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BIOMAS

Campanha Cerrados conta histórias da região

A Rede Cerrado e a WWF-Brasil, entre os dias 15 de junho e 17 de agosto promovem a cada segunda-feira dez episódios de podcasts da Campanha Cerrados com realidades do bioma contadas a partir de histórias reais de moradores da região. A campanha tem ainda a parceria do site www.cerrados.org.br , com dicas e informações de mobilização para a preservação local, além de chatbot pela página da Rede Cerrado no Facebook (facebook.com/redecerrado). A iniciativa é resultado da articulação entre o WWF-Brasil e a Rede Cerrado, que reúne mais de 50 organizações da sociedade civil que atuam na promoção da sustentabilidade, em defesa da conservação do Cerrado e dos seus povos. Os episódios de podcasts estarão disponíveis no Spotify e outras plataformas digitais e irão expor os desafios humanos e ambientais. O primeiro episódio, ‘Semeando água’, conta como Fabrícia Costa, uma coletora de sementes nativas, sofre com a falta de água em sua região. Ela une-se a outros moradores da comunidade Roça do Mato para replantar o Cerrado no norte de Minas Gerais como forma de combater a escassez hídrica. O Cerrado é indispensável para a regulação hídrica do Brasil: as raízes das árvores do bioma atuam como uma esponja gigante, absorvendo e estocando água da chuva e distribuindo para oito bacias hidrográficas do Brasil, alcançando milhões de nascentes e aquíferos importantes, como o Bambuí, Urucuia e Guarani. O Cerrado abriga 12% da população brasileira e alcança 11 estados mais o Distrito Federal, sendo a maior savana biodiversa do mundo, que abriga 5% de todas as espécies da Terra (32% das quais são únicas), com 12 mil espécies de plantas. Mantém ainda um patrimônio cultural vivo nas comunidades tradicionais e povos originários, conhecidos como guardiões da biodiversidade e das águas do Cerrado. “No Cerrado vivem cerca de 80 etnias indígenas, além de quilombolas, extrativistas, geraizeiros/as, vazanteiros/as, quebradeiras de coco, veredeiros e veredeiras, ribeirinhos e ribeirinhas, apanhadores de flores sempre-viva, pescadores e pescadoras artesanais, barranqueiros e barranqueiras, fundo e fecho de pasto, sertanejos e sertanejas, ciganos e ciganas, agricultoras e agricultores familiares, entre tantos outros, que vivem, principalmente, do extrativismo e do artesanato”, lembra Maria do Socorro Teixeira Lima, quebradeira de coco e coordenadora-geral da Rede Cerrado. O segundo episódio, sobre Dona Lucely Pio, por exemplo, mostrará como a medicina tradicional pode ser uma forma de conservar o ambiente, gerar renda e ainda cuidar da saúde. Lucely encontra remédio para tudo nas plantas do Cerrado de Goiás. Pelas suas mãos, os conhecimentos ancestrais herdados pelos quilombolas da Comunidade do Cedro viram xaropes, pomadas, garrafadas. Já o sétimo episódio narra como lideranças jovens estão sistematizando os conhecimentos tradicionais dos anciões em uma aldeia Xavante no Mato Grosso. Pelo messenger do perfil no Facebook da Rede Cerrado será possível conhecer vários caminhos e ferramentas de mobilização social , incluindo exemplos de boas práticas e tutoriais passo-a-passo. Será possível aprender sobre como organizar um financiamento coletivo, acompanhar ou propor um projeto de lei, como fazer um twittaço ou uma Live, entre outras opções. Todas as ferramentas prevêem o uso com poucos recursos e forte embasamento digital, de forma a envolver pessoas de todo o bioma. “Com esta campanha, convidamos as pessoas a se conscientizar sobre o momento que vivemos e a importância do agirmos juntos, agora – seja no ativismo digital, na educação, no voluntariado ou apoiando como doadores os projetos que realizamos com vários parceiros em todo Brasil”, explica Gabriela Yamaguchi, diretora de Sociedade Engajada do WWF-Brasil.

A Rede Cerrado e a WWF-Brasil, entre os dias 15 de junho e 17 de agosto promovem a cada segunda-feira dez episódios de podcasts da Campanha Cerrados com realidades do bioma contadas a partir de histórias reais de moradores da região. A campanha tem ainda a parceria do site www.cerrados.org.br, com dicas e informações de mobilização para a preservação local, além de chatbot pela página da Rede Cerrado no Facebook (facebook.com/redecerrado). A iniciativa é resultado da articulação entre o WWF-Brasil e a Rede Cerrado, que reúne mais de 50 organizações da sociedade civil que atuam na promoção da sustentabilidade, em defesa da conservação do Cerrado e dos seus povos. 

Os episódios de podcasts estarão disponíveis no Spotify e outras plataformas digitais e irão expor os desafios humanos e ambientais. O primeiro episódio,  ‘Semeando água’, conta como Fabrícia Costa, uma coletora de sementes nativas, sofre com a falta de água em sua região. Ela une-se a outros moradores da comunidade Roça do Mato para replantar o Cerrado no norte de Minas Gerais como forma de combater a escassez hídrica. O Cerrado é indispensável para a regulação hídrica do Brasil: as raízes das árvores do bioma atuam como uma esponja gigante, absorvendo e estocando água da chuva e distribuindo para oito bacias hidrográficas do Brasil, alcançando milhões de nascentes e aquíferos importantes, como o Bambuí, Urucuia e Guarani.

O Cerrado abriga 12% da população brasileira e alcança 11 estados mais o Distrito Federal, sendo a maior savana biodiversa do mundo, que abriga 5% de todas as espécies da Terra (32% das quais são únicas), com 12 mil espécies de plantas. Mantém ainda um patrimônio cultural vivo nas comunidades tradicionais e povos originários, conhecidos como guardiões da biodiversidade e das águas do Cerrado. “No Cerrado vivem cerca de 80 etnias indígenas, além de quilombolas, extrativistas, geraizeiros/as, vazanteiros/as, quebradeiras de coco, veredeiros e veredeiras, ribeirinhos e ribeirinhas, apanhadores de flores sempre-viva, pescadores e pescadoras artesanais, barranqueiros e barranqueiras, fundo e fecho de pasto, sertanejos e sertanejas, ciganos e ciganas, agricultoras e agricultores familiares, entre tantos outros, que vivem, principalmente, do extrativismo e do artesanato”, lembra Maria do Socorro Teixeira Lima, quebradeira de coco e coordenadora-geral da Rede Cerrado. 

O segundo episódio, sobre Dona Lucely Pio, por exemplo, mostrará como a medicina tradicional pode ser uma forma de conservar o ambiente, gerar renda e ainda cuidar da saúde. Lucely encontra remédio para tudo nas plantas do Cerrado de Goiás. Pelas suas mãos, os conhecimentos ancestrais herdados pelos quilombolas da Comunidade do Cedro viram xaropes, pomadas, garrafadas. Já o sétimo episódio narra como lideranças jovens estão sistematizando os conhecimentos tradicionais dos anciões em uma aldeia Xavante no Mato Grosso.

Pelo messenger do perfil no Facebook da Rede Cerrado será possível conhecer vários caminhos e ferramentas de mobilização social, incluindo exemplos de boas práticas e tutoriais passo-a-passo. Será possível aprender sobre como organizar um financiamento coletivo, acompanhar ou propor um projeto de lei, como fazer um twittaço ou uma Live, entre outras opções. Todas as ferramentas prevêem o uso com poucos recursos e forte embasamento digital, de forma a envolver pessoas de todo o bioma. “Com esta campanha, convidamos as pessoas a se conscientizar sobre o momento que vivemos e a importância do agirmos juntos, agora – seja no ativismo digital, na educação, no voluntariado ou apoiando como doadores os projetos que realizamos com vários parceiros em todo Brasil”, explica Gabriela Yamaguchi, diretora de Sociedade Engajada do WWF-Brasil.

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SISTEMAS AGROFLORESTAIS
Modelo da CBA para preservar o Cerrado

A Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) criou em Niquelândia, no norte de Goiás, o Legado Verdes do Cerrado (LVC), Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável, com uma área de 6,9 hectares que une a produção agrícola com o cultivo de espécies nativas, principalmente, o baru e o cajuzinho do cerrado. Este é um exemplo de Sistema Agroflorestal (SAF), que reúne culturas de importância agronômica em consórcio com a floresta e têm sido utilizados como aliados na recuperação de áreas degradadas e proteção do Cerrado. Por meio da agrofloresta, o Legado Verdes do Cerrado contribui para a conservação da biodiversidade do bioma e melhoria da qualidade e estrutura do solo, para a fixação de carbono, além de servir como atrativo para a avifauna local. A iniciativa reflete a preocupação manifestada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), que buscam unir ações globais para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente, o clima e garantir que as pessoas tenham paz e prosperidade. O 13° ODS afirma que é preciso tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos, enquanto o 2° ODS fala em combater a fome, buscar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável. Além da conservação da biodiversidade do Cerrado, o modelo de agrofloresta é também uma alternativa de geração de renda para as populações em situações de vulnerabilidade econômica e ambiental. Os resultados da agrofloresta promovem a conservação e a restauração do Cerrado, com o resgate de paisagens, proteção de cursos da água e interação entre fauna e flora. Outro benefício é a atração de polinizadores como abelhas, que são indispensáveis para a perpetuação das espécies, e a conservação da biodiversidade local. A agrofloresta também atrai pássaros, como os tucanos, que se alimentam de bananas, e caititus, que consomem mandioca, além de antas, cachorros do mato e tatus. Aproximadamente 80% da área de 32 mil hectares do Legado Verdes do Cerrado é composta por Cerrado nativo. A Reserva tem como principal preocupação a conservação e restauração do bioma local. Conhecido como berço das águas, o Cerrado é um ecossistema que necessita de cuidados e, por isso, iniciativas como a do LVC de trabalhar com a agrofloresta são fundamentais para contribuir com a proteção da vida, da água e da biodiversidade no planeta. O avançado estado de conservação do Legado Verdes do Cerrado possibilita coletar sementes no próprio território, ofertar diversidade genética de espécies e propiciar a alta qualidade das mudas produzidas no Centro de Produção de Biodiversidade, seja para a agrofloresta, seja para os projetos de restauração. O LVC tem ainda como prioridades as pesquisas científicas voltadas para a conservação do bioma. Com o objetivo de fomentar ainda mais os Sistemas Agroflorestais (SAFs) para a regeneração de áreas degradadas, o Legado Verdes do Cerrado desenvolveu projeto em parceria com o Instituto Tiradentes, escola local que ministra um curso técnico de agropecuária com ênfase em agroecologia. O propósito maior é a difusão da tecnologia social entre os produtores rurais, estimulando o debate da produção agrícola sustentável no Brasil. Durante a parceria, foram capacitados 25 jovens.

19 de abril, 2021
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BEM-ESTAR
Conscientização ambiental pode reduzir doenças

O fundador e presidente da ONG Save Cerrado, Paulo Bellonia, comenta que quando o homem destrói uma floresta para abrir terras, construir barragens ou eliminar a biodiversidade de forma desenfreada, acaba desencadeando problemas que podem afetá-lo diretamente. “Agora, estamos entrando mais em contato com patógenos de animais silvestres quando alteramos seu habitat, em um contexto pior para nós, pois a densidade populacional dos seres humanos é muito mais alta, e estamos muito mais conectados, o que favorece o espalhamento de uma doença, como o coronavírus.”, completa Bellonia. As mudanças climáticas causadas pelo desmatamento humano também podem contribuir para o aparecimento de novas doenças, segundo cientistas. “Há outras maneiras pelas quais nossas atividades humanas podem facilitar o surgimento ou transmissão de doenças, como o desmatamento e isso não pode ser ignorado”, alerta o fundador da SaveCerrado. Atualmente, todos os países enfrentam a pandemia da COVID-19, o que faz Bellonia acreditar que as pessoas estão olhando mais para o coletivo. “Defender o equilíbrio do ecossistema é preservar a saúde e o bem-estar humano. Tudo está inserido dentro de um importante ciclo”, alerta. A Save Cerrado atua exclusivamente no bioma e tem ações relacionadas com áreas específicas e de altíssima relevância de preservação para a sociedade brasileira e mundial, tanto pela abundância das águas quanto pelo fato de se tratar de um hotspot, tudo com total transparência sobre onde exatamente os recursos estão sendo aplicados. O ambientalista diz que Hotspots são áreas com grande biodiversidade, ricas principalmente em espécies endêmicas, e que apresentam alto grau de ameaça. Elas se concentram em apenas 2,3% da superfície do planeta e detêm cerca de 60% de patrimônio biológico do mundo. Durante a pandemia, a Save Cerrado iniciou uma campanha que vai destinar parte dos recursos captados às entidades e projetos que estejam atuando no combate aos impactos sociais da doença.

22 de janeiro, 2021
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BIOMAS
Cerrado perdeu 28 milhões de hectares

Segundo dados da Coleção 5 do MapBiomas, o Cerrado perdeu uma área de 28 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2019, o que equivale ao estado do Rio Grande do Sul. O total foi 1/3 do que o Brasil perdeu no período. Essa área representa, em 35 anos, uma redução líquida de 21%, que é a diferença entre perda da vegetação original e ganho da vegetação recuperada. Atualmente, o Cerrado é o segundo maior bioma do país e tem 53,2% de cobertura de vegetação nativa, ou 19% do que existe nesta categoria em todo o Brasil. A Coleção 5 do MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, e foram recém-divulgados em um evento para pesquisadores e público em geral no Dia do Cerrado (11 de setembro). O MapBiomas mostra que hoje a área do Cerrado é ocupada em 44% por atividades agropecuárias, com um incremento de 25 milhões de hectares em 35 anos: 72% desse aumento foi para a agricultura, especialmente de grãos. "É possível perceber visualmente a mudança, em áreas no sul do Cerrado e no Matopiba (área de Cerrado que engloba os estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)", disse a diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar. Nesta conversão de vegetação nativa para outros usos, as formações florestais sofreram mais, por estarem em áreas com solos mais férteis, enquanto as formações savânicas têm visto o desmatamento aumentar, por causa da topografia. O professor da Universidade de Brasília, Ricardo Machado, especialista em Cerrado, afirma que o conhecimento hoje produzido sobre a conversão de outros tipos de vegetação nativa além das florestais é suficiente para que se amplie também a proteção do Cerrado. Na mesma direção, o coordenador de monitoramento da TNC Brasil, Mario Barroso, destaca a importância do MapBiomas na busca por soluções. "Antigamente, porque os dados oficiais olhavam somente para as formações florestais, parecia que o desmatamento só acontecia neste tipo de vegetação. O MapBiomas mudou essa percepção. O que importa é o que está acontecendo no campo de forma explícita", afirma Barroso. "Para problemas complexos, as soluções também são complexas. Há de se discutir o papel das empresas, mas também a questão da grilagem e da titulação de terra, por exemplo”. Os dados do MapBiomas estão disponíveis e podem ser baixados gratuitamente na plataforma mapbiomas.org .

22 de setembro, 2020
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PANTANAL
Queimadas crescem mais de 200%

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 8.058 focos de queimadas no Pantanal entre 1º de janeiro a 20 de agosto de 2020, um crescimento de 205% na comparação com o mesmo período de 2019. Os municípios de Poconé (MT) e Corumbá (MS) são os campeões em focos em agosto: 1.397 e 1.310, respectivamente. “Choveu pouco em 2020. O Pantanal vive uma das piores secas dos últimos 47 anos”, explica Júlio Cesar Sampaio, líder da Iniciativa Pantanal do WWF. De todos os focos de queimadas registrados no Pantanal em 2020, 47,6% foram detectados pelo Inpe no período de 1º a 20 de agosto. De acordo com Sampaio, apesar de agosto ser período de estiagem, muitas áreas do bioma ainda deveriam estar inundadas por conta das chuvas dos meses anteriores. Mas, em vez disso, elas secaram, deixando mais vegetação exposta ao fogo. O rio Paraguai, um dos mais importantes do bioma, apresenta níveis críticos em seu volume de água. Além das questões climáticas, a ação do homem tem contribuído para o processo de degradação do Pantanal, entre eles os incêndios que culminaram com as queimadas feitas para a limpeza de roçados ou pastagens. O bioma está bastante pressionado pelas atividades de agricultura e pecuária extensiva. “Com a seca severa que estamos vivendo, esse problema se intensifica”, diz Sampaio. O Pantanal tem uma área de 150 mil km2 que se estende pela Bolívia e pelo Paraguai. “É o grande tesouro da América do Sul, único no Planeta. O Pantanal é a maior área úmida continental do mundo. Rico em biodiversidade e em serviços ecossistêmicos, seja pela produção de água ou pela captura de CO2. Mas, a má gestão e o descaso, sem dúvida, trazem perdas enormes para as comunidades, tanto do Brasil quanto dos países que compartilham o bioma”, acrescenta Sampaio. No mesmo período, foram detectados 35.308 focos de queimadas na Amazônia, um recuo de 9% na comparação com o mesmo período do ano anterior, mas cerca de 58% dos focos registrados pelo Inpe ao longo de 2020 no bioma foram captados nos primeiros 20 dias de agosto. “O desmatamento na Amazônia saltou 35% nos últimos doze meses. Há muitas áreas de florestas já derrubadas que ainda podem ser queimadas”, alerta Mariana Napolitano, gerente de Ciências do WWF-Brasil. Mais de 60 organizações e coletivos da sociedade civil entregaram, no dia 6 de agosto, aos presidentes da Câmara e do Senado, a investidores estrangeiros e a parlamentares brasileiros e europeus uma carta com cinco propostas emergenciais para conter a crise do desmatamento na Amazônia. Uma das medidas é o estabelecimento de uma moratória de pelo menos cinco anos ao corte da floresta. As cinco medidas emergenciais propostas incluem, além da moratória ao desmate, o endurecimento das penas aos crimes ambientais, inclusive o bloqueio de bens dos cem maiores desmatadores da Amazônia; a retomada imediata do PPCDAm — o plano de controle do desmatamento que vigorou por cinco mandatos presidenciais até ser engavetado por Jair Bolsonaro; a demarcação de terras indígenas, a titulação de territórios quilombolas e criação de 10 milhões de hectares em unidades de conservação; e a reestruturação do Ibama, do ICMBio e da Funai, desarticulados e aparelhados pelo atual governo. A moratória ao desmatamento comporta exceções: atividades de subsistência de populações tradicionais, agricultura familiar e planos de manejo sustentável de madeira, por exemplo, ainda seriam admitidos.

24 de agosto, 2020
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CERRADO
Expansão da soja sem desmatamento

A The Nature Conservancy (TNC) divulgou estudo que é possível aumentar a produção de soja no Cerrado sem desmatar a vegetação nativa, ao utilizar áreas de pastagem subutilizadas e com aptidão agrícola. Em parceria com a consultoria Agroicone, o levantamento mostrou que há 18,5 milhões de hectares de pastagens no Cerrado adequadas à produção de soja, número que corresponde a mais do que o dobro dos 7,3 milhões de hectares que serão necessários, nas condições atuais de mercado, para garantir a expansão por pelo menos dez anos. O relatório indica ainda um conjunto de ações para apoiar a intensificação da pecuária, liberando áreas de pastagens de baixa produtividade, estimulando a conversão dessas áreas subutilizadas na produção de grãos. As informações são uma alternativa ao problema do desmatamento, já que 38% da produção (cerca de 3,65 milhões de hectares) de soja colhida no Cerrado no ciclo 2016/2017 estava em terras cobertas por vegetação nativa em 1999, enquanto a área de produção do grão aumentou no total 9,6 milhões hectares - ou 128% - entre 2000 e 2017. “Estamos comprometidos em construir caminhos e soluções para tornar a agricultura brasileira uma potência global na produção sem desmatamento, atendendo ao aumento esperado da demanda por alimentos de forma sustentável”, aponta José Otavio Passos, especialista em negócios e investimentos na TNC Brasil, que conduziu o estudo. O estudo do TNC conclui que a ampliação da soja em terras de pasto já existentes tem menor custo de implantação e maior produtividade do que a conversão de áreas de vegetação nativa em cultivo - já que é três vezes mais rápido atingir rendimentos máximos de colheitas em terras de pastagens já convertidas. A área do Cerrado é maior do que a soma dos territórios da Alemanha, Espanha, Itália, França e Reino Unido, ou quase cinco vezes o tamanho da Califórnia, além de ser uma das principais regiões agrícolas do mundo, considerada o centro da produção de alimentos nas últimas décadas. Entretanto, a expansão da pecuária e agricultura mudou metade da vegetação nativa do bioma, o que significa um aumento nas emissões de carbono e ameaça à biodiversidade da região. O Cerrado engloba parte dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia e mais de 80% da expansão da soja nas últimas duas décadas ocorreu sobre a vegetação nativa. O estudo mostra ainda que a região é a que abriga os remanescentes mais significativos do Cerrado nativo em terras privadas adequadas para a produção de soja, reunindo 45% da reserva legal excedente do Cerrado, o que representa 4,5 milhões de hectares.

6 de abril, 2020
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BIOMAS
Cerrado recebe Encontro e Feira dos Povos

O IX Encontro e Feira dos Povos do Cerrado acontece entre os dias 11 e 14 de setembro, no Complexo Cultural Funarte, em Brasília (DF). O Cerrado está presente nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rondônia, Tocantins, Bahia, Maranhão e Piauí. A expectativa é que o evento reúna mais de 500 representantes de povos e comunidades tradicionais do Cerrado para chamar a atenção sobre as ameaças enfrentadas pelo bioma, além de dar voz e visibilidade para os povos do Cerrado também por meio de apresentações culturais e realização de feira gratuita e aberta ao público com produtos da sociobiodiversidade. O tem desta edição será “Pelo Cerrado Vivo: diversidades, territórios e democracia”. O encontro debaterá as pautas prioritárias do bioma. Na oportunidade, a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado fará a entrega de uma petição pública com mais de meio milhão de assinaturas para estimular a Câmara dos Deputados a votar pela aprovação da PEC 504/2010, cujo objetivo é transformar o Cerrado e a Caatinga em Patrimônio Nacional, visando à diminuição do desmatamento e a preservação dos povos e modos de vida dos biomas. O seminário ‘Cerrado: qual defesa queremos?’, reunirá representantes de povos e comunidades tradicionais, de organizações socioambientais e pesquisadores no Complexo Cultural Funarte no dia 12. No dia seguinte, a Rede Cerrado, organizadora do Encontro e Feira dos Povos do Cerrado, fará uma Assembleia Geral. Todos os dias terão oficinas temáticas, atrações culturais e feira com diversos produtos do Cerrado, como artesanatos, cosméticos, doces, salgados, bebidas e embutidos e fitoterápicos, todos vindos do Cerrado. As atividades são gratuitas e abertas ao público. Mais da metade da vegetação original do Cerrado já foi desmatada. Ele é o segundo maior bima brasileiro, com 24% de todo território nacional e concentra 30% de toda a biodiversidade brasileira e 5% da mundial. No Cerrado estão localizadas oito das doze regiões hidrográficas brasileira, que abastecem seis das oito grandes bacias hidrográficas do país. É no Cerrado, por exemplo, onde estão três dos principais aquíferos do Brasil: Bambuí, Urucuia e Guarani. Para conferir as programações detalhadas, basta acessar o link: https://redecerrado.org.br/encontro-dos-povos-do-cerrado/ix-encontro-e-…

10 de setembro, 2019
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BIOMAS
No Dia do Cerrado é lançado manifesto

No dia 11 de setembro é celebrado o Dia do Cerrado e organizações ambientalistas lançaram o manifesto: ‘Nas mãos do mercado, o futuro do cerrado: é preciso interromper o desmatamento’. O objetivo é alertar para a destruição de um dos principais biomas brasileiros e de grande diversidade de fauna e flora. Entre 2013 e 2015 o Brasil destruiu 18.962 km² de Cerrado. Isso significa que a cada dois meses o equivalente à área da cidade de São Paulo é destruída no bioma. Neste ritmo, o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados do planeta. A principal causa da destruição é a expansão do agronegócio sobre a vegetação nativa. Já são mais de 10 anos com as taxas de desmatamento do Cerrado superando as da Amazônia. O manifesto reúne 40 organizações signatárias, entre elas WWF-Brasil, TNC (The Nature Conservancy), CI (Conservação Internaticional) Brasil, Greenpeace Brasil, IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola). As organizações cobram o cumprimento de compromissos internacionais assumidos pelo Governo, além da criação de instrumentos e políticas para uma produção responsável no Cerrado. Alertam que só cumprir a lei não é suficiente, pois ela autoriza que mais 40 milhões de hectares sejam legalmente desmatados no bioma. O manifesto pede que o governo e o setor privado desenvolvam incentivos e instrumentos econômicos para recompensarem produtores que conservem áreas de vegetação nativa.

12 de setembro, 2017
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BIOMAS
Criado pacto para preservação das Cabeceiras do Pantanal

Uma ação conjunta da WWF-Brasil, Governo do Estado de Mato Grosso e outras 50 entidades parceiras realizará ação para proteger e recuperar as águas das Cabeceiras do Pantanal – onde nascem as águas responsáveis por alimentar 80% da planície inundada, pelo abastecimento de mais de três milhões de pessoas e pela manutenção da rica biodiversidade local: mais de 4 mil espécies de animais e plantas registrados. O Pacto em Defesa das Cabeceiras do Pantanal, como é conhecida a aliança, vai recuperar 700 quilômetros de rios (Paraguai, Jauru, Sepotuba e Cabaçal) e mais de 70 nascentes localizadas em 25 municípios de Mato Grosso. O trabalho de reflorestamento da mata ciliar abrange uma área de mais de 23 mil hectares. Para atender à demanda, a previsão é de que sejam criados novos negócios e empresas, como de produção de insumos, de execução de serviços e de qualificação profissional e mais de mil empregos e renda para as comunidades locais. "Abrem-se oportunidades de venda de sementes, ferramentas, mão-de-obra para o reflorestamento, retirada de entulho e instalação de cercas para a proteção das nascentes. Ou seja, toda uma cadeia produtiva será gerada e incentivada por meio da conservação ambiental”, diz o especialista em conservação do WWF-Brasil, Ângelo Lima. Serão necessários mais de 15 viveiros de mudas para fazer o replantio. A idéia dop Pacto surgiu após pesquisa realizada pelo WWF em 2012 em parceria com o HSBC, a he Nature Conservancy (TNC), o Centro de Pesquisas do Pantanal, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e a Carterpillar. Na ocasião foi constatado que a área das Cabeceiras do Pantanal estava em alto risco ecológico, requerendo ações urgentes. A ação conjunta entre todos os participantes foi formada no último dia 08 de novembro e todos se comprometeram a trabalhar na recuperação dos recursos hídricos da região. Carlos Nomoto, secretário-geral do WWF-Brasil, reforça a importância da Organização na conservação do Pantanal, “o reino das águas”: nossa missão é trabalhar por um planeta onde as pessoas vivam em harmonia com o meio ambiente e o Pacto mostra o potencial de uma ação quando é produzida em conjunto por toda a sociedade. Cada entidade participante do Pacto comprometeu-se voluntariamente a implementar em sua localidade pelo menos três ações que preservem as nascentes e os rios, como por exemplo: a recuperação de áreas degradadas, a adequação ambiental de estradas rurais e estaduais até 2020, a melhoria do saneamento básico, a implantação de biofossas nas zonas rurais e melhoria da gestão de resíduos sólidos e da gestão de recursos hídricos, a promoção de atividades culturais e educativas sobre a importância da proteção das águas (rios e nascentes) e do reflorestamento. Até o momento, o Pacto conseguiu a instalação de 40 biofossas na zona rural, evitando que dejetos humanos cheguem aos rios e melhorando a qualidade de vida dos produtores que passam a ter saneamento básico e um biofertilizante para regar árvores frutíferas. Os municípios de Tangará da Serra e Mirassol d’Oeste foram selecionados pela Agência Nacional de Águas (ANA) e vão receber recursos à implantação de projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), por meio do Programa Produtor de Água. Com isto, os produtores dos dois municípios serão remunerados financeiramente pela proteção das nascentes e dos recursos hídricos locais, pela conservação das matas ciliares e pela implementação de boas práticas agropecuárias e do manejo do uso do solo. A região das Cabeceiras do Pantanal abrange 25 municípios do Mato Grosso, sendo eles: Alto Paraguai, Araputanga, Arenápolis, Barra do Bugres, Cáceres, Curvelândia, Denise, Diamantino, Figueirópolis D´Oeste, Glória D´Oeste, Indiavaí, Jauru, Lambari D’Oeste, Mirassol D’Oeste, Nortelândia, Nova Marilândia, Nova Olímpia, Porto Esperidião, Porto Estrela, Reserva do Cabaçal, Rio Branco, Santo Afonso, São José dos Quatro Marcos, Salto do Céu e Tangará da Serra. O Dia do pantanal éi comemorado em 12 de novembro.

17 de novembro, 2015