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SUSTENTABILIDADE

Brasileiros não se preocupam muito com práticas ambientais

Brasileiros não se preocupam muito com práticas ambientais

Os números demonstram que praticar ações sustentáveis ainda não é a prioridade de grande parte da população.

Segundo números de estudo da Descarbonize Soluções, uma energytech especializada em soluções de energia limpa, 56% dos brasileiros entrevistados se avaliaram como pouco comprometidos com ações sustentáveis em 2024, enquanto outros 35% consideram que foram muito comprometidos com práticas ambientais ao longo do ano, e 9% admitem não terem sido nem um pouco comprometidos. Os números demonstram que praticar ações sustentáveis ainda não é a prioridade de grande parte da população, e que mesmo com as amplas discussões sobre a importância de se preservar o meio ambiente, é difícil trazer essas práticas para o dia a dia.

Os números parecem num contexto em que o Brasil vem participando de eventos e negociações em parceria com diversos outros países em busca de avançar em questões que visam a conservação da diversidade global. A 16ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP16), que aconteceu entre outubro e novembro de 2024, reuniu representantes de quase 200 países, o que reforça a importância da participação de todos nas causas ambientais – sejam nas ações coletivas ou individuais.

Mesmo não participando ativamente com ações sustentáveis, algumas atitudes dos brasileiros tem colaborado com a conservação do meio ambiente. A mais praticada delas é evitar o desperdício de água (71%), seguida por evitar o desperdício de energia (66%); a reciclagem correta do lixo (53%), e a redução do consumo de plástico.

O interesse do brasileiro em relação à questão da água vai ao encontro de um momento em que o Brasil também registrou uma queda no desperdício de água em 2024 – marco que pôde ser percebido pela primeira vez em sete anos –, conforme dados do Instituto Trata Brasil. Mesmo que 37,78% de toda a água tratada brasileira não tenha chegado aos lares dos consumidores – volume que poderia abastecer a população de toda a Região Nordeste –, o número foi menor que o registrado no ano anterior, que havia ultrapassado os 40%.“Muito ainda precisa ser feito, especialmente nos âmbitos políticos e empresariais, mas são essas esferas que irão servir de exemplo para toda a população, apresentando resultados e trazendo informação. A virada de ano também deve ser um momento de reflexão para esses setores. Na esfera individual, traçar novos hábitos e adicionar algumas mudanças sustentáveis na lista de metas certamente trará resultados positivos de forma individual e coletiva”, afirma Milena Andrade, gerente de marketing da Descarbonize Soluções.

Entre as práticas sustentáveis, a que os brasileiros mais gostariam de adotar em 2025 é a reciclagem e o reuso de descartes, conforme indicado por 55% dos respondentes da pesquisa. “A autocrítica sobre a responsabilidade ambiental é indispensável. No entanto, é fundamental que a população seja incentivada pelo poder público e por demais atores sociais envolvidos com a economia verde. As pessoas precisam se enxergar como parte de um todo para se engajar em práticas sustentáveis. É essencial que se reconheçam como agentes de mudança, mas também que sintam o apoio de um sistema que promova essa cultura, com incentivos vindos de políticas públicas, empresas, associações e ONGs”, diz Milena. Outras ações que os entrevistados desejam ter mais presente em suas vidas são a redução do consumo de plástico (51%); redução do consumo de energia elétrica (46%), e a redução do consumo de água (45%). A Descarbonize Soluções entrevistou 500 brasileiros de todos os estados, incluindo mulheres e homens, com idade a partir dos 16 anos e de todas as classes sociais, via plataforma on-line, entre os dias 7 e 9 de novembro de 2024. (descarbonizesolucoes.com.br).

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MEIO AMBIENTE
Brasileiros não compram produtos prejudiciais

Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência encomendada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS Rio) em parceria com o Programa de Comunicação de Mudança Climática da Universidade de Yale (Yale Program on Climate Change Communication), quatro em cada cinco brasileiros acham que as queimadas na Amazônia prejudicam a imagem do Brasil no exterior e 78% acreditam que elas podem prejudicar as relações do Brasil no mercado internacional. A pesquisa foi realizada com brasileiros de todas as regiões, classes e níveis de escolaridade, refletindo o perfil da população brasileira acima dos 18 anos. Para 77% dos brasileiros, é fundamental proteger o meio ambiente, mesmo que isto signifique um menor crescimento econômico. Entre os brasileiros, é praticamente uma unanimidade que o aquecimento global está acontecendo (92%) e já pode prejudicar – e muito – a atual geração (72%). Em relação às queimadas, 90% indicam que elas são uma ameaça para o clima e o meio ambiente do planeta e 92% acreditam que elas prejudicam a qualidade de vida da população. A pesquisa traz um alerta para políticos e empresários: quase metade dos brasileiros (42%) declarou já ter votado em algum político em razão de suas propostas para defesa do meio ambiente e mais da metade (59%) deixou de comprar ou usar algum produto que prejudique o meio ambiente. “A atual política ambiental do Brasil nos isola no cenário internacional e pode nos custar empregos e atrasar nossa recuperação pós-COVID. O Brasil caminha na direção contrária do que esperam os investidores e líderes internacionais, bem no momento em que o mundo se realinha para combater o problema das mudanças climáticas”, analisa Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. Para os brasileiros, governos e empresas, com 32% e 35%, respectivamente, podem contribuir para resolver o problema das mudanças climáticas. “O entendimento dos brasileiros reflete o que desejam consumidores e investidores. As empresas devem buscar desempenhar um papel mais estratégico no desenvolvimento sustentável. Várias corporações já se uniram nesse esforço, mas precisamos avançar mais se quisermos permanecer relevantes nas cadeias econômicas globais”, completa Marcello Brito, representante da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento que reúne mais de 270 organizações do setor privado, financeiro, sociedade civil e academia. 77% dos brasileiros apontam a ação humana como principal causa das queimadas na Amazônia para 77%, dentre os quais os maiores responsáveis seriam madeireiros (76%), agricultores (49%), pecuaristas (48%) e garimpeiros (41%). Mesmo quando se considera apenas o indicado em primeiro lugar, estes atores continuam sendo os mais citados. Perguntados sobre de quem é a responsabilidade em contribuir para resolver o problema, mais da metade da população (54%) entende que a responsabilidade é do governo. Segundo Anthony Leiserowitz, diretor do Yale Program on Climate Change Communication, há semelhanças e diferenças entre o Brasil e os Estados Unidos: “Os resultados são fascinantes – eles nos ajudam a entender a opinião pública brasileira e fornecem um contraste muito interessante com a opinião pública nos Estados Unidos. Por exemplo, 92% dos brasileiros entendem que o aquecimento global está acontecendo. Nos Estados Unidos, esse percentual é de apenas 73%. Da mesma forma, 78% dos brasileiros dizem que o aquecimento global é uma questão muito importante, em comparação com apenas 37% dos americanos. Ao mesmo tempo, também vemos padrões semelhantes entre os dois países. Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, os jovens, aqueles que se declaram mais à esquerda no espectro político, com ensino superior e as mulheres, afirmam conhecer mais e estar mais preocupados com as mudanças climáticas, o desmatamento e o meio ambiente do que os entrevistados mais velhos, que se declaram mais à direita politicamente, com menor grau de instrução e homens. Esperamos que esses resultados sejam úteis para muitos atores no Brasil, como funcionários do governo, líderes empresariais e organizações da sociedade civil”. Rosi Rosendo, diretora de contas na área de Opinião Pública, Política e Comunicação do IBOPE Inteligência, afirma que os resultados apontam para uma grande preocupação da população brasileira em relação ao meio ambiente, pauta que tem tomado conta dos noticiários nos últimos anos, principalmente em função das queimadas que ocorreram na Amazônia em 2019 e no Pantanal e no Cerrado no segundo semestre de 2020, ambos acontecimentos que tiveram forte repercussão internacional. “As queimadas foram percebidas pelos brasileiros como acontecimentos que prejudicam a imagem do Brasil no exterior e que podem até impactar negativamente a relação comercial com outros países. No entanto, ainda que a população considere importante a preservação do meio ambiente, há muito que se avançar em termos de educação e disseminação de conhecimento sobre as mudanças climáticas e o aquecimento global, já que apenas um em cada cinco brasileiros declarou saber muito sobre o assunto, resultados que devem ser levados em conta tanto pelo governo quanto pelas empresas em ações de preservação do meio ambiente”, acrescenta Rosi. Fabro Steibel, diretor do ITS, explica que novas rodadas da pesquisa serão realizadas e que o objetivo é medir a percepção do brasileiro sobre o clima ao longo dos anos. “Nós percebemos que há pesquisas sobre a percepção de clima, mas elas não têm continuidade. Dando continuidade, poderemos acompanhar se haverá evolução da preocupação”.

8 de fevereiro, 2021
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BENS DE CONSUMO
Brasileiros mais preocupados com desmatamento

Empresa global especializada em dados, insights e consultoria, a Kantar lançou a 2ª edição do estudo Who Cares, Who Does?, o qual revelou que os brasileiros estão mais preocupados com o desmatamento (+10%) e com o desperdício de agua (+9%) na comparação com 2019. A pesquisa apontou que esses clientes passaram a exigir responsabilidade das indústrias de bens de consumo massivo (FMCG). Na América Latina, a água é a principal preocupação, seguida pelas mudanças climáticas e desmatamento, em terceiro, praticamente empatado com contaminação do ar. O papel das empresas de bens de consumo massivo foi destaque da pesquisa. Quase todos os entrevistados assinalaram a influência dessa indústria na área ambiental. “Ainda que o reconhecimento dela como agente de mudança seja unanimidade globalmente, é ainda mais forte entre os consumidores latino-americanos”, explica Kesley Gomes, Diretora Latam de LinkQ da Kantar. Segundo Kesley, 21% desses consumidores responderam que as empresas têm um papel relevante no cuidado com a água ao evitar o desperdício, a escassez ou a contaminação durante a fabricação de seus produtos. Os consumidores exigem indústrias responsáveis e 48% acreditam que a primeira ação a ser tomada por elas é explicar e educar a população quanto ao uso adequado da água. O desenvolvimento e a inovação também são importantes. Um exemplo são produtos fáceis de enxaguar ou concentrados que demandem menos água. “O consumidor está cada vez mais responsável. Porém, enquanto os hábitos já estão arraigados, ainda existe muita oportunidade no que se refere ao uso de produtos”, finaliza a executiva. O estudo Who Cares, Who Does? dividiu os consumidores em três grupos de relação com o meio ambiente: 68% dos brasileiros têm pouco ou nenhum interesse pelos desafios ambientais do planeta e não estão fazendo nada para mudar esta postura. Eles integram um grupo chamado de EcoDismissers. O percentual é o mesmo de 2019. Já os EcoConsiderers, tomam algumas medidas para reduzir seu impacto ambiental, cresceram 1%, passando para 24% em 2020, enquanto os EcoActives, que trabalham constantemente para diminuir os níveis de resíduos plásticos e para proteger o meio ambiente, cresceram de 6% para 8%. Na América Latina como um todo, o número de EcoDismissers caiu de 63% para 47%, enquanto o de EcoConsiderers passou de 26% para 36% e o de EcoActives de 12% para 18%. O estudo contou com a participação de 80 mil consumidores de 19 países, localizados na Europa, América Latina, Estados Unidos e Ásia. Mais informações em www.kantar.com/whocareswhodoes .

9 de novembro, 2020
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INDÚSTRIA
Empresas estão mais focadas em ações sustentáveis

Segundo estudo da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), dois terços das empresas brasileiras já adotaram, em algum momento, ações que resultaram em queda das emissões de dióxido de carbono (CO2). Apresentado dia 03 de setembro no Rio de janeiro, o levantamento incluiu cem empresas de médio e grande porte. “A CNI apresentou propostas ao Governo Federal e promove o CNI Sustentabilidade para debater com especialistas de todo o mundo as mudanças climáticas e as expectativas para a COP-21, que será no fim do ano, em Paris”, destaca Mônica Messenberg, Diretora de Relações Institucionais da CNI. “No cenário de mudanças climáticas, há espaço para soluções e novas tecnologias. Temos que criar uma economia mais resiliente, reduzindo e gerenciando os riscos”, acrescenta. A pesquisa revelou que 61% do empresariado já leva em consideração nos negócios o impacto das mudanças climáticas. Na avaliação de seis em cada grupo de 10 entrevistados, o grau de atenção que a indústria brasileira dá aos efeitos das mudanças climáticas é médio ou alto – 36% consideram baixo ou muito baixo. Segundo o levantamento, 75% das empresas brasileiras aumentaram a atenção em relação aos efeitos das mudanças climáticas nos últimos cinco anos, em razão principalmente da maior conscientização (46,7%), da pressão global (18,7%) e de as informações sobre o tema estarem mais disseminadas (17,3%). Seis de cada dez empresas veem como oportunidade de negócios a implantação de práticas sustentáveis. Para 59%, a oportunidade gerada pelo investimento é superior ao aumento de custos. Os números apontam também que três quartos das empresas – 74% – consideram que práticas de sustentabilidade impactam positivamente na competitividade das empresas. No último biênio, 61% das empresas de médio e grande porte aumentaram os investimentos na área ambiental. A expectativa para os próximos dois anos é de aumento no volume de recursos destinados ao setor. Seis em cada grupo de 10 entrevistados asseguraram que a tendência em suas empresas é de aumentar ou aumentar muito os investimentos em sustentabilidade. Para 66% das empresas, o engajamento em ações sustentáveis é alto ou muito alto. As vantagens de desenvolver projetos nesta área são para a reputação/imagem da empresa, melhora de inserção no mercado e sustentabilidade dos negócios. Entre os principais desafios apontados para o investimento em práticas sustentáveis, estão a falta de incentivos governamentais, com 56%, seguido pelo aumento de custos da empresa (39%) e a legislação inadequada no Brasil (25%). A pesquisa aconteceu entre os dias 11 de junho e 06 de julho, com representantes – em sua maioria diretores e gerentes de Meio Ambiente – de 15 setores industriais: automotivo; cal; cimento; construção civil; mineração; papel e celulose; petróleo e gás; químico; têxtil; vidro; alumínio; carvão; energia; siderurgia; e sucroalcooleiro.

10 de setembro, 2015