MUDANÇAS CLIMÁTICAS

São Paulo elabora plano de contingência para combater impactos do El Niño

São Paulo elabora plano de contingência para combater impactos do El Niño

São Paulo lança plano de contingência para o período de estiagem, com foco em monitoramento hídrico ampliado e combate a incêndios, diante das projeções de um inverno rigoroso.

A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) apresentou o plano estadual de contingência para o período de estiagem, que inclui um novo modelo de monitoramento hídrico com janela de análise ampliada para 15 anos e a expansão da Operação SP Sem Fogo para 613 municípios. As medidas foram debatidas durante reunião extraordinária do Conselho Estadual de Mudanças Climáticas (CEMC) e respondem às projeções da Defesa Civil. São Paulo enfrentará um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos, com risco de incêndios elevado e previsão de chuvas graduais a partir de meados de agosto por influência do El Niño – fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.

Coordenado por representantes da Casa Civil, o encontro reforçou o compromisso do Governo do Estado com ações emergenciais focadas em tecnologia de monitoramento, combate a incêndios e segurança hídrica. “É esperado que o inverno em São Paulo seja um dos mais intensos já registrados, apesar do início da estação ser marcado por tempo seco e massas de ar frio, a tendência é de aumento da umidade e das chuvas nos próximos meses”, explicou o meteorologista da Defesa Civil de São Paulo, William Mioto. Segundo ele, as regiões mais influenciadas pelo El Niño serão o sul e o leste do estado, incluindo a Região Metropolitana de São Paulo, o Vale do Ribeira e áreas próximas à divisa com o Paraná.

Responsável pela divisão de proteção da Defesa Civil do estado, o Major PM Rodrigo Fiorentini explicou que as estratégias do Plano de Contingência para o período de estiagem estão focadas na gestão de riscos associados à escassez hídrica, baixa umidade relativa do ar e prevenção de incêndios florestais entre os meses de junho e outubro. “Fortalecemos o monitoramento, ampliando a capacidade de resposta dos municípios, e investimos na proteção das nossas unidades de conservação. Ao todo, os nossos gestores treinaram mais de três mil agentes locais para a Operação SP Sem Fogo. O plano de contingência para o clima seco contou com a adesão de 613 cidades, dos 645 municípios paulistas, um aumento expressivo em relação ao ciclo do ano passado. Produtores rurais de assentamentos receberam capacitação técnica para apoiar a supressão do fogo em núcleos comunitários”, afirmou Fiorentini. Segundo o Major, uma das estratégias é a de antecipar ameaças de fogo utilizando a Muralha do Fogo, um sistema que conecta as câmeras rodoviárias ao centro de controle estadual.

A Fundação Florestal recebeu R$19,3 milhões para patrulhar parques e reservas ecológicas, enquanto agentes ambientais vão operar drones termais de longo alcance para identificar pontos quentes à noite e equipes em campo com 243 brigadistas temporários irão abrir trilhas e fazer a fiscalização ambiental. Foram investidos ainda, na entrega aos municípios, 100 caminhões-pipa, 22 utilitários tracionados e centenas de kits manuais de abafamento. O planejamento inclui o custeio de horas de voo para aeronaves que operam em terrenos de difícil acesso.

Representantes da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e da SP Águas, agência de Águas do Estado de São Paulo, responsável pela regulação, fiscalização e gestão dos recursos hídricos em todo o território paulista, apresentaram o planejamento das ações e monitoramento do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) no período de estiagem, em preparação para os possíveis impactos do El Niño. Entre as novidades, o novo modelo de monitoramento hídrico que passou a incorporar oficialmente eventos climáticos globais, como o El Niño e a La Niña, na matriz de risco operacional. O novo sistema também vai considerar na análise uma maior janela temporal de comportamento hidrológico dos últimos 15 anos, ante a janela anterior que começava em 2021. A extensão do período de análise permite a captação dos efeitos históricos de fenômenos climáticos. Outra novidade é o monitoramento específico da curva do Cantareira, junto ao Sistema Integrado Metropolitano. “A metodologia é muito focada em prevenção e contingência e, cada vez mais, no aumento da previsibilidade, vendo o ciclo hidrológico como um todo. A gente sabe que tem um desafio crônico, histórico, de estar em uma região que tem uma escassez maior que a do Nordeste. Mas é importante olharmos o que a gente tem feito, com planejamento na parte regulatória, de política pública, de contratos também para a gente conseguir superar esse desafio e dar mais segurança hídrica para os paulistas”, afirmou a secretária da Semil, Natália Resende.

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