ONU agiliza ações para combater fome diante do super El Niño

A ONU, através do Programa Mundial de Alimentos, intensifica ações humanitárias para combater a fome aguda prevista para afetar quase 50 milhões de pessoas devido ao super El Niño, com foco especial em regiões como Moçambique.
Por meio de seu Programa Mundial de Alimentos (WFP), a ONU adota uma nova abordagem no modelo de resposta humanitária por conta do fenômeno climático do super El Niño, previsto para durar até fevereiro de 2027. Quase 50 milhões de pessoas podem ser lançadas em situação de fome aguda em regiões da África, Ásia e América Latina, com Moçambique sendo um dos casos mais graves. O país africano tem mais de 1,19 milhão de pessoas que enfrentam insegurança alimentar severa após choques climáticos e conflitos sucessivos. No ciclo atual, 81 mil pessoas já estão no nível de emergência.
A combinação de cheias, o impacto do ciclone Tropical Gezani e o calor prolongado, somados ao conflito no extremo norte do país africano de língua portuguesa, que já deslocou mais de 27 mil pessoas, elevou os preços dos alimentos e reduziu de forma drástica o poder de compra das famílias. No Sudão do Sul e na América Latina, as intervenções preventivas protegem colheitas, sustentam economias locais e preservam a dignidade de comunidades inteiras. Casos extremos incluem Kapoeta North, no Sudão do Sul, onde o leito do rio Singaita se transformou numa extensa faixa de areia queimada pelo calor. Onde antes existiam campos verdes de sorgo e milho, hoje resta uma terra gretada e estéril.
Na região do Sahel, em países como o Chade, agro pastores enfrentam histórias de vulnerabilidade com a falta de comida a cada dia. A escala do desafio estende-se ao Corredor Seco da América Latina, com agricultores como Teresa Gómez, na Guatemala, e Federico Medina Bardales, em Honduras, a enfrentar a incerteza de estações de chuva imprevisíveis. Nesse cenário de emergência, a operação das Nações Unidas prioriza a prevenção ativa.
A agência da ONU fornece transferências monetárias diretas, capacitação técnica, silos de armazenamento de grãos e sistemas de monitorização climática de alta precisão, como a ferramenta MapTool, em Madagáscar. Como resultado dessa nova abordagem, o apoio financeiro distribuído no Sudão do Sul antes do agravamento da seca permitiu que milhares de famílias comprassem mantimentos essenciais e movimentassem o comércio local. No Paquistão, a identificação prévia de zonas de risco prepara as populações para alternâncias brutais entre secas e inundações. Para o WFP, agir previamente não reduz apenas os custos financeiros da ajuda humanitária a longo prazo, mas representa, a principal linha de defesa para impedir que eventos climáticos extremos se tornem catástrofes humanas irreversíveis.












