É preciso enfrentar o Super El Niño e ampliar soluções contra escassez hídrica

O fortalecimento do Super El Niño intensifica a urgência de soluções para a segurança hídrica, com riscos de eventos climáticos extremos e pressão sobre os recursos hídricos em diversas regiões do Brasil.
Os últimos monitoramentos mostram que o fortalecimento do El Niño recolocou a segurança hídrica no centro das discussões climáticas. Há 97% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início do outono de 2027 e 81% de chance de atingir intensidade muito forte ("super El Niño") entre outubro e dezembro deste ano. O cenário aumenta o risco de eventos climáticos extremos e amplia a pressão sobre rios, mananciais e reservatórios em diferentes regiões do país.
O fenômeno deve impactar as regiões brasileiras de formas distintas : previsão de chuvas mais intensas no Sul e condições mais secas em parte do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste, além do momento também representar uma oportunidade para acelerar medidas capazes de tornar o país mais resiliente aos efeitos das mudanças climáticas. "Fenômenos climáticos não podem ser evitados. O risco de faltar água, porém, pode ser reduzido com preparação, tecnologia e resiliência. Uma crise hídrica não começa quando falta água na torneira. Os sinais aparecem muito antes, e é nesse momento que as decisões fazem diferença", afirma Márcio José, CEO da Aquapolo Ambiental e especialista em segurança hídrica.
Para Márcio, o desafio vai além de enfrentar o Super El Niño, mas ampliar soluções que já demonstraram ser eficazes para reduzir os impactos da escassez hídrica. “O monitoramento, redução de perdas nas redes de distribuição, diversificação das fontes de abastecimento, investimentos em infraestrutura, recarga de aquíferos e reúso de água já fazem parte da estratégia de adaptação adotada por empresas e gestores públicos em diferentes regiões do País. O desafio, agora, é ampliar essas iniciativas antes que eventos extremos pressionem os sistemas de abastecimento. O Brasil já dispõe de tecnologias e experiências bem-sucedidas para fortalecer sua segurança hídrica. A questão é transformar essas iniciativas em uma estratégia cada vez mais abrangente de adaptação às mudanças climáticas", acrescenta.
Uma das soluções é o reuso de água para fins industriais, que reduz a retirada de água potável dos mananciais e ajuda a preservar esse recurso para o abastecimento da população. A Aquapolo produz até 1.000 litros por segundo de água de reúso para uso industrial e foi apontada em estudo do Banco Mundial como uma iniciativa que contribuiu para aumentar a resiliência hídrica durante as crises de 2014-2015 e 2021, permitindo que empresas mantivessem suas operações sem ampliar a captação de água dos reservatórios.












