DESASTRES NATURAIS

BNDES, Cemaden e Marinha firmam parceria de R$ 100 milhões

BNDES, Cemaden e Marinha firmam parceria de R$ 100 milhões

A assinatura do protocolo de intenções busca fazer frente ao aumento na frequência e intensidade de desastres no Brasil nos últimos anos, especialmente associados às mudanças climáticas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai mobilizar R$ 100 milhões para realização de estudos para subsidiar a implementação de um plano nacional para enfretamento aos desastres naturais. A iniciativa é um desdobramento de um protocolo de intenções assinado com Marinha do Brasil e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e que estabelece diretrizes para uma cooperação na agenda de redução de risco de desastres no País.

A assinatura do protocolo de intenções busca fazer frente ao aumento na frequência e intensidade de desastres no Brasil nos últimos anos, especialmente associados às mudanças climáticas. São eventos que ameaçam a vida de brasileiros, bem como geram perdas significativas e recorrentes ao desenvolvimento socioeconômico. As instituições signatárias buscam unir esforços técnicos, científicos e institucionais para fortalecer a capacidade nacional de prevenção, monitoramento e resposta. “Estamos tendo desastres extremos cada vez mais frequentes e intensos. Estamos desenvolvendo esforços de prevenção, com programa de descarbonização e outras iniciativas. Mas nós também temos que nos preparar para a resposta. Salvar vidas em primeiro lugar e recuperar as estruturas, as comunicações, a economia”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Como exemplo, Mercadante, citou as enchentes no Rio Grande do Sul entre o final de abril e início de maio do ano passado. “Lá nós recuperamos a economia. O Rio Grande do Sul, em 2024, cresceu 4,9%, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. E por que cresceu mais? Porque o acesso ao crédito que nós liberamos impediu que as empresas quebrassem e que nós tivéssemos desemprego em massa. Então, nós temos que estudar essas experiências e criar um plano nacional para enfrentamento aos desastres naturais”.

A expectativa é de que, com base nas estudos que serão realizados, o plano nacional esteja concluído em outubro do próximo ano. Ele vai nortear quais caminhos para a adaptação e para a reconstrução em situações extremas. “O Estado tem que chegar, mas chegar com ciência e com pesquisa. Como é que responde a urgência e a emergência? Quais são as providências? Como é que a gente chega na região? Além de salvar vidas, o que a gente reconstrói? Comunicação, infraestrutura? Como é que é melhor recuperar? Qual é o tamanho da conta? Precisamos estudar isso para as áreas mais críticas”. O protocolo de intenções valoriza as vocações e capacidades específicas de cada um. A Marinha do Brasil entra no acordo com o conhecimento e experiência e atuará como braço operacional e expedicionário do Estado, por meio de um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais – Defesa Civil. Vinculado ao MCTI. Já o Cemaden se somará aos esforços com a sua experiência no monitoramento de desastres, na modelagem e processamento de dados preditivos, enquanto o BNDES contribuirá com sua capacidade técnica e financeira para construção de soluções emergenciais, de forma a viabilizar as ações conjuntas.

A proposta é que as três instituições iniciem a formação de uma rede que possa ser futuramente expandida e agregar institutos de pesquisas, especialistas em proteção e defesa civil e representantes do setor produtivo. Para o comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, a assinatura do protocolo de intenções reforça o compromisso do Brasil com o fortalecimento da resiliência nacional diante da intensificação dos eventos climáticos extremos. “A experiência operacional da Marinha, aliada à excelência técnica do Cemaden e à capacidade estratégica do BNDES, traduz a união entre defesa, ciência e desenvolvimento em favor da proteção da vida e da segurança da população”.

A ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) Luciana Santos considera a atuação coordenada fundamental para o sucesso na execução de políticas públicas. De acordo com ela, as mudanças climáticas já tornam as chuvas mais intensas, as enchentes mais frequentes e as ondas de calor mais severas, atingindo sobretudo as comunidades mais vulneráveis. “Só com pesquisa, ferramentas adequadas e conhecimento aplicado teremos respostas realmente efetivas diante desse cenário”, acrescentou Luciana Santos.

Para a diretora do Cemaden Regina Célia Alvalá a soma de esforços poderá resultar na ampliação do conhecimento e em inovações tecnológicas. "É com muita alegria que fazemos parte dessa parceria. Esperamos avançar ainda mais sempre com o objetivo de salvaguardar vidas, além obviamente de contribuir para que o meio ambiente seja menos impactado", disse a diretora do Cemaden. O protocolo de intenções também busca contribuir com o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) no âmbito da Agenda 2030. Reforçar ainda as ações do Brasil como signatário do Marco de Sendai, estabelecido pelo Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres [UNDRR, na sigla em inglês] com o objetivo de prevenir novos riscos de desastres e reduzir os existentes.

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