Nova barragem em Bofete reforça segurança hídrica no interior paulista

Com investimento de R$ 9,4 milhões, obra pretende garantir abastecimento a 11 mil moradores e reduzir impactos de eventos climáticos extremos
O Governo do Estado de São Paulo anunciou a construção de uma nova barragem no município de Bofete, a cerca de 210 quilômetros da capital paulista, como parte de uma estratégia para reforçar a segurança hídrica e reduzir a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. A obra, coordenada pela SP Águas, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, contará com investimento de R$ 9,4 milhões e deverá beneficiar aproximadamente 11 mil moradores.
A iniciativa busca solucionar um histórico de interrupções no abastecimento de água que remonta a 2009, quando chuvas intensas atingiram a região. Na ocasião, em um intervalo de apenas 80 minutos, o volume de precipitação superou o esperado para um período de 15 dias, provocando o rompimento da barragem então existente. O episódio resultou em deslizamentos, inundações e danos à infraestrutura local, levando à decretação de emergência e à interrupção do fornecimento de água.
Desde então, soluções provisórias foram adotadas para restabelecer o abastecimento. Uma estrutura emergencial instalada a cerca de 650 metros do ponto original chegou a operar temporariamente, mas voltou a ser comprometida por novos episódios de chuvas intensas em 2011, evidenciando a necessidade de uma intervenção definitiva. Diante desse cenário, a construção da nova barragem foi classificada como prioritária no planejamento estadual de recursos hídricos.
Durante o anúncio oficial, o governador Tarcísio de Freitas destacou o caráter estratégico da obra, ressaltando seu papel na garantia de abastecimento e na ampliação da resiliência do município frente às mudanças climáticas. Na mesma linha, a secretária Natália Resende enfatizou a relevância do empreendimento para a segurança hídrica regional, classificando-o como uma conquista aguardada há mais de uma década.
Prevista para ser concluída no primeiro semestre de 2027, a barragem será implantada na bacia do Rio do Peixe, com capacidade de armazenamento útil de 136,3 mil metros cúbicos de água. A estrutura terá 145 metros de extensão e será construída com terra compactada, técnica que garante maior estabilidade ao maciço ao reduzir espaços vazios no solo. O núcleo será preenchido com argila, formando uma barreira impermeável destinada a evitar infiltrações.
Do ponto de vista operacional, o projeto incorpora mecanismos de segurança voltados ao controle do nível da água e à prevenção de danos estruturais. Entre eles, estão o descarregador de fundo, que permite o esvaziamento controlado do reservatório, e um vertedouro em formato de labirinto, projetado para escoar o excesso de água em períodos de chuvas intensas, reduzindo o risco de transbordamentos.
Segundo o diretor da SP Águas, Nelson Lima, a barragem foi dimensionada para assegurar a regularidade do abastecimento mesmo em períodos de estiagem, além de garantir a manutenção da vazão mínima no curso d’água a jusante, conciliando o uso para consumo humano com a preservação ambiental.
A construção da barragem em Bofete integra um conjunto mais amplo de ações voltadas à resiliência hídrica no estado. Atualmente, o governo paulista conduz mais de mil frentes de obras nessa área, com investimentos que superam R$ 25 bilhões, incluindo intervenções estruturais, soluções baseadas na natureza e aprimoramento do monitoramento hidrometeorológico.
Entre os programas em andamento, destaca-se o Programa Integra Tietê, que busca recuperar a capacidade de vazão do Rio Tietê e de seus afluentes. Desde 2023, já foram investidos mais de R$ 955 milhões na iniciativa, com a remoção de milhões de metros cúbicos de sedimentos. Outras ações incluem a construção de reservatórios de contenção de cheias — como o Piscinão Jaboticabal — e projetos de macrodrenagem em municípios da Região Metropolitana.
No interior e no litoral, o Programa Rios Vivos tem promovido o desassoreamento de cursos d’água em centenas de municípios, enquanto o Fundo Estadual de Recursos Hídricos amplia o apoio financeiro a projetos locais de saneamento e drenagem. Essas iniciativas são complementadas por estratégias de infraestrutura verde, que utilizam áreas naturais como reservatórios para retenção de água, contribuindo para mitigar os impactos de eventos extremos.
Nesse contexto, a nova barragem de Bofete é vista como uma solução estruturante para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas, garantindo maior segurança no abastecimento e reduzindo a exposição da população a riscos hidrológicos recorrentes.












