total de eletricidade do Japão. "Como estamos vendo em todo o mundo, o crescimento das energias renováveis, combinado com significativos avanços em eficiência energética, está tendo um impacto tangível sobre os combustíveis fósseis", destacou Buckley. Apesar disso, o Japão ainda conta com 47 usinas de energia movidas a carvão e seus investidores devem ter cautela nestas transformações, para não transformar as unidades em algo antieconômico. O IEEFA observa que se o Japão construir novas usinas movidas a carvão o resultado será a subutilização do parque. Isto já aconteceu com a China, onde a taxa de utilização das usinas a carvão caiu de pouco mais de 60% em 2011 para um recorde de baixa de 49,4% em 2015. Da mesma forma, na Índia o acréscimo anual de 15GW de novas usinas movidas a carvão encontrou uma demanda mais fraca do que o previsto. O resultado: a taxa de utilização do setor de energia a carvão da Índia caiu de 75% em 2011 para uma taxa média estimada de 61% em 2015 (com IEEFA prevendo uma nova queda para um recorde de 57-58% em 2016). "Como vimos na Índia, China, Austrália e Europa, a redução de custos das energias renováveis, catalisada pelo imperativo de reduzir as emissões de carbono, está rapidamente tornando redundante o acréscimo de geração de carvão térmico", explicou Buckley. "Hoje, o Japão tem uma grande oportunidade de se beneficiar desta tendência, investindo ainda mais em eficiência energética, em energia eólica e em solar e evitando o erro de novos investimentos em carvão."

16 de março, 2016
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ENERGIA RENOVÁVEL
Bancos destinam poucos recursos

Segundo o novo relatório lançado pelo Fair Finance Guide e pelo BankTrack, coalizão internacional da qual o Idec faz parte, com o projeto Guia dos Bancos Responsáveis, entre 2009 e 2014 os 25 maiores bancos privados mundiais destinaram pelo menos US$ 931 bilhões (90,5% do total) a companhias ou negócios em combustíveis fósseis. O estudo denominado “Minando Nosso Futuro” e publicado simultaneamente nos sete países da coalizão - Bélgica, Brasil, França, Holanda, Indonésia, Japão e Suécia - mostra que no mesmo período o financiamento voltado a energias renováveis totalizou US$ 98 milhões, ou 9,5% do total. O relatório “ Minando Nosso Futuro ” está sendo publicado a menos de um mêsda Conferência do Clima da ONU, em Paris, a COP 21. O estudo investigou 175 bancos e as operações desses com aproximadamente 178 empresas, além de pesquisar mais de 540 projetos de energia renovável. Embora os dados de investimentos sejam informações públicas, seu baixo nível de transparência deixa entrever que os valores reais devem ser ainda maiores que os apontados no estudo . O primeiro estudo internacional a comparar financiamentos de bancos a combustíveis fósseis e energia renovável identifica a prioridade que vem sendo dada a fontes de energia “sujas” em detrimento de fontes limpas desde 2009, ano da Conferência do Clima em Copenhague. Até o final de 2014, a cada US$ 1 destinado a energia renovável pelos bancos, foram fornecidos mais de US$ 9 a combustíveis fósseis. O estudo aponta ainda três bancos norte-americanos: Citi, JPMorgan Chase e Bank of America como os maiores financiadores de combustíveis fósseis. Entre 2009 e 2014, Citi e JPMorgan forneceram US$ 76 bilhões cada a empresas ativas em combustíveis fósseis e apenas US$ 6,5 bilhões e US$ 4,4 bilhões, respectivamente, à energia renovável. O Bank of America forneceu mais de US$ 62,7 bilhões a companhias de combustíveis fósseis e apenas US$ 5,4 bilhões à energia renovável. Nenhum dos demais bancos entre os dez maiores financiadores de combustíveis fósseis – conhecidas instituições francesas, alemães, inglesas e japonesas – destinaram mais de US$ 7,5 bilhões no período 2009-2014. Das instituições financeiras citadas no relatório, apenas o HSBC e Santander atuam no Brasil. O primeiro ocupa a 10ª posição no ranking e, nos últimos cinco anos, diminuiu em 6% seus investimentos em energia fóssil, ainda que esses representem 89% do total investido; já o Santander está na 22ª posição, tendo aumentado em 3% seus investimentos em energia fóssil, apesar desses já representarem 64% do total da instituição. Para Carlos Thadeu C. de Oliveira, Gerente técnico do Idec, “os bancos têm um papel crucial na economia e a responsabilidade de promover uma economia menos intensiva em carbono. O estudo mostra em números que as intenções ou declarações dos bancos não se traduzem em compromissos claros”. O levantamento mostra ainda que diversas instituições financeiras não têm definidas políticas de mitigação climática nem compromissos vigentes. Yann Louvel, coordenador de clima e energia do BankTrack, afirmou: “Precisamos de uma ação ambiciosa dos bancos agora. As ações do Crédit Agricole e do Natixis, na França, assim como do Bank of America e do Citi foram positivos movimentos nos últimos meses no sentido de reduzir seu apoio à indústria de carvão. Ainda assim, nenhum dos principais bancos em nível mundial aderiu ao Paris Pledge (Compromisso de Paris) e se comprometeu antes da COP-21 em Paris a zerar seus financiamentos em carvão. É esse tipo de compromisso prático que nós precisávamos ver, para que haja um fim no privilégio a combustíveis fósseis e na asfixia dos financiamentos a energias renováveis.” Governos precisam agir Para Alexandre Naulot, porta-voz do Fair Finance Guide International, “os governos precisam agir. Precisamos que eles adaptem as legislações para mobilizar o setor financeiro na direção de uma economia de baixo carbono e que encoragem bancos e outras instituições financeiras a eliminar o financiamento a combustíveis fósseis, começando pelo carvão”. A Fair Finance Guide International é uma iniciativa composta por coalizões de diversas organizações que trabalham com finanças responsáveis. A FFGI é apoiada financeiramente pela Sida, a Agência Sueca pelo Desenvolvimento Internacional. O BankTrack é uma organização global que monitora, realiza campanhas e apoia ONGs nos investimentos e operações de bancos comerciais internacionais. A pesquisa para este relatório foi conduzida pela Profundo, consultoria focada em analisar cadeias de commodities, instituições financeiras e questões de responsabilidade social corporativa. O Guia dos Bancos Responsáveis (GBR), projeto desenvolvido pela coalizão brasileira do Fair Finance Guide, é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), com apoio da Oxfam Novib e da Agência Sueca de Desenvolvimento Internacional (Sida). A versão em português do resumo executivo do estudo “ Minando Nosso Futuro” pode ser encontrada no site do GBR: http://guiadosbancosresponsaveis.org.br

11 de novembro, 2015