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ENERGIA EÓLICA

Impactos do novo modelo de precificação

A Câmara de Comercialização de Energia (CCEE) implementou a nova forma de precificação da energia em 1° de janeiro de 2021, após inúmeras postergações. A nova forma leva em consideração a base horária no Mercado Livre. Embora a aplicação do chamado preço horário também possa causar impactos nos consumidores, esses efeitos já vêm sendo analisados por grandes players de geração de energia elétrica há algum tempo. Entre os mais impactados do segmento estão as energias eólicas, localizadas no Nordeste, pois sua produção é intensificada à noite, onde as condições do vento favorecem a geração e coincide com o período em que a demanda por energia é menor. Segundo análise da Trinity Energia, que comparou os efeitos da modulação contratual de usinas eólicas no Rio Grande do Norte e solares no Piauí com o PLD horário disponibilizado pela CCEE em 2019, ficou constatado que o empreendedor eólico assume um prejuízo de cerca de R$ 10,00//MWh para vender sua energia de forma flat, enquanto o gerador solar colhe um benefício de cerca de R$ 1,32/MWh. "A maior variação dos preços também abrirá espaço para que sejam exploradas novas formas de aproveitamento dos recursos renováveis, como a implementação de usinas híbridas, que combinam duas ou mais fontes de geração usando recursos diferentes. Começa a receber mais atenção também a possibilidade de instalação de bancos de baterias, para armazenamento da energia nos horários em que ela é mais barata, para posterior utilização nos momentos em que ela estiver mais cara", avalia João Sanches, CEO da Trinity Energia. Na mesma lógica da instalação das baterias, entram as usinas hidrelétricas reversíveis, que em momentos de elevada demanda de energia elétrica funcionam como uma usina hidrelétrica tradicional, em que a água é escoada de um reservatório mais alto para um mais baixo, acionando uma turbina e gerando energia elétrica. Quando a energia tem custos mais baixos, é acionada a função de bombeamento, que devolverá a água do reservatório inferior para o superior, devolvendo à usina a capacidade de geração. Dessa forma, a análise e precificação dos riscos provenientes da implementação do PLD horário são fundamentais para a estruturação de um projeto competitivo, que auxiliará na definição de preços de comercialização da energia, elaboração da estratégia de contratação de produtos para gerenciamento desse risco – como swaps de modulação – ou mesmo na avaliação da implementação de projetos capazes de mitigar esses riscos, combinando fontes e instalação de baterias.

A Câmara de Comercialização de Energia (CCEE) implementou a nova forma de precificação da energia em 1° de janeiro de 2021, após inúmeras postergações. A nova forma leva em consideração a base horária no Mercado Livre. Embora a aplicação do chamado preço horário também possa causar impactos nos consumidores, esses efeitos já vêm sendo analisados por grandes players de geração de energia elétrica há algum tempo. Entre os mais impactados do segmento estão as energias eólicas, localizadas no Nordeste, pois sua produção é intensificada à noite, onde as condições do vento favorecem a geração e coincide com o período em que a demanda por energia é menor.

Segundo análise da Trinity Energia, que comparou os efeitos da modulação contratual de usinas eólicas no Rio Grande do Norte e solares no Piauí com o PLD horário disponibilizado pela CCEE em 2019, ficou constatado que o empreendedor eólico assume um prejuízo de cerca de R$ 10,00//MWh para vender sua energia de forma flat, enquanto o gerador solar colhe um benefício de cerca de R$ 1,32/MWh. "A maior variação dos preços também abrirá espaço para que sejam exploradas novas formas de aproveitamento dos recursos renováveis, como a implementação de usinas híbridas, que combinam duas ou mais fontes de geração usando recursos diferentes. Começa a receber mais atenção também a possibilidade de instalação de bancos de baterias, para armazenamento da energia nos horários em que ela é mais barata, para posterior utilização nos momentos em que ela estiver mais cara", avalia João Sanches, CEO da Trinity Energia.

Na mesma lógica da instalação das baterias, entram as usinas hidrelétricas reversíveis, que em momentos de elevada demanda de energia elétrica funcionam como uma usina hidrelétrica tradicional, em que a água é escoada de um reservatório mais alto para um mais baixo, acionando uma turbina e gerando energia elétrica. Quando a energia tem custos mais baixos, é acionada a função de bombeamento, que devolverá a água do reservatório inferior para o superior, devolvendo à usina a capacidade de geração.

Dessa forma, a análise e precificação dos riscos provenientes da implementação do PLD horário são fundamentais para a estruturação de um projeto competitivo, que auxiliará na definição de preços de comercialização da energia, elaboração da estratégia de contratação de produtos para gerenciamento desse risco – como swaps de modulação – ou mesmo na avaliação da implementação de projetos capazes de mitigar esses riscos, combinando fontes e instalação de baterias.

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CRISE HÍDRICA
As consequências para o Brasil

Artigo por Valdo Marques Por Valdo Marques * Após grandes apertos em 2021, estamos começando a superar o desafio que o Brasil passou para evitar colapsos no fornecimento de energia elétrica. No ano passado, a falta de chuvas fez com que o nível dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste chegasse a 22,53%, o menor patamar dos últimos 20 anos, trazendo de volta, após 91 anos, a pior crise hídrica ao Brasil, impactando diretamente no preço da conta de luz ao consumidor. As duas regiões representam 70% da capacidade de armazenagem do sistema elétrico. Esse contexto foi somado à escassez de peças e insumos, decorrente do desarranjo logístico mundial, em função da pandemia Covid-19. Também houve um disparo na busca por grupos geradores, principalmente em setores como o da construção civil, indústria alimentícia, saúde, tecnologia, condomínios residenciais e agronegócio. A Stemac, por exemplo, maior especialista na fabricação e comercialização de grupos geradores, registrou um aumento de 40% no período mais crítico. O acréscimo no valor da energia elétrica aos consumidores, de R$ 9,49 para R$ 14,20 para cada 100 kW/h consumidos, foi necessário para bancar os custos com a maior utilização das usinas termoelétricas. No entanto, mesmo com este aumento e o governo instituindo o Programa de Incentivo à Redução Voluntária de Energia Elétrica, com direito a pagamento de um bônus a cada quilowatt-hora (kWh) economizado, os brasileiros aumentaram em 5,2% o consumo de energia elétrica em 2021, em relação ao ano anterior, conforme dados da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), em seu Boletim Trimestral de Consumo de Eletricidade. Em dezembro, a demanda subiu 2%, alcançando 42.937 GWh, sendo a melhor marca para o mês desde a série histórica da entidade, que acontece desde 2004. Comércio e indústria puxaram a expansão, com acréscimos de 6,7% e 2,9%. O mercado livre apresentou alta de 6,7% no período, enquanto o consumo cativo das distribuidoras retraiu 0,6%. Fato é que a crise hídrica já reúne muitos prejuízos, principalmente para as geradoras dependentes das hidrelétricas, que, sem água nos reservatórios, recorreram a preços elevados do mercado de curto prazo para honrar seus contratos de fornecimento. As distribuidoras, por sua vez, acumularam um déficit de R$ 12,4 bilhões até novembro do ano passado, já que a conta bandeira não se mostrou suficiente para equilibrar a equação receita/custo. É essencial entender que a harmonização do nosso sistema de abastecimento de água está baseada em três pilares: o ciclo anual de chuvas, que recarrega os reservatórios; o trabalho das companhias de saneamento básico para captar, reservar, tratar e distribuir água; e o uso consciente por parte da população, evitando o desperdício e revendo hábitos individuais e coletivos do dia a dia. Para isso, no entanto, falta eficiência para reter ao máximo a água da chuva; investimento em novas soluções, principalmente em regiões mais remotas, sem acesso à energia elétrica fornecida pelas concessionárias; e uma discussão fundamentada em dados, estudos e fatos, com objetivo de se trazer um modelo que possa, de fato, representar uma redução no preço final da energia para o consumidor e um tratamento mais equilibrado de riscos para todos os elos da cadeia do setor elétrico. * Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac.

31 de março, 2022
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ABSOLAR
Marco legal pode evitar retrocesso

O presidente-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Sauaia, afirma que a construção de um marco legal para a geração distribuída no Brasil é o melhor caminho para afastar o risco de retrocesso à energia solar e demais fontes renováveis utilizadas para a geração distribuída de energia elétrica em telhados, fachadas e pequenos terrenos no País. Atualmente, o Congresso Nacional debate o tema por meio de projetos de lei, como o PL 5828/2019, de autoria do deputado federal Silas Câmara e com atual relatoria do deputado federal Lafayette de Andrada. Um marco legal apara o setor já estava previsto para 2020. “Trata-se de uma demanda urgente da sociedade brasileira, especialmente diante deste cenário de duplo desafio global: socioeconômico, por conta da pandemia de COVID-19, e também ambiental, por conta do aquecimento global e das mudanças climáticas”, destaca. Segundo Sauaia, o marco legal deve valorar corretamente os benefícios que a geração distribuída agrega para toda a sociedade, tanto nas esferas social, econômica e ambiental quanto no próprio setor elétrico. Em relação ao substitutivo do PL 5828/19 apresentado recentemente, o executivo diz que parte destes atributos foi contemplada, o que contribui para uma solução de longo prazo ao tema, em benefício da sociedade. “No entanto, há espaço para melhorias, motivo pelo qual a ABSOLAR trabalha em aprimoramentos ao texto, por meio de emenda parlamentar”, acrescenta Sauaia. Apesar do avanço, a ABSOLAR alerta para o risco de retrocessos e insegurança jurídica na geração distribuída renovável no País. “O discurso destes grupos é baseado em uma análise parcial e incompleta sobre a geração distribuída, que deliberadamente deixa de fora das suas contas os benefícios trazidos pela geração própria renovável aos consumidores e à sociedade brasileira. Ao olhar para apenas uma face da moeda, você não está sendo equilibrado nem justo e ainda chega a conclusões equivocadas sobre o papel e a contribuição da geração distribuída ao Brasil”, comenta Sauaia. Com o objetivo de solidificar o debate, a associação apresentou análise a partir da contabilização dos diversos atributos da geração distribuída solar fotovoltaica. “Quando olhamos para os dois lados da moeda e contabilizamos os benefícios, que são muito maiores que quaisquer custos, a conclusão é exatamente o oposto do que estes grandes grupos defendem: a geração distribuída trará mais de R$ 13,3 bilhões em benefícios líquidos para todos os consumidores do setor elétrico até 2035, já descontados todos os custos”, explica o presidente executivo da entidade. O substitutivo apresentado pelo deputado Lafayette de Andrada propõe o pagamento gradual, pelos consumidores com geração distribuída, pelo uso da infraestrutura elétrica, por meio da chamada TUSD fio B (Tarifa de Uso de Sistema de Distribuição) das distribuidoras e concessionárias. Adicionalmente, estabelece uma transição de dez anos para a mudança do regime em relação ao modelo atual, em linha com as diretrizes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). As mudanças passariam a vigorar após 12 meses da publicação da Lei e garantem a manutenção das regras atuais aos consumidores pioneiros, trazendo mais segurança jurídica e regulatória aos consumidores quem geram a própria energia elétrica renovável. Para os sistemas de geração junto à carga (por exemplo, em telhados e fachadas de edificações), de geração compartilhada (usinas que produzem créditos de energia elétrica aos consumidores), EMUC (condomínios), autoconsumo até 200 kW e as fontes renováveis despacháveis terão cronograma gradual de pagamento da TUSD Fio B, que sobe de 0% em 2022 até 100% em 2033. A ABSOLAR identificou melhorias no texto e o deputado federal Evandro Roman propôs e apresentou uma emenda que prevê um gatilho para a mudança da regra a partir do atingimento de uma participação da geração distribuída de 10% no suprimento elétrico de cada distribuidora. Além disto, sugere redução pela metade da renumeração pelo uso da infraestrutura elétrica em comparação ao texto original do substitutivo, já que tais consumidores usam, em média, metade da rede em comparação a um consumidor sem geração distribuída.

22 de março, 2021
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ARTIGO
A retomada da economia brasileira e o cenário energético

Por Valdo Marques * São inegáveis os diversos impactos suportados por empresas, dos mais diversos setores no Brasil, em razão da pandemia de Covid-19 nos últimos 12 meses. Não obstante as centenas de milhares de mortes causadas pelo vírus, o País também se viu mergulhado em uma crise sem precedentes, resultando em desafios que transcendem, neste momento, a esfera da Saúde. Nesse sentido, cerca de um ano após os registros dos primeiros casos de Coronavírus no Brasil, é preciso assegurar condições para o crescimento dos setores que contribuirão para a retomada econômica aguardada por todos. A partir do desenvolvimento e da aplicação em massa das vacinas, o que se espera é que o país inicie novamente sua caminhada, em um cenário que ainda exigirá muita organização e resiliência. O setor elétrico é fundamental para que esta retomada ocorra de maneira pujante, sustentável e segura. É preciso fomentar os segmentos que serão essenciais, não somente no esforço de “fazer a roda da economia girar” novamente, mas também para mantê-la em funcionamento adequadamente. Atualmente, o gasto com energia elétrica no Brasil representa entre 7% e 8% dos custos de uma empresa. Por isso, a demanda é cada vez maior de companhias dos mais diversos portes, por soluções inteligentes para promover um melhor aproveitamento energético em suas atividades, reduzindo ou otimizando essa despesa que representa uma parcela tão importante de seus orçamentos. É necessário também entender, e levar em consideração, o impacto direto da pandemia no próprio setor de energia. Relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE) apontou para uma previsão de queda de 6% na demanda global de energia em 2020. O resultado representa um decréscimo sete vezes maior do que o registrado logo após a crise financeira global de 2008. Ainda que o isolamento das pessoas em suas casas possa ter ampliado de forma tímida o consumo de energia, a balança ainda se revela negativa quando levado em consideração o tempo inativo de empresas por todo o País. Há um esforço neste momento, através da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), para que o mercado de energia possa se recuperar de forma vivaz em 2021. No último mês de dezembro, por exemplo, houve a aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que a Câmara pudesse atuar no âmbito da judicialização do risco hidrológico. Trata-se de uma medida que poderá liberar aproximadamente R$ 9 bilhões nos primeiros três meses deste ano, devolvendo liquidez ao setor e proporcionando um ambiente propicio a novos investimentos e geração de empregos. Empresas e consumidores anseiam cada vez mais por soluções que lhes tragam eficiência, segurança e, principalmente, despesas menores. O setor está atento a estas demandas, alinhado também às proposições relativas ao fortalecimento da chamada “energia verde”, por todo o país. É premente às empresas no Brasil, diante de um cenário de profundos gargalos em infraestrutura estatal, que busquem soluções seguras, que permitam sua recuperação e a retomada do crescimento. Nesse sentido, a utilização de grupos geradores de energia garante uma solução eficaz e imediata às turbulências geradas pela falta de investimento público na infraestrutura nacional como um todo. A recuperação da economia brasileira em 2021 caminha lado a lado com o fortalecimento e fomento de diversos setores. Players e entidades que representam o setor elétrico estão cientes de suas responsabilidades diante deste cenário, confiantes de que suas capacidades e lideranças mantiveram-se resistentes frente às adversidades enfrentadas no último ano. * Valdo Marques é Vice-Presidente Executivo da Stemac, empresa que oferece soluções em Grupos Geradores comercial, empresarial e industrial

15 de março, 2021
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ARTIGO
O impacto da falta de eficiência energética no Brasil

Por Rodrigo Pereira * Menos é mais. Esse é o conceito básico de eficiência energética: dosar a quantidade de energia utilizada para determinada ação a fim de obter um resultado tão bom quanto outro que foi realizado com uma quantidade maior de energia. Mas será que o Brasil é um país preparado para considerar a eficiência energética no seu dia a dia? Um estudo realizado pelo Instituto E+, centro que aborda temas relacionados à energia, aponta a falta de eficiência energética no país. Segundo a pesquisa, o investimento nacional não chega a 50% do investimento feito por países europeus e estima-se que para chegar ao mesmo nível da União Europeia, por exemplo, nosso país ainda precise de 20 anos de caminhada. O fato é que o Brasil tem uma carência de investimentos no mercado local para a fabricação de produtos voltados à energia, não possibilitando ao consumidor e às empresas ter à sua disposição uma gama de produtos eficientes e com mais opções de escolha. Além disso, a pouca oferta de incentivos fiscais por parte do próprio governo brasileiro a fim de ajudar desde o fabricante ao consumidor final, torna a energia renovável inviável do ponto de vista financeiro. Ainda de acordo com o relatório do Instituto E+, atualmente o consumo de energia no Brasil é distribuído nos seguintes segmentos: transportes (34,8%), industrial (33,8%), energético (11,2%), residencial (10,6%), comercial e público (5,2%) e agropecuário (4,4%). Observa-se que os setores de transportes e indústria são os que mais consomem energia, fator difícil de reverter por se tratar de áreas que demandam muito mais energia se comparadas às outras. No entanto, é possível diminuir esse consumo, principalmente por meio de campanhas, sejam de iniciativa pública ou privada, que divulguem os benefícios do investimento em energia renovável. Por meio do fortalecimento do conhecimento na gestão da energia de cada um dos segmentos, deixando claro onde está o desperdício e onde se pode economizar sem perder a produtividade, existe grande chance de trazer uma eficiência energética para as grandes empresas de transporte e do setor industrial do país. Energia x Gastos Segundo a ABESCO– Associação Brasileira das Empresas Brasileiras de Conservação de Energia, em um período de três anos (2014-2016) o desperdício de energia no Brasil custou R$ 61,7 bilhões para o país. Este dado deixa clara a necessidade de ações voltadas ao mercado de eficiência energética para auxiliar na redução desses gastos nas empresas e, consequentemente, na economia nacional. Apesar da necessidade de investimentos em eficiência energética para minimizar o desperdício de energia, ainda estamos defasados neste sentido. Conhecimento e informação sobre esta questão são fundamentais para as boas práticas de eficiência energética não apenas nas empresas, mas em todos os lugares. Com um consumo energético mais eficiente, o mercado local torna-se mais competitivo, as empresas reduzem os custos relacionados à energia, mantendo ou até melhorando sua produtividade e, como resultado, a população em geral é beneficiada com a redução do preço dos produtos e serviços. Não é segredo que todo setor que possui gastos elevados com energia são os mais impactados economicamente. Portanto, são estes também os que mais devem se preocupar com a eficiência energética e como aplicá-la em seu ambiente. Apenas dessa maneira será possível aumentar o investimento em energia renovável no Brasil para fomentar a competitividade internacional e aumentar a demanda local. É importante ter consciência que o desperdício de energia está ligado a diversos fatores, como um compressor de ar comprimido que teve um consumo maior de energia nos últimos meses devido a vazamentos de ar na tubulação e que aumentaram seu período de funcionamento, por exemplo. Portanto, todo projeto de eficiência energética começa com um estudo da qualidade da energia utilizada, e para isso, existem equipamentos e tecnologias capazes de realizar uma medição para identificar os gargalos e então aplicar as correções necessárias. Perspectivas para o mercado de eficiência energética Apesar de tantos desafios e de ainda estarmos muito atrás no que diz respeito aos investimentos em energia, a perspectiva é de crescimento para o mercado brasileiro, uma vez que a questão energética tem estado mais em pauta justamente pela vantagem comercial e produtiva. Além disso, as empresas a cada dia estão investindo mais em sustentabilidade, o que inclui o uso de energias renováveis, buscando economia e minimizando os impactos ambientais. Atualmente já existem modelos variados de instrumentos para a medição de qualidade de energia. As empresas brasileiras estão atentas aos novos desafios do mercado e, por isso, têm desenvolvido equipamentos cada vez mais sofisticados para realizar medições complexas de forma rápida, precisa e segura. Além de equipamentos, a cada dia são disponibilizados também conjuntos de acessórios e softwares para auxiliar no trabalho com os próprios equipamentos, facilitando assim o uso dos produtos em qualquer situação de medição de qualidade de energia. Somente entendendo a origem do desperdício de energia é possível tomar decisões inteligentes sobre maneiras eficientes de reduzir o consumo e, consequentemente, os custos. No fim das contas, a melhor maneira de utilizar a energia de maneira eficaz, com base no conceito "menos é mais", e projetando um crescimento de mercado no país, é por meio da conscientização, investindo no conhecimento e na divulgação dos benefícios da aplicação da energia renovável. * Rodrigo Pereira é Gerente de Contas da Fluke do Brasil do segmento de energia, companhia líder mundial em ferramentas de teste eletrônico compactas e profissionais.

23 de outubro, 2020
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FONTES RENOVÁVEIS
Copel Mercado Livre compra 595 MW de energia solar e eólica

A Copel Mercado Livre realizou leilão de compra de energia incentivada eólica e solar no dia 14 de agosto. A subsidiária da Companhia Paranaense de Energia (Copel) contratou 162 MW médios pelo prazo de 13 anos, com o início do fornecimento previsto para janeiro de 2023. Os empreendimentos vencedores da Chamada Pública totalizam 595 MW de capacidade instalada, sendo 184 MW de energia eólica e 441 MW de energia solar. As usinas que irão gerar toda essa capacidade ainda serão construídas. A entrega de energia será feita para a Copel. De acordo com o diretor-geral da Copel Mercado Livre, Franklin Miguel, em 2020, em meio ao cenário econômico, somente o mercado livre de energia está sendo responsável pela expansão de geração do setor elétrico nacional. “Em 2020, apenas Copel e Jirau [Energia Sustentável do Brasil – ESBR] fizeram leilão para compra de energia oriunda de novos empreendimentos solares e eólicos. Isso é sinal de maturidade do mercado livre e da nossa solidez e preparo para este momento”, afirma. A Chamada Pública foi lançada no final de 2019, com previsão de compra de energia de novos projetos em três etapas. A primeira foi realizada em fevereiro de 2020 e a segunda terminou em 14 de agosto. A última etapa está prevista para o final de 2020. “Essa previsibilidade é importante para os empreendedores interessados em participar dos leilões da Copel Mercado Livre. Mesmo com o cenário econômico do ano de 2020, as etapas foram mantidas, pois estamos comprando energia para o longo prazo, além disso, o consumo do mercado livre tem reagido”, enfatiza Franklin Miguel. O período de suprimento dessa contratação vai de 2023 a 2035.

17 de agosto, 2020
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FONTES RENOVÁVEIS
As vantagens da integração de energias

O Brasil conta com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com 83% de sua fonte advinda de energias renováveis. A hidrelétrica tem maior participação, com 63,8%, seguida pela eólica (9,3%), biomassa e biogás (8,9%) e solar centralizada (1,4%). Os dados são do Ministério de Minas e Energia. Segundo o relatório do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), os três últimos tipos de geração de energia, somados, ultrapassam a geração de energia térmica a combustíveis fósseis. Como resultado, o Brasil tem alcançado uma diminuição da emissão de gases de efeito estufa (GEE) oriundos da geração de energia elétrica. Em 2019, o segmento reduziu em 5% essa emissão, com o avanço, principalmente, das energias eólicas e solar na matriz. Isso significa que existe uma oportunidade de crescimento para essas duas fontes. “As tecnologias solar e eólica se desenvolveram muito na última década, apresentando reduções de custos continuadas e tornando-se, naturalmente, competitivas em relação às fontes convencionais, como o gás natural e o carvão mineral”, avalia o engenheiro, físico e doutor em energia, Demóstenes Barbosa da Silva, presidente da BASE Energia Sustentável. A projeção é que a eólica pode responder por 11% da matriz elétrica em 2024, enquanto que a solar pode chegar a 2,4%. “Esses crescimentos podem se tornar vertiginosos assim que a economia brasileira voltar a crescer, pois os planos de expansão da oferta de energia no Brasil consideram essas duas fontes de energia como as mais vantajosas, tanto sob o ponto de vista econômico como no ambiental”, acrescentou. Contudo existem desafios, como a intermitência e a sazonalidade dessas duas fontes energéticas. Por outro lado, o mercado tem trazido tecnologias de armazenamento de energia por longo período. Um desses casos, por exemplo, é converter a energia em hidrogênio por meio da eletrólise de água, para ser armazenado e produzir eletricidade posteriormente. Pelo fato de o hidrogênio ser uma fonte limpa, não haveria emissões de GEE. O presidente da BASE Energia Sustentável recorda que a Agência Nacional de Energia Elétrica lançou, em 2016, a Chamada Pública 21 para projetos de Pesquisa & Desenvolvimento sobre a possibilidade de armazenamento no Brasil. “Os projetos aprovados para implantação estão próximos de suas conclusões e a expectativa é que, em 2021, sejam apresentadas várias respostas sobre como fazer armazenamento de energia em escala comercial no Brasil”, destaca. Uma estratégia para ampliar essa participação é a integração entre as energias renováveis, com o objetivo de ganhar eficiência e trazer benefícios ao meio ambiente, à economia e à vida das pessoas. “A diversidade de fontes energéticas renováveis abundantes e a evidente complementaridade entre suas características de sazonalidade e intermitência indicam um enorme potencial de aproveitamento sinérgico entre algumas delas, como a hidreletricidade e a solar”, explica Silva. Nesse sentido, seria possível operar duas plantas, uma hidrelétrica e outra solar, de forma conjugada, aumentando a energia garantida do conjunto, comparativamente ao modelo atual de operação, cuja otimização é feita no conjunto de todas as fontes conectadas no Sistema Interligado Nacional (SIN). Segundo o engenheiro, essa integração é perfeitamente viável, técnica e economicamente, e esses arranjos têm sido demonstrados em alguns projetos de empresas do setor. A integração pode ser feita aproveitando-se, por exemplo, áreas remanescentes da construção de barragens e reservatórios das usinas hidrelétricas, bem como áreas sobre as próprias superfícies dos reservatórios, para instalar-se plantas solares, sobre o solo e flutuantes. “A energia solar, que está invariavelmente disponível durante as horas de incidência solar durante o dia, pode ser priorizada para o atendimento da geração do conjunto formado com a hidrelétrica, enquanto se preserva água em seu reservatório, invertendo-se a prioridade nos períodos noturnos”, detalha o presidente da BASE Energia Sustentável. Desse modo, o armazenamento de energia resguarda o sistema ante a intermitência e, até mesmo, pode disponibilizar volumes maiores de energia a custos menores, uma vez que sob a forma de hidrogênio, essa energia pode ser armazenada a longos prazos. Por fim, Silva espera que, em futuro próximo, arranjos entre duas ou mais fontes de energia se tornem comuns no Brasil. Porém, será preciso, antes, vencer o desafio de se ter fabricantes aptos a fornecer equipamentos para implantar essa sinergia em larga escala.

13 de julho, 2020
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ENERGIA SOLAR
Inovagro deve impulsionar uso no campo

Segundo o CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), Rodrigo Sauaia, a ampliação de recursos da linha de financiamento Inovagro, anunciado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) durante o lançamento do Plano Safra para o período de 2020 e 2021, irá impulsionar o uso da energia solar fotovoltaica pelos produtores rurais no Brasil. Serão destinados cerca de R$ 2 bilhões para projetos de inovação no campo, um aumento de 33,3% em relação ao período anterior. “A oportunidade da energia solar no agronegócio é enorme e o interesse dos produtores rurais pela solução aumenta cada vez mais. Por isso, a ABSOLAR recomendou ao MAPA ampliar o acesso a crédito para sistemas fotovoltaicos no campo”. O novo Plano Safra destinou mais recursos aos produtores rurais para facilitar o acesso à tecnologia. “Ela (a tecnologia) é extremamente versátil e pode ser utilizada, por exemplo, no bombeamento e na irrigação de água, na refrigeração de carnes, leite e outros produtos, na regulação de temperatura para a produção de aves e frangos, na iluminação, em cercas elétricas, em sistemas de telecomunicação, no monitoramento da propriedade rural, entre muitas outras funcionalidades”, explica Sauaia. A ABSOLAR informa que os investimentos em energia solar nas propriedades rurais ultrapassaram a marca de R$ 1,7 bilhão no País. Os produtores rurais respondem, atualmente, por 11,7% da potência instalada na geração distribuída a partir do sol no Brasil.

22 de junho, 2020
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ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA
Baixo nível de hidrelétricas impulsiona setor

Segundo relatório recente da Agência Nacional de Águas (ANA), o baixo nível dos reservatórios das usinas nesta época do ano, somado à projeção de um maior consumo de eletricidade em 2020, eleva a relevância da energia solar fotovoltaica ao Brasil. O nível médio dos reservatórios está em 31,67%, enquanto em 2016, no mesmo período, o nível era de 37,35%. Em 2017, o índice estava em 35,76% e, nos anos de 2018 e 2019, o nível médio estava em 37,77% e 38,11%, respectivamente. O CEO da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, comenta que a energia solar fotovoltaica é cada vez mais estratégica ao País, pois ajuda a aliviar a operação do sistema elétrico nacional, economizando água dos reservatórios das hidrelétricas e reduzindo a necessidade de acionamento de termelétricas, mais caras e poluentes. “No caso da geração distribuída solar fotovoltaica, quando os próprios consumidores investem em sistemas em suas casas ou empresas, há também uma redução de gastos e economia que é compartilhada com todos os consumidores brasileiros, incluindo aqueles que nunca instalaram energia solar”. A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) afirma que o consumo de eletricidade no Brasil deve crescer aproximadamente 4,2% em 2020, na comparação com 2019 por causa do reaquecimento da economia nacional e a projeção positiva para o crescimento PIB deste ano. “Fato é que o Brasil precisará de energia para dar conta do crescimento econômico. Como o nível dos reservatórios hidrelétricos está muito baixo, há um risco iminente de acionamento de termelétricas a combustíveis fósseis, com um custo bastante alto que é repassado aos brasileiros em forma de aumento de bandeira tarifária (amarela e vermelha). Portanto, é necessário o estímulo à geração de eletricidade limpa, renovável e barata, como a energia solar”, diz o presidente do Conselho de Administração da Absolar, Ronaldo Koloszuk.

10 de fevereiro, 2020