BIOMAS

Campanha Cerrados conta histórias da região

A Rede Cerrado e a WWF-Brasil, entre os dias 15 de junho e 17 de agosto promovem a cada segunda-feira dez episódios de podcasts da Campanha Cerrados com realidades do bioma contadas a partir de histórias reais de moradores da região. A campanha tem ainda a parceria do site www.cerrados.org.br, com dicas e informações de mobilização para a preservação local, além de chatbot pela página da Rede Cerrado no Facebook (facebook.com/redecerrado). A iniciativa é resultado da articulação entre o WWF-Brasil e a Rede Cerrado, que reúne mais de 50 organizações da sociedade civil que atuam na promoção da sustentabilidade, em defesa da conservação do Cerrado e dos seus povos. 

Os episódios de podcasts estarão disponíveis no Spotify e outras plataformas digitais e irão expor os desafios humanos e ambientais. O primeiro episódio,  ‘Semeando água’, conta como Fabrícia Costa, uma coletora de sementes nativas, sofre com a falta de água em sua região. Ela une-se a outros moradores da comunidade Roça do Mato para replantar o Cerrado no norte de Minas Gerais como forma de combater a escassez hídrica. O Cerrado é indispensável para a regulação hídrica do Brasil: as raízes das árvores do bioma atuam como uma esponja gigante, absorvendo e estocando água da chuva e distribuindo para oito bacias hidrográficas do Brasil, alcançando milhões de nascentes e aquíferos importantes, como o Bambuí, Urucuia e Guarani.

O Cerrado abriga 12% da população brasileira e alcança 11 estados mais o Distrito Federal, sendo a maior savana biodiversa do mundo, que abriga 5% de todas as espécies da Terra (32% das quais são únicas), com 12 mil espécies de plantas. Mantém ainda um patrimônio cultural vivo nas comunidades tradicionais e povos originários, conhecidos como guardiões da biodiversidade e das águas do Cerrado. “No Cerrado vivem cerca de 80 etnias indígenas, além de quilombolas, extrativistas, geraizeiros/as, vazanteiros/as, quebradeiras de coco, veredeiros e veredeiras, ribeirinhos e ribeirinhas, apanhadores de flores sempre-viva, pescadores e pescadoras artesanais, barranqueiros e barranqueiras, fundo e fecho de pasto, sertanejos e sertanejas, ciganos e ciganas, agricultoras e agricultores familiares, entre tantos outros, que vivem, principalmente, do extrativismo e do artesanato”, lembra Maria do Socorro Teixeira Lima, quebradeira de coco e coordenadora-geral da Rede Cerrado. 

O segundo episódio, sobre Dona Lucely Pio, por exemplo, mostrará como a medicina tradicional pode ser uma forma de conservar o ambiente, gerar renda e ainda cuidar da saúde. Lucely encontra remédio para tudo nas plantas do Cerrado de Goiás. Pelas suas mãos, os conhecimentos ancestrais herdados pelos quilombolas da Comunidade do Cedro viram xaropes, pomadas, garrafadas. Já o sétimo episódio narra como lideranças jovens estão sistematizando os conhecimentos tradicionais dos anciões em uma aldeia Xavante no Mato Grosso.

Pelo messenger do perfil no Facebook da Rede Cerrado será possível conhecer vários caminhos e ferramentas de mobilização social, incluindo exemplos de boas práticas e tutoriais passo-a-passo. Será possível aprender sobre como organizar um financiamento coletivo, acompanhar ou propor um projeto de lei, como fazer um twittaço ou uma Live, entre outras opções. Todas as ferramentas prevêem o uso com poucos recursos e forte embasamento digital, de forma a envolver pessoas de todo o bioma. “Com esta campanha, convidamos as pessoas a se conscientizar sobre o momento que vivemos e a importância do agirmos juntos, agora – seja no ativismo digital, na educação, no voluntariado ou apoiando como doadores os projetos que realizamos com vários parceiros em todo Brasil”, explica Gabriela Yamaguchi, diretora de Sociedade Engajada do WWF-Brasil.

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