CONDOMÍNIOS

Conscientização é chave para sustentabilidade

Conscientização é chave para sustentabilidade

Por José Roberto Graiche Júnior *

Incentivar a sustentabilidade em espaços de convivência como condomínios residenciais requer um trabalho de conscientização, além de um debate maduro e informativo. Por ser um assunto que levanta muitas objeções e também múltiplas sugestões, é necessário ter em mente que iniciativas nessa direção exigem esforços para mudar hábitos quando as novas medidas forem colocadas em prática, sendo fundamental articular propostas individuais e coletivas para alcançar soluções que de fato façam a diferença.

Um condomínio sustentável está baseado em três frentes que estão diretamente ligadas ao funcionamento e à rotina dos condôminos: uso da água, energia elétrica e coleta seletiva. Gerir os impactos destes três pilares possibilita reduzir gastos, valorizar o empreendimento e melhorar a vida dos moradores, e conta principalmente com ações básicas e efetivas tanto por parte do síndico ou responsável pelo empreendimento, quanto da colaboração dos moradores.

Discutir e estabelecer o uso consciente da água, além de ser uma das medidas mais importantes em termos de custos, impacta diretamente na sustentabilidade de um recurso tão essencial. Em relatório divulgado em 2019, a ONU projetou que três bilhões de pessoas sofrerão com escassez hídrica em 2025. Devemos lembrar que fenômenos naturais como estiagem e crises hídricas são adversidades enfrentadas na nossa realidade.

Diante disso, uma das primeiras soluções pensadas para os condomínios é a reutilização de águas das chuvas. Os prédios mais novos já possuem sistemas para captação e reuso. Para os edifícios mais antigos, a adaptação dessas ferramentas é viável, com instalações de sistemas de reserva e purificação. Fazer essa adaptação gera um gasto inicial, mas a utilização da água para limpeza, rega de plantas e enchimento de piscinas certamente trarão economias futuras. Inclusive, a evaporação pode ser evitada em piscinas com o de uso de mantas térmicas modernas.

Outra medida importante no condomínio é a leitura e monitoramento diário do relógio d’água. Se houver aumento além dos padrões ou um vazamento, poderá ser rapidamente identificado e resolvido, evitando o desperdício. Os condomínios também podem substituir as descargas das áreas comuns pelas novas válvulas que limitam o fluxo hídrico entre três e seis litros.

Os moradores também podem adotar medidas responsáveis, como não tomar banhos mais longos do que o necessário, fechar a torneira ao escovar os dentes, se barbear ou na hora de lavar a louça, assim como ficar atentos a possíveis vazamentos. Propostas que sejam comuns a todos podem ser feitas ao síndico, em assembleia geral ou comunicado oficial.

Ao lado do uso da água, uma ação sustentável que merece destaque é a redução de consumo da energia elétrica. Soluções sofisticadas como painéis solares e fotovoltaicos têm surgido como oferta para condomínios para a geração de energia e fornecimento de aquecimento para as unidades. O aquecimento a gás, por exemplo, tem muito mais impacto negativo para o meio ambiental. Entretanto, apesar de os painéis estarem mais viáveis economicamente, ainda são caros para alguns condomínios.

Nesse caso, focar na iluminação é uma medida acessível e redutora de custos de energia elétrica. Campanhas internas e de manutenção preventiva são simples e têm retornos positivos e num curto prazo para moradores e condomínio. Também é recomendável que toda área comum tenha sensor de presença, para evitar desperdício. A troca das lâmpadas por opções de LED é viável e econômica, além da durabilidade e melhor iluminação.

O terceiro pilar, mas não menos importante, é o descarte correto do lixo e a coleta seletiva. Para condomínios preocupados com o funcionamento da reciclagem, deve-se ficar atento aos locais de coleta seletiva ou entrar em contato com as prefeituras que dispõem desse serviço. Internamente, os síndicos podem instalar pontos de coleta de lixos eletrônicos e encaminhar às empresas que descartam corretamente, assim como medicamentos, capsulas de café e tampinhas plásticas, que são recolhidos e descartados por diferentes empresas.

Incentivar iniciativas sustentáveis nos condomínios e entre os moradores, mesmo com pequenas premiações como uma cesta de café da manhã, mobilizam adultos e crianças e ajudam a trazer ideias diferentes para a administração do empreendimento, além de ser uma estratégia agradável. Neste período mais recente em que vivemos o isolamento social e um maior tempo de convivência entre as pessoas, certamente trouxe mais reflexão sobre o bem-estar e a saúde. Na vida em condomínio, é possível transformar pensamento em prática, levando em consideração ao mesmo tempo o meio ambiente e a melhor gestão de recursos.


*
José Roberto Graiche Júnior é Presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC)

Artigos Relacionados

Cerbras e Petrobras assinam contrato de suprimento no Nordeste
GÁS NATURAL
Cerbras e Petrobras assinam contrato de suprimento no Nordeste

De acordo com a Petrobras, este é seu primeiro contrato com um consumidor final que ocasionou migração do cliente do mercado cativo para o livre no Nordeste.

13 de fevereiro, 2026
Comissão aprova projeto que cria inventários nacionais de manejo
RESÍDUOS SÓLIDOS
Comissão aprova projeto que cria inventários nacionais de manejo

A medida será incluída como um novo instrumento da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

25 de janeiro, 2026
Copel vai premiar projetos que combatam desperdício
EFICIÊNCIA ENERGÉTICA
Copel vai premiar projetos que combatam desperdício

Nova chamada pública destinará R$ 40 milhões a projetos de eficiência energética com foco na economia de energia e o combate ao desperdício.

7 de janeiro, 2026
Copel recebe Selo Clima 2025 e reforça energia limpa
ENERGIA
Copel recebe Selo Clima 2025 e reforça energia limpa

O selo reconhece empresas, órgãos públicos e prefeituras que contribuem para o enfrentamento das mudanças climáticas ao se comprometerem com a medição e a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

4 de dezembro, 2025
BNDES aprova R$ 432 milhões para a LOGA gerir recursos sólidos
SÃO PAULO
BNDES aprova R$ 432 milhões para a LOGA gerir recursos sólidos

Os recursos são oriundos do Fundo Clima (R$ 126 milhões) e do Finem (R$ 126 milhões), além da primeira operação de Eco Invest do BNDES, no valor de R$ 180 milhões

21 de novembro, 2025
Maracanã adota energia 100% renovável
ENERGIA
Maracanã adota energia 100% renovável

Estádio projeta economia de 36% e reduz mil toneladas de CO₂ ao reforçar compromisso com a sustentabilidade.

18 de novembro, 2025
Vencedores do Prêmio SP Carbono Zero são conhecidos
EVENTOS
Vencedores do Prêmio SP Carbono Zero são conhecidos

Ao todo foram 154 projetos inscritos e a premiação reuniu representantes de empresas, ONGs e instituições públicas em uma das cerimônias mais concorridas do encontro.

6 de novembro, 2025
Casan investe R$ 1,4 milhão na instalação de painéis fotovoltaicos em ETA
ENERGIA SOLAR
Casan investe R$ 1,4 milhão na instalação de painéis fotovoltaicos em ETA

O projeto recebeu investimento de R$ 1,4 milhão e, no período de testes, tem como meta monitorar os impactos dos painéis nas atividades da ETA que tem capacidade para abastecer com 180 milhões de litros de água.

27 de outubro, 2025