Publicidade
EVENTOS

Ministros debatem água e saneamento pré-COP30

Ministros debatem água e saneamento pré-COP30

O Brasil tem avançado no acesso à água e saneamento com o Marco do Saneamento, mas ainda possui cerca de 30 milhões sem água encanada, enquanto 60 milhões não têm tratamento de esgoto, o que impacta saúde, educação e qualidade de vida.

A Reunião de Ministros do Setor (SMM 2025), convocada pela parceria Sanitation and Water for All (SWA), Governo da Espanha e UNICEF acontecerá nos dias 22 e 23 de outubro em Madri, Espanha, para debater o acesso universal à água e ao saneamento, reunindo governos, instituições de pesquisa, setor privado, prestadores de serviços e órgãos reguladores, além da sociedade civil, sob o tema “Quebrando silos: unindo a liderança política para integrar água, saneamento e ação climática”. O evento será um fórum essencial para transformar compromissos políticos em ações e garantir o seguimento delas.

O Brasil tem avançado no acesso à água e saneamento com o Marco do Saneamento, mas ainda possui cerca de 30 milhões sem água encanada, enquanto 60 milhões não têm tratamento de esgoto, o que impacta saúde, educação e qualidade de vida. Aproximadamente 2,8 milhões de crianças vivem sem acesso adequado à água, especialmente em áreas rurais. O novo marco do saneamento do Brasil, aprovado em 2020, catalisou uma nova fase de reformas e investimentos. A continuidade do financiamento e parcerias inovadoras serão essenciais para alcançar as metas de universalização até 2033. Em 2022, o Brasil investiu R$ 23 bilhões em saneamento, segundo a Roland Berger, mas seria necessário aproximadamente o dobro desse valor para alcançar 99% de acesso à água e 90% de cobertura de esgoto até 2033. O investimento total necessário é estimado em R$ 550 bilhões, em linha com números do Ministério do Desenvolvimento Regional e do Instituto Trata Brasil.

A SMM 2025 representará uma oportunidade importante para os países compartilharem experiências, criarem conexões e identificarem soluções criativas que unam saneamento, água e ação climática. O encontro de 2025 terá como foco o fortalecimento da liderança política, a mobilização de financiamento sustentável e a promoção de soluções integradas. Tais prioridades refletem o reconhecimento de que abordagens fragmentadas são ineficientes e que os governos devem alinhar suas agendas de gestão de recursos hídricos, saúde, meio ambiente e resiliência econômica para acelerar o acesso universal.

Todos esses tópicos dão continuidade à Reunião de Ministros do Setor da SWA de 2022, realizada em Jacarta, Indonésia, sob o tema “Construindo um futuro melhor para recuperação e resiliência”. Ministros da água e saneamento se reuniram com líderes dos setores de clima, saúde, meio ambiente e economia. O encontro reuniu mais de 350 participantes, incluindo representantes de 53 delegações governamentais e mais de 50 ministros, resultando em quase 70 novos compromissos nacionais submetidos por meio do Mecanismo de Prestação de Contas Mútua da SWA, além de mais de 130 reuniões bilaterais realizadas para fornecer apoio técnico e avaliar o progresso dos países.

Entre os destaques previstos para a edição 2025 estão o lançamento do Pacto de Líderes de Alto Nível sobre Segurança Hídrica e Resiliência, que consolidará acordos políticos globais; o fortalecimento do Mecanismo de Prestação de Contas Mútua, para garantir que os compromissos sejam cumpridos, a preparação de discussões para a COP30, em Belém, e para a Conferência da ONU sobre Água de 2026. Como país-sede da COP30, o Brasil tem uma oportunidade única de mostrar seus avanços e compromissos na integração entre água, saneamento e clima, reforçando sua liderança no Sul Global. Mais informações podem ser encontradas no site https://www.smm-swa.org/.

Artigos Relacionados

Saneamento Ambiental Logo
ÁGUA POTÁVEL
OMS exige investimentos urgentes

Durante a Semana Mundial da Água, realizada de 25 a 30 de agosto, em Estocolmo, Suécia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a ONU-Água exigiram investimentos urgentes em fortes sistemas de água potável e saneamento. Segundo relatório divulgado pelas duas organizações, atualmente há sistemas governamentais fracos e escassez de recursos monetários e humanos, que comprometem a prestação de serviços de água e saneamento nos países mais pobres do mundo, minando os esforços para garantir saúde para todos. “Muitas pessoas não têm acesso à água potável, banheiros e lavatórios confiáveis e seguros, colocando-as em risco de infecções mortais e ameaçando o progresso da saúde pública”, diz o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. A Avaliação e Análise Global da ONU-Água para Saneamento e Água Potável 2019 (conhecida como relatório GLAAS) pesquisou 115 países e territórios, representando 4,5 bilhões de pessoas. O levantamento mostrou que grande parte dos países tem implementado políticas e planos de água, saneamento e higiene limitados por recursos humanos e financeiros inadequados. Dezenove países e um território relataram uma lacuna de financiamento de mais de 60% entre as necessidades identificadas e o financiamento disponível. Menos de 15% dos países têm os recursos financeiros ou humanos necessários para implementar seus planos. "Se queremos criar uma sociedade mais saudável, mais justa e estável, o fortalecimento dos sistemas para alcançar aqueles que vivem atualmente sem serviços de água, saneamento e higiene seguros e acessíveis deve ser uma prioridade", diz Gilbert F Houngbo, presidente da ONU Água e Presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola. O relatório também descobriu que os países começaram a tomar medidas positivas para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 em água e saneamento. "Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável nos inspiraram a adotar ações concretas em nível nacional para aumentar o acesso ao saneamento", diz David Molefha, engenheiro-chefe de água do Ministério de Serviços de Água e Saneamento do Ministério de Gerenciamento de Terras de Botsuana. “Desenvolvemos um roteiro de saneamento e estamos trabalhando para eliminar a defecação a céu aberto. Com essas ações, estamos trabalhando para melhorar a vida das pessoas”. Cerca de metade dos países pesquisados já estabeleceu metas de água potável que visam a cobertura universal em níveis superiores aos serviços básicos até 2030, por exemplo, abordando a qualidade da água e aumentando o acesso à água nas instalações. Além disso, a eliminação especificamente da defecação a céu aberto terá um impacto dramático na saúde pública e ambiental.

2 de setembro, 2019