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SANEAMENTO

Drenagem urbana precisa avançar junto com água e esgoto

Drenagem urbana precisa avançar junto com água e esgoto

Governo defende integração dos serviços para melhorar a gestão do saneamento nas cidades.

A integração entre os serviços de drenagem urbana e os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário tem sido apontada por especialistas e gestores públicos como um passo essencial para melhorar a gestão do saneamento no Brasil. A avaliação foi destacada por representantes do governo federal ao discutir os desafios do setor, considerado um dos mais complexos da infraestrutura urbana.

De acordo com a Secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do estado de São Paulo, Natália Resende, a drenagem — responsável pelo manejo das águas das chuvas nas áreas urbanas — precisa deixar de ser tratada de forma isolada e passar a fazer parte de uma gestão integrada com os demais serviços de saneamento. A proposta busca aumentar a eficiência das políticas públicas e melhorar a capacidade das cidades de enfrentar eventos climáticos extremos, como enchentes e alagamentos.

O debate ocorre em um momento em que o país busca avançar na implementação do novo modelo regulatório do setor. Desde a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020), o governo federal tem trabalhado para ampliar investimentos, melhorar a regulação e acelerar a universalização dos serviços de água potável e coleta e tratamento de esgoto.

Apesar desses avanços, a drenagem urbana ainda é considerada uma das áreas mais atrasadas dentro do saneamento. Diferentemente dos sistemas de água e esgoto, muitas cidades não possuem modelos estruturados de financiamento, planejamento ou regulação para lidar com a gestão das águas pluviais.

Nesse contexto, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) iniciou discussões para elaborar uma nova norma de referência voltada à drenagem e ao manejo de águas pluviais urbanas. A proposta pretende estabelecer padrões técnicos e indicadores para o setor, criando bases para o desenvolvimento de políticas públicas e modelos de negócios mais consistentes.

Especialistas apontam que a integração entre drenagem e saneamento pode trazer benefícios diretos para as cidades. A gestão conjunta dos serviços permitiria planejar melhor obras de infraestrutura, otimizar investimentos e reduzir impactos ambientais, além de fortalecer estratégias de prevenção de enchentes e adaptação às mudanças climáticas.

Outro desafio apontado é o modelo de governança. Atualmente, em muitas cidades brasileiras, a drenagem urbana permanece sob responsabilidade direta das prefeituras, enquanto água e esgoto podem ser operados por companhias estaduais ou concessionárias privadas. Essa fragmentação dificulta o planejamento de soluções integradas para o território urbano.

A expectativa do governo é que novas normas e diretrizes regulatórias incentivem a modernização do setor e ampliem a cooperação entre diferentes níveis de governo e operadores de saneamento.

Com eventos climáticos cada vez mais intensos e cidades mais impermeabilizadas, especialistas defendem que o futuro da infraestrutura urbana passa necessariamente por políticas de saneamento mais integradas — capazes de conectar drenagem, água, esgoto e planejamento urbano em uma mesma estratégia de desenvolvimento sustentável.

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Apesar de algumas estatísticas, principalmente as das Regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do país refletirem um quadro mais alentador, com índices de acesso à água entre 80% (Mato Grosso) e 96% (São Paulo), esta situação contrasta com a situação do Norte e do Nordeste do Brasil, com o estado de Rondônia apresentando uma situação surpreendente de subdesenvolvimento, com índice de apenas 43,6% da população com acesso à água. Além de uma falta de eficácia na prestação deste serviço essencial, o serviço de abastecimento de água nacional ainda apresenta um alarmante índice de perdas, ou seja, atualmente além das empresas de distribuição de água não oferecerem um serviço amplo de abastecimento, este serviço é ineficiente. De acordo com o SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), 38% de toda água distribuída não é contabilizada por causa de vazamentos, ligações irregulares ou falhas na medição. 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Um ponto fundamental do Novo Marco Regulatório é a exigência da universalização da cobertura do serviço de distribuição de água que deverá atingir 99% da população atendida e a coleta e tratamento de esgotos, 90%, até 2033. A proibição de novos acordos operacionais no “contrato de programa” (que são permitidos apenas no caso de empresas estatais e sem licitação) é também um grande passo para uma maior competição e aumento da eficiência nas contratações, pois o modelo de contratos de concessão torna-se obrigatório, com o município sendo obrigado a promover um processo de licitação para a definição do operador no local. Positivamente, todos os contratos atuais, sejam de programa ou de concessão, serão respeitados, mas deverão ser ajustados até março de 2022 para incluir as metas definidas. Os municípios sem contrato para a prestação de serviços de saneamento básico terão que formalizar contratos na mesma data. 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3 de agosto, 2020